segunda-feira, 11 de maio de 2026

As Estrelas: Grace Kelly

As Estrelas: Grace Kelly
Grace Kelly foi uma das mulheres mais elegantes e admiradas do cinema clássico de Hollywood. Nascida em 1929, na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, ela iniciou sua carreira artística ainda jovem, trabalhando em peças teatrais e produções para televisão antes de alcançar fama internacional no cinema. Dona de uma beleza sofisticada, postura refinada e talento dramático marcante, Grace rapidamente se tornou uma das maiores estrelas da década de 1950, conquistando o público e a crítica com atuações intensas e cheias de charme.

Sua carreira cinematográfica ganhou enorme destaque graças às colaborações com o lendário diretor Alfred Hitchcock. Grace Kelly estrelou clássicos como Janela Indiscreta, ao lado de James Stewart, Disque M para Matar e Ladrão de Casaca, com Cary Grant. Hitchcock considerava Grace a personificação da elegância e do mistério feminino, características que marcaram profundamente seus personagens. Além dos suspenses do diretor britânico, ela também brilhou em dramas românticos e produções sofisticadas que consolidaram sua imagem como ícone de glamour da Era de Ouro de Hollywood.

Em 1955, Grace Kelly recebeu o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Amar é Sofrer (The Country Girl), surpreendendo parte da crítica, que esperava sua vitória por filmes mais glamourosos. Nesse trabalho, ela mostrou grande capacidade dramática ao interpretar uma personagem emocionalmente complexa, fugindo do estereótipo da mulher elegante que costumava representar. O prêmio consolidou definitivamente sua posição entre as maiores atrizes de sua geração.

A vida de Grace Kelly mudou completamente em 1956, quando se casou com Rainier III, tornando-se princesa de Mônaco. O casamento foi acompanhado pelo mundo inteiro e ficou conhecido como um dos contos de fadas mais famosos do século XX. Após a união, Grace abandonou sua carreira no cinema para dedicar-se às funções reais e à família. Sua transformação de estrela de Hollywood em princesa ajudou a aumentar ainda mais sua aura lendária e transformou Mônaco em um dos destinos mais glamourosos da Europa.

Grace Kelly faleceu tragicamente em 1982, após sofrer um acidente de carro nas estradas de Mônaco. Sua morte causou enorme comoção internacional e reforçou ainda mais seu status de mito do cinema e da realeza. Até hoje, ela é lembrada como símbolo máximo de elegância, sofisticação e beleza clássica. Sua influência permanece viva no cinema, na moda e na cultura popular, sendo frequentemente citada como uma das maiores estrelas femininas da história de Hollywood.

Mogambo

Mogambo
Esse é um clássico do gênero "Aventura na África". Uma produção com um elenco estelar da era de ouro do cinema clássico de Hollywood. No enredo um caçador americano no continente africano, Victor Marswell (Clark Gable), é contratado pelo pesquisador Donald Nordley (Donald Sinden) para comandar um safári nas montanhas remotas onde vivem gorilas selvagens. Donald quer registrar o comportamento desses animais em seu habitat natural, os filmando na natureza. Victor inicialmente não acha uma boa ideia pois poucos homens estiverem naquele lugar distante, porém acaba aceitando a generosa oferta. O que o cientista Donald nem desconfia é que sua própria esposa, Linda Nordley (Grace Kelly), está se apaixonado cada vez mais por Victor. Para concretizar seu romance porém ela terá que passar por cima de Eloise Y. Kelly (Ava Gardner), uma dançarina de night club, que também está perdidamente apaixonada por Victor.

