Vivien Leigh nasceu em Darjeeling, na época uma província do império britânico na distante e exótica Índia. Seus pais estavam a trabalho por lá. Depois de algum tempo retornaram finalmente a Londres, onde Vivien desde cedo mostrou muita vocação para as artes, especialmente para a arte dramática. Assim ela estudou por vários anos para ser atriz, frequentando alguns dos melhores cursos de teatro de Londres.
Durante muitos anos o teatro foi o centro de sua carreira de atriz e só aos 22 anos ela fez seu primeiro filme chamado "The Village Squire", uma pequena produção inglesa dirigida pelo cineasta Reginald Denham. O roteiro do filme era baseado numa peça teatral escrita pelo dramaturgo Arthur Jarvis Black e contava a singela história de uma pequena vila no interior da Inglaterra que via sua rotina mudar completamente com a chegada de uma grande estrela de cinema.
Como era de se esperar os primeiros filmes de Vivien Leigh foram todos rodados na Inglaterra, sua terra natal. Hollywood ainda parecia uma realidade distante nesses seus primeiros trabalhos no cinema. Em 1935, ano em que estreou nas telas, ela atuou em quatro produções distintas, todas produções modestas de estúdios locais. "Look Up and Laugh", seu segundo filme, foi uma comédia. Era uma experiência bem nova para Leigh que sempre havia direcionado seus estudos para o drama, não para o humor. Esse filme aliás é um caso raro dentro da sua filmografia pois a atriz não tinha muita vocação para esse tipo de roteiro. Anos depois lembrando de sua participação nesse filme ela confessou: "Eu não nasci para as comédias, definitivamente não!"
Essa percepção iria ficar ainda mais forte em seu filme seguinte, intitulado "Things Are Looking Up". Leigh interpretava uma colegial nesse filme muito leve, simples, de conteúdo familiar. Serviu para ganhar alguma experiência, porém não foi algo muito importante. No quarto filme em que participou "Gentlemen's Agreement" de George Pearson, ela ouviu um conselho desse diretor dizendo a ela que deveria ir para os Estados Unidos, onde haveria certamente maiores oportunidades para sua carreira de atriz. Ficar na Inglaterra iria limitar seus objetivos. Ela ouviu atentamente o que Pearson lhe aconselhou e começou então a planejar sua viagem para Hollywood. Quem sabe poderia dar certo por lá.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Os Filmes de Vivien Leigh - Parte 2
O filme que fez Hollywood se interessar por Vivien Leigh foi o drama histórico "Fogo Por Sobre a Inglaterra", que se passava nos tempos do reinado da Rainha Elizabeth I. Vivien ficou extremamente bem no filme, com roupas de época. Ela ainda era bem jovem e sua imagem chamou a atenção dos grandes estúdios americanos. O fato desse filme inglês ser exibido nos cinemas dos Estados Unidos serviu como um cartão de visitas da atriz no outro lado do Atlântico.
Esse filme também foi um marco na vida pessoal da atriz pois ela conheceu o ator Laurence Olivier com quem iria se casar futuramente. O fato de ambos serem atores, lutando pela carreira em Londres na pequena indústria cinematográfica local, acabou servindo de atração entre eles. O romance não demorou muito a acontecer, até porque Vivien se sentia bem solitária nos primeiros dias na capital britânica. Seus familiares e amigos ficaram no interior e em Londres ela precisou formar um novo círculo de amigo. Era uma nova vida que começava para ela.
O filme seguinte na carreira de Vivien Leigh foi um filme de espionagem, passado durante a primeira guerra mundial, chamado "Jornada Sinistra". A atriz interpretava uma personagem chamada Madeleine Goddard. Ela era uma espiã francesa em Londres que acabava se apaixonando por um espião alemão, seu inimigo no conflito. O Barão Karl Von Marwitz era interpretado pelo ator Conrad Veidt. Esse filme foi lançado em 1937, dois anos antes da eclosão da II Guerra Mundial. Hitler já estava no poder na Alemanha, mas poucos ainda sabiam que uma nova guerra, pior ainda do que a anterior, estava prestes a varrer a Europa mais uma vez. Para Vivien foi algo até perturbador fazer esse filme, principalmente pelas coisas que estavam prestes a acontecer, com bombardeios alemães diários em Londres, algo que ela própria iria vivenciar.
