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segunda-feira, 18 de maio de 2026

As Estrelas: Elizabeth Taylor

As Estrelas: Elizabeth Taylor
Elizabeth Taylor foi uma das maiores estrelas da história de Hollywood e tornou-se um símbolo mundial de glamour, talento e celebridade ao longo do século XX. Nascida em 1932, em Londres, na Inglaterra, ela era filha de americanos que viviam no exterior por motivos profissionais. Com o início da Segunda Guerra Mundial, sua família retornou aos Estados Unidos e se estabeleceu na Califórnia, onde a beleza impressionante da jovem Elizabeth rapidamente chamou atenção da indústria cinematográfica. Ainda criança, ela começou a atuar em pequenos papéis até conquistar fama internacional com filmes produzidos pela Metro-Goldwyn-Mayer. Seus olhos violetas, beleza clássica e enorme presença diante das câmeras fizeram dela uma das atrizes mais admiradas de sua geração. O sucesso veio muito cedo, especialmente após sua atuação em National Velvet, obra que a transformou em estrela infantil mundial. Durante os anos seguintes, Elizabeth Taylor passou da condição de atriz mirim para uma sofisticada protagonista do cinema adulto, conseguindo algo raro em Hollywood: manter o sucesso em diferentes fases da vida. Sua trajetória artística atravessou décadas de transformações no cinema americano. Além do talento dramático, ela tornou-se uma figura constantemente presente nas manchetes de jornais e revistas de celebridades.

Durante as décadas de 1950 e 1960, Elizabeth Taylor consolidou-se como uma das atrizes mais importantes do cinema mundial. Ela participou de diversos filmes clássicos e demonstrou enorme versatilidade em dramas, romances e produções históricas grandiosas. Obras como A Place in the Sun, Giant e Cat on a Hot Tin Roof ajudaram a fortalecer sua reputação como atriz dramática de primeira linha. Elizabeth trabalhou ao lado de alguns dos maiores nomes de Hollywood, incluindo James Dean, Paul Newman e Montgomery Clift. Sua amizade profunda com Montgomery Clift marcou sua vida pessoal, especialmente após o grave acidente automobilístico sofrido pelo ator em 1956, quando Elizabeth ajudou a salvar sua vida antes da chegada dos médicos. Em 1960, ela conquistou o primeiro Oscar da carreira por sua atuação em BUtterfield 8. Poucos anos depois, venceria novamente o prêmio com sua performance em Who's Afraid of Virginia Woolf?, considerado um dos maiores trabalhos de sua carreira. Sua capacidade de interpretar personagens intensos e emocionalmente complexos consolidou seu nome entre as maiores atrizes da história do cinema.

Um dos episódios mais famosos da vida de Elizabeth Taylor envolveu a superprodução Cleopatra, um dos filmes mais caros já produzidos até então. Durante as filmagens, Elizabeth interpretou a lendária rainha egípcia Cleópatra e tornou-se a primeira atriz da história a receber um salário milionário em Hollywood. Entretanto, o filme ficou ainda mais conhecido pelo romance explosivo entre Elizabeth Taylor e Richard Burton, seu parceiro de cena. O relacionamento dos dois causou enorme escândalo internacional, pois ambos eram casados na época. A paixão intensa entre Elizabeth e Burton transformou-se em uma das histórias de amor mais comentadas do século XX. O casal casou-se, separou-se, reconciliou-se e voltou a casar novamente anos depois, mantendo uma relação marcada por amor, conflitos, luxo e dramatismo constante. Juntos, participaram de diversos filmes e tornaram-se um dos casais mais famosos da história do entretenimento. Elizabeth Taylor também ficou conhecida por seu estilo sofisticado, suas joias milionárias e sua vida cercada de glamour. Seus casamentos — ao todo foram oito uniões — tornaram-se assunto frequente da imprensa internacional. A atriz passou a representar não apenas o cinema clássico de Hollywood, mas também o nascimento da cultura moderna das celebridades globais.

Apesar da fama e do luxo, Elizabeth Taylor enfrentou inúmeros problemas pessoais e de saúde ao longo da vida. Ela sofreu acidentes graves, problemas cardíacos, complicações respiratórias e diversas cirurgias. Em vários momentos, chegou a correr risco de morte. Além disso, enfrentou períodos difíceis relacionados ao uso de medicamentos e álcool, algo que a própria atriz discutiu publicamente em determinadas fases da carreira. Mesmo diante dessas dificuldades, Elizabeth demonstrava enorme força pessoal e conseguia retornar ao trabalho repetidas vezes. A partir dos anos 1980, ela passou a dedicar grande parte de sua vida ao ativismo humanitário, especialmente na luta contra a AIDS. Em um período em que muitos evitavam falar sobre a doença devido ao preconceito, Elizabeth Taylor tornou-se uma das primeiras grandes celebridades a defender publicamente pacientes e campanhas de conscientização. Ela ajudou a arrecadar milhões de dólares para pesquisas médicas e fundações de apoio a pessoas infectadas pelo HIV. Sua atuação humanitária foi amplamente reconhecida internacionalmente e ajudou a mudar a percepção pública sobre a doença. A atriz utilizou sua fama mundial para chamar atenção para causas sociais importantes. Esse trabalho acabou se tornando uma das partes mais admiradas de sua trajetória fora das telas.

Elizabeth Taylor faleceu em 2011, aos 79 anos, deixando um legado gigantesco para a história do cinema e da cultura popular mundial. Sua imagem permanece associada à era dourada de Hollywood, período em que os grandes estúdios transformavam atores em figuras quase míticas diante do público. Poucas artistas conseguiram unir beleza, talento dramático, carisma e vida pessoal tão intensamente acompanhada pela imprensa internacional. Elizabeth Taylor influenciou gerações de atrizes e continua sendo lembrada como uma das mulheres mais famosas do século XX. Seus filmes permanecem populares até hoje, especialmente entre admiradores do cinema clássico americano. Além de sua contribuição artística, sua coragem ao defender causas humanitárias garantiu reconhecimento muito além do universo cinematográfico. A atriz também ficou marcada por sua personalidade forte, independência e capacidade de sobreviver a inúmeros momentos difíceis ao longo da vida. Seus romances, casamentos e amizades continuam despertando fascínio entre historiadores, jornalistas e fãs de cinema. O nome de Elizabeth Taylor permanece eternamente ligado ao glamour clássico de Hollywood. Sua trajetória mistura talento artístico, escândalos, luxo, sofrimento e generosidade, consolidando-a como uma das figuras mais inesquecíveis da história do entretenimento mundial.

A Coragem de Lassie

Título no Brasil: A Coragem de Lassie
Título Original: Courage of Lassie
Ano de Lançamento: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Fred M. Wilcox
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Elizabeth Taylor, Frank Morgan, Tom Drake, Selena Royle

Sinopse:
O filme Courage of Lassie conta a história de Bill, um cachorro da raça collie que é adotado por uma jovem chamada Kathie Merrick. Criado em um ambiente afetuoso e tranquilo, o animal desenvolve forte ligação com sua dona. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, Bill é enviado para servir ao exército como cão de guerra. Após viver experiências traumáticas nos campos de batalha, ele retorna profundamente abalado e agressivo, tornando-se incapaz de conviver normalmente com as pessoas. Kathie então luta para recuperar a confiança e o equilíbrio emocional do animal, tentando provar que ainda existe bondade dentro dele.

Comentários:
Courage of Lassie é um drama emocional que combina aventura, guerra e amizade entre humanos e animais. Embora utilize o famoso nome “Lassie”, a história não possui ligação direta com a continuidade dos filmes anteriores da personagem, funcionando como uma narrativa independente. Elizabeth Taylor, ainda muito jovem, demonstra mais uma vez seu talento e presença de tela em uma produção familiar típica da MGM dos anos 1940. O filme também chama atenção por abordar, de forma relativamente incomum para a época, os traumas psicológicos causados pela guerra — neste caso refletidos no comportamento do cão. Com forte apelo sentimental e bela fotografia em Technicolor, tornou-se uma lembrada produção clássica envolvendo a famosa collie do cinema.

Erick Steve. 

A Mocidade é Assim Mesmo

Título no Brasil: A Mocidade é Assim Mesmo
Título Original: National Velvet
Ano de Lançamento: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Clarence Brown
Roteiro: Helen Deutsch, Theodore Reeves
Elenco: Elizabeth Taylor, Mickey Rooney, Donald Crisp, Anne Revere, Angela Lansbury

Sinopse:
O filme National Velvet acompanha Velvet Brown, uma jovem apaixonada por cavalos que sonha em participar da tradicional corrida inglesa Grand National. Quando ela ganha um cavalo considerado indomável, acredita que encontrou a oportunidade de transformar seu sonho em realidade. Com a ajuda de um ex-jóquei vivido por Mickey Rooney, Velvet treina o animal secretamente para competir em uma das corridas mais difíceis e prestigiadas do mundo. A jornada da garota envolve perseverança, coragem e superação de barreiras sociais e pessoais.

Comentários:
National Velvet é um dos filmes mais famosos da juventude de Elizabeth Taylor, ajudando a transformá-la em uma das maiores estrelas de Hollywood. Sua atuação carismática e natural impressionou crítica e público, mesmo ela sendo ainda adolescente na época das filmagens. O filme mistura drama familiar, aventura e emoção esportiva, tornando-se um clássico do cinema voltado para toda a família. Também é lembrado pela belíssima fotografia em Technicolor e pelo forte apelo emocional da história. Ao longo das décadas, a obra consolidou-se como um dos grandes filmes sobre cavalos e sobre a realização de sonhos, mantendo enorme prestígio dentro da história do cinema americano.

Erick Steve. 

Evocação

Título no Brasil: Evocação
Título Original: The White Cliffs of Dover
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Clarence Brown
Roteiro: Claudine West
Elenco: Irene Dunne, Alan Marshal, Roddy McDowall, Elizabeth Taylor

Sinopse:
O filme narra a estória dramática da vida de Susan Ashwood (Irene Dunne), uma enfermeira americana em Londres que ajuda na recuperação e tratamento de centenas de feridos em combate. Seu trabalho se torna ainda mais importante quando seu próprio filho volta do campo de batalha, completamente destruído tanto do ponto de vista físico como psicológico. 

Comentários:
Outro filme da infância de Liz Taylor (ela tinha apenas 10 anos de idade quando a produção foi filmada). O roteiro foi baseado no poema de  Alice Duer Miller, o que já nos dá uma ideia de como o cinema era lírico naqueles tempos. Outro fato digno de nota em relação à pequena Elizabeth Taylor é que esse foi o primeiro filme com ela no elenco a concorrer ao Oscar, na categoria Melhor Fotografia em preto e branco (méritos do excelente diretor de fotografia, o respeitado e conhecido George J. Folsey, que merecia ter levado o prêmio para casa). Embora possa ser classificado como um drama de guerra com pitadas de  tragédia, esse filme tem como grande virtude resgatar um pouco do heroísmo das mulheres que serviram como enfermeiras durante a sangrenta segunda guerra mundial. Importante salientar que quando o filme foi lançado a guerra ainda persistia, o que no final das contas acabou se revelando uma bonita homenagem para todas essas heroínas anônimas que prestaram seus serviços no conflito mais devastador da história da humanidade.

Pablo Aluísio.

Jane Eyre

Título no Brasil: Jane Eyre
Título Original: Jane Eyre
Ano de Produção: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Robert Stevenson
Roteiro: Aldous Huxley
Elenco: Orson Welles, Joan Fontaine, Margaret O'Brien, Elizabeth Taylor

Sinopse:
Depois de uma infância dura, a órfã Jane Eyre é contratada por Edward Rochester, o dono e senhor de uma mansão misteriosa, para cuidar de sua filha. Não demora muito e ela logo se sente atraída pelo inteligente, vibrante e energético Mr. Rochester, um homem com o dobro de sua idade.

Comentários:
Mais uma bela versão para o clássico livro "Jane Eyre" de autoria da escritora inglesa Charlotte Brontë (1816 - 1855) que publicou seu romance pela primeira vez em 1847. Nesse filme temos algumas coisas relevantes para os amantes da sétima arte. A primeira delas é o fato de termos um elenco realmente excepcional, em especial o grande diretor Orson Welles no papel de Edward Rochester. Sua voz de trovão e maravilhosa presença cênica já vale o filme inteiro. Some-se a isso a bela atuação de Joan Fontaine como Jane Eyre e você terá seguramente um dos melhores elencos já reunidos para essa adaptação. Como brinde o cinéfilo ainda será presenteado pela atuação da pequena Elizabeth Taylor como Helen Burns. A atriz tinha apenas 11 anos quando realizou o filme, mas já mostrava todo seu talento em cena, não se intimidando com os monstros da sétima arte que contracenavam com ela. Algumas pessoas realmente já nascem como estrelas, independente da idade, que o diga a pequena Liz nesse "Jane Eyre".

