quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Marlon Brando - Parte 3

"Sindicato de Ladrões" foi de certa maneira uma forma que o diretor Elia Kazan encontrou de se justificar aos seus colegas de profissão após ter dedurado uma série de profissionais do cinema e teatro para o comitê de atividades anti americanas. Parte dessas pessoas tinham participado do Partido Comunista americano e isso era algo muito sério naquela época. Para escapar da prisão ou talvez até mesmo de ser banido de Hollywood, Kazan resolveu entregar todos aqueles que ele sabia serem membros do Partido. Obviamente que aquilo tudo pegou muito mal e da noite para o dia Kazan passou a ser um nome a ser evitado. Como contornar uma situação dessas? A resposta caiu no colo de Kazan poucas semanas depois.

No roteiro desse filme também havia um sujeito que fora forçado pela situação para entregar os nomes de pessoas que tinham se envolvido em esquemas de corrupção. Quando Marlon Brando foi convidado para o papel de Terry Malloy ele imediatamente disse não, mas depois acabou sendo convencido que seria mais uma boa oportunidade de realizar um grande filme - e isso era a mais absoluta verdade. As filmagens se concentraram entre Nova Iorque e Hoboken, New Jersey e foram muito duras. Com baixas temperaturas, Brando precisou aprender parte da manha dos trabalhadores braçais do porto da cidade. Acabou fazendo amizades entre eles e em pouco tempo estava completamente à vontade em seu papel.

Por ser uma obra delicada que serviria a um propósito maior, Kazan queria seguir o script à risca, mas isso definitivamente não aconteceria com Marlon Brando no elenco. Numa cena com Rod Steiger e ele, o diretor sugeriu uma determinada situação de confronto no banco de trás de um carro. Brando achou que duas pessoas tão próximas como eram os personagens deles nunca se tratariam daquele jeito e por isso sugeriu mudanças. Ao invés de acontecer uma luta insana e feroz, o personagem de Brando apenas olharia com rosto chocado quando Steiger lhe apontasse uma arma. Era uma reação mais natural. Após um longo combate criativo Kazan finalmente se convenceu que Brando estava mesmo com a razão. Para Brando a resposta positiva por parte de Kazan confirmava o que ele pensava do diretor: que ele era de fato um dos cineastas mais brilhantes da história de Hollywood. Por seu engajamento no filme e principalmente por sua ótima atuação, Brando mais uma vez acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Hoje em dia, depois que Brando recusou seu Oscar por "O Poderoso Chefão", todos conhecem a extrema ojeriza que o ator sentia pela Academia, mas naquela época, ainda um jovem talento em ascensão, Brando decidiu que compareceria à premiação. Para sua surpresa seu nome foi anunciado e ele, pela primeira vez em sua carreira, seria premiado com a estatueta mais cobiçada do cinema americano. Usando um comportado terno, todos sorrisos, Brando subiu ao palco e recebeu seu Oscar das mãos de uma princesa, Grace Kellly. Estaria o mais famoso selvagem de Hollywood devidamente domado? Pelo menos naquela noite memorável sim. Brando foi um perfeito gentleman. Agradeceu até emocionado pelo reconhecimento e depois fez um discurso bem nos moldes que todos esperavam, sem atropelos ou escândalos. Anos depois o Oscar de Brando foi parar numa casa de leilões. Em seu livro o ator reconheceu não se lembrar mais onde ele havia ido parar, mas depois de um ou dois minutos admitiu que o havia dado de presente - só não lembrava direito a quem! Imagine, o prêmio mais desejado de Hollywood indo parar nas mãos de qualquer um... enfim, coisas de Marlon Brando...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Outra Aurora

Título no Brasil: Outra Aurora
Título Original: Another Dawn
Ano de Lançamento: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: William Dieterle
Roteiro: Laird Doyle, Casey Robinson
Elenco: Errol Flynn, Kay Francis, Ian Hunter, Friedrich von Ledebur, J. Carrol Naish, Henry O'Neill

Sinopse:
Ambientado em uma região desértica sob domínio colonial britânico, o filme acompanha Julia Ashton, uma mulher que vive um casamento sem amor com um oficial militar. Durante uma viagem, ela conhece o oficial Terence Dillon, por quem se apaixona intensamente. No entanto, o destino a leva a descobrir que Dillon é amigo próximo de seu marido, criando um triângulo amoroso marcado por culpa, dever e paixão. Em meio ao ambiente hostil do deserto e às tensões sociais e militares, os personagens enfrentam dilemas morais que colocam à prova seus valores e lealdades.

Comentários:
Lançado em 1937, Another Dawn recebeu críticas positivas na época, com destaque para a química entre Errol Flynn e Kay Francis. O jornal The New York Times elogiou a atmosfera exótica e o tom dramático da narrativa, enquanto a revista Variety destacou a produção sofisticada e o apelo romântico do filme. Comercialmente, o filme teve bom desempenho e ajudou a consolidar Errol Flynn como um dos grandes astros da Warner Bros. nos anos 1930, embora não tenha alcançado o mesmo nível de popularidade de seus filmes de aventura. Ao longo dos anos, Outra Aurora passou a ser lembrado como um elegante drama romântico da era clássica de Hollywood, valorizado por sua ambientação e pelo estilo refinado de direção. Hoje, é visto como uma obra representativa do cinema romântico e dramático da década de 1930.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Por Quem os Sinos Dobram

Título no Brasil: Por Quem os Sinos Dobram
Título Original: For Whom the Bell Tolls
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sam Wood
Roteiro: Dudley Nichols
Elenco: Gary Cooper, Ingrid Bergman, Akim Tamiroff, Katina Paxinou, Arturo de Córdova, Joseph Calleia

Sinopse:
Ambientado durante a Guerra Civil Espanhola, o filme acompanha Robert Jordan, um professor americano que se junta às forças republicanas como especialista em explosivos. Sua missão é destruir uma ponte estratégica para impedir o avanço das tropas inimigas. Durante a operação, ele se integra a um grupo de guerrilheiros e conhece Maria, uma jovem marcada pelos horrores da guerra, por quem se apaixona profundamente. Enquanto o prazo da missão se aproxima, Jordan precisa lidar com conflitos internos no grupo, o perigo constante e a certeza de que seu destino pode estar selado. A história combina romance, ação e drama em meio a um dos conflitos mais intensos do século XX.

Comentários:
Lançado em 1943, For Whom the Bell Tolls foi amplamente elogiado pela crítica e recebeu várias indicações ao Oscar. A atuação de Ingrid Bergman foi especialmente destacada, rendendo-lhe uma indicação ao prêmio, enquanto Katina Paxinou venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O jornal The New York Times elogiou a grandiosidade da produção e a força emocional da narrativa, baseada no romance de Ernest Hemingway. O filme também foi um grande sucesso de público, consolidando-se como uma das produções mais importantes da década de 1940. Ao longo dos anos, Por Quem os Sinos Dobram passou a ser considerado um clássico do cinema de guerra e romance, lembrado pela química entre Gary Cooper e Ingrid Bergman e pela forma como retrata os dilemas humanos em tempos de conflito. Hoje, permanece como uma adaptação respeitada da obra de Hemingway e uma referência do cinema clássico de Hollywood

Erick Steve. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Robert Taylor

Robert Taylor
Robert Taylor foi um dos grandes astros de Hollywood durante as décadas de 1930, 1940 e 1950, conhecido por sua aparência elegante, presença marcante e versatilidade em diferentes gêneros cinematográficos. Ele nasceu em 5 de agosto de 1911, na cidade de Filley, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, com o nome de Spangler Arlington Brugh. Filho de um médico, Taylor teve uma educação relativamente confortável e demonstrou interesse por artes desde jovem, especialmente música, chegando a estudar violoncelo. No entanto, foi durante seus estudos universitários que ele começou a se interessar pela atuação, participando de peças teatrais que chamaram a atenção de agentes de talentos. Sua mudança para Hollywood ocorreu no início da década de 1930, quando assinou contrato com o poderoso estúdio Metro-Goldwyn-Mayer, que rapidamente percebeu seu potencial como galã.