John Ford deu um tempo em seus clássicos de western para se arriscar no gênero aventura nessa produção. O resultado foi esse "Mogambo", certamente um bom filme, mas que jamais pode ser comparado com obras primas como "Rastros de Ódio" ou "Rio Bravo". O enredo se passa numa África ainda colonial e praticamente inexplorada. É lá que vive o personagem de Clark Gable, um veterano caçador branco que captura animais exóticos para vendê-los a circos e zoológicos de todo o mundo. Sua rotina de trabalho acaba mudando completamente com a chegada de uma dançarina americana chamada Eloise (Ava Gardner) que realizou uma longa viagem dos Estados Unidos até a África pensando que iria encontrar um milionário indiano, mas acaba se dando mal ao saber que ele foi embora uma semana antes de sua chegada.

Imediatamente Eloise se apaixona por Victor, porém as coisas não saem como ela queria. Victor torce o nariz ao saber que ela era uma dançarina de boates. Pior do que isso, começa a tratar a garota com um certo desdém (a ponto de dizer a um de seus amigos que ela na verdade seria uma "mulher de todos os homens!"). Nada aliás poderia sair mais diferente de Eloise do que a também recém chegada Linda (Grace Kelly). Loira, linda, recatada e educada, com extrema finesse, ela sim se mostra a mulher que Victor gostaria de ter ao seu lado. Infelizmente para o velho caçador há um problema: Linda já é casada, justamente com o homem que o contratou para um safári rumo às montanhas, em busca de gorilas selvagens.

É verdade que o roteiro acaba se rendendo ao moralismo da época em seus momentos finais, mas nem isso estraga "Mogambo". Ford já havia demonstrado em seus faroestes que ele conseguia com muito brilho tanto dirigir um bom filme de entretenimento como também desenvolver psicologicamente bem todos os seus personagens. Não havia espaço para papéis rasos e sem sentido em seus filmes. Não é à toa que até hoje ele é considerado um mestre, um verdadeiro gênio da sétima arte. "Mogambo" tem um elenco maravilhoso, com três grandes estrelas da época, e um roteiro extremamente bem escrito. Dito isso também temos que reconhecer que o tempo também cobrou seu preço. O tempo, como diria o provérbio, é o senhor da razão. O que era normal há 60 anos hoje já não soa tão comum.

O filme mistura cenas rodadas em estúdio com filmagens reais realizadas por Ford e sua equipe de segunda unidade no continente africano. Não poucas vezes as duas filmagens são mescladas em edição. Nem sempre isso funciona. As imagens capturadas na África não possuem, por exemplo, a mesma qualidade das cenas que foram realizadas em estúdio com os atores. Por isso a diferença de uma para outra se torna muito perceptível ao espectador. Tecnicamente o filme envelheceu mal. Pode parecer que algo assim seria um excesso de zelo, porém é um fator que envelheceu dramaticamente, tornando o filme de Ford menor do que ele realmente era. De qualquer forma o que temos aqui é certamente um clássico do gênero aventura nas selvas. Com a genialidade de John Ford não era de se esperar nada muito diferente disso.

Mogambo (Mogambo, Estados Unidos, 1953) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: John Ford / Roteiro: John Lee Mahin, Wilson Collison / Elenco: Clark Gable, Grace Kelly, Ava Gardner, Donald Sinden / Sinopse: Pesquisador da vida selvagem contrata um caçador para levá-lo a uma montanha onde vivem gorilas selvagens. No meio da expedição sua esposa acaba se apaixonando pelo caçador. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Ava Gardner) e Melhor Atriz Coadjuvante (Grace Kelly). Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Grace Kelly).

Pablo Aluísio.

Matar ou Morrer

Matar ou Morrer
Esse é um grande clássico da história do western americano por causa de seu roteiro atemporal, tratando de temas que ultrapassam e muito a simples esfera do gênero cinematográfico do qual pertence. O protagonista é um xerife, um homem honesto e íntegro que aos poucos vai percebendo que está completamente sozinho na sua luta de implantar lei e ordem. A cidade que defende, os moradores pelos quais zela por sua segurança e integridade física são os primeiros a abandoná-lo à própria sorte. Esse delicado tema de seu roteiro demonstra toda a fragilidade e falta de caráter do homem comum, ordinário. Com isso se ressalta a importância da figura do xerife Will Kane (Gary Cooper). Seu caráter e coragem são raros. Não se deve esperar esse tipo de atitude de pessoas pusilânimes. O homem corajoso muitas vezes fica totalmente sozinho na luta por seus valores e ideais.

Outro aspecto que tornou esse "Matar ou Morrer" tão celebrado ao longo de todos esses anos vem do tratamento psicológico do roteiro. Os personagens são mostrados em suas emoções internas, criando um clima de tensão e ansiedade que só aumenta ao longo do filme. O relógio na parede vira assim um instrumento narrativo dos mais aflitivos. E por fim, para coroar tantas qualidades cinematográficas importantes, ainda há um elenco espetacular em cena. Não apenas pela presença imponente de Gary Cooper, no auge de sua carreira, como também da doce beleza de Grace Kelly. Elementos que tornaram esse western um clássico absoluto em todos os aspectos.

Matar ou Morrer (High Noon, Estados Unidos, 1952) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Carl Foreman, John W. Cunningham / Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges / Sinopse: Um xerife é abandonado pelos moradores da cidade onde trabalha após correr a notícia de que um grupo de bandidos está chegando para acertar as contas com ele. Mesmo assim, sozinho, o velho home da lei decide enfrentar a situação com coragem e determinação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator (Gary Cooper), melhor edição, melhor música original.

Pablo Aluísio.

Filmografia - Grace Kelly


Filmografia - Grace Kelly
Horas Intermináveis (1951) ★★★
Matar ou Morrer (1952) ★★★★ 
Mogambo (1953) ★★★
Disque M para Matar (1954) ★★★★ 
Janela Indiscreta (1954) ★★★★ 
Amar é Sofrer (1954) ★★★
Tentação Verde (1954)
As Pontes de Toko-Ri (1954) ★★★
Ladrão de Casaca (1955) ★★★★ 
O Cisne (1956) 
Alta Sociedade (1956) ★★★

Comentários:
Grace Kelly foi uma das atrizes mais populares de Hollywood. Só que, embora fosse tão famosa, fez tão poucos filmes! Muitos ficam realmente admirados com isso. Bom, alguns fatos explicam essa questão. Ela fez muitos programas para TV, muitos especiais para a televisão da época. Seu trabalho como atriz não se resumiu apenas ao cinema. E também não podemos esquecer que ela abandonou o cinema para se casar com o príncipe de Mônaco. Encerrando assim uma carreira mais do que o promissora, realmente memorável.

Avaliação / Cotações:
★★★★ Excelente
★★★ Bom
★★ Regular
★ Ruim

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As Cartas de Grace Kelly - Parte 5

Em 1951 Grace Kelly finalmente estreou em Hollywood no filme "Horas Intermináveis" de Henry Hathaway. Era um filme da estética noir, com trama forte e pesada, mostrando um homem em desespero, prestes a cometer suicídio. O elenco era estrelado pelo ator Paul Douglas, cujo sucesso foi efêmero. Hoje em dia poucos se lembram dele, ao contrário de Grace Kelly que estava destinada a ser uma grande estrela. Outro nome interessante no elenco era o de Jeffrey Hunter, que assim como Grace, também estava em um papel coadjuvante.

A personagem de Grace se chamava senhorita Louise Ann Fuller e não tinha maior importância no filme. Isso porém era algo não tão importante, pois o que valia a pena mesmo era tentar se tornar mais conhecida em Hollywood. Em Nova Iorque Grace já tinha uma boa base de contatos no mundo fashion, da moda, e nos episódios de algumas séries de TV. Em Hollywood porém ela ainda tinha que se fazer conhecida.

Apesar de seu primeiro filme ser um noir sem muito orçamento (típico desses filmes da época), a produção ao menos conseguiu chamar atenção suficiente para arrancar uma indicação ao Oscar na categoria de melhor direção de arte. Um crítico de Los Angeles inclusive chegou a elogiar Grace Kelly por causa de sua beleza e boa presença de cena, algo que repercutiu entre os produtores da indústria. O produtor e diretor Stanley Kramer estava escalando o elenco de um novo western que seria estrelado pelo astro Gary Cooper. A direção já havia sido acertada com o mestre Fred Zinnemann. O papel da esposa do xerife Kane estava em aberto. Várias atrizes tinham sido testadas para interpretar Amy Fowler Kane, mas sem sucesso.

Foi então que Kramer pensou em Grace Kelly. Ele havia assistido "Horas Intermináveis" e gostado muito de Kelly no filme. O problema é que ao tentar entrar em contato com seu agente, o produtor descobriu que Grace havia viajado de volta naquela manhã para Nova Iorque. Kelly tinha compromissos na cidade, para atuar em uma série de programas de TV e ensaios para revistas de moda. A sorte da atriz é que a pré-produção de "Matar ou Morrer" (um dos maiores clássicos do western de todos os tempos) também atrasou, fazendo com que ela tivesse tempo de cumprir todos os seus compromissos para só assim voltar para Los Angeles. Esse seria o primeiro grande filme de sua carreira e aquele que mudaria os rumos de sua trajetória de atriz para sempre!

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

As Estrelas: Natalie Wood

Natalie Wood foi uma das atrizes mais emblemáticas do cinema clássico de Hollywood, cuja carreira começou ainda na infância e evoluiu para papéis marcantes na juventude e na fase adulta. Nascida em 20 de julho de 1938, em San Francisco, Califórnia, com o nome Natalia Nikolaevna Zakharenko, ela era filha de imigrantes russos. Desde muito jovem, demonstrou talento para a atuação, sendo incentivada por sua mãe a seguir carreira artística. Ainda criança, conquistou o público com sua beleza e expressividade, rapidamente se tornando uma das atrizes mirins mais requisitadas da indústria cinematográfica. Seu sucesso precoce abriu portas para uma carreira sólida, marcada por papéis intensos e emocionalmente complexos. Ao longo dos anos, Natalie construiu uma imagem que combinava delicadeza e força, características que definiriam suas melhores interpretações. Sua trajetória reflete tanto o glamour quanto as pressões da vida em Hollywood.

Durante a infância, Natalie Wood ganhou destaque em filmes importantes, sendo um de seus primeiros grandes sucessos Miracle on 34th Street, no qual interpretou uma menina que começa a acreditar na magia do Natal. Esse papel a tornou conhecida mundialmente e consolidou sua reputação como uma jovem atriz talentosa. Ao crescer, enfrentou o desafio de transitar de atriz infantil para papéis adultos, algo que muitos artistas não conseguem realizar com sucesso. No entanto, Natalie conseguiu essa transição com notável habilidade, escolhendo projetos que demonstravam maturidade e profundidade emocional. Seu desempenho em Rebel Without a Cause, ao lado de James Dean, foi um marco em sua carreira, mostrando sua capacidade dramática e consolidando sua posição como uma atriz de destaque em Hollywood.

Na década de 1960, Natalie Wood atingiu o auge de sua carreira, estrelando filmes que se tornaram clássicos do cinema. Entre eles, destaca-se West Side Story, um musical de enorme sucesso que lhe trouxe reconhecimento internacional e grande popularidade. Outro filme importante foi Splendor in the Grass, no qual sua atuação emocional lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Natalie também participou de Love with the Proper Stranger, consolidando sua imagem como uma atriz versátil, capaz de atuar tanto em dramas quanto em romances. Sua presença nas telas era marcada por intensidade e sensibilidade, características que a tornaram uma das favoritas do público e da crítica. Ao longo da carreira, recebeu três indicações ao Oscar, o que demonstra o reconhecimento de seu talento pela indústria cinematográfica.

No campo pessoal, a vida de Natalie Wood foi marcada por relacionamentos intensos e, por vezes, conturbados. Ela se casou duas vezes com o ator Robert Wagner, em uma relação que chamou a atenção da mídia e do público. Entre esses dois casamentos, também teve um relacionamento com o produtor Richard Gregson, com quem teve uma filha. Sua vida amorosa frequentemente estampava manchetes, refletindo o fascínio que exercia não apenas como atriz, mas também como figura pública. Apesar do glamour, relatos indicam que Natalie enfrentava inseguranças e pressões emocionais, comuns entre estrelas de Hollywood. Ainda assim, manteve sua carreira ativa e continuou a trabalhar em cinema e televisão durante as décadas seguintes.

A morte de Natalie Wood é um dos episódios mais misteriosos da história de Hollywood. Em 29 de novembro de 1981, ela morreu por afogamento próximo à Ilha de Santa Catalina, na Califórnia, durante um passeio de barco com Robert Wagner e o ator Christopher Walken. As circunstâncias de sua morte geraram inúmeras especulações e investigações ao longo dos anos. Inicialmente considerada um acidente, o caso foi reaberto décadas depois, levantando dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquela noite. Testemunhos contraditórios e a falta de respostas definitivas contribuíram para que o episódio permanecesse envolto em mistério. Até hoje, sua morte é debatida e investigada, mantendo vivo o interesse do público e da mídia.

Mesmo após sua morte, o legado de Natalie Wood permanece forte e influente. Ela é lembrada como uma das grandes atrizes de sua geração, com uma carreira marcada por performances memoráveis e uma presença única nas telas. Seus filmes continuam a ser exibidos e admirados, garantindo que novas gerações descubram seu talento. Além disso, sua vida pessoal e sua morte misteriosa contribuíram para a construção de um mito em torno de sua figura. Natalie Wood representa tanto o brilho quanto as sombras de Hollywood, simbolizando o sucesso, a vulnerabilidade e a complexidade da vida artística. Seu nome permanece associado a um período clássico do cinema, e sua contribuição para a indústria continua sendo reconhecida e celebrada até os dias atuais.

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Os Diretores: Elia Kazan

Elia Kazan foi um dos mais influentes diretores do cinema e do teatro do século XX, deixando uma marca profunda tanto em Hollywood quanto na Broadway. Nascido em 1909, em Istambul, então parte do Império Otomano, com o nome de Elias Kazantzoglou, imigrou ainda jovem para os Estados Unidos, onde cresceu e construiu toda a sua carreira. Sua formação artística teve forte ligação com o teatro, especialmente com o prestigiado Group Theatre, que buscava um estilo mais realista e emocional nas atuações. Posteriormente, Kazan também foi um dos fundadores do famoso Actors Studio, que revolucionou a interpretação dramática ao popularizar o chamado “método”. Ao longo de sua trajetória, ele se destacou por sua habilidade em explorar conflitos psicológicos e sociais, criando obras intensas e profundamente humanas que ainda hoje são estudadas e admiradas.

No cinema, Kazan dirigiu uma série de filmes que se tornaram clássicos, abordando temas como corrupção, desigualdade social, moralidade e identidade. Entre suas obras mais importantes está Sindicato de Ladrões (On the Waterfront), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor e se tornou um marco do cinema americano por sua abordagem crua e realista da vida dos trabalhadores portuários. Outro filme de destaque é Vidas Amargas (East of Eden), que ajudou a lançar a carreira de James Dean, transformando-o em um ícone cultural. Kazan também dirigiu Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire), adaptação da peça de Tennessee Williams, que consolidou o estilo emocionalmente intenso de seus trabalhos e revelou o talento de Marlon Brando ao grande público. Esses filmes são exemplos claros de sua capacidade de combinar narrativas fortes com atuações profundamente marcantes.

A influência de Kazan no desenvolvimento da atuação moderna é inegável, principalmente por sua ligação com o método de atuação baseado nas ideias de Konstantin Stanislavski. No Actors Studio, ele ajudou a moldar uma geração inteira de atores que buscavam maior autenticidade emocional em suas performances. Entre os nomes que passaram por essa escola estão grandes estrelas como Marlon Brando, James Dean e Al Pacino, que adotaram esse estilo mais introspectivo e psicológico. Kazan acreditava que o ator deveria mergulhar profundamente em suas emoções para dar vida aos personagens, o que transformou radicalmente a forma de interpretar tanto no teatro quanto no cinema. Esse legado continua presente até hoje, influenciando atores e diretores em todo o mundo.

Apesar de seu sucesso artístico, a carreira de Elia Kazan também foi marcada por controvérsias, especialmente relacionadas ao período do Macarthismo nos anos 1950. Durante as investigações do Comitê de Atividades Antiamericanas, Kazan decidiu testemunhar e revelou nomes de colegas que haviam participado de atividades ligadas ao comunismo. Essa atitude gerou fortes críticas e dividiu opiniões dentro da comunidade artística, com muitos considerando sua decisão uma traição. Outros, porém, argumentam que suas escolhas foram influenciadas pelo contexto político da época, marcado por forte pressão e medo. Esse episódio acabou manchando sua reputação para alguns, mas não apagou o impacto de sua obra no cinema e no teatro.

Mesmo com as polêmicas, Elia Kazan permaneceu uma figura central na história das artes cênicas, recebendo diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua vida, incluindo um Oscar honorário em 1999 pelo conjunto de sua obra. Sua filmografia e suas contribuições ao teatro continuam sendo estudadas como exemplos de excelência artística e inovação. Kazan faleceu em 2003, aos 94 anos, deixando um legado complexo, porém extremamente relevante. Sua capacidade de contar histórias intensas, explorar a psicologia humana e transformar a atuação moderna o coloca entre os maiores diretores de todos os tempos. Ao analisar sua trajetória, é possível perceber que sua importância vai muito além de suas obras, abrangendo também sua influência duradoura na forma como o cinema e o teatro são concebidos e interpretados até hoje.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Mayerling

Mayerling
Um filme extremamente interessante, cujo roteiro foi baseado em fatos históricos reais. O protagonista é um príncipe da Casa de Habsburgo chamado Rudolf (Omar Sharif). Filho do imperador Francisco José I da Áustria (James Mason) ele está na linha de sucessão para subir ao trono. Só que a jovem alteza foge dos padrões que se esperaria dele, de sua posição dentro da monarquia. Muito ligado em ideais liberais, ele chega ao ponto de se encontrar com membros da resistência húngara, que deseja a independência de sua nação, algo que vai contra os interesses diretos de seu pai. Assim o relacionamento entre pai e filho é marcado por conflitos políticos e também pessoais.

O príncipe acaba se apaixonando por uma jovem, filha de um diplomata. Rudolf conhece Maria Vetsera (Catherine Deneuve) durante a apresentação de um balé e fica louco por ela. E qual seria o problema político envolvido nessa paixão? Muito simples, o príncipe já era casado, pai de uma filha. Um relacionamento extraconjugal seria um escândalo dentro da corte austríaca, muito católica e conservadora. Diante de mais esse deslize do filho, o imperador fica furioso e começa a fazer de tudo para que o romance chegue ao seu fim. O desfecho de toda essa novela acabaria resultando numa grande tragédia.

A morte precoce de Rudolf iria desencadear uma série de problemas históricos. Ele era o único na linha de sucessão ao trono. Sua morte até hoje é cercada de mistérios (que o filme não desenvolve, pois abraça a versão oficial) e iria ser o começo de uma série de problemas políticos que iriam eclodir na explosão da I |Guerra Mundial. O roteiro do filme porém não vai tão longe, preferindo contar a história de amor entre o príncipe e sua amante. Um detalhe curioso é que ele era o filho da imperatriz Sissi, tão conhecida dos cinéfilos por uma série de filmes clássicos. Quem a interpreta nesse filme é a diva Ava Gardner. Assim se você gosta dos filmes sobre Sissi não deixe de assistir também a essa excelente produção histórica. Afinal é um complemento aos outros filmes, mostrando Sissi numa fase mais madura de sua vida. Envelhecida e desiludida, ela é apenas um sombra da imperatriz que um dia foi. Em suma, esse é um ótimo filme histórico que explora muito bem o momento em que as velhas monarquias chegavam ao seu fim.

Mayerling (Inglaterra, França, 1968) Direção: Terence Young / Roteiro: Terence Young, baseado no romance escrito por Claude Anet e Michel Arnold / Elenco: Omar Sharif, Catherine Deneuve, Ava Gardner, James Mason / Sinopse: O imperador Francisco José I (James Mason) precisa lidar com um filho nada convencional, o príncipe Rudolf (Omar Sharif). Agora as coisas pioram pois ele se declara apaixonado pela jovem Maria Vetsera (Catherine Deneuve), mesmo sendo um homem casado e sucessor ao trono real. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em língua inglesa.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Doutor Jivago

Doutor Jivago
O filme Doutor Jivago (Doctor Zhivago) foi lançado em 22 de dezembro de 1965, dirigido por David Lean e estrelado por Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay. Baseado no romance de Boris Pasternak, o filme acompanha a vida de Yuri Jivago, um médico e poeta sensível que vive na Rússia durante um período de profundas transformações sociais e políticas, incluindo a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Ao longo de sua trajetória, Yuri se divide entre sua esposa Tonya e sua paixão por Lara, uma mulher que também enfrenta seus próprios dramas pessoais. A narrativa mistura romance, drama histórico e reflexão filosófica, explorando o impacto dos grandes eventos históricos na vida de indivíduos comuns. O filme se destaca por sua grandiosidade visual e pela forma como retrata o sofrimento humano em meio ao caos político. A relação entre Yuri e Lara é o coração emocional da história. A obra também aborda temas como destino, amor, perda e sobrevivência. Assim, Doutor Jivago se apresenta como um épico romântico de grande escala.

Quando foi lançado, Doutor Jivago recebeu uma recepção crítica mista, especialmente entre críticos americanos. O The New York Times elogiou a grandiosidade da produção, mas afirmou que o filme era “mais impressionante visualmente do que emocionalmente envolvente”. Já o Los Angeles Times destacou a direção de David Lean, afirmando que ele conseguiu criar “um espetáculo cinematográfico de rara beleza”. A revista Variety comentou que o filme era “um épico ambicioso, embora por vezes excessivamente longo e sentimental”. Muitos críticos elogiaram a fotografia e a recriação histórica, mas alguns consideraram o ritmo lento e a narrativa excessivamente melodramática. A performance de Omar Sharif foi bem recebida, sendo vista como sensível e contida. Por outro lado, alguns críticos questionaram o desenvolvimento dos personagens. A crítica, de maneira geral, reconheceu a qualidade técnica do filme, mas teve reservas quanto ao seu impacto emocional. Assim, a recepção inicial foi dividida, com elogios e críticas coexistindo.

Com o passar do tempo, a percepção crítica de Doutor Jivago se tornou mais positiva, especialmente em relação aos seus aspectos técnicos e sua força emocional. O filme foi indicado a 10 Oscars e venceu 5, incluindo Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora para Maurice Jarre, cuja música se tornou extremamente popular, especialmente o tema de Lara. A trilha sonora é considerada uma das mais memoráveis da história do cinema. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como um exemplo de grande cinema épico. A direção de David Lean foi reavaliada como uma das mais importantes de sua carreira. Muitos críticos passaram a valorizar mais o tom romântico e melancólico da narrativa. A construção visual e a escala da produção continuam sendo amplamente elogiadas. Assim, o filme conquistou um reconhecimento mais sólido ao longo dos anos. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