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Elizabeth Taylor - Texto III

É interessante notar que Liz Taylor foi amiga de praticamente todos os grandes ídolos do cinema de sua época. Nutria sincera amizade com James Dean, Marlon Brando e Rock Hudson. Era de fato uma pessoa mestre em transformar colegas de trabalho em amigos próximos de longa data. Com Montgomery Clift não foi diferente. Clift foi um dos vértices da trindade sagrada de atores dos anos 1950, formada ainda por Brando e Dean. Se diferenciava deles por ter uma personalidade muito mais reservada, torturada e gentil. Enquanto Dean era associado com delinquentes juvenis e Brando encarnava toda a rebeldia rude de seu tempo, Clift era discreto, tímido e muito na dele. O que ligava os três atores era o fato de serem considerados os mais promissores atores jovens de sua geração, além de possuírem um talento nato lapidado no Actors Studio de Nova Iorque.

A amizade de Montgomery Clift com Elizabeth Taylor foi longa e muito verdadeira. Isso porque não demorou muito para Liz se colocar na posição de conselheira pessoal e íntima de Clift, algo que os anos provariam não seria nada fácil. Monty tinha muitos problemas emocionais em sua vida privada. Não conseguia se acertar com nenhuma garota por longo tempo (o que daria origem a infundadas fofocas de que era gay) e tampouco conseguia superar seus problemas de alcoolismo e depressão. O relacionamento com o pai também era fonte de vários problemas. O estilo refinado e educado do ator também lhe trazia algumas dificuldades de relacionamento na terra do exibicionismo barato que era Hollywood.

Segundo várias biografias no começo de tudo Montgomery Clift realmente deu vazão a uma paixão platônica em relação a Elizabeth Taylor. Isso ficou bem evidente no set de filmagens de "Um Lugar ao Sol". Não é de se admirar pois Liz e Clift era jovens radiantes, estavam subindo os degraus do Olimpo em Hollywood e viviam negando para a imprensa que havia um romance entre eles. De fato não havia, muito por causa da falta de coragem por parte de Clift em avançar o sinal e tentar algo com sua parceira de cena. Liz poderia ceder, mas ela tinha uma personalidade tão ofuscante que Clift se viu na sombra dela rapidamente. Para não perder sua amizade resolveu não arriscar. Afinal de contas se tentasse consumar um romance com ela e não desse certo, certamente perderia sua amizade.

Com o passar dos anos Montgomery Clift foi ficando cada vez mais absorvido em si mesmo, em seus problemas. Liz foi testemunhando sua queda lentamente. Mesmo assim resolveu ficar o mais perto possível do ator, tentando colocar ele de volta ao bom caminho. E foi justamente após uma festa em sua casa que Clift sofreu um terrível acidente de carro, por estar dirigindo completamente embriagado. O acidente deformou parte de seu rosto e praticamente destruiu sua carreira em Hollywood. Foi justamente Liz que tentou escalar Clift em vários filmes seus após esse acidente, justamente para que ele não ficasse desempregado e nem deprimido em sua casa.

Esse ato fez com que Montgomery Clift ficasse tão próximo a ela que mais parecia um irmão mais jovem da atriz. Infelizmente nada disso evitou a morte precoce de Montgomery Clift em julho de 1966 em Nova Iorque. Ele tinha apenas 45 anos mas uma vida de excessos havia cobrado seu preço e Monty mais parecia um velho ao morrer. Tinha fortes dores de cabeça em decorrência da batida de seu carro e tentava controlar tudo com forte medicação e muita bebida. Essa mistura explosiva acabou com o restante de sua saúde. Para Clift a morte acabou sendo um alívio de seus demônios pessoais. A tragédia deixou a atriz abalada e ela procurou resumir o amigo de uma forma bem carinhosa ao se referir a ele como "uma alma bondosa e terna".

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Um Lugar ao Sol

Um Lugar ao Sol
George Eastman (Montgomery Clift) é o jovem sobrinho de um rico industrial do mercado de roupas femininas. Seu tio logo o emprega em uma das fábricas como empacotador. Lá conhece a operária Alice (Shelley Winters) e logo se enamora dela. Ao mesmo tempo em que corteja Alice acaba se envolvendo também com Angela Vickers (Elizabeth Taylor) uma rica garota da alta sociedade. O triângulo amoroso trará consequências trágicas para todos os envolvidos. "Um Lugar Ao Sol" é um dos grandes clássicos da carreira de Montgomery Clift e Elizabeth Taylor. O filme mescla muito bem romance, suspense e drama. Vivendo em dois mundos completamente distintos o personagem de Montgomery Clift, um pobre rapaz que anseia subir na vida algum dia, acaba perdendo o controle dos acontecimentos em sua vida emocional, o que o levará a pagar um alto preço por se envolver com duas garotas ao mesmo tempo. George Stevens foi um dos grandes diretores do cinema americano. Austero e detalhista ele filmava muitas tomadas diferentes, de ângulos diversos para só depois montar o filme ao seu bel prazer. Assistindo "Um Lugar ao Sol" é fácil perceber que ele estava literalmente obcecado pelo belo rosto juvenil de Elizabeth Taylor. O cineasta usa e abusa de vários closes do rosto de sua atriz, o que não é nada mal uma vez que Liz estava no auge de sua beleza. Com traços delicados e lindos olhos azuis (que infelizmente não foram captados pois o filme foi rodado em preto e branco) a estrela poucas vezes esteve tão bonita como aqui.

O roteiro foi baseado no livro "An American Tragedy" de Patrick Kearney. Embora ficcional a estória foi inspirada em fatos reais acontecidos em Chicago na década de 20. A situação toda é bastante sórdida e demonstra que não existem muitos limites para a maldade da alma humana, embora no filme o personagem Geroge Eastman seja de certa forma amenizado. É fácil compreender a razão. Não haveria como rodar toda uma produção como essa em cima de um mero assassino. Assim tudo foi cuidadosamente suavizado para não chocar muito o público americano dos anos 50. O resultado de tanto capricho veio depois nas bilheterias e nas ótimas críticas que o filme conseguiu. Shelley Winters e Montgomery Clift foram indicados ao Oscar. Embora não tenham sido premiados o filme em si conseguiu vencer em seis categorias (inclusive direção e roteiro), se consagrando naquele ano. Até o gênio Charles Chaplin se rendeu ao filme declarando que havia sido o "melhor filme que já tinha assistido em sua vida". Além disso os bastidores da produção deram origem a muitas histórias saborosas envolvendo Clift e Taylor, que se tornariam amigos até o fim de suas vidas. Depois disso não há muito mais o que escrever. Para os cinéfilos "Um Lugar ao Sol" é mais do que obrigatório. Um filme essencial.

Um Lugar ao Sol (A Place In The Sun, Estados Unidos, 1951) Direção: George Stevens / Roteiro: Harry Brown, Michael Wilson / Elenco: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Anne Revere / Sinopse: George Eastman (Montgomery Clift) é o jovem sobrinho de um rico industrial do mercado de roupas femininas. Seu tio logo o emprega em uma das fábricas como empacotador. Lá conhece a operária Alice (Shelley Winters) e logo se enamora dela. Ao mesmo tempo em que corteja Alice acaba se envolvendo também com Angela Vickers (Elizabeth Taylor) uma rica garota da alta sociedade. O triângulo amoroso trará consequência trágicas para todos os envolvidos. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia (William C. Mellor), Melhor Figurino (Edith Head), Melhor Edição (William Hornbeck) e Melhor Música (Franz Waxman).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

O Papai da Noiva

Título no Brasil: O Papai da Noiva
Título Original: Father of the Bride
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Vincente Minnelli
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: Spencer Tracy, Elizabeth Taylor, Joan Bennett, Don Taylor, Billie Burke, Leo G. Carroll

Sinopse:
Stanley Banks entra em crise quando descobre que sua jovem filha está prestes a se casar. Enquanto tenta lidar com a ideia de perdê-la para outro homem, ele também precisa encarar o caos emocional e financeiro dos preparativos do casamento. A situação foge totalmente do controle em uma série de momentos cômicos, mostrando a difícil, mas amorosa, transição de um pai ao ver sua filha crescer.

Comentários: 
Foi uma das maiores bilheterias daquele ano, consagrando a sina de estrela de uma ainda bem jovem Elizabeth Taylor que inclusive está perfeita para o papel. A atriz estava com apenas 18 anos, se casando com Conrad Hilton Jr. semanas antes da estreia do filme. Curiosamente, a MGM transformou seu casamento real em um grande evento publicitário. Assim um evento de sua vida pessoal foi devidamente usado para promover o filme o que gerou um grande interesse por parte do público da época. Esse filme também gerou um dos papéis mais famosos de Spencer Tracy. Ele ficou amplamente associado ao papel do pai nervoso e amoroso, considerado um dos mais marcantes de sua carreira. O filme também foi elogiado pela crítica, sendo indicado em três categorias do Oscar. Muitos anos depois a mesma história rendeu um remake chamado "O Pai da Noiva" com Steve Martin e Diane Keaton.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Hollywood Boulevard - Elizabeth Taylor - Texto II

O Romance de Elizabeth Taylor
Na Hollywood dos anos 60, o jovem George Hamilton estava no lugar certo na hora certa. "Os executivos do estúdio me disseram: Se encontre com todas as atrizes que você puder, mas certifique-se que elas estejam sob contrato conosco!". Era uma tática de promover atrizes e atores, para que seus encontros saíssem em jornais e revistas da moda. Dessa maneira os artistas ganhavam publicidade praticamente grátis. Assim relembra George Hamilton sobre seu primeiro encontro com Liz Taylor.

"Elizabeth Taylor fazia parte do elenco contratado da Fox, então pensei, por que não ir lá pedir um encontro com ela? O máximo que poderia acontecer de ruim era levar um fora!" - Era uma ousadia e tanto mas Hamilton arriscou. "Ela gostou da minha ousadia ao chamá-la para jantar fora. Assim que a conheci entendi que era um ser humano único! Ela era muito divertida, podia ficar acordada a noite toda jogando cartas se isso o fizesse feliz. Depois pela manhã decidia que queria viajar, pegávamos o primeiro avião e íamos para a Europa. Ela era maior que a vida!".

Como se sabe Liz Taylor colecionou relacionamento em Hollywood mas George Hamilton se destacou em sua lista de namorados por causa de suas opiniões firmes. "Era um relacionamento típico, onde um queria se impor ao outro, uma luta de poder! Mas eu não estava disposto a mudar minha atitude e isso a intrigava. Eu dizia a ela que não iria aceitar tão facilmente as suas decisões e ela me perguntava se eu a estava ameaçando, eu dizia que não, estava apenas fazendo uma promessa a ela!"

Para George Hamilton um homem jamais deve deixar uma mulher assumir o controle total em uma relação. "Não importa se é Elizabeth Taylor ou uma mulher comum, não famosa. A verdade é que as mulheres sempre vão testar você. Se você se deixar dominar será o fim. As mulheres de uma maneira em geral não gostam de ser submissas mas também não querem um sujeito fraco ao lado delas".

As coisas iam bem entre eles mas para a infelicidade de Hamilton, Liz Taylor acabaria se apaixonando perdidamente pelo ator Richard Burton com quem se casaria, se divorciaria e depois se casaria novamente. Com isso George Hamilton resolveu encerrar o relacionamento amoroso com ela, mas a amizade se firmou e durou até a morte de Liz. "De certa forma o fim do namoro significou o começo de uma grande amizade. Fui seu amigo até seus últimos dias. Tenho ótimas memórias pessoais ao seu lado. Um ano ao lado de Elizabeth Taylor poderia encher toda uma vida de grandes lembranças" - finalizou o ator.

Pablo Aluísio.

Filmografia Elizabeth Taylor


Filmografia Elizabeth Taylor
A Força do Coração
Jane Eyre
Evocação
A Mocidade é Assim Mesmo
A Coragem de Lassie
As Delícias da Vida
Nossa Vida com Papai
O Príncipe Encantado
Travessuras de Júlia
Quatro Destinos
Traidor
O Papai da Noiva
A Verdade Não se Diz
O Netinho do Papai
Um Lugar ao Sol
Quo Vadis
Esperto Contra Esperto
O Melhor é Casar
Ivanhoé, O Vingador do Rei
A Jovem Que Tinha Tudo
Rapsódia
No Caminho dos Elefantes
O Belo Brummel
A Última Vez que Vi Paris
Assim Caminha a Humanidade
A Árvore da Vida
Gata em Teto de Zinco Quente
De Repente, no Último Verão
Disque Butterfield 8
Cleópatra
Gente Muito Importante
Becket, o Favorito do Rei
Adeus às Ilusões
Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
A Megera Domada
Os Pecados de Todos Nós
Doutor Faustus
Os Farsantes
O Homem Que Veio de Longe
Cerimônia Segreta
Ana dos Mil Dias
Jogo de Paixões

Obs: Filmografia até o ano de 1970. Em breve colocaremos todos os filmes. 