Sua ascensão ao estrelato foi rápida, especialmente após seu papel no filme Magnificent Obsession (1935), ao lado de Irene Dunne, que consolidou sua imagem como protagonista romântico. Durante os anos seguintes, Robert Taylor tornou-se um dos principais rostos da MGM, participando de diversos filmes de sucesso e trabalhando ao lado de grandes atrizes da época. Entre seus trabalhos mais notáveis está o clássico Camille (1936), no qual contracenou com Greta Garbo, uma das maiores estrelas do cinema mundial. Ao longo de sua carreira, Taylor demonstrou capacidade de atuar tanto em dramas românticos quanto em filmes históricos e aventuras. Um de seus papéis mais lembrados foi no épico medieval Ivanhoe (1952), onde interpretou o herói do título, consolidando sua popularidade junto ao público internacional.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Robert Taylor interrompeu temporariamente sua carreira cinematográfica para servir nas forças armadas dos Estados Unidos. Ele atuou principalmente como instrutor de voo e participou da produção de filmes de treinamento militar, contribuindo para o esforço de guerra. Após o conflito, Taylor retornou a Hollywood e passou a diversificar ainda mais seus papéis, buscando personagens mais maduros e complexos. Na década de 1950, ele se destacou especialmente em filmes do gênero faroeste, que estavam em grande popularidade naquele período. Sua presença nesses filmes ajudou a consolidar sua imagem como um ator versátil, capaz de se adaptar às mudanças da indústria cinematográfica e às preferências do público.

Além de sua carreira no cinema, Robert Taylor também teve uma vida pessoal bastante comentada. Ele foi casado com a atriz Barbara Stanwyck, uma das maiores estrelas de Hollywood, em um relacionamento que durou de 1939 a 1952. Posteriormente, casou-se com Ursula Thiess, com quem teve filhos. Ao longo de sua vida, Taylor também se envolveu em questões políticas, especialmente durante o período da Guerra Fria, quando participou de investigações relacionadas à influência comunista em Hollywood, um tema controverso na história do cinema americano. Apesar dessas polêmicas, sua carreira artística continuou sólida, e ele manteve seu status de estrela por muitos anos, tanto no cinema quanto na televisão.

Robert Taylor faleceu em 8 de junho de 1969, aos 57 anos, vítima de câncer de pulmão. Seu legado permanece importante na história do cinema clássico de Hollywood, sendo lembrado como um dos grandes galãs da chamada “Era de Ouro” dos estúdios. Sua filmografia inclui dezenas de produções que marcaram época e continuam sendo apreciadas por fãs de cinema até hoje. Taylor representou um tipo de ator que combinava carisma, elegância e profissionalismo, características que o tornaram um dos nomes mais duradouros de sua geração. Ao longo das décadas, seu trabalho contribuiu para definir o estilo e o glamour do cinema hollywoodiano clássico, garantindo-lhe um lugar de destaque na memória cultural do século XX.

Erick Steve. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Os Cavaleiros da Távola Redonda

Título no Brasil: Os Cavaleiros da Távola Redonda
Título Original: Knights of the Round Table
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Talbot Jennings, Jan Lustig
Elenco: Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, Anne Crawford, Stanley Baker, Felix Aylmer

Sinopse:
Na idade Média o jovem plebeu Arthur consegue retirar a espada Excalibur de uma rocha. Assim se torna o Rei da Inglaterra. Ao lado de Merlin ele começa a reinar. Forma um grupo de valentes cavaleiros e entrenta os desafios de ser o monarca de um dos reinos mais importantes da Europa. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de arte e melhor som.

Comentários:
Produção luxuosa da Metro que se propõe a contar a lendária história do Rei Arthur. O estúdio não mediu esforços e realmente disponibilizou uma produção digna dessa figura mitológica da cultura britânica. Dessa forma o filme apresenta bem elaborados cenários, figurino luxuoso e bastente colorido e cenas de excelente nível técnico. O interessante é que o filme acabou sendo "roubado" pela atuação da atriz Ava Gardner. Ela interpreta Guinevere e rouba a cena com uma sensualidade à flora da pele. Coloca Arthur como coadjuvante e torna seu romance com o cavaleiro Lancelot, o grande interesse do filme como um todo. Definitivamente Robert Taylor não está à altura de sua partner em cena. Hoje em dia o filme surpreende por ser ultra colorido. Não apenas na direção de fotografia, mas também nas roupas dos atores. E o mais curioso de tudo é que isso é exatamente o que faziam os nobres na Idade Média. Quanto mais colorida fosse sua roupa, mas ele esbanjava sinais de poder e riqueza. Dessa maneira, por uma dessas ironias do destino, o filme que hoje pode ser encarado até mesmo como algo meio exagerado, na realidade apenas mostra como as pessoas da época se vestiam de fato. No mais a impressão que fica é a de que assistimos a um filme que é, acima de tudo, bonito de se ver.

Pablo Aluísio.

Um Yankee em Oxford

Título no Brasil: Um Yankee em Oxford
Título Original: A Yank at Oxford
Ano de Lançamento: 1938
País: Reino Unido
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: George Oppenheimer, John Monk Saunders
Elenco: Robert Taylor, Lionel Barrymore, Maureen O'Sullivan, Vivien Leigh, Edmund Gwenn, Griffith Jones

Sinopse:
A história acompanha Lee Sheridan, um jovem e talentoso atleta americano que recebe uma bolsa de estudos para estudar na prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra. Acostumado ao estilo competitivo e direto dos esportes universitários dos Estados Unidos, Sheridan encontra dificuldades para se adaptar às tradições e à disciplina do ambiente acadêmico britânico. Seu comportamento arrogante e impulsivo acaba gerando conflitos com colegas e professores, colocando em risco sua permanência na universidade. Ao mesmo tempo, ele se envolve em um romance com uma jovem inglesa, o que contribui para sua transformação pessoal. A narrativa acompanha o processo de amadurecimento do protagonista enquanto ele aprende a lidar com respeito, amizade e espírito esportivo.

Comentários:
Quando foi lançado em 1938, A Yank at Oxford foi bem recebido pelo público e pela crítica. O jornal The New York Times destacou o charme da produção e o carisma de Robert Taylor no papel principal, além de elogiar a ambientação convincente no universo acadêmico de Oxford. A presença de Vivien Leigh, ainda no início de sua carreira internacional, também chamou atenção, especialmente porque ela se tornaria uma das maiores estrelas de Hollywood pouco tempo depois ao protagonizar Gone with the Wind (1939). Comercialmente, o filme teve um desempenho sólido e ajudou a fortalecer a presença da Metro-Goldwyn-Mayer no cinema britânico da época. Hoje Um Yankee em Oxford é lembrado como um agradável drama esportivo e universitário da era clássica de Hollywood, além de ser visto como um registro interessante de um momento inicial da carreira de Vivien Leigh antes de sua consagração internacional.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Sheik

Título no Brasil: O Sheik
Título Original: The Sheik
Ano de Lançamento: 1921
País: Estados Unidos
Estúdio: Famous Players-Lasky Corporation
Direção: George Melford
Roteiro: Monte M. Katterjohn, Beulah Marie Dix
Elenco: Rudolph Valentino, Agnes Ayres, Ruth Miller, George Waggner, Frank Butler, Lucien Littlefield

Sinopse:
A história acompanha Lady Diana Mayo, uma jovem aristocrata inglesa independente que viaja para o norte da África em busca de aventura. Durante sua jornada pelo deserto, ela acaba sendo sequestrada pelo poderoso e misterioso líder tribal Ahmed Ben Hassan, conhecido como o Sheik. Inicialmente revoltada com sua captura, Diana resiste às tentativas do sheik de conquistá-la. Porém, à medida que convivem no deserto e enfrentam diversos perigos, a relação entre os dois começa a mudar gradualmente. Entre perseguições, conflitos tribais e momentos de tensão romântica, a narrativa apresenta um romance exótico ambientado em paisagens áridas e misteriosas do Oriente Médio, típico das fantasias românticas populares no cinema da época.