Nesse mesmo ano Vivien ainda iria atuar em uma comédia romântica bem leve chamada "Tempestade Num Copo D'Água". Ela interpretava uma jornalista investigativa de nome Victoria Gow. Quando o filme começa ela parte em busca de histórias indiscretas envolvendo um figurão da política, mas de forma irônica acabava se apaixonando por ele. O curioso sobre esses três últimos filmes de Leigh é que os três foram lançados no Brasil também, demonstrando que ela já era uma artista conhecida em nosso país, antes mesmo da explosão de "E O Vento Levou...". Vivien ainda não era uma grande estrela, algo que só iria acontecer mesmo com o lançamento desse épico americano, considerado por muitos como um dos maiores filmes de todos os tempos.
Pablo Aluísio.
Esse filme também foi um marco na vida pessoal da atriz pois ela conheceu o ator Laurence Olivier com quem iria se casar futuramente. O fato de ambos serem atores, lutando pela carreira em Londres na pequena indústria cinematográfica local, acabou servindo de atração entre eles. O romance não demorou muito a acontecer, até porque Vivien se sentia bem solitária nos primeiros dias na capital britânica. Seus familiares e amigos ficaram no interior e em Londres ela precisou formar um novo círculo de amigo. Era uma nova vida que começava para ela.
O filme seguinte na carreira de Vivien Leigh foi um filme de espionagem, passado durante a primeira guerra mundial, chamado "Jornada Sinistra". A atriz interpretava uma personagem chamada Madeleine Goddard. Ela era uma espiã francesa em Londres que acabava se apaixonando por um espião alemão, seu inimigo no conflito. O Barão Karl Von Marwitz era interpretado pelo ator Conrad Veidt. Esse filme foi lançado em 1937, dois anos antes da eclosão da II Guerra Mundial. Hitler já estava no poder na Alemanha, mas poucos ainda sabiam que uma nova guerra, pior ainda do que a anterior, estava prestes a varrer a Europa mais uma vez. Para Vivien foi algo até perturbador fazer esse filme, principalmente pelas coisas que estavam prestes a acontecer, com bombardeios alemães diários em Londres, algo que ela própria iria vivenciar.
Nesse mesmo ano Vivien ainda iria atuar em uma comédia romântica bem leve chamada "Tempestade Num Copo D'Água". Ela interpretava uma jornalista investigativa de nome Victoria Gow. Quando o filme começa ela parte em busca de histórias indiscretas envolvendo um figurão da política, mas de forma irônica acabava se apaixonando por ele. O curioso sobre esses três últimos filmes de Leigh é que os três foram lançados no Brasil também, demonstrando que ela já era uma artista conhecida em nosso país, antes mesmo da explosão de "E O Vento Levou...". Vivien ainda não era uma grande estrela, algo que só iria acontecer mesmo com o lançamento desse épico americano, considerado por muitos como um dos maiores filmes de todos os tempos.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto IV
O último ano de Marilyn Monroe - O último ano da vida de Marilyn Monroe foi bem turbulento. Ela resolveu se livrar de coisas e pessoas que não estavam lhe fazendo bem. Por recomendação de seu terapeuta Marilyn resolveu que pela primeira vez em sua vida iria comprar uma casa própria. A atriz viveu toda a sua vida alugando e sendo despejada de apartamentos de Los Angeles e seu psicólogo lhe disse que isso criou nela uma espécie de trauma, onde seu subconsciente lhe passava a mensagem subliminar de que ela na verdade não pertencia a lugar nenhum e nem tinha raízes seguras onde se fixar. Marilyn gostou da explicação e comprou uma bela casa nos arredores da cidade - nada luxuoso ou extravagante, mas acima de tudo aconchegante. Conformou confessou a um repórter adorou a sensação de ser dona de sua própria casa, onde poderia ficar como bem entendesse, totalmente à vontade.
