segunda-feira, 29 de junho de 2026

Waterloo - A Batalha de Napoleão

Waterloo - A Batalha de Napoleão
Depois de praticamente conquistar toda a Europa com seu formidável exército o imperador Napoleão Bonaparte (Rod Steiger) se vê encurralado em sua própria capital, Paris. Com os ingleses e prussianos chegando ele acaba renunciando ao seu poder imperial. Preso, é enviado para a distante ilha de Elba. Após conspirar para fugir de sua prisão consegue finalmente chegar no continente com apenas mil homens. Em pouco tempo cai novamente nas graças do povo de seu país e consegue reassumir o trono. Agora Napoleão deseja vingança contra todos os seus inimigos, algo que se dará de forma definitiva na batalha de Waterloo onde enfrentará mais uma vez o hábil general britânico Duque de Wellington (Christopher Plummer) que se encontra pronto para destruir de uma vez por todas com as ambições militares do imperador francês.

Em minha opinião essa produção segue sendo, ainda nos dias de hoje, o melhor filme já realizado sobre os últimos dias do Imperador Napoleão Bonaparte (1769 - 1821). Produzido por Dino de Laurentiis é um daqueles filmes grandiosos, com milhares de extras, figurinos deslumbrantes e cenas do campo de batalha praticamente impecáveis. O roteiro é muito bem escrito e tenta mostrar em detalhes os dois lados desse conflito que decidiu os rumos da Europa de forma definitiva. O Imperador Napoleão é interpretado por Rod Steiger. Que grande ator! Ele tem aqui um dos grandes trabalhos de atuação de sua carreira. Seu Napoleão é um sujeito envelhecido, doente e completamente alucinado em se agarrar nos últimos fiapos de suas glórias passadas. Após retornar da ilha prisão de Elba ele consegue voltar ao poder, mas agora está cercado de inimigos por todos os lados, em especial os ingleses e os prussianos. Egomaníaco e convencido de sua própria lenda, o velho Napoleão decide ousar, indo diretamente para o ataque contra os exércitos inimigos, para surpresa de todos os seus generais. Nada de ficar na defensiva.

Embora tenha há muito tempo perdido no front a possibilidade de conquistar toda a Europa (ainda mais depois da desastrosa campanha na Rússia), o envelhecido general resolve dar a cartada final de sua vida ao encontrar no campo lamacento de Waterloo o poderoso exército comandado pelo comandante inglês Wellington (Christopher Plummer). O que se segue é uma das batalhas mais sangrentas da história, algo que só se repetiria em solo europeu com a eclosão da II Guerra Mundial mais de um século depois. O filme se apoia basicamente em dois atos. No primeiro conta o contexto histórico que antecedeu a grande batalha (a prisão e fuga de Elba e o retorno triunfante de Napoleão pelas mãos do povo ao poder).

No segundo ato (que dura mais do que 60 minutos de filme) a própria batalha é desvendada em detalhes, mostrando as estratégias usadas pelas duas forças inimigas. Para quem gosta de história militar é certamente um prato cheio, tudo muito bem realizado, com centenas de milhares de figurantes em cena (todos pertencentes ao exército russo que colaborou na época com as filmagens). Um dos momentos mais significativos do filme acontece justamente após a carnificina. Montado em seu cavalo, Wellington fita o campo cheio de soldados mortos, alguns bem jovens, ainda na flor da idade. O cenário é de completa desolação. Então ele diz uma de suas frases mais famosas, que entrou inclusive para a história: "Não existe nada mais desolador em um campo de batalha do que a vitória, exceto, é claro, a própria derrota".

Waterloo - A Batalha de Napoleão (Waterloo, Inglaterra, Rússia, Itália, 1970) Estúdio: Dino de Laurentiis Cinematografica / Direção: Sergey Bondarchuk / Roteiro: Sergey Bondarchuk, H.A.L. Craig / Elenco: Rod Steiger, Christopher Plummer, Orson Welles / Sinopse: O filme recria a famosa batalha de Waterloo onde finalmente o Imperador Napoleão Bonaparte foi vencido pelos exércitos da Inglaterra. Filme vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. Também indicado na categoria de Melhor Fotografia.

Pablo Aluísio.

A Ponte de Waterloo

A Ponte de Waterloo
Clássico do cinema com a inesquecível atriz Vivien Leigh. A história se passa durante a segunda guerra mundial quando um oficial inglês, interpretado pelo ator Robert Taylor, relembra quando era apenas um jovem soldado durante a Primeira Guerra Mundial. Naquela época conhecera uma jovem garota, que sonhava um dia se tornar uma grande bailarina. Seus sonhos porém acabam com a explosão da guerra que varreria toda a Europa. Ela se chamava Myra (Vivien Leigh). Tentando sobreviver nas ruas de Londres, abalada pela morte de seu grande amor nos campos de batalha e precisando sobreviver de todas as formas, ela acaba tendo que abrir mão de tudo, inclusive de sua dignidade pessoal. Poucos sabem, mas a estrela Vivien Leigh (1913 - 1967) participou de poucos filmes ao longo de sua carreira. Foram apenas 20 produções entre 1935 e 1965. A atriz inglesa não se dava muito bem com o sistema industrial de fazer cinema em Hollywood e por causa de sua saúde ficava longos anos sem realizar nenhum filme. Também era extremamente seletiva na escolha dos roteiros de que iria participar. Depois de "E O Vento Levou" de 1939 choveram ofertas dos principais estúdios de Hollywood, mas Leigh sabiamente rejeitou a grande maioria deles.

Esse "A Ponte de Waterloo" foi lançado logo após "Três Semanas de Loucura" que sucedeu a "E O Vento Levou". Ao contrário do anterior, que apostava em um texto mais leve e até bem humorado, "Waterloo Bridge" era um dramalhão daqueles bem trágicos, com história bem pesada, mostrando os dramas de uma jovem garota (Leigh), cheia de sonhos e planos a realizar na vida, mas que tinha de desistir de todos eles para lutar pela sobrevivência. O cenário não poderia ser pior, a Europa durante a sangrenta Primeira Guerra Mundial. As cidades destruídas, com a população civil passando por necessidades básicas.

A fome, por exemplo, se tornara uma companheira constante. Vivien Leigh se entrega completamente ao personagem, dando o melhor de si, como sempre aliás. Talvez seu maior problema tenha sido o fato de dividir o filme com Robert Taylor que era apenas um galã sem muito talento dramático. O desnível deles se torna muito evidente ao longo do filme, com Leigh empenhada e muito talentosa e Taylor cheio de poses e olhares canastrões (chega a ser risível sua canastrice em cena!). Talvez por isso o filme não tenha tido a repercussão merecida. De qualquer maneira vale apenas pelo talento da eterna Vivien Leigh, um dos maiores talentos da história do cinema americano em sua fase mais clássica.

A Ponte de Waterloo (Waterloo Bridge, Estados Unidos, 1940) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: Mervyn LeRoy / Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau / Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Lucile Watson / Sinopse: Durante a Guerra Mundial, um casal tenta concretizar seu amor em mundo destruído pelo maior conflito armada de toda a história. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de fotografia (Joseph Ruttenberg) e melhor música (Herbert Stothart).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Bolha Assassina

Título no Brasil: A Bolha Assassina
Título Original: The Blob
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures 
Direção: Irvin S. Yeaworth Jr.
Roteiro: Theodore Simonson e Kate Phillips
Elenco: Steve McQueen, Aneta Corsaut, Earl Rowe, Olin Howland, Stephen Chase, George Karas.

Sinopse:
Em uma pequena cidade da Pensilvânia, um meteoro cai durante a noite trazendo consigo uma estranha substância gelatinosa de origem extraterrestre. Quando um idoso toca o objeto, a massa viscosa adere à sua mão e começa a crescer rapidamente. O jovem Steve Andrews testemunha os acontecimentos e tenta alertar as autoridades locais, mas ninguém acredita em sua história. Enquanto isso, a criatura continua consumindo pessoas e aumentando de tamanho a cada nova vítima. Logo a cidade inteira se vê ameaçada por uma entidade aparentemente indestrutível, cuja única motivação é devorar tudo o que encontra pela frente.

Comentários:
The Blob foi inicialmente recebido como um típico filme de ficção científica de baixo orçamento produzido durante a era dourada do cinema de monstros dos anos 1950. A crítica da época não demonstrou grande entusiasmo, considerando-o um entretenimento juvenil voltado principalmente para adolescentes. O jornal The New York Times classificou a produção como uma obra modesta, embora reconhecesse sua eficiência em criar suspense com recursos limitados. Muitos críticos também destacaram a atuação de um jovem Steve McQueen, então com 28 anos, interpretando um adolescente. Embora sua idade fosse frequentemente motivo de comentários bem-humorados nas resenhas, vários observadores notaram o carisma natural que mais tarde o transformaria em uma das maiores estrelas de Hollywood. A simplicidade da premissa — uma massa gelatinosa que cresce ao consumir seres humanos — foi vista por alguns críticos como absurda, mas outros elogiaram justamente a criatividade da ideia.

Com o passar das décadas, The Blob conquistou o status de clássico cult e tornou-se um dos filmes mais queridos entre os fãs da ficção científica e do terror dos anos 1950. A revista Time observou em retrospectivas que o longa representa perfeitamente os medos da Guerra Fria, período em que o cinema americano frequentemente transformava ansiedades sociais em monstros extraterrestres e ameaças invisíveis. Muitos estudiosos interpretam a criatura como uma metáfora para diversos temores da época, incluindo o comunismo, a energia nuclear e a paranoia coletiva. O site RogerEbert.com destacou que o filme permanece surpreendentemente divertido graças ao seu ritmo rápido e aos efeitos práticos engenhosos. Em comunidades de fãs, a sequência em que a criatura invade um cinema lotado é frequentemente citada como uma das cenas mais memoráveis do terror clássico. Hoje, The Blob é considerado uma das produções mais influentes do gênero, tendo inspirado inúmeras imitações, uma sequência em 1972 e uma refilmagem muito elogiada em 1988. Além disso, continua sendo lembrado como o primeiro grande papel de Steve McQueen no cinema, tornando-se uma peça importante da história da cultura popular americana.

Erick Steve. 

Império de Gangster

Título no Brasil: Império de Gangster
Título Original: Never Love a Stranger
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Robert Stevens
Roteiro: Richard Day e Harold Robbins, baseado no romance de Harold Robbins
Elenco: John Drew Barrymore, Steve McQueen, Lita Milan, Robert Bray, Salem Ludwig, R. G. Armstrong.

Sinopse:
A história acompanha Frankie Kane, um órfão criado em uma instituição católica de Nova York. Durante sua juventude, ele desenvolve uma forte amizade com Martin Cabell, um jovem judeu que sonha em se tornar advogado. Quando Frankie descobre que também possui ascendência judaica e será transferido para outra instituição, ele foge e acaba entrando no mundo do crime organizado. Anos depois, transformado em um influente gangster, reencontra Martin, agora promotor público, e Julie, o grande amor de sua juventude. A amizade dos dois homens passa a ser colocada à prova quando eles se encontram em lados opostos da lei.

Comentários:
Never Love a Stranger é lembrado principalmente por representar a primeira participação importante de Steve McQueen em um longa-metragem. Embora o protagonista seja interpretado por John Drew Barrymore, muitos críticos e historiadores do cinema voltaram sua atenção para McQueen, que poucos anos depois se tornaria uma das maiores estrelas de Hollywood. Na época do lançamento, o filme recebeu críticas mistas. Algumas publicações elogiaram a ambição de adaptar o romance de Harold Robbins e abordar questões de identidade religiosa, preconceito e criminalidade urbana. Entretanto, diversos críticos consideraram que o roteiro simplificava excessivamente os temas do livro e recorria a clichês dos filmes de gangsters produzidos nas décadas anteriores. O trabalho do veterano diretor de fotografia Lee Garmes foi frequentemente elogiado por conferir ao longa uma atmosfera típica do cinema noir tardio.

Em análises retrospectivas, a reputação do filme continua dividida. Muitos críticos modernos enxergam a obra como um melodrama policial irregular, mas interessante como documento histórico de uma época de transição em Hollywood. O site Rotten Tomatoes registra uma recepção modesta entre espectadores, embora alguns elogiem a narrativa de ascensão e queda do protagonista e a presença de um jovem Steve McQueen. O crítico e historiador de cinema Richard Chatten observou que o filme possuía uma premissa promissora, mas sofria com diálogos excessivamente convencionais e uma execução inconsistente. Outros comentaristas destacaram que John Drew Barrymore demonstra carisma e talento dramático, deixando a impressão de que poderia ter alcançado uma carreira muito maior do que a que efetivamente teve. Apesar de suas limitações, Never Love a Stranger continua despertando interesse entre fãs do cinema policial dos anos 1950 e admiradores da carreira de Steve McQueen, sendo frequentemente citado como uma curiosidade valiosa do início de sua trajetória cinematográfica.

Erick Steve. 

Filmografia Steve McQueen


Filmografia Steve McQueen
Marcado Pela Sarjeta
Império de Gangster
A Bolha Assassina
Facínoras Mascarados
Quando Explodem as Paixões
O Grande Roubo de St. Louis
Sete Homens e um Destino
A Máquina do Amor
O Inferno é Para os Heróis
O Amante da Morte
Fugindo do Inferno
Quanto Vale um Homem
O Preço de um Prazer
O Gênio do Mal
A Mesa do Diabo
Nevada Smith
O Canhoneiro de Yang-Tsé
Crown, O Magnífico
Bullitt
Os Rebeldes
As 24 Horas de Le Mans
Dez Segundos de Perigo
Os Implacáveis
Papillon
Inferno na Torre
O Inimigo do Povo
Tom Horn, O Cowboy
Caçador Implacável

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Paul Newman

Paul Newman foi uma das maiores estrelas de Hollywood e uma das personalidades mais admiradas do cinema mundial. Nascido em 26 de janeiro de 1925, na cidade de Shaker Heights, Ohio, destacou-se não apenas por seus famosos olhos azuis, mas também pelo enorme talento dramático e pelo carisma que exibia diante das câmeras. Filho de um comerciante e de uma dona de casa com grande interesse pelas artes, desenvolveu desde cedo o gosto pela atuação. Durante a Segunda Guerra Mundial serviu na Marinha dos Estados Unidos, experiência que marcou sua juventude. Após o conflito, estudou teatro e aperfeiçoou sua formação artística em instituições renomadas. Sua combinação de talento, beleza e inteligência rapidamente chamou a atenção dos produtores de Hollywood. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, tornou-se um dos atores mais respeitados e influentes da história do cinema.

Os primeiros anos em Hollywood não foram fáceis. Newman enfrentou comparações constantes com Marlon Brando, que na época revolucionava a atuação cinematográfica. Contudo, ele logo encontrou sua própria identidade artística. Seu primeiro grande sucesso veio com Somebody Up There Likes Me, no qual interpretou o boxeador Rocky Graziano. O desempenho foi amplamente elogiado pela crítica e revelou um ator capaz de transmitir intensidade emocional e autenticidade. Nos anos seguintes, consolidou sua reputação com atuações em dramas, romances e filmes de aventura. Sua presença magnética na tela fazia com que se destacasse em qualquer produção. Rapidamente, tornou-se um dos atores mais requisitados de Hollywood e um dos favoritos do público internacional.

A década de 1960 marcou o auge de sua popularidade. Nesse período estrelou clássicos como The Hustler, Hud, Cool Hand Luke e Butch Cassidy and the Sundance Kid. Sua parceria com Robert Redford tornou-se uma das mais famosas da história do cinema. Juntos, protagonizaram sucessos que permanecem populares até hoje. Newman possuía a rara capacidade de interpretar personagens complexos, muitas vezes rebeldes ou moralmente ambíguos, sem perder a empatia do público. Essa combinação de charme e profundidade psicológica fez dele um dos maiores astros de sua geração. Seus trabalhos nesse período continuam figurando entre os mais admirados da cinematografia americana.

Além de ator, Paul Newman também foi diretor e produtor de sucesso. Recebeu inúmeras indicações ao Oscar ao longo da carreira e finalmente conquistou a estatueta de Melhor Ator por sua atuação em The Color of Money, dirigido por Martin Scorsese. Anos antes, já havia recebido um Oscar honorário em reconhecimento à sua extraordinária contribuição para o cinema. Mesmo em idade avançada, continuou entregando interpretações memoráveis em filmes como Road to Perdition. Sua dedicação à profissão e sua capacidade de se reinventar artisticamente garantiram uma carreira longa e admirada tanto pelo público quanto pela crítica especializada.

A vida pessoal de Newman foi marcada por uma rara estabilidade para os padrões de Hollywood. Em 1958, casou-se com Joanne Woodward, formando um dos casais mais duradouros e respeitados da indústria cinematográfica. O relacionamento durou cinquenta anos, até a morte do ator. Além do sucesso artístico, Newman ficou conhecido por seu trabalho filantrópico. Em 1982, criou a empresa de alimentos Newman's Own, destinando integralmente os lucros para instituições beneficentes. Ao longo das décadas, centenas de milhões de dólares foram doados para causas sociais, educacionais e médicas. Esse compromisso com a filantropia ampliou ainda mais o respeito que o público tinha por ele.

Paul Newman faleceu em 26 de setembro de 2008, aos 83 anos, vítima de câncer de pulmão. Sua morte foi lamentada por admiradores, colegas de profissão e líderes de diversos países. Mais do que um grande ator, ele deixou um legado de integridade, talento e generosidade. Seus filmes continuam sendo exibidos e estudados por novas gerações de espectadores e cineastas. Sua imagem permanece associada à era de ouro de Hollywood, mas sua influência ultrapassa qualquer período específico da história do cinema. Paul Newman é lembrado não apenas como uma estrela de primeira grandeza, mas como um artista completo e um ser humano exemplar, cuja contribuição para a cultura e para a sociedade permanece viva muitos anos após sua partida.

Um De Nós Morrerá

Um De Nós Morrerá
A história do famoso Billy The Kid (1859 - 1881) já foi contada inúmeras vezes ao longo dos anos pelo cinema americano. Geralmente o pistoleiro que surge nas telas é muito distante do que viveu no Novo México no século XIX. De fato a grande maioria dos filmes sobre Billy não tem qualquer tipo de ligação com os fatos reais. Acontece que Billy The Kid virou personagem de estórias fantasiosas que acabaram criando sua fama e mito. Isso já acontecia no século 19 e continuou ao longo das décadas. O personagem de ficção é um justiceiro, de esporas prateadas, defensor da honra, justiça e liberdade.

O Billy The Kid da história real ficava bem longe disso. Era realmente um assassino profissional ao qual são creditadas inúmeras mortes (algumas estimativas afirmam que matou mais de 20 pessoas). O que criou sua notoriedade foi a participação que teve na chamada guerra do Condado de Lincoln. Após ver seu patrão inglês ser morto por motivos comerciais, Billy e outros capangas formaram um bando chamado "Os Justiceiros", cujo principal objetivo era matar os assassinos de seu chefe. Nesse conflito, no qual morreram várias pessoas, Billy foi responsabilizado pela morte do Xerife de Lincoln. Condenado à forca conseguiu escapar, matando mais dois homens da lei na prisão onde se encontrava. Perseguido pelo Xerife Pat Garrett finalmente foi encontrado numa cidadezinha do Novo México, onde foi finalmente morto por Pat, que diziam ter laços de amizade com Billy.

O filme "Um De Nós Morrerá" conta essa história. Na época de seu lançamento os produtores anunciaram que seria o mais fiel retrato dos acontecimentos. A intenção era deixar o Billy The Kid da fantasia de lado para mostrar o verdadeiro homem por trás do mito. Em pouco mais de 90 minutos o roteiro se propõe a justamente isso. O problema é que o roteiro (baseado na obra do grande Gore Vidal) cortou passagens vitais para se entender Billy e a Guerra do Condado de Lincoln (que inclusive não é citada no filme). Assim em termos histórico o filme surge extremamente resumido, simplificado. A produção também contou com um orçamento muito restrito, que tirou da obra aquela grandiosidade que estamos acostumados a ver nos grandes filmes de western da década de 50.

O grande mérito de "Um de Nós Morrerá" surge porém na muito inspirada atuação do ator Paul Newman. Ele realmente surpreende ao mostrar um Billy The Kid nada glamouroso. Pelo contrário, o que vemos é um cowboy rústico, meio abobalhado e sem muita noção das coisas que faz (algo que bate certamente com o Billy real). Esse aliás deveria ter sido o primeiro faroeste de James Dean, que obviamente se encaixaria muito bem no papel do conturbado Billy. Quando morreu o estúdio pensou em arquivar o projeto mas com o surgimento de Paul Newman o filme renasceu das cinzas. "Um De Nós Morrerá" não é definitivo, nem muito menos completo, apresenta lacunas enormes da história do famoso criminoso, mas pelo menos adotou uma postura realista - algo que seria seguido em filmes posteriores. Não chega a ser um grande filme mas é um marco nesse sentido, certamente.

Um De Nós Morrerá (The Left Handed Gun, Estados Unidos, 1958) Direção: Arthur Penn / Roteiro: Leslie Stevens baseado na obra de Gore Vidal / Elenco: Paul Newman, Lita Milan, Hurd Hatfield, John Dehner, James Best, James Congdon, Denver Pyle. / Sinopse: Cinebiografia do famoso pistoleiro do velho oeste, Billy The Kid (Paul Newman). Após ver seu patrão morto por um grupo de assassinos contratados por um comerciante rival, Billy e seus colegas resolvem fazer justiça pelas próprias mãos.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Paul Newman - The Long, Hot Summer (1958)


Paul Newman - The Long, Hot Summer (1958)
O filme O Mercador de Almas (The Long, Hot Summer) foi lançado em 3 de abril de 1958, dirigido por Martin Ritt e estrelado por Paul Newman, Joanne Woodward, Orson Welles, Anthony Franciosa, Lee Remick e Angela Lansbury. Inspirado em contos e personagens criados por William Faulkner, o filme se passa em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos durante um verão sufocante. A história acompanha Ben Quick, um jovem ambicioso e carismático que chega à cidade carregando a reputação de incendiário. Sua presença chama a atenção do poderoso fazendeiro Will Varner, que vê nele um possível sucessor para administrar seus negócios e, talvez, um futuro marido para sua filha Clara. No entanto, Clara é uma mulher independente e resistente às tentativas do pai de controlar sua vida. Entre disputas familiares, ambições pessoais e tensões românticas, Ben tenta conquistar seu espaço em uma comunidade desconfiada. O calor intenso funciona como metáfora para os conflitos emocionais dos personagens. Assim, mistura drama, romance e estudo de personagens em uma narrativa marcante.

Quando foi lançado, recebeu uma recepção crítica amplamente positiva. O The New York Times destacou que o filme era “um drama vigoroso, repleto de personagens fortes e interpretações memoráveis”. Já o Los Angeles Times elogiou especialmente a atuação de Paul Newman, observando que o ator demonstrava “uma presença magnética que domina a tela”. A revista Variety descreveu o longa como “uma adaptação inteligente e envolvente do universo de William Faulkner”. Muitos críticos elogiaram a direção de Martin Ritt, que conseguiu capturar a atmosfera do sul americano sem cair em estereótipos simplistas. A química entre Paul Newman e Joanne Woodward também foi amplamente celebrada. O filme foi visto como uma produção madura e sofisticada, voltada para um público adulto. Dessa forma, a crítica reconheceu a obra como um dos dramas mais interessantes de 1958.

A repercussão crítica tornou-se ainda mais favorável após sua exibição em festivais internacionais. No Festival de Cannes de 1958, Paul Newman recebeu o prêmio de Melhor Ator, reconhecimento que ajudou a consolidar sua posição entre os maiores talentos de sua geração. Muitos críticos destacaram a intensidade emocional de sua interpretação de Ben Quick. Publicações como The New Yorker elogiaram o filme por sua combinação de romance, conflito social e análise psicológica dos personagens. A atuação de Orson Welles também recebeu atenção especial, graças à força e à autoridade que trouxe ao papel de Will Varner. Embora o filme não tenha sido um grande competidor no Oscar daquele ano, sua reputação crítica permaneceu elevada. Com o passar das décadas, estudiosos passaram a considerá-lo uma das melhores adaptações inspiradas na obra de Faulkner. Assim, sua importância artística continuou a crescer.

Do ponto de vista comercial foi um sucesso significativo. O filme beneficiou-se da crescente popularidade de Paul Newman, que havia conquistado reconhecimento com produções anteriores como Cat on a Hot Tin Roof. O público respondeu favoravelmente à combinação de romance, drama familiar e tensão emocional. As bilheterias foram sólidas tanto nos Estados Unidos quanto em diversos mercados internacionais. A presença de Joanne Woodward, uma atriz já muito respeitada, também ajudou a atrair espectadores. O longa permaneceu em cartaz por várias semanas e teve boa vida posterior na televisão. Muitos espectadores apreciaram especialmente o relacionamento turbulento entre Ben e Clara. Assim, o filme consolidou-se como um sucesso comercial e artístico. Seu desempenho ajudou a fortalecer ainda mais a carreira de seus protagonistas.

Atualmente é considerado um dos melhores dramas românticos produzidos em Hollywood durante os anos 1950. O filme é frequentemente lembrado pela química extraordinária entre Paul Newman e Joanne Woodward, que eram casados na vida real e se tornaram um dos casais mais famosos da história do cinema. Críticos modernos elogiam a direção segura de Martin Ritt, a força do roteiro e a qualidade das interpretações. A atuação de Newman continua sendo considerada uma das melhores de sua carreira inicial. O filme também é valorizado por sua representação das tensões sociais e familiares do sul americano. Novas gerações de cinéfilos continuam descobrindo a obra por meio de restaurações e exibições em canais especializados. Dessa forma, sua reputação permanece extremamente sólida. O Mercador de Almas continua sendo um clássico elegante e envolvente do cinema americano.

O Mercador de Almas (The Long, Hot Summer, Estados Unidos, 1958) Direção: Martin Ritt / Roteiro: Irving Ravetch e Harriet Frank Jr., baseado em contos e personagens das obras The Hamlet e outras histórias de William Faulkner / Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward, Orson Welles, Anthony Franciosa, Lee Remick e Angela Lansbury / Sinopse: Um jovem ambicioso chega a uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos e se envolve nos conflitos de uma poderosa família local, enquanto tenta conquistar a confiança do patriarca e o coração de sua filha.

Erick Steve. 

O Mercador de Almas

O Mercador de Almas
Em "O Mercador de Almas" temos várias características que fizeram o cinema americano se tornar o melhor do mundo durante a década de 1950 . O elenco é fenomenal. Além de Paul Newman em ótima forma (tanto do ponto de vista de talento como de presença) temos um personagem à prova de falhas interpretado pelo, ora vejam só, o mito do cinema Orson Welles. Nem precisa dizer que ele é realmente a alma de todo o filme. Gorducho, malvado, esbanjando rabugice em cada cena, Welles toma conta de tudo, literalmente. Com filmes como esse percebemos que além de grande cineasta ele também era um ator fantástico. Sua voz de trovão ecoa em cada cena, fazendo os atores que contracenaram com ele sumirem lentamente.

Em termos de roteiro e argumento o filme se parece bastante com outro clássico da filmografia de Newman, "Gata em Teto de Zinco Quente". Esse, assim como aquele, também é ambientado numa típica fazenda do Sul dos EUA. O enredo também gira em torno dos filhos de um rico fazendeiro, seus problemas familiares e as complicações cotidianas dessas famílias. Para completar o "Mercador de Almas" também é inspirado na obra de um grande autor, a novela "The Hamlet" de William Faulkner. A única diferença mais nítida é que "Gata em Teto de Zinco Quente" é bem mais teatral do que esse, mas fora isso são extremamente parecidos. De qualquer forma uma coisa é certa: Ambos os filmes são fundados em excelentes diálogos e interpretações inspiradas. Por essa época Paul Newman havia se tornado um dos grandes atores do cinema, mostrando de forma excepcional que passava muito longe do rótulo vazio de galã, muito pelo contrário, Newman estava sempre se arriscando em personagens com muita profundidade psicológica, complexos, muitas vezes anti-heróis, crápulas, sem o menor remorso moral. Nesse "Mercador de Almas" ele novamente encontra um papel à sua altura. Uma obra cinematográfica do mais alto nível que merece ser redescoberta.

O Mercador de Almas (The Long Hot Summer, Estados Unidos, 1958) Direção: Martin Ritt / Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward, Anthony Franciosa, Orson Welles, Lee Remick / Sinopse: Ben Quick (Paul Newman) deixa uma cidade após suspeitarem, sem provas, que é um incendiário. Ele põe o pé na estrada e consegue carona com Eula Varner (Lee Remick) e Clara Varner (Joanne Woodward). Eula é casada com Jody Varner (Anthony Franciosa), cujo pai, Will Varner (Orson Welles), é "dono" de Frenchman's Bend, uma pequena cidade do Mississipi. Já Clara, a filha solteira de Will, trabalha como professora. Ben se estabelