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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Peggy

Título no Brasil: Peggy
Título Original: Peggy
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal-International Pictures
Direção: Frederick De Cordova
Roteiro: Bruce Manning, baseado no romance The Fair Young Phoenix, de E. V. Timms
Elenco: Diana Lynn, Charles Coburn, Anne Francis, John Derek, Barbara Lawrence, Connie Gilchrist, Rock Hudson, Harry Davenport e Ray Collins.

Sinopse:
Ambientado no início do século XX, Peggy acompanha a jovem Peggy O'Hara, filha de um professor universitário que se muda com a família para uma pequena cidade americana. Inteligente, espontânea e cheia de entusiasmo, Peggy rapidamente conquista a simpatia dos moradores, mas também provoca situações embaraçosas com seu comportamento pouco convencional para os rígidos padrões sociais da época. Enquanto tenta adaptar-se ao novo ambiente, ela vive os primeiros romances, enfrenta os desafios da vida adulta e aprende importantes lições sobre responsabilidade, amizade e amor. Em meio a festas, eventos universitários e encontros familiares, a protagonista descobre que crescer significa encontrar o equilíbrio entre seus sonhos e as expectativas da sociedade. O filme combina romance, humor e drama leve, oferecendo um retrato nostálgico da juventude americana do início do século XX.

Comentários:
Lançado em 1950, Peggy foi recebido como uma agradável comédia romântica de época, destacando-se principalmente pelo carisma de Diana Lynn. A atriz, conhecida por interpretar jovens inteligentes e independentes, recebeu elogios da crítica por sua atuação natural e cativante. O The New York Times descreveu o filme como uma produção leve e simpática, ressaltando que seu principal mérito estava na espontaneidade de Diana Lynn e no clima nostálgico cuidadosamente construído pela direção de Frederick De Cordova. A revista Variety também publicou uma crítica favorável, observando que o longa oferecia entretenimento familiar de qualidade, embora seu roteiro seguisse fórmulas bastante tradicionais das comédias românticas da época. Os críticos destacaram ainda o excelente trabalho de Charles Coburn, veterano vencedor do Oscar, cuja presença conferia elegância e humor às cenas em que aparecia. A fotografia, os figurinos e a reconstrução do ambiente universitário americano do início do século XX também foram elogiados por sua riqueza de detalhes e autenticidade.

Com o passar das décadas, Peggy tornou-se uma obra relativamente pouco lembrada pelo grande público, mas continua despertando interesse entre admiradores do cinema clássico de Hollywood. Historiadores observam que o filme representa bem o estilo de produções leves e otimistas que dominaram parte da indústria cinematográfica americana no pós-guerra. Em retrospectivas dedicadas à carreira de Diana Lynn, diversos críticos apontam Peggy como uma de suas atuações mais encantadoras, demonstrando seu talento para personagens românticas e bem-humoradas. Embora nunca tenha alcançado o status de clássico, o longa é frequentemente elogiado por seu charme, pelos diálogos espirituosos e pelo retrato idealizado da vida universitária americana. Entre os fãs do cinema clássico, a produção permanece como uma agradável descoberta, oferecendo uma narrativa simples, mas conduzida com competência e repleta do charme característico das comédias românticas produzidas pela Universal durante a década de 1950. Hoje, Peggy é visto como um pequeno tesouro escondido da Era de Ouro de Hollywood, especialmente recomendado para aqueles que apreciam filmes românticos elegantes e nostálgicos.

Erick Steve.

Larápios

Título no Brasil: Larápios
Título Original: I Was a Shoplifter
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Charles Lamont
Roteiro: Irwin Gielgud
Elenco: Scott Brady, Mona Freeman, Andrea King, Tony Curtis, Rock Hudson

Sinopse:
Jovem é presa após furtar objetos em uma grande loja de departamentos. Na central de polícia lhe é oferecido um acordo. Ela não irá presa, mas vai colaborar com os policiais, se tornando informante, para que os demais criminosos da região, ladrões em especial, sejam identificados e presos pelos detetives do Departamento de Polícia. 

Comentários:
Um cult movie do chamado cinema noir. Esse foi um movimento cinematográfico bem interessante surgido dentro da indústria americana. Copiando a estética de filmes europeus, usando principalmente do jogo de luzes e sombras, com tramas envolvendo investigações policiais e personagens sórdidos, foi um excelente investimento para os estúdios de Hollywood. Custavam pouco e faturavam bem nas bilheterias. Aqui a Universal colocou seu time de jovens atores, astros em potencial na época, para ir pegando experiência no cinema. Entre eles temos Rock Hudson e Tony Curtis. Eram jovens e ainda desconhecidos do grande público. Ambos iriam se tornar campeões de bilheteria nos anos que viriam. É um bom filme, bem de acordo com a filosofia noir. Por isso acabou se tornando, com o passar dos anos, um dos mais conhecidos exemplares do gênero. 

Pablo Aluísio.

Winchester 73

Winchester 73
Lendo a autobiografia do ator Rock Hudson nos deparamos com um capítulo onde ele relembra o lançamento desse western. De como viajou ao lado de James Stewart para promover o filme nas cidades. Na época ele era apenas um coadjuvante de luxo nesse faroeste que tem um ótimo roteiro. E é justamente o roteiro que se destaca nessa produção. Posso afirmar, sem parecer exagerado, que temos aqui um roteiro muito bem escrito, algo bem inovador mesmo. Várias histórias vão sendo mostradas e aos poucos todas convergem para o mesmo local. O roteiro na verdade segue o rifle Winchester 73 que vai passando de mão em mão ao longo do filme. A arma é uma espécie de prêmio que o personagem de James Stewart ganha em um concurso na cidade de Dodge City. Nessa cena temos direito até mesmo a uma aparição do famoso homem da lei Wyatt Earp. O rifle acaba sendo roubado depois, indo parar nas mãos de um grupo Sioux. Depois ele vai parar nas mãos de militares da cavalaria, vira objeto de ostentação de um covarde etc. O fio condutor de todo o enredo então passa a ser justamente esse rifle. E assim várias histórias do velho oeste vão sendo contadas.

Além do bom roteiro, o filme se destaca também pelo excelente elenco. Astros de Hollywood da sua era de ouro estão aqui. O ator James Stewart repete seu tradicional papel de homem íntegro e honesto. Para falar a verdade ele não precisava de muito mais do que isso. Sempre carismático e correto, Stewart liderou um elenco acima da média. O mais curioso é a presença de dois jovens atores que iriam virar grandes astros nos anos que viriam: Rock Hudson e Tony Curtis. O primeiro está quase irreconhecível como um chefe Sioux. Ele atuou no filme de peruca e pintado nas cores tradicionais dos nativos americanos, algo bem fora dos padrões de sua carreira. Já Tony Curtis, muito, muito jovem, faz um soldado da cavalaria no meio de um cerco indígena. Ambos estavam em começo de carreira, tentando um lugar ao sol em Hollywood.

Na época os dois eram contratados da Universal Pictures, que tinha um quadro de treinamento de novos atores. A Universal era conhecida por realizar vários faroestes B, mas aqui caprichou um pouco mais na produção. Isso porque contava com o astro James Stewart como estrela do filme. Assim o estúdio decidiu produzir um faroeste classe A para fazer jus a ele. A empresa cinematográfica sabia do potencial das bilheterias com sua presença. E tudo isso resultou numa produção caprichada. A direção também foi entregue a um cineasta experiente. Anthony Mann foi para James Stewart o que John Ford foi para John Wayne, ou seja, uma bela parceria se firmou entre ambos ao longo dos anos. Aqui a sintonia da dupla funciona novamente. Mann, com mão firme, não deixa o filme em nenhum momento cair na banalidade. Excelente trabalho de direção. Em suma, esse é um daqueles grandes filmes de western da história de Hollywood. Um filme para se ter na coleção.

Winchester '73 (Winchester '73, Estados Unidos, 1950) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Robert L. Richards, Borden Chase / Elenco: James Stewart, Rock Hudson, Tony Curtis, Shelley Winters, Dan Duryea / Sinopse: Lin McAdam (James Stewart) vence uma competição de tiro cujo prêmio é um rifle Winchester 73, a melhor arma da época. Após perder sua posse a arma cai nas mãos de várias pessoas ao longo do tempo. Filme indicado ao Writers Guild of America.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Texto II

O primeiro teste cinematográfico de Rock Hudson na Universal foi tão ruim e desastroso que o estúdio o exibiu por anos para novos aspirantes à astros. A ideia era demonstrar que mesmo um teste inicial horroroso não significava o fim de uma promissora carreira no futuro. Mesmo não convencendo em nada a Universal resolveu contratar Rock, lhe dando um contrato de sete anos e meio (o padrão da época). Qual foi a razão para Rock ser contratado, mesmo não indo bem em seus testes iniciais de câmera? Muito simples, a Universal sabia que Rock tinha um belo futuro, de gordas bilheterias, pela frente! Bastava olhar para ele, com sua imagem impecável de galã, para entender bem isso.

Então Rock começou a aparecer em pequenos papéis, só para ir se acostumando. Seu primeiro filme foi o drama de guerra "Sangue, Suor e Lágrimas" de 1948. O personagem de Rock só tinha uma linha de diálogo. Ele aparecia numa cena de reunião de militares no QG da Força Aérea. Interpretava um oficial, um segundo tenente. Não foi nada espetacular, porém demonstrou que Rock levava muito jeito, pois fica ótimo na tela de cinema. Um executivo comentou: "Rock e as câmeras se amavam. Era amor à primeira vista! Bastava aparecer por alguns segundos para que todos prestassem atenção nele, inclusive as mulheres, que ficavam loucas por aquele homem alto, bonito e muito másculo".

Rock também assinou um contrato com o agente Henry Willson. Ele era considerado um dos melhores agentes de atores de Hollywood na época. Muito bem articulado, bem relacionado dentro da indústria. Henry, um velho homossexual, era visto como um grande fazedor de astros. Vários galãs já tinham passado por sua agência. No fundo ele sabia que Rock ainda era uma joia bruta, que precisava ser lapidada, trabalhada, por isso não mediu esforços para promovê-lo.

Henry começou a levar Rock para as principais festas de Hollywood, onde frequentavam os grandes executivos, diretores, donos de estúdio. Eram justamente nessas festas que elencos inteiros de grandes produções eram escalados. Fazer sucesso na carreira em Hollywood significava também fazer sucesso no meio social da cidade. Você tinha que fazer um certo jogo, um certo charme, em determinados lugares. Então algum diretor ou produtor iria se interessar por você e um novo filme estaria ao seu alcance. Rock logo entendeu isso e jogou o jogo. E acabou se dando muito bem...

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Nem o Céu Perdoa

Título no Brasil: Nem o Céu Perdoa
Título Original: One Way Street 
Ano de Lançamento: 1950 
País: Estados Unidos 
Estúdio: Universal-International Pictures 
Direção: Hugo Fregonese 
Roteiro: Lawrence Kimble 
Elenco: James Mason, Märta Torén, Rock Hudson, Dan Duryea, Basil Ruysdael, William Conrad, Rodolfo Acosta 

Sinopse:
Dr. Frank Matson (James Mason), um médico associado à máfia, rouba US$ 200.000 de um gângster e foge com a namorada dele, Laura Thorsen (Märta Torén). Eles se refugiam no México após um pouso de emergência de avião, onde Matson passa a usar suas habilidades médicas para ajudar a população local. Entretanto, o passado e os criminosos que deixaram para trás não desistem de persegui-los, forçando um confronto dramático em Los Angeles.

Comentários:
Mais um filme noir dos bons tempos, quando Hollywood sabia fazia grandes filmes nesse estilo. Parcialmente rodado no México, em regiões remotas, pobres e rurais, o filme se destacava por ser um pouco diferente dos demais que seguiam a linha noir mais de perto justamente por causa desses momentos "ensolarados". James Mason está ótimo em seu papel, mas no meu caso particular fiquei mais curioso em ver um jovem Rock Hudson ainda em um dos seus primeiros filmes no cinema. Ele interpreta um motorista de caminhão durão. Com físico de Tarzan, já fazia as mulheres suspirarem quando aparecia em cena, principalmente nesse personagem bem másculo e musculoso! Enfim, símbolos sexuais dos anos 50 à parte, considero esse um filme bem interessante. É um noir, acima de tudo, mas muda radicalmente quando o sol mexicano aparece para queimar todos aqueles personagens que viviam nas sombras! 

Pablo Aluísio. 

Filmografia Rock Hudson


Filmografia Rock Hudson
Sangue, Suor e Lágrimas (1948)
Sangue Acusador (1949)
Nem o Céu Perdoa (1950)
Larápios (1950)
Winchesters 73 (1950)
Peggy (1950)
O Gavião do Deserto (1950)
Extorsão (1950)
Coração Selvagem (1951)
Air Cadet (1951)
Só Resta a Lembrança (1951)
The Fat Man (1951)
O Demolidor (1951)
A Família do Barulho (1952)
E o Sangue Semeou a Terra (1952)
Sinfonia Prateada (1952)
Anjo Escarlate (1952)
Império do Pavor (1952)
Bando de Renegados (1952)
Seminole (1952)
Gigantes em Fúria (1953)
A Espada de Damasco (1953)
Irmãos Inimigos (1953)
Choque de Paixões (1953)
Rochedos da Morte (1953)
Herança Sagrada (1954)
Sublime Obsessão (1954)
Rifles Para Bengala (1954)
Sangue Rebelde (1955)
Seu Ùnico Desejo (1955)
Tudo que o Céu Permite (1955)
Nunca Deixei de te Amar (1955)
Palavras ao Vento (1956)
Assim Caminha a Humanidade (1956)
Hino de uma Consciência (1957)
Sangue Sobre a Terra (1957)
Almas Maculada (1957)
Adeus às Armas (1957)
Turbilhão de Paixões (1958)
O Vale das Paixões (1959)
Confidências à Meia-Noite (1959)

Obs: A Lista continua. Em breve novos títulos serão adicionados. Os títulos em negrito já tiveram review publicados em nosso blog. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Rock e Marilyn - Um Encontro Impossível

Rock e Marilyn - Um Encontro Impossível
Era 1952, o auge dourado de Hollywood. As colunas sociais viviam de rumores, e cada estrela parecia uma constelação intocável. Rock Hudson, com seu sorriso impecável e porte de galã, era o novo queridinho dos estúdios. Recém-saído de papéis menores, começava a ganhar destaque e já despertava a curiosidade de jornalistas e fãs. Naquele ano, durante uma festa promovida pela Universal, ele conheceu Marilyn Maxwell — loira, charmosa, espirituosa, com uma risada que parecia iluminar o salão inteiro.

Marilyn estava fascinada. Rock era diferente dos homens com quem convivia em Hollywood — havia nele uma elegância discreta, uma gentileza rara. Dançaram juntos, trocaram olhares e conversaram por horas sobre cinema, música e viagens. Ao final da noite, ela confessou a uma amiga que se sentia encantada por aquele “homem de olhos tristes”. Para ela, parecia o início de uma história romântica digna das telas.

Rock, por outro lado, também se sentiu atraído — não por desejo, mas por afinidade. Marilyn o fazia rir, e ele apreciava sua companhia. No entanto, por trás do sorriso, havia uma tensão invisível. Rock vivia um segredo que o consumia. Era gay num tempo em que isso significava o fim de qualquer carreira. A indústria que o aplaudia era a mesma que o destruiria se a verdade viesse à tona.

Nos dias seguintes, Marilyn o convidou para sair várias vezes. Foram vistos em jantares, estreias e eventos. As revistas logo começaram a especular um romance, o que, para o estúdio, era uma bênção. Os publicitários de Rock incentivaram a relação, dizendo que “fazia bem à imagem dele”. E ele, embora desconfortável, cedeu — sorria para as câmeras, abraçava Marilyn em público e fingia estar apaixonado.