Como o casamento também vinha de mal a pior Marilyn resolveu despachar seu marido, o escritor Arthur Miller. Marilyn havia se apaixonado por ele principalmente por ser uma pessoa culta que passava uma imagem paterna para ela. Na vida a dois Marilyn porém se decepcionou completamente com ele. Miller caiu em um ostracismo incrível na carreira onde não produzia ou escrevia mais nada que fosse relevante ou elogiado. Além disso se mostrou totalmente submisso a esposa, carregando suas malas para cima e para baixo. Nos últimos meses Miller havia virado praticamente um empregado de Marilyn e isso a deixou completamente decepcionada com ele. Marilyn queria um homem de verdade ao seu lado, não um capacho, um verme que dizia sim a praticamente tudo o que ele queria ou mandava. Não demorou muito e Marilyn o mandou embora de sua vida, dizendo que além de ser um banana ele havia se revelado um tremendo de um chato!
Marilyn na verdade estava mirando nos irmãos Kennedy. Seria uma reviravolta e tanto em sua vida se ela conseguisse conquistar Bob ou então tivesse a chance de emplacar um romance com o próprio presidente dos Estados Unidos, JFK! Não seria o máximo se tornar a primeira dama do país depois de brilhar por tantos anos no mundo do cinema? Isso tudo porém não passava de um delírio de Marilyn já que nenhum deles estava disposto a colocar a carreira política em jogo por causa de Marilyn e suas loucuras. De qualquer forma Marilyn estava pelo menos respirando ares novos em sua vida. Uma sensação de mudança a tinha deixado de melhor humor a tal ponto que convidou o fotógrafo George Burns para tirar algumas fotos de seu novo lar para a capa de uma revista de decoração. A foto acima, por exemplo, foi tirada apenas seis semanas antes de sua morte.
Nas fotos Marilyn surgia feliz e sorridente porém os velhos fantasmas do passado ainda a incomodavam. Marilyn tinha dois grandes receios na vida, o primeiro era terminar louca como sua mãe, internada em uma instituição psiquiátrica. Muitos parentes de Marilyn tinham desenvolvido problemas mentais no passado de sua família e ela tinha pavor de também começar a apresentar sinais de insanidade. O segundo grande medo de sua vida era terminar sozinha seus dias, sem marido ou filhos. Por ter feito muitos abortos na juventude, Marilyn sabia que agora com mais de 30 anos o sonho da maternidade ficava cada vez mais distante. Isso a deixava deprimida, principalmente nas noites solitárias. E foi justamente numa noite dessas, na privacidade de seu quarto, ouvindo um disco de Frank Sinatra, que ela finalmente encontraria a paz que tanto desejava.
Pablo Aluísio.
O Que Pode um Beijo
Mais um faroeste B na filmografia de Marilyn Monroe. Nessa época ela ainda era bem jovem e estava tentando seu lugar so sol em Hollywood. Como era uma jovem bonita, foi escalada para fazer parte do elenco de apoio, no grupo de belas coristas de um saloon. Embora já tivesse adotado aquela imagem de Marilyn que todos conhecemos, achei seu visual meio estranho nesse filme, tudo por causa de uns cachinhos dourados que fizeram em seu cabelo. Ficou bem fora da casinha, um penteado meio mal feito. Não caiu bem.
Em termos de história esse western contava mais uma história da expansão das ferrovias rumo ao oeste selvagem. Esses trens antigos mudaram a história dos Estados Unidos, mas não eram bem vistos por todos. A ferrovia significava a modernidade e muitos odiavam isso, fazendo muitas vezes operações de sabotagens nas ferrovias, o que colocava em risco a própria vida dos passageiros. No caso desse filme era justamente isso que acontecia. Bandidos contratados por donos de diligências tentando sabotar as linhas de trens que seguiam rumo ao oeste.
O que Pode um Beijo (A Ticket to Tomahawk, Estados Unidos, 1950) Direção: Richard Sale / Roteiro: Mary Loos, Richard Sale / Elenco: Dan Dailey, Anne Baxter, Rory Calhoun, Walter Brennan, Marilyn Monroe / Sinopse: Primeiro filme da atriz Marilyn Monroe na década de 1950. Ainda em papel bem secundário, ela interpretava uma bailarina de saloon nesse filme de faroeste B de Hollywood.
Pablo Aluísio.
Loucos de Amor
Depois da euforia do filme anterior Marilyn Monroe desceu um degrau na carreira. Não que fosse um filme ruim, nada disso, mas que não iria abrir maior espaço para ela que teria que novamente interpretar o papel de uma loira burra e gostosa. Era uma comédia maluca dos Irmãos Marx, então não haveria mesmo oportunidade para Marilyn Monroe mostrar muita coisa no meio dessa confusão divertida. Tudo no roteiro havia sido escrito para que os Irmãos Marx brilhassem em cena com seu humor. Para Marilyn só sobrou fazer mais um extra baseado apenas em sua beleza.
Revisto hoje em dia esse filme entretanto serve para uma constatação de que Marilyn tinha mesmo jeito para a comédia e o humor, algo que seria explorado em seus primeiros filmes de estrela de Hollywood. Ela era certamente uma garota bonita, todos sabiam disso, mas ainda assim esbanjava talento para cenas de humor. E essa pode ser considerada a primeira experiência da atriz nesse estilo cinematográfico, algo que ela soube muito bem explorar dede o começo de sua filmografia.
Loucos de Amor (Love Happy, Estados Unidos, 1949) Direção: David Miller / Roteiro: Frank Tashlin, Mac Benoff, Harpo Marx / Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Marilyn Monroe, Ilona Massey / Sinopse: Os irmãos Marx vão para a Broadway e criam todos os tipos de confusões no meio teatral de Nova Iorque.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
007 Contra Goldfinger
007 Contra Goldfinger (Goldfinger) foi lançado em 17 de setembro de 1964 no Reino Unido e em 22 de dezembro de 1964 nos Estados Unidos. O filme foi dirigido por Guy Hamilton e representou o terceiro longa-metragem da série oficial de James Bond produzida pela Eon Productions. O roteiro foi escrito por Richard Maibaum e Paul Dehn, baseado no romance homônimo de Ian Fleming. O elenco principal reúne Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman, Harold Sakata, Shirley Eaton e Bernard Lee. Na história, o agente secreto James Bond recebe a missão de investigar o magnata do ouro Auric Goldfinger, suspeito de envolvimento em operações internacionais de contrabando. A investigação leva Bond a descobrir um plano audacioso para invadir Fort Knox e tornar inutilizáveis as reservas de ouro dos Estados Unidos, aumentando imensamente o valor das reservas particulares de Goldfinger. Para impedir a conspiração, Bond enfrenta o implacável vilão, seu guarda-costas Oddjob e uma série de armadilhas que se tornariam clássicas da franquia.
Quando estreou, 007 Contra Goldfinger recebeu uma recepção crítica extremamente positiva e foi considerado um enorme avanço em relação aos dois primeiros filmes da série. O The New York Times elogiou o equilíbrio entre ação, humor e sofisticação, afirmando que Sean Connery consolidava definitivamente sua imagem como James Bond. A revista Variety destacou a direção segura de Guy Hamilton e classificou o filme como "uma aventura de espionagem de primeira categoria". O Los Angeles Times elogiou especialmente o ritmo da narrativa, os cenários grandiosos e o carisma do elenco. Muitos críticos ressaltaram que Goldfinger definiu a fórmula clássica dos filmes de Bond: um vilão memorável, um plano de proporções gigantescas, carros equipados com tecnologia inovadora, belas locações internacionais, humor refinado e sequências de ação espetaculares. O consenso foi de que a franquia havia atingido um novo patamar de qualidade e popularidade.
Além do enorme sucesso de crítica, 007 Contra Goldfinger recebeu diversos reconhecimentos importantes. O filme conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Sonoros, tornando-se o primeiro da franquia James Bond a vencer um Prêmio da Academia. A canção-tema "Goldfinger", interpretada por Shirley Bassey e composta por John Barry, Leslie Bricusse e Anthony Newley, transformou-se em um dos temas musicais mais famosos da história da série. A interpretação de Gert Fröbe como Auric Goldfinger e a presença de Oddjob, vivido por Harold Sakata, também receberam elogios e ajudaram a criar dois dos vilões mais icônicos do cinema. Com o passar dos anos, o filme passou a figurar constantemente entre os melhores capítulos da franquia em listas elaboradas por críticos e fãs.
Do ponto de vista comercial, 007 Contra Goldfinger foi um fenômeno mundial. Produzido com um orçamento aproximado de US$ 3 milhões, arrecadou cerca de US$ 125 milhões em bilheteria mundial, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais da década de 1960. Nos Estados Unidos, foi um enorme êxito de público, enquanto no mercado internacional consolidou definitivamente James Bond como um fenômeno global da cultura popular. O filme também impulsionou a venda de produtos licenciados, popularizou o lendário Aston Martin DB5 equipado com dispositivos secretos e fortaleceu ainda mais o prestígio da franquia. O entusiasmo do público foi tão grande que muitos historiadores do cinema utilizam a expressão "Bondmania" para descrever o impacto cultural provocado por Goldfinger.
Hoje, 007 Contra Goldfinger é amplamente considerado um dos maiores filmes de espionagem de todos os tempos e, para muitos críticos e fãs, o melhor filme da era de Sean Connery como James Bond. Sua influência pode ser percebida em praticamente todos os longas posteriores da franquia, que passaram a repetir elementos estabelecidos por esta produção. O desempenho carismático de Sean Connery, a direção elegante de Guy Hamilton, a memorável trilha sonora de John Barry e a inesquecível sequência do raio laser apontado para Bond tornaram-se referências permanentes da cultura pop. Décadas após seu lançamento, Goldfinger continua sendo apontado como um dos filmes que definiram o gênero de espionagem moderno e permanece como um clássico absoluto do cinema de aventura.
007 Contra Goldfinger (Goldfinger, Reino Unido, 1964) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Richard Maibaum e Paul Dehn, baseado no romance Goldfinger, de Ian Fleming / Elenco: Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman, Harold Sakata, Shirley Eaton e Bernard Lee / Sinopse: James Bond investiga o poderoso Auric Goldfinger e descobre um plano para atacar Fort Knox, obrigando o agente 007 a enfrentar um dos vilões mais perigosos de sua carreira para impedir uma catástrofe econômica mundial.
Pablo Aluísio e Erick Steve.
Marnie, Confissões de uma Ladra
Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie) foi lançado em 22 de julho de 1964, dirigido por Alfred Hitchcock e baseado no romance homônimo de Winston Graham. O roteiro foi escrito por Jay Presson Allen. O elenco principal reúne Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham e Alan Napier. A trama acompanha Marnie Edgar, uma mulher traumatizada que vive assumindo falsas identidades para conseguir empregos temporários e roubar grandes quantias de dinheiro de seus patrões. Sua rotina muda quando é descoberta por Mark Rutland, um rico empresário que, em vez de denunciá-la, decide casar-se com ela. Aos poucos, Mark percebe que a esposa sofre de profundos traumas psicológicos ligados à infância e tenta descobrir o segredo que domina sua vida. O filme mistura suspense, drama psicológico e romance, explorando temas como culpa, repressão sexual, trauma e identidade.
Quando estreou, Marnie, Confissões de uma Ladra recebeu uma recepção crítica mista. O The New York Times elogiou a sofisticação visual de Hitchcock e a atmosfera de suspense, mas considerou que o roteiro nem sempre conseguia desenvolver satisfatoriamente os conflitos psicológicos da protagonista. A revista Variety destacou a direção segura de Hitchcock e a força da interpretação de Tippi Hedren, embora observasse que a narrativa poderia parecer excessivamente simbólica para parte do público. O Los Angeles Times reconheceu a ousadia do diretor ao abordar temas como trauma sexual e distúrbios psicológicos, mas apontou que algumas soluções dramáticas eram pouco convincentes. Muitos críticos da época esperavam um suspense mais próximo de Psicose ou Os Pássaros, o que contribuiu para uma recepção inicialmente menos entusiasmada. Ainda assim, praticamente todos reconheceram o domínio técnico de Hitchcock na construção das imagens e da tensão dramática.
Na época de seu lançamento, Marnie não recebeu indicações ao Oscar nem aos principais prêmios internacionais, fato que surpreendeu parte da crítica. Entretanto, diversos analistas elogiaram especialmente a interpretação de Tippi Hedren, considerada uma das mais complexas de sua carreira, e a presença carismática de Sean Connery, que filmou a produção logo após alcançar fama mundial como James Bond. Com o passar das décadas, estudiosos de cinema passaram a reavaliar o filme de forma muito mais positiva. Críticos da revista The New Yorker e pesquisadores da obra de Hitchcock destacaram que Marnie antecipou discussões modernas sobre saúde mental, abuso infantil e repressão psicológica, transformando-o em um dos trabalhos mais pessoais e ousados do diretor.
Do ponto de vista comercial, Marnie teve um desempenho modesto. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 3 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 7 milhões nas bilheterias mundiais. Embora tenha recuperado seu investimento, ficou abaixo do enorme sucesso alcançado por Psicose (1960) e Os Pássaros (1963). Parte do público estranhou o tom mais psicológico e menos voltado ao suspense tradicional. Ainda assim, o filme encontrou admiradores ao longo dos anos por meio das exibições na televisão, do mercado de vídeo doméstico e das restaurações promovidas por estúdios e cinematecas, conquistando uma reputação crescente entre cinéfilos.
Hoje, Marnie, Confissões de uma Ladra é considerado por muitos críticos um dos filmes mais subestimados de Alfred Hitchcock. A direção elegante, a fotografia de Robert Burks, a trilha sonora composta por Bernard Herrmann e, principalmente, a atuação de Tippi Hedren são frequentemente apontadas como grandes qualidades da obra. Embora alguns aspectos da narrativa sejam vistos atualmente como datados, especialmente na forma como o relacionamento entre Marnie e Mark é retratado, o filme continua sendo objeto de estudos acadêmicos por sua abordagem da psicologia humana e pela riqueza de sua linguagem visual. Atualmente, é reconhecido como um dos trabalhos mais complexos e fascinantes da fase final da carreira de Hitchcock.
Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie, Estados Unidos, 1964) Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Jay Presson Allen, baseado no romance Marnie, de Winston Graham / Elenco: Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham e Alan Napier / Sinopse: Uma mulher que vive roubando seus empregadores sob identidades falsas casa-se com um empresário que tenta descobrir a origem dos profundos traumas psicológicos que dominam sua vida e a levam ao crime.
Pablo Aluísio e Erick Steve.
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Peggy
Título Original: Peggy
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal-International Pictures
Direção: Frederick De Cordova
Roteiro: Bruce Manning, baseado no romance The Fair Young Phoenix, de E. V. Timms
Elenco: Diana Lynn, Charles Coburn, Anne Francis, John Derek, Barbara Lawrence, Connie Gilchrist, Rock Hudson, Harry Davenport e Ray Collins.
Sinopse:
Ambientado no início do século XX, Peggy acompanha a jovem Peggy O'Hara, filha de um professor universitário que se muda com a família para uma pequena cidade americana. Inteligente, espontânea e cheia de entusiasmo, Peggy rapidamente conquista a simpatia dos moradores, mas também provoca situações embaraçosas com seu comportamento pouco convencional para os rígidos padrões sociais da época. Enquanto tenta adaptar-se ao novo ambiente, ela vive os primeiros romances, enfrenta os desafios da vida adulta e aprende importantes lições sobre responsabilidade, amizade e amor. Em meio a festas, eventos universitários e encontros familiares, a protagonista descobre que crescer significa encontrar o equilíbrio entre seus sonhos e as expectativas da sociedade. O filme combina romance, humor e drama leve, oferecendo um retrato nostálgico da juventude americana do início do século XX.
Comentários:
Lançado em 1950, Peggy foi recebido como uma agradável comédia romântica de época, destacando-se principalmente pelo carisma de Diana Lynn. A atriz, conhecida por interpretar jovens inteligentes e independentes, recebeu elogios da crítica por sua atuação natural e cativante. O The New York Times descreveu o filme como uma produção leve e simpática, ressaltando que seu principal mérito estava na espontaneidade de Diana Lynn e no clima nostálgico cuidadosamente construído pela direção de Frederick De Cordova. A revista Variety também publicou uma crítica favorável, observando que o longa oferecia entretenimento familiar de qualidade, embora seu roteiro seguisse fórmulas bastante tradicionais das comédias românticas da época. Os críticos destacaram ainda o excelente trabalho de Charles Coburn, veterano vencedor do Oscar, cuja presença conferia elegância e humor às cenas em que aparecia. A fotografia, os figurinos e a reconstrução do ambiente universitário americano do início do século XX também foram elogiados por sua riqueza de detalhes e autenticidade.
Com o passar das décadas, Peggy tornou-se uma obra relativamente pouco lembrada pelo grande público, mas continua despertando interesse entre admiradores do cinema clássico de Hollywood. Historiadores observam que o filme representa bem o estilo de produções leves e otimistas que dominaram parte da indústria cinematográfica americana no pós-guerra. Em retrospectivas dedicadas à carreira de Diana Lynn, diversos críticos apontam Peggy como uma de suas atuações mais encantadoras, demonstrando seu talento para personagens românticas e bem-humoradas. Embora nunca tenha alcançado o status de clássico, o longa é frequentemente elogiado por seu charme, pelos diálogos espirituosos e pelo retrato idealizado da vida universitária americana. Entre os fãs do cinema clássico, a produção permanece como uma agradável descoberta, oferecendo uma narrativa simples, mas conduzida com competência e repleta do charme característico das comédias românticas produzidas pela Universal durante a década de 1950. Hoje, Peggy é visto como um pequeno tesouro escondido da Era de Ouro de Hollywood, especialmente recomendado para aqueles que apreciam filmes românticos elegantes e nostálgicos.
Erick Steve.
Larápios
Título Original: I Was a Shoplifter
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Charles Lamont
Roteiro: Irwin Gielgud
Elenco: Scott Brady, Mona Freeman, Andrea King, Tony Curtis, Rock Hudson
Sinopse:
Jovem é presa após furtar objetos em uma grande loja de departamentos. Na central de polícia lhe é oferecido um acordo. Ela não irá presa, mas vai colaborar com os policiais, se tornando informante, para que os demais criminosos da região, ladrões em especial, sejam identificados e presos pelos detetives do Departamento de Polícia.
Comentários:
Um cult movie do chamado cinema noir. Esse foi um movimento cinematográfico bem interessante surgido dentro da indústria americana. Copiando a estética de filmes europeus, usando principalmente do jogo de luzes e sombras, com tramas envolvendo investigações policiais e personagens sórdidos, foi um excelente investimento para os estúdios de Hollywood. Custavam pouco e faturavam bem nas bilheterias. Aqui a Universal colocou seu time de jovens atores, astros em potencial na época, para ir pegando experiência no cinema. Entre eles temos Rock Hudson e Tony Curtis. Eram jovens e ainda desconhecidos do grande público. Ambos iriam se tornar campeões de bilheteria nos anos que viriam. É um bom filme, bem de acordo com a filosofia noir. Por isso acabou se tornando, com o passar dos anos, um dos mais conhecidos exemplares do gênero.
Pablo Aluísio.
Winchester 73
Winchester 73
Lendo a autobiografia do ator Rock Hudson nos deparamos com um capítulo onde ele relembra o lançamento desse western. De como viajou ao lado de James Stewart para promover o filme nas cidades. Na época ele era apenas um coadjuvante de luxo nesse faroeste que tem um ótimo roteiro. E é justamente o roteiro que se destaca nessa produção. Posso afirmar, sem parecer exagerado, que temos aqui um roteiro muito bem escrito, algo bem inovador mesmo. Várias histórias vão sendo mostradas e aos poucos todas convergem para o mesmo local. O roteiro na verdade segue o rifle Winchester 73 que vai passando de mão em mão ao longo do filme. A arma é uma espécie de prêmio que o personagem de James Stewart ganha em um concurso na cidade de Dodge City. Nessa cena temos direito até mesmo a uma aparição do famoso homem da lei Wyatt Earp. O rifle acaba sendo roubado depois, indo parar nas mãos de um grupo Sioux. Depois ele vai parar nas mãos de militares da cavalaria, vira objeto de ostentação de um covarde etc. O fio condutor de todo o enredo então passa a ser justamente esse rifle. E assim várias histórias do velho oeste vão sendo contadas.
Além do bom roteiro, o filme se destaca também pelo excelente elenco. Astros de Hollywood da sua era de ouro estão aqui. O ator James Stewart repete seu tradicional papel de homem íntegro e honesto. Para falar a verdade ele não precisava de muito mais do que isso. Sempre carismático e correto, Stewart liderou um elenco acima da média. O mais curioso é a presença de dois jovens atores que iriam virar grandes astros nos anos que viriam: Rock Hudson e Tony Curtis. O primeiro está quase irreconhecível como um chefe Sioux. Ele atuou no filme de peruca e pintado nas cores tradicionais dos nativos americanos, algo bem fora dos padrões de sua carreira. Já Tony Curtis, muito, muito jovem, faz um soldado da cavalaria no meio de um cerco indígena. Ambos estavam em começo de carreira, tentando um lugar ao sol em Hollywood.
Na época os dois eram contratados da Universal Pictures, que tinha um quadro de treinamento de novos atores. A Universal era conhecida por realizar vários faroestes B, mas aqui caprichou um pouco mais na produção. Isso porque contava com o astro James Stewart como estrela do filme. Assim o estúdio decidiu produzir um faroeste classe A para fazer jus a ele. A empresa cinematográfica sabia do potencial das bilheterias com sua presença. E tudo isso resultou numa produção caprichada. A direção também foi entregue a um cineasta experiente. Anthony Mann foi para James Stewart o que John Ford foi para John Wayne, ou seja, uma bela parceria se firmou entre ambos ao longo dos anos. Aqui a sintonia da dupla funciona novamente. Mann, com mão firme, não deixa o filme em nenhum momento cair na banalidade. Excelente trabalho de direção. Em suma, esse é um daqueles grandes filmes de western da história de Hollywood. Um filme para se ter na coleção.
Winchester '73 (Winchester '73, Estados Unidos, 1950) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Robert L. Richards, Borden Chase / Elenco: James Stewart, Rock Hudson, Tony Curtis, Shelley Winters, Dan Duryea / Sinopse: Lin McAdam (James Stewart) vence uma competição de tiro cujo prêmio é um rifle Winchester 73, a melhor arma da época. Após perder sua posse a arma cai nas mãos de várias pessoas ao longo do tempo. Filme indicado ao Writers Guild of America.
Pablo Aluísio.
Além do bom roteiro, o filme se destaca também pelo excelente elenco. Astros de Hollywood da sua era de ouro estão aqui. O ator James Stewart repete seu tradicional papel de homem íntegro e honesto. Para falar a verdade ele não precisava de muito mais do que isso. Sempre carismático e correto, Stewart liderou um elenco acima da média. O mais curioso é a presença de dois jovens atores que iriam virar grandes astros nos anos que viriam: Rock Hudson e Tony Curtis. O primeiro está quase irreconhecível como um chefe Sioux. Ele atuou no filme de peruca e pintado nas cores tradicionais dos nativos americanos, algo bem fora dos padrões de sua carreira. Já Tony Curtis, muito, muito jovem, faz um soldado da cavalaria no meio de um cerco indígena. Ambos estavam em começo de carreira, tentando um lugar ao sol em Hollywood.
Na época os dois eram contratados da Universal Pictures, que tinha um quadro de treinamento de novos atores. A Universal era conhecida por realizar vários faroestes B, mas aqui caprichou um pouco mais na produção. Isso porque contava com o astro James Stewart como estrela do filme. Assim o estúdio decidiu produzir um faroeste classe A para fazer jus a ele. A empresa cinematográfica sabia do potencial das bilheterias com sua presença. E tudo isso resultou numa produção caprichada. A direção também foi entregue a um cineasta experiente. Anthony Mann foi para James Stewart o que John Ford foi para John Wayne, ou seja, uma bela parceria se firmou entre ambos ao longo dos anos. Aqui a sintonia da dupla funciona novamente. Mann, com mão firme, não deixa o filme em nenhum momento cair na banalidade. Excelente trabalho de direção. Em suma, esse é um daqueles grandes filmes de western da história de Hollywood. Um filme para se ter na coleção.
Winchester '73 (Winchester '73, Estados Unidos, 1950) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Robert L. Richards, Borden Chase / Elenco: James Stewart, Rock Hudson, Tony Curtis, Shelley Winters, Dan Duryea / Sinopse: Lin McAdam (James Stewart) vence uma competição de tiro cujo prêmio é um rifle Winchester 73, a melhor arma da época. Após perder sua posse a arma cai nas mãos de várias pessoas ao longo do tempo. Filme indicado ao Writers Guild of America.
Pablo Aluísio.
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