Comentários:
Quando foi lançado em 1921, The Sheik tornou-se um fenômeno cultural. O jornal The New York Times destacou o enorme apelo romântico da história e o magnetismo de Rudolph Valentino, cuja atuação transformou o ator em um dos maiores símbolos sexuais do cinema mudo. Revistas da época como Photoplay também enfatizaram a popularidade do filme entre o público feminino, que se encantou com a figura exótica e sedutora do personagem principal. O filme foi um grande sucesso comercial e ajudou a estabelecer Valentino como uma das maiores estrelas de Hollywood nos anos 1920. O impacto cultural foi tão grande que gerou uma sequência, The Son of the Sheik (1926), também estrelada pelo ator. Com o passar das décadas, O Sheik passou a ser considerado um dos filmes mais influentes do cinema mudo, embora hoje também seja analisado criticamente por seus estereótipos orientalistas. Ainda assim, permanece como uma obra marcante da história de Hollywood e um exemplo clássico do romantismo exótico que fascinava o público do início do século XX.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Fruto Proibido

Título no Brasil: Fruto Proibido
Título Original: Boom Town
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: John Lee Mahin, Jules Furthman
Elenco: Clark Gable, Spencer Tracy, Claudette Colbert, Hedy Lamarr, Frank Morgan, Lionel Atwill

Sinopse:
A história acompanha dois aventureiros e amigos, Big John McMasters e Jonathan Sand, que viajam pelo oeste americano no início do século XX em busca de fortuna no nascente e lucrativo negócio do petróleo. Sempre em busca do próximo grande campo petrolífero, os dois enfrentam fracassos, rivalidades e mudanças rápidas que caracterizam a expansão industrial da época. Quando finalmente conseguem sucesso e riqueza, a amizade entre eles começa a ser testada por ambição, negócios e relacionamentos amorosos. O surgimento de duas mulheres importantes em suas vidas complica ainda mais a relação entre os antigos parceiros. Enquanto um se torna um magnata do petróleo respeitado, o outro enfrenta dificuldades financeiras e pessoais, levando a uma ruptura que ameaça destruir uma amizade construída ao longo de anos de luta. O filme mistura drama, romance e aventura ao retratar o crescimento da indústria petrolífera nos Estados Unidos.

Comentários:
Na época de seu lançamento, Boom Town foi muito bem recebido pelo público e se tornou um dos grandes sucessos comerciais de 1940. A revista Variety elogiou o carisma da dupla Clark Gable e Spencer Tracy, destacando a química entre os dois atores e o dinamismo da narrativa. Já o jornal The New York Times ressaltou o espetáculo proporcionado pela produção da Metro-Goldwyn-Mayer, elogiando especialmente as cenas relacionadas à exploração de petróleo e ao crescimento das cidades que surgiam ao redor dos campos petrolíferos. O filme também foi importante por reunir um elenco estelar típico da chamada “era de ouro” de Hollywood, com grandes nomes do estúdio MGM em papéis marcantes. Comercialmente, foi um grande êxito nas bilheterias e ajudou a consolidar ainda mais o estrelato de Gable e Tracy como duas das maiores figuras do cinema americano da época. Com o passar das décadas, Boom Town passou a ser lembrado como um clássico drama industrial de Hollywood, representando bem o estilo de grandes produções da MGM nos anos 1940 e sendo frequentemente revisitado por historiadores do cinema como um retrato interessante da ambição e do espírito empreendedor retratados pelo cinema daquele período.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Em Busca do Ouro

Em Busca do Ouro
É um dos clássicos mais conhecidos de Charles Chaplin. Aqui ele leva Carlitos, o adorável vagabundo, para o Alaska, na corrida ao ouro. Logo no começo do filme duas coisas interessantes. Chaplin denomina seu personagem de "Aventureiro Solitário". Também faz questão de qualificar o filme como uma comédia dramática. O roteiro, escrito pelo próprio Chaplin, vai bem por esse caminho. O pequenino e frágil Carlitos tem que enfrentar as durezas de uma vida que era para poucos. Muitos que foram em busca do ouro morreram naquelas montanhas geladas. Quando o filme começa ele vaga pela imensidão branca do lugar, com fome e frio. Acaba encontrando uma cabana bem no meio do nada. O problema é que lá está também um foragido da lei, um sujeito que tenta expulsar ele do lugar de todo jeito (o que acaba dando origem a várias cenas engraçadas com o humor físico de Chaplin).

Depois chega outro aventureiro, um sujeito rude, barbudo, um ogro. Os três então tentam sobreviver à grande tempestade de neve. Com seus personagens morrendo de fome Chaplin traz a primeira cena antológica do filme, quando ele prepara sua própria botina como se fosse uma iguaria gourmet. O couro da bota vira um bom filé e os cadarços uma macarronada saborosa. Outra cena sempre muito lembrada acontece quando seu companheiro de cabana, já delirando pela fome, começa a enxergar Carlitos como se fosse um enorme e suculento frango. Há também a genial dança dos pãezinhos, inesquecível. Um marco de Chaplin no cinema. Depois desses apertos finalmente o "aventureiro solitário" chega numa pequena vila, daquelas erguidas da noite para o dia pelos mineradores. E lá Chaplin traz um pouco mais de leveza romântica ao filme, com seu vagabundo se apaixonando platonicamente por uma bela do lugar. Enfim, todos os elementos Chaplinianos estão presentes no filme. Mais um belo momento desse gênio do cinema que conseguiu atravessar o teste do tempo.

Em Busca do Ouro (The Gold Rush, Estados Unidos, 1925) Direção: Charles Chaplin / Roteiro: Charles Chaplin / Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, Tom Murray / Sinopse: Carlitos (Chaplin)  vai até o Alaska onde ouro foi descoberto, causando uma verdadeira febre do ouro, com milhares de pessoas tentando a sorte nas montanhas geladas da região. Com fome e morrendo de frio ele finalmente alcança uma cabana, onde começa sua aventura em busca da riqueza. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Som (RCA Sound) e Melhor Música (Max Terr).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Charles Chaplin - Parte 1

Charles Chaplin já era um homem rico e famoso quando soube que a mãe de seus filhos Charlie Chaplin Jr e Sydney, tinha planos de lançar os garotos no cinema. O oportunismo era óbvio, Lita Grey queria lucrar rápido e fácil com o nome de Chaplin. Ao saber disso o pai Charles Chaplin imediatamente acionou seus advogados.

Entrou com um processo na corte de Los Angeles, proibindo que os garotos fossem explorados comercialmente pela mãe, numa jogada grotesca de oportunismo barato. Assim que conseguiu a vitória nos tribunais Chaplin declarou para a imprensa: "Eles poderão fazer o que quiser de suas vidas no futuro. Se quiserem se tornar atores ou comediantes terão o meu apoio. Isso porém apenas após se tornarem adultos. Conheço a exploração e as tragédias que acompanham a carreira de muitos atores mirins. Não quero isso para meus filhos!".

Depois dessa batalha judicial Chaplin resolveu se aproximar mais dos meninos. Embora cultivasse a imagem do adorável vagabundo nas telas, o fato era que em sua vida pessoal Chaplin era um homem até mesmo introvertido, taciturno, um diretor obcecado pela perfeição que poderia ser também rude nas filmagens com suas equipes. A reaproximação entre pai e seus filhos foi algo positivo, bom, mas não livrou Charles Chaplin Jr de ter muitos problemas emocionais em sua vida. Sempre à sombra do mito do pai, algo que ele jamais poderia superar, tentou uma carreira de ator quando atingiu a maioridade, mas nunca conseguiu o sucesso. Ele escreveria um livro chamado "Meu Pai, Charlie Chaplin" e morreria tragicamente e precocemente, após enfrentar anos de problemas com drogas.

Charles Chaplin achava, como muitos pais de seu tempo, que apenas a dureza e a firmeza de disciplina colocaria seu filho na linha. Assim ele procurou dar uma educação austera e disciplinadora aos filhos, no estilo mais conservador, mas com o passar dos anos acabou percebendo que isso não daria muito certo. Os meninos se ressentiam do pai, de seu jeito duro de ser, sempre como um figura autoritária, e com o passar dos anos acabaram se afastando mais ainda dele. O fato de Chaplin ter constituído uma nova família, anos depois, piorou ainda mais esse quadro. De fato pai e filhos nunca tiveram mesmo uma relação carinhosa e isenta de muitos problemas.

Pablo Aluísio.