segunda-feira, 2 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Charles Chaplin - Parte 1

Charles Chaplin já era um homem rico e famoso quando soube que a mãe de seus filhos Charlie Chaplin Jr e Sydney, tinha planos de lançar os garotos no cinema. O oportunismo era óbvio, Lita Grey queria lucrar rápido e fácil com o nome de Chaplin. Ao saber disso o pai Charles Chaplin imediatamente acionou seus advogados.

Entrou com um processo na corte de Los Angeles, proibindo que os garotos fossem explorados comercialmente pela mãe, numa jogada grotesca de oportunismo barato. Assim que conseguiu a vitória nos tribunais Chaplin declarou para a imprensa: "Eles poderão fazer o que quiser de suas vidas no futuro. Se quiserem se tornar atores ou comediantes terão o meu apoio. Isso porém apenas após se tornarem adultos. Conheço a exploração e as tragédias que acompanham a carreira de muitos atores mirins. Não quero isso para meus filhos!".

Depois dessa batalha judicial Chaplin resolveu se aproximar mais dos meninos. Embora cultivasse a imagem do adorável vagabundo nas telas, o fato era que em sua vida pessoal Chaplin era um homem até mesmo introvertido, taciturno, um diretor obcecado pela perfeição que poderia ser também rude nas filmagens com suas equipes. A reaproximação entre pai e seus filhos foi algo positivo, bom, mas não livrou Charles Chaplin Jr de ter muitos problemas emocionais em sua vida. Sempre à sombra do mito do pai, algo que ele jamais poderia superar, tentou uma carreira de ator quando atingiu a maioridade, mas nunca conseguiu o sucesso. Ele escreveria um livro chamado "Meu Pai, Charlie Chaplin" e morreria tragicamente e precocemente, após enfrentar anos de problemas com drogas.

Charles Chaplin achava, como muitos pais de seu tempo, que apenas a dureza e a firmeza de disciplina colocaria seu filho na linha. Assim ele procurou dar uma educação austera e disciplinadora aos filhos, no estilo mais conservador, mas com o passar dos anos acabou percebendo que isso não daria muito certo. Os meninos se ressentiam do pai, de seu jeito duro de ser, sempre como um figura autoritária, e com o passar dos anos acabaram se afastando mais ainda dele. O fato de Chaplin ter constituído uma nova família, anos depois, piorou ainda mais esse quadro. De fato pai e filhos nunca tiveram mesmo uma relação carinhosa e isenta de muitos problemas.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Amores Clandestinos

Título no Brasil: Amores Clandestinos
Título Original: A Summer Place
Ano de Produção: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Delmer Daves
Roteiro: Sloam Wilson, Delmer Daves
Elenco: Richard Egan, Sandra Dee, Troy Donahue, Doroth McGuire
 
Sinopse:
O jovem Johnny Hunter (Troy Donahue) conhece uma bela garota, Molly Jorgenson (Sandra Dee), durante um veraneio numa linda ilha turística. O problema para Molly é que seus pais não aceitam, por questões morais e sociais, que o namoro do jovem casal vá em frente. Está armada assim a trama básica do filme "A Summer Place" que no Brasil recebeu o título de "Amores Clandestinos". Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Ator - Revelação Masculina (Troy Donahue). Também premiado pelo Laurel Awards na categoria Melhor Trilha Sonora (Max Steiner).

Comentários:
Esse filme romântico foi um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 50 e elevou a atriz Sandra Dee ao patamar de estrela, campeã de popularidade e ídolo adolescente em plenos anos dourados. O filme é muito didático no sentido de mostrar todo o leque de tabus e preconceitos morais e sexuais que imperavam na sociedade americana da época (se lá nos EUA era assim, imaginem aqui no Brasil como deveria ser atrasado!). A "honra" das jovens de família, a virgindade, o decoro, as convenções sociais que os namorados tinham que seguir à risca, tudo está na tela. O filme é muito romântico e tem uma trilha sonora marcante. Para se ter uma ideia a música tema foi um estouro nas paradas chegando ao primeiro lugar da revista Billboard na versão de Percy Faith. Impossível não conhecê-la até mesmo nos dias de hoje. O roteiro é obviamente açucarado, feito para embalar os amores juvenis da época mas tem também seus méritos, chegando ao ponto de discutir coisas mais sérias como a gravidez na adolescência, por exemplo.