Mas havia momentos em que o jogo o machucava. Marilyn, sincera em seus sentimentos, tentava se aproximar mais, entender aquele homem reservado. Rock, educado e doce, desviava com elegância. Dizia estar “focado no trabalho”, ou “com a cabeça cheia”. Ela não compreendia. Às vezes, notava uma melancolia profunda em seus olhos — um silêncio que não combinava com o galã das telas.

Certa noite, depois de um jantar no Beverly Hills Hotel, Marilyn tentou beijá-lo. Rock recuou, disfarçando com um sorriso. Disse algo vago sobre “não querer estragar a amizade”. Ela ficou confusa, ferida. No dia seguinte, contou a uma colega que talvez Rock fosse apenas tímido, ou quem sabe apaixonado por outra mulher. Nunca imaginaria o verdadeiro motivo.

A amizade entre os dois esfriou aos poucos. Rock continuou sua ascensão meteórica, enquanto Marilyn seguiu sua carreira, levando consigo uma ponta de desilusão. Ele, por sua vez, guardou aquele episódio como mais uma lembrança da vida que não podia viver. O preço da fama era a mentira; o disfarce, sua prisão.

Anos depois, em entrevistas, Rock recordaria com carinho daquela época — sem mencionar nomes, sem confessar segredos. Apenas dizia que “a fama o obrigou a representar também fora das telas”. Talvez, em silêncio, lembrasse da mulher que quis amá-lo, e da verdade que nunca pôde dizer. Entre eles ficou o que Hollywood mais sabia produzir: uma bela história impossível.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Texto I

Na década de 1950 os padrões morais eram tão rígidos que era quase impossível para a sociedade aceitar que uma mulher viúva, mais velha, viesse a ter uma nova paixão em sua vida, ainda mais se fosse com um rapaz mais jovem e de classe social inferior. É justamente nesse tema bem espinhoso que se desenvolve a trama do filme "Tudo o Que o Céu Permite" (All That Heaven Allows, EUA, 1955). O filme foi dirigido pelo excelente cineasta Douglas Sirk, especialistas em dramas como esse e estrelado pelo astro máximo da Universal na época, Rock Hudson.

Rock estava ainda se firmando na carreira. Ele já havia chamado a atenção antes em filmes de western e de guerra, mas havia encontrado mesmo seu nicho em filmes românticos, dramáticos e com temas edificantes, geralmente baseados em livros de sucesso. Sua fase de êxito de bilheteria em comédia românticas, como as que realizou ao lado de Doris Day só viria depois. Aqui ele exercita seu lado galã, o tipo ideal para interpretar personagens assim na opinião de Sirk. Ele queria um tipo que representasse o americano médio, alto, honesto e de bom visual. Não havia ninguém melhor que Rock para o papel.

Ao seu lado atua a atriz Jane Wyman. Ela já era uma veterana da telas quando o filme foi realizado e por isso procurou ajudar Rock que ainda tinha momentos de puro amadorismo, fruto de sua falta de experiência. O interessante é que Jane até mesmo se sentiu atraído pelo jovem galã no set de filmagens, mas obviamente não deu em nada. Rock era gay e escondia sua condição para não atrapalhar sua carreira, afinal de contas seu desempenho era baseado também na incrível força de atração que exercia nas mulheres que iam assistir aos seus filmes. Se elas descobrissem que ele era na realidade gay o encanto iria se desfazer no ar e nenhum produtor o chamaria mais para trabalhar. Seria o fim de sua carreira. Talvez por isso Jane tenha procurado por outros pretendentes, entre eles o ator Ronald Reagan que iria se tornar o Presidente dos Estados Unidos na década de 1980.

Revendo esse filme hoje em dia várias coisas chamam a atenção, mas uma delas se destaca. Douglas Sirk trabalhou com fotografia em cores (algo que ainda era considerada uma novidade na época, só se tornando padrão depois). Diante da nova tecnologia ele criou um filme muito bonito de se assistir, com cores fortes e intenso aproveitamento dos cenários naturais, tudo filmado em locações reais (outra novidade já que naqueles tempos as empresas cinematográficas preferiam rodar tudo em seus enormes estúdios de Hollywood). Diante disso se há algo que ficará em sua mente após assistir ao filme será justamente o tom de pintura natural que Douglas Sirk imprimiu à sua obra. É certamente o aspecto mais marcante de todo o filme.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

O Demolidor

O Demolidor
Não é recente o interesse do cinema por filmes passados no mundo do boxe, das apostas em tornos do esporte, etc. Já na década de 1950 esse universo era bem explorado pelos filmes da época. É o caso desse clássico "O Demolidor". A história contada pelo filme reflete bem esse aspecto. Em Coaltown, Pensilvânia, o mineiro Coke Mason (Jeff Chandler) espera melhorar de vida. Ele deseja abrir um pequeno comércio e se casar com Rose Warren (Evelyn Keyes). Seu irmão George (Stephen McNally) pensa um pouco diferente. Apostador inveterado, mas também desportista, ele acredita que o caminho da fortuna está nas lutas de boxe. Após um tempo consegue convencer Coke a seguir seus planos. Juntos os irmãos então decidem investir em lutas onde grandes apostas são realizadas, até porque eles definitivamente não têm mais nada a perder!

Essa produção também se notabilizou por ter sido a primeira grande oportunidade na carreira para o jovem ator Rock Hudson. O papel foi conseguido graças à astúcia de seu agente, o poderoso Henry Wilson, que usou de todas as suas influências para que Rock fosse escalado no elenco, mesmo que em papel que era mero coadjuvante do astro Jeff Chandler. Em sua autobiografia Rock recordou que assim que viu o filme pronto nas telas de cinema, pressentiu que iria virar uma estrela de Hollywood. Seu amigo, Mark Miller, foi claro que dizer para Rock: "Prepare-se para se tornar um astro!".

De fato é um filme onde tudo parece se encaixar muito bem. O público de hoje em dia vai de certa forma associar o enredo ao grande sucesso de Stallone, "Rock, um Lutador", mas há também diferenças significativas sobre entre as duas produções. Como não poderia deixar de ser em um filme dos anos 1950, há toda uma preocupação em desenvolver mais dramaticamente todos os personagens. Não há tanta ênfase nas lutas de boxe, mas sim na parte dos bastidores, dos apostadores, dos pequenos e grandes patifes que viviam nesse mundo. Todos querendo se dar bem de alguma forma.

O roteiro também trazia essa mensagem subliminar de que o crime não compensava. Lançado em setembro de 1951, quase um ano depois de ter sido filmado, o filme acabou surpreendendo nas bilheterias, uma vez que a Universal não estava esperando por um sucesso como aquele. No máximo o estúdio pensava que seria um filme B, que iria ocupar algumas salas de cinema e nada mais do que isso. Vale destacar que Rock Hudson acabou roubando as atenções, tanto do público como também da crítica.  Ele realmente já estava pronto para virar o grande astro que iria se tornar logo depois.

O Demolidor (Iron Man, Estados Unidos, 1951) Estúdio: Universal Pictures / Direção: Joseph Pevney / Roteiro: George Zuckerman, baseado na novela de W.R. Burnett / Elenco: Jeff Chandler, Rock Hudson, Evelyn Keyes, Stephen McNally / Sinopse: Um ambicioso trabalhador das minas de carvão é convencido a se tornar um boxeador por seu irmão, um ganancioso apostador de lutas de boxe.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Sangue Acusador

Sangue Acusador
Esse filme estaria esquecido completamente na história do cinema se não fosse por algumas peculiaridades em sua produção e elenco. Essencialmente é um filme B da Universal, lançado no final da década de 1940. Naquele período do pós segunda guerra, tudo o que os americanos queriam era um pouco de diversão nos cinemas, para afastar e superar os traumas do maior conflito armado da história. E os filmes contando histórias de detetives caíam muito bem no gosto popular. Traziam boas histórias, boas tramas envolvendo crimes e tinha aquele clima sombrio do cinema noir que agradava em cheio ao público.   

A direção foi do conhecido produtor de fitas B, William Castle. Ele era bem famoso por causa de seus filmes sobre aranhas gigantes e coisas do tipo. Filmes de detetives, ao estilo noir, nem sempre faziam parte de sua filmografia. Apesar disso se deu bem aqui. E teve visão para entender que o jovem Rock Hudson que estava no elenco, interpretando um detetive, iria se destacar no cinema. Ele fotografava muito bem em cena e tinha o tipo ideal de galã naquela fase da indústria norte-americana. Castle inclusive declarou: "Com o agente certo e os filmes bem selecionados esse ator pode se tornar um grande astro nos próximos anos". Acertou em cheio na sua previsão. 

Sangue Acusador (Undertow, Estados Unidos, 1949) Direção: William Castle / Roteiro: Arthur T. Horman, Lee Loeb / Elenco: Scott Brady, John Russell, Dorothy Hart, Rock Hudson / Sinopse: Um condenado em liberdade condicional é acusado de assassinato e procura se livrar de uma nova prisão antes que a polícia o encontre. Uma nova condenação seria o fim definitivo de sua liberdade. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de março de 2025

Sangue, Suor e Lágrimas

Título no Brasil: Sangue, Suor e Lágrimas
Título Original: Fighter Squadron
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: Seton I. Miller, Martin Rackin
Elenco: Edmond O'Brien, Robert Stack, Rock Hudson, John Rodney, Tom D'Andrea, Shepperd Strudwick, Arthur Space

Sinopse:
Numa base aérea americana na Inglaterra, durante a segunda guerra mundial, dois oficiais lutam pelo controle dos homens de uma esquadrilha de caças. O objetivo é treinar todos os membros da equipe para um momento chave dentro da guerra, a invasão do norte da França, na Normandia, numa das maiores operações militares da história que passaria a ser conhecida pelo codinome código de "Dia D". A invasão se tornaria o momento da virada na guerra, marcando o começo da vitória aliada no conflito.

Comentários:
Esse filme seria como qualquer outro feito para louvar o heroísmo dos que lutaram na segunda guerra mundial se não fosse por um detalhe importante: foi o primeiro filme da carreira do futuro astro Rock Hudson. Na época Rock ainda era um novato em Hollywood procurando por um lugar ao sol. Ele tinha acabado de assinar um contrato com o agente Henry Wilson e havia caído nas graças do diretor Raoul Walsh que resolveu lhe dar uma oportunidade, pequena é verdade, mas que significou bastante para o ator naquele momento de sua carreira. O papel de Rock é insignificante, ele interpreta um tenente com apenas uma linha de diálogo em cena. Isso porém foi o bastante para chamar a atenção dos produtores que viram potencial ali. Claro, Rock não era um grande ator, mas tinha um visual impecável, era bonito, alto, o estilo galã perfeito para os filmes românticos. A Universal saiu na frente e contratou Rock Hudson. Imediatamente o colocou no programa de treinamento de atores do estúdio (o melhor que havia na cidade) e começou a lapidar seu futuro como grande astro. "Sangue, Suor e Lágrimas" recebeu esse título por causa do famoso discurso do primeiro ministro Winston Churchill que logo no começo da segunda guerra mundial discursou pelo rádio ao povo inglês afirmando que não prometia nada a não ser sangue, suor e lágrimas! No geral o que temos aqui é uma eficiente fita de guerra, com alguns bons momentos de tensão e ação. Não chega a se destacar como outros que eram lançados no mesmo período mas cumpre bem suas pretensões (modestas) do ponto de vista cinematográfico. Além disso só pelo simples fato de ter sido a estreia de Rock Hudson no cinema já vale a sua atenção. Um filme mediano mas certamente histórico dentro da sétima arte. 

Pablo Aluísio.