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Hollywood Boulevard - Elizabeth Taylor - Texto I

Elizabeth Taylor
Ao longo de sua carreira a atriz Elizabeth Taylor criou um carinho e amizades bem sólidas com inúmeros astros de Hollywood. Ela foi bem próxima de Rock Hudson, James Dean e Montgomery Clift. Sempre que identificava uma certa vulnerabilidade em torno de alguém que estava trabalhando ao seu lado, ela imediatamente se oferecia como amiga e apoio nos momentos complicados e difíceis de superar.

E em termos de vulnerabilidade poucos astros eram tão desprotegidos como Montgomery Clift. Ele teve uma educação refinada, nos melhores colégios, mas precisou mudar de vida quando sua família, outrora rica e abastada, perdeu quase tudo durante a quebra da bolsa de Nova Iorque. A partir daí Mont precisou trabalhar e achou na profissão de ator o caminho que tanto procurava na vida. Acabou sendo muito bem sucedido não apenas nos palcos de teatro como também nas telas de cinema. Era muito talentoso, ao ponto de ser reconhecido por ninguém menos que Marlon Brando como o "melhor ator de sua geração".

Ao lado do grande talento de ator havia também um ser humano inseguro, com problemas pessoais envolvendo alcoolismo. Uma identidade sexual incerta também colaborava bastante para seus traumas psicológicos. Assim Elizabeth Taylor se colocou ao seu lado, desde que o conheceu pela primeira vez. Ela o protegeu da imprensa - sempre em busca de escândalos sexuais envolvendo famosos - e se prontificou a sempre lhe ajudar. Quando dava jantares e festas em sua casa, Liz sempre convidava Clift. A razão é que ele tinha uma personalidade tímida e solitária e ela o ajudava a se socializar melhor.

E em Hollywood comparecer em eventos sociais era vital para a carreira de qualquer ator. Eram nessas festas que contratos com produtores eram fechados, elencos formados. Em mais de uma ocasião, Liz colocou como condição de sua participação em filmes a contratação também de Montgomery Clift aos estúdios. Era uma forma não apenas de arranjar trabalho para ele como também de ocupar seu tempo, evitando que sua personalidade auto destrutiva se impusesse em sua vida. Foram amigos até o fim, porém nada e nem ninguém pode salvar alguém de si mesmo. Montgomery Clift morreu jovem e arruinado pela bebida, apesar de todos os esforços de sua grande amiga Liz Taylor.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Ivanhoé - O Vingador do Rei

Filmes clássicos ambientados na Idade Média sempre me deixaram surpreso com as cores do figurino, os exageros do Technicolor, as roupas multicoloridas. E o mais interessante de tudo é que esses filmes retrataram muito bem esse período histórico. Na Idade Média era assim mesmo. Roupas coloridas eram associadas aos nobres pois esse tipo de coloração era algo extremamente caro, longe da realidade dos pobres e plebeus. Por essa razão havia cavaleiros com roupas extravagantes, exageradamente coloridas. Era sinal de riqueza, status e poder.

Esse filme "Ivanhoé, o Vingador do Rei" foi um típico filme feito em Hollywood mostrando e explorando as aventuras de um famoso personagem medieval. O roteiro não se sobressai muito do que era a média dos anos 1950, mas o filme se notabilizou principalmente pelo elenco muito bom. Uma jovem e bonita Elizabeth Taylor domina o filme da primeira à última cena. Ela inclusive, ao meu ver, ofusca completamente o verdadeiro astro do filme, o canastrão Robert Taylor. Apesar dos nomes artísticos semelhantes é bom frisar que eles não tinham qualquer laço de parentesco. Enfim, uma bela aventura medieval. Cheio de clichês, é verdade, mas um filme símbolo daqueles anos. Até hoje consigo me divertir com essa produção.