Talvez o maior problema de "Amores Clandestinos", além de sua moralidade totalmente fora de moda nos dias atuais, seja o fraco desempenho do casalzinho de adolescentes que são os protagonistas do filme. Ok, Sandra Dee era um grande fenômeno de popularidade, todas as moças da época queriam ser como ela, mas o fato é que como atriz ela era bem limitada. Seu talento dramático se resumia a fazer beicinhos, um atrás do outro. Pelo menos foi salva por ser carismática e simpática. O mesmo não se pode dizer de seu partner em cena, o inexpressivo galãzinho Troy Donahue que não conseguiu escapar da canastrice completa. Um tipo de ator que se garantia apenas por seu bom visual. O problema é que isso é pouco, ainda mais nesse roteiro onde vários aspectos interessantes poderiam ser bem melhor explorados. O filme foi dirigido por Delmer Daves que havia escrito o roteiro de outro grande sucesso romântico da época, o também clássico "Tarde Demais Para Esquecer". De certa forma "Summer Place" é uma versão adolescente daquele filme estrelado por Cary Grant. Todos os ingredientes estão lá, a impossibilidade de concretizar um grande amor, locações paradisíacas e canções românticas marcantes, de cortar o coração. Por isso indico o filme a quem gosta de produções como essa. Certamente vai aquecer os corações dos mais românticos, desde que eles não sejam exigentes demais com boas atuações.

Pablo Aluísio.

Se o Marido Atender, Desligue

Título no Brasil: Se o Marido Atender, Desligue
Título Original: If a Man Answers
Ano de Produção: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Henry Levin
Roteiro: Richard Morris, Winifred Wolfe
Elenco: Sandra Dee, Bobby Darin, Cesar Romero, Micheline Presle

Sinopse:
Chantal Stacy (Sandra Dee) é uma rica socialite que acaba se casando com o fotógrafo pobretão Eugene Wright (Bobby Darin). Nos primeiros meses tudo acaba indo bem até o surgimento de um amigo invejoso que tenta separar os dois. Em desespero, Chantal procura conselhos com a mãe, mas a ajuda que recebe acaba piorando ainda mais a situação.

Comentários:
Uma comédia romântica típica dos anos 1960 com o casalzinho formado pela atriz Sandra Dee e pelo cantor Bobby Darin, que formavam par também fora das telas. Nesse período do cinema americano o produtor  Ross Hunter descobriu a força de bilheteria que representava o público feminino e resolveu investir cada vez mais nesse tipo de produção feito especialmente para elas. A fórmula deu tão certo que até hoje em dia filmes assim costumam ser extremamente populares, rendendo ótimas bilheterias todos os anos. Super colorido, ensolarado, o filme mantém seu charme nostálgico. No elenco uma surpresa: Cesar Romero acabou roubando o show e recebeu até mesmo uma indicação ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante (além dessa o filme ainda foi indicado para Melhor Comédia - Musical). Obviamente que hoje em dia vai soar um pouco datado, mas no geral ainda se torna interessante para cinéfilos em geral por ser um exemplo perfeito desse gênero no cinema da época.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Horas Intermináveis

Título no Brasil: Horas Intermináveis
Título Original: Fourteen Hours
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: John Paxton, Joel Sayre
Elenco: Paul Douglas, Richard Basehart, Grace Kelly, Debra Paget, Jeffrey Hunter, Barbara Bel Geddes
  
Sinopse:
A vida não tem mais sentido para Robert Cosick (Richard Basehart). Desesperado por ter perdido tudo, ficando arruinado financeiramente, ele decide subir até o décimo quinto andar de um edifício de Nova Iorque para pular. O policial Charlie Dunnigan (Paul Douglas) é então chamado para atender essa ocorrência e tenta convencer o potencial suicida para que não pule em direção à morte. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Direção de Arte (Lyle R. Wheeler e Leland Fuller). Também indicado ao BAFTA Awards na categoria Melhor Filme Americano do Ano.

Comentários:
Um filme noir que acabou sendo conhecido por ser o começo das carreiras de atores jovens (e naquela época ainda desconhecidos), que iriam fazer sucesso em Hollywood nos anos que viriam. O caso mais famoso nesse aspecto foi a da estreia de Grace Kelly no cinema, ainda bastante inexperiente, interpretando uma personagem coadjuvante. Jovem e linda, ainda não se sabia que ela iria se tornar uma das maiores estrelas do cinema americano. Além de Grace o elenco de apoio ainda trazia Jeffrey Hunter, que iria se consagrar interpretando Jesus Cristo no épico "Rei dos Reis" e Debra Paget, que se tornaria famosa ao fazer a namorada do roqueiro Elvis Presley em "Ama-me com Ternura" (o faroeste "Love Me Tender"). Ou seja, poucas vezes se viu um elenco jovem tão promissor como nesse filme. Em termos gerais é um suspense noir que se baseia em uma situação limite que dura intermináveis 14 horas, onde um homem em desespero ameaça se suicidar, pulando do décimo quinto andar de um prédio em Nova Iorque. Enquanto ele ameaça pular ou não, um policial tenta convencê-lo a não fazer isso. A história foi baseada em fatos reais. Durante a grande depressão muitas pessoas perderam tudo na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque e se suicidaram. O filme assim romanceia um desses casos que terminou de forma trágica.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Vidas Amargas