Do ponto de vista comercial, Doutor Jivago foi um enorme sucesso de bilheteria. O filme arrecadou mais de 110 milhões de dólares na época de seu lançamento, tornando-se uma das maiores bilheterias da década de 1960. Ajustado pela inflação, ele permanece entre os filmes mais lucrativos da história do cinema. O público respondeu de forma extremamente positiva ao romance épico e à grandiosidade visual do filme. A história de amor entre Yuri e Lara conquistou espectadores ao redor do mundo. O longa teve grande sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional. Exibições prolongadas nos cinemas contribuíram para seu desempenho financeiro. O filme também se tornou muito popular em reprises televisivas e no mercado doméstico. Assim, apesar da recepção crítica inicial dividida, o público abraçou o filme com entusiasmo. Seu sucesso comercial foi incontestável.

Atualmente, Doutor Jivago é amplamente considerado um dos grandes épicos românticos da história do cinema. O filme é frequentemente lembrado por sua fotografia deslumbrante e sua trilha sonora inesquecível. A história de amor trágica continua a emocionar novas gerações de espectadores. A direção de David Lean é vista como exemplar dentro do gênero épico. O filme também é reconhecido por sua representação da Rússia em um período turbulento. Críticos contemporâneos valorizam sua capacidade de equilibrar drama pessoal e contexto histórico. A atuação de Omar Sharif permanece como um dos pontos altos da obra. O longa é frequentemente incluído em listas de grandes clássicos do cinema. Dessa forma, sua reputação está plenamente consolidada. Doutor Jivago continua sendo uma referência no cinema mundial.

Doutor Jivago (Doctor Zhivago, Reino Unido / Estados Unidos, 1965) Direção: David Lean / Roteiro: Robert Bolt, baseado no romance de Boris Pasternak / Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay / Sinopse: Em meio às turbulências da Rússia revolucionária, um médico e poeta vive um intenso romance proibido que atravessa guerras, perdas e transformações sociais profundas.

Erick Steve. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

As Chaves do Reino

Título no Brasil: As Chaves do Reino
Título original: The Keys of the Kingdom
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Joseph L. Mankiewicz, John M. Stahl
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, Nunnally Johnson
Elenco: Gregory Peck, Thomas Mitchell, Vincent Price, Roddy McDowall, Edmund Gwenn, Peggy Ann Garner

Sinopse:
O filme conta a história do Padre Francis Chisholm (Gregory Peck). Assim que se ordena ele é enviado para uma missão na China. Suas ordens é de restaurar uma paróquia que foi destruída pela guerra. Ao chegar no distante país descobre que tudo está em ruínas e que colocar tudo em ordem novamente vai levar anos e anos. Ainda assim aceita esse grande desafio. Roteiro baseado no romance de grande sucesso escrito por de A.J. Cronin. 

Comentários:
Gregory Peck faz parte de um panteão de grandes atores da era clássica de Hollywood que jamais fez um filme medíocre em sua vida. O cinéfilo mais antigo já sabe, se no elenco estiver o nome de Peck, pode assistir sem qualquer receio. Vai ver um filme bom, com certeza. Esse é mais um deles. E o tema não deixa de ser espinhoso, mostrando a vida de um Padre tentando colocar novamente em pé uma paróquia católica em ruínas. Não vai ser algo fácil de realizar. Os chineses possuíam sua própria religiosidade, que nada tinha a ver com as doutrinas do catolicismo. Além de falta de seguidores ainda havia a desconfiança natural daquele povo contra estrangeiros em geral. Sua sorte é que acaba salvando a vida do filho de um poderoso Mandarim. Não com fé, mas com ciência, pois faz um tratamento contra uma infecção no garoto. Esse homem rico e influente acaba lhe ajudando a levantar uma nova igreja, um novo convento e tudo mais. Só que sempre há novos problemas surgindo no horizonte, um atrás do outro! Só com muita fé mesmo para resistir a tantas adversidades. Enfim, filme corajoso, muito bem atuado por todo um elenco acima da média e contando com a direção do mestre Joseph L. Mankiewicz. Realmente nada falta nesse grande filme do passado. 

Pablo Aluísio.