Ivanhoé, o Vingador do Rei (Ivanhoe, Estados Unidos, 1952) Direção: Richard Thorpe / Roteiro: Noel Langley / Elenco: Robert Taylor, Elizabeth Taylor, Joan Fontaine, George Sanders, Emlyn Williams / Sinopse: Esse filme clássico recria as aventuras do famoso personagem Ivanhoé, que luta contra as forças do mal enquanto tenta proteger sua amada.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 1 de julho de 2025

O Melhor é Casar

Título no Brasil: O Melhor é Casar
Título Original: Love Is Better Than Ever
Ano de Lançamento: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Stanley Donen
Roteiro: Ruth Brooks Flippen
Elenco: Elizabeth Taylor, Larry Parks, Josephine Hutchinson

Sinopse:
A professora de dança Anastacia "Stacie" Macaboy (Elizabeth Taylor) se apaixona pelo inteligente agente de teatro Jud Parker (Larry Parks). Ele também gosta dela, mas não o suficiente para desistir de sua emocionante vida de solteiro e playboy. Então ela planeja armar uma armadilha para ele finalmente subir ao altar da igreja ao seu lado.

Comentários:
Um filme romântico com pitadas de humor que no quadro geral se torna bem agradável de se assistir. Entretanto se formos comparar com outros grandes clássicos do cinema em que Elizabeth Taylor atuava nessa mesma época como "Um Lugar ao Sol", por exemplo, as coisas se complicam mesmo. Esse filme é uma obra menor dentro de sua filmografia e isso em um dos momentos mais marcantes de toda a sua carreira. Liz Taylor que vinha colecionando elogios e sucessos de bilheteria aqui apenas fez o comum, o normal em termos de filmes românticos. Seus fãs e os críticos da época esperavam algo mais, por isso a recepção foi meio morna. Curiosamente seu parceiro romântico em cena seria atingido em cheio pela lista negra de Hollywood. Ator promissor e talentoso, Larry Parks viu sua carreira afundar para sempre depois disso. Enfim, um filme na média, mas que pelo menos serviu para imortalizar a imagem de uma bela e jovem Elizabeth Taylor em seus anos de juventude 

Pablo Aluísio.

domingo, 9 de março de 2025

A Força do Coração

Título no Brasil: A Força do Coração
Título Original: Lassie Come Home
Ano de Produção: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Fred M. Wilcox
Roteiro: Hugo Butler, Eric Knight
Elenco: Roddy McDowall, Donald Crisp, Elizabeth Taylor, Dame May Whitty

Sinopse:
A vida não está fácil para a família Carraclough. Para diminuir as despesas e ganhar algum dinheiro eles resolvem vender Lassie para um rico duque da região. Isso deixa o pequeno Joe Carraclough (Roddy McDowall) muito entristecido mas para sua alegria Lessie não está disposta a abandonar sua antiga família! Assim uma jornada de volta ao lar começa com muitas aventuras e perigos para a sua fiel amiga.

Comentários:
Os filmes de Lassie fizeram muito sucesso nas décadas de 1940 e 1950. Até os anos 70 seus filmes eram reprisados constantemente nas TVs abertas brasileiras, em especial na Sessão da Tarde da Rede Globo. Esse "Lassie Come Home" tem um atrativo muito especial para cinéfilos de plantão. Em seu elenco surge a futura estrela Elizabeth Taylor. Na época em que o filme foi realizado ela era apenas uma garotinha simpática, com apenas onze anos de idade. Por essa razão entendemos bem porque Liz foi desde muito jovem uma autêntica movie star. O interessante é que ela conseguiu não apenas fazer a transição de atriz mirim para grande estrela do cinema americano como também o fez com raro talento, mostrando sua evolução ao longo dos anos em seus filmes. De fato foi uma artista que cresceu ao lado de seu público. "A Força do Coração" foi o segundo filme de Elizabeth Taylor. Um ano antes ela já tinha aparecido em "There's One Born Every Minute" de Harold Young, onde apesar de ser tão jovem já se destacava dentro do elenco. Em suma, eis uma excelente oportunidade não apenas de ver a pequena Elizabeth Taylor como também de matar as saudades dos nostálgicos filmes de Lassie.

Pablo Aluísio.