Vidas Amargas
Lançado em 10 de abril de 1955, Vidas Amargas foi dirigido por Elia Kazan e estrelado por James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives e Richard Davalos. Baseado no romance de John Steinbeck, o filme acompanha o conflito emocional de um jovem sensível que luta para conquistar o amor e a aprovação do pai em uma família marcada por ressentimentos e diferenças morais. Ambientada no início do século XX, a narrativa explora rivalidade entre irmãos, culpa e desejo de redenção em meio às transformações sociais de uma pequena comunidade rural. O ponto de partida dramático reside na busca desesperada do protagonista por reconhecimento afetivo, conduzindo a história por intensos confrontos psicológicos e dilemas familiares sem revelar seus acontecimentos finais.

Na época do lançamento, a recepção crítica foi amplamente positiva, com especial atenção à performance de James Dean. O The New York Times destacou a intensidade emocional do ator, observando que sua atuação transmitia “uma vulnerabilidade rara e profundamente comovente”. Já o Los Angeles Times elogiou a direção de Elia Kazan por transformar o drama familiar em experiência cinematográfica poderosa, ressaltando a autenticidade das emoções retratadas.

A revista Variety apontou o filme como um drama literário de grande força interpretativa, destacando o equilíbrio entre lirismo visual e conflito psicológico. O The New Yorker comentou que a obra possuía sensibilidade incomum ao retratar relações familiares marcadas por silêncio e dor. Embora alguns críticos tenham considerado o tom melodramático em certos momentos, o consenso geral foi entusiasmado, consolidando o filme como marco artístico da década de 1950.

No campo comercial, Vidas Amargas alcançou bom desempenho de bilheteria, impulsionado principalmente pela repercussão em torno de James Dean, cuja carreira ganharia dimensão lendária após sua morte precoce no mesmo ano. Produzido com orçamento moderado, o filme obteve retorno financeiro sólido nos Estados Unidos e também encontrou público significativo no mercado internacional. Além disso, recebeu diversas indicações a prêmios importantes, reforçando sua relevância artística e comercial.

Com o passar do tempo, Vidas Amargas tornou-se um clássico do cinema dramático americano, frequentemente lembrado como uma das atuações mais marcantes de James Dean. A profundidade emocional da narrativa e a abordagem sensível dos conflitos familiares continuam sendo elogiadas por críticos contemporâneos. Hoje, o filme é visto como obra fundamental para compreender a transformação do realismo psicológico no cinema dos anos 1950 e a influência duradoura do ator em gerações posteriores.

Vidas Amargas (East of Eden, Estados Unidos, 1955) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Paul Osborn (baseado no romance de John Steinbeck) / Elenco: James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet / Sinopse: Um jovem luta para obter o amor do pai e encontrar seu lugar dentro de uma família marcada por rivalidade, culpa e desejo de redenção.

Erick Steve. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

James Dean

James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária para aqueles tempos de grandiosidade cinematográfica. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano. 

Abaixo os links onde o interessado pode comprar o novo livro:



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Texto II

O primeiro teste cinematográfico de Rock Hudson na Universal foi tão ruim e desastroso que o estúdio o exibiu por anos para novos aspirantes à astros. A ideia era demonstrar que mesmo um teste inicial horroroso não significava o fim de uma promissora carreira no futuro. Mesmo não convencendo em nada a Universal resolveu contratar Rock, lhe dando um contrato de sete anos e meio (o padrão da época). Qual foi a razão para Rock ser contratado, mesmo não indo bem em seus testes iniciais de câmera? Muito simples, a Universal sabia que Rock tinha um belo futuro, de gordas bilheterias, pela frente! Bastava olhar para ele, com sua imagem impecável de galã, para entender bem isso.

Então Rock começou a aparecer em pequenos papéis, só para ir se acostumando. Seu primeiro filme foi o drama de guerra "Sangue, Suor e Lágrimas" de 1948. O personagem de Rock só tinha uma linha de diálogo. Ele aparecia numa cena de reunião de militares no QG da Força Aérea. Interpretava um oficial, um segundo tenente. Não foi nada espetacular, porém demonstrou que Rock levava muito jeito, pois fica ótimo na tela de cinema. Um executivo comentou: "Rock e as câmeras se amavam. Era amor à primeira vista! Bastava aparecer por alguns segundos para que todos prestassem atenção nele, inclusive as mulheres, que ficavam loucas por aquele homem alto, bonito e muito másculo".

Rock também assinou um contrato com o agente Henry Willson. Ele era considerado um dos melhores agentes de atores de Hollywood na época. Muito bem articulado, bem relacionado dentro da indústria. Henry, um velho homossexual, era visto como um grande fazedor de astros. Vários galãs já tinham passado por sua agência. No fundo ele sabia que Rock ainda era uma joia bruta, que precisava ser lapidada, trabalhada, por isso não mediu esforços para promovê-lo.

Henry começou a levar Rock para as principais festas de Hollywood, onde frequentavam os grandes executivos, diretores, donos de estúdio. Eram justamente nessas festas que elencos inteiros de grandes produções eram escalados. Fazer sucesso na carreira em Hollywood significava também fazer sucesso no meio social da cidade. Você tinha que fazer um certo jogo, um certo charme, em determinados lugares. Então algum diretor ou produtor iria se interessar por você e um novo filme estaria ao seu alcance. Rock logo entendeu isso e jogou o jogo. E acabou se dando muito bem...

Pablo Aluísio. 

A Praia dos Biquínis

Título no Brasil: A Praia dos Biquínis
Título Original: Bikini Beach
Ano de Produção: 1964
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: William Asher
Roteiro: William Asher, Leo Townsend
Elenco: Frankie Avalon, Annette Funicello, Martha Hyer, Don Rickles, Harvey Lembeck, John Ashley

Sinopse:
Entre várias ondas na praia, o jovem Frankie (Frankie Avalon) tenta conquistar mais uma vez o coração da doce e maravilhosa Dee Dee (Annette Funicello). Para isso porém ele terá que enfrentar mais uma vez as artimanhas de Eric Von Zipper (Harvey Lembeck) e seus motoqueiros e um cientista maluco, que quer provar que adolescentes e primatas possuem os mesmos instintos básicos de acasalamento!

Comentários:
Se você tiver curiosidade em saber como eram os filmes feitos para o público adolescente nos anos 60, uma boa dica é esse filme de verão chamado "Bikini Beach". Estrelado pelo casalzinho sensação da época, Frankie Avalon e Annette Funicello, essas produções eram extremamente lucrativas, porque tinham uma orçamento quase mínimo (esse aqui custou apenas 600 mil dólares!) e conseguiam faturar muito bem nas bilheterias. Essa fita aqui, por exemplo, foi a terceira de uma longa série de fitas rápidas que começaram com "A Praia dos Amores" no ano anterior, sendo seguida de "Quanto Mais Músculos Melhor". Haveria ainda um quarto filme intitulado "Folias na Praia" em 1965. Todos esses filmes foram bastante reprisados no Brasil, na década de 70, na Sessão da Tarde, por isso acabaram bem populares por aqui. Os roteiros eram sempre bem básicos. Avalon e Funicello em eterno namorico pelas praias da Califórnia, sendo importunados pelo motoqueiro maluco Eric Von Zipper (Harvey Lembeck). Tudo realmente muito pueril, inocente, bem de acordo com os padrões da época. Hoje em dia esses filmes, de baixo teor artístico e cinematográfico, servem apenas como curiosidades nostálgicas. Frankie Avalon, por exemplo, até tentou emplacar uma carreira de cantor ao estilo Elvis Presley, mas como ele definitivamente não era Elvis, acabou ficando pelo meio do caminho. De qualquer maneira assista e conheça, nem que seja para matar as saudades de um tempo que não existe mais.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mentira Salvadora

Mentira Salvadora
Esse filme pode ser considerado a primeira grande chance que Marilyn Monroe conseguiu em sua carreira. Ela havia sido contratada pela Fox, mas até então não tinha conseguido uma grande oportunidade. Então seu amante (na verdade seu sugar daddy) chamado Johnny Hyde conseguiu com o chefão da Columbia Pictures Harry Cohn que fosse dada uma oportunidade melhor para Marilyn nesse filme. E ela finalmente conseguiu uma personagem com nome e importância dentro de um filme. Ela interpretou a jovem filha da protagonista, uma garota chamada Peggy Martin.

Marilyn ficou eufórica com essa oportunidade, mas a verdade pura e simples é que o filme não passava de uma produção B que na época não chegou a alcançar qualquer tipo de sucesso. Com apenas uma semana em cartaz foi tirado do circuito de exibição pela fraca bilheteria. De qualquer maneira com o passar dos anos o filme foi finalmente redescoberto e por causa de Marilyn Monroe, aqui dando os seus primeiros passos rumo a uma carreira de sucesso. 

Mentira Salvadora (Ladies of the Chorus, Estados Unidos, 1948) Direção: Phil Karlson / Roteiro: Harry Sauber / Elenco: Adele Jergens, Marilyn Monroe, Rand Brooks / Sinopse: Uma dançarina de Chorus Line se apaixona pelo sujeito errado e começa a sofrer os problemas inerentes a esse que poderia ser um erro, mas não de seu coração. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Marlon Brando e o Sindicato de Ladrões


Marlon Brando e o Sindicato de Ladrões
Sindicato de Ladrões (On the Waterfront) foi lançado em 28 de julho de 1954 e é dirigido por Elia Kazan, reunindo um elenco liderado por Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden e Lee J. Cobb. Ambientado nos cais de Nova York, o filme mergulha no cotidiano brutal dos estivadores controlados por um sindicato corrupto e violento. A narrativa acompanha Terry Malloy, um ex-pugilista que trabalha no porto e vive sob a influência de chefes sindicais que exploram os trabalhadores por meio do medo e da coerção. O ponto de partida da história se dá quando Terry se envolve, ainda que indiretamente, em um episódio de violência que o obriga a confrontar sua própria consciência. A partir desse conflito inicial, o filme constrói um retrato intenso sobre culpa, silêncio, lealdade e a difícil escolha entre a sobrevivência individual e a responsabilidade moral coletiva.

No momento de seu lançamento, Sindicato de Ladrões foi recebido com aclamação quase imediata pela crítica americana. O The New York Times destacou a atuação de Marlon Brando como “extraordinariamente natural e dolorosamente humana”, afirmando que o ator havia redefinido o realismo dramático no cinema americano. O jornal também elogiou a direção de Elia Kazan, ressaltando a maneira como o cineasta utilizava os cenários reais dos portos para reforçar a sensação de opressão e abandono social. Já o Los Angeles Times descreveu o filme como “um soco moral”, apontando que sua força residia na combinação entre denúncia social e drama pessoal.

A revista Variety classificou o longa como “uma obra poderosa e socialmente relevante”, elogiando o roteiro de Budd Schulberg por transformar uma questão sindical complexa em um drama acessível e emocionalmente devastador. O The New Yorker destacou a famosa cena do táxi entre Brando e Rod Steiger como uma das mais impactantes já vistas no cinema até então, afirmando que ali se condensava “toda a tragédia moral do personagem”. Embora alguns críticos tenham percebido subtextos políticos ligados ao contexto do macarthismo, a avaliação geral foi amplamente positiva, reconhecendo o filme como uma obra corajosa, intensa e artisticamente inovadora para sua época.

No aspecto comercial, Sindicato de Ladrões também apresentou um desempenho sólido. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 910 mil, o filme arrecadou aproximadamente US$ 9,6 milhões em bilheteria nos Estados Unidos, tornando-se um sucesso significativo para um drama social de tom pesado. O desempenho financeiro foi impulsionado tanto pelo boca a boca quanto pelo reconhecimento crítico e pelas indicações a prêmios. O longa manteve uma carreira prolongada nos cinemas e consolidou-se como uma produção lucrativa, especialmente considerando seu tema sério e sua abordagem realista, distante do entretenimento escapista dominante da época.

Com o passar das décadas, Sindicato de Ladrões passou a ser considerado um dos maiores filmes da história do cinema. Atualmente, figura com frequência em listas de melhores filmes americanos já realizados e é estudado em cursos de cinema, sociologia e história. A atuação de Marlon Brando é vista como um marco da atuação moderna, influenciando gerações de atores. O filme venceu oito Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, e hoje é reconhecido não apenas como um poderoso drama social, mas também como uma obra-chave para compreender o cinema americano do pós-guerra e suas tensões morais e políticas.

Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, Estados Unidos, 1954) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Budd Schulberg (baseado em reportagens de Malcolm Johnson publicadas no New York Sun) / Elenco: Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Pat Henning / Sinopse: Um trabalhador dos portos enfrenta o domínio de um sindicato violento e corrupto, sendo forçado a escolher entre o silêncio cúmplice e a difícil decisão de agir conforme sua consciência.

Erick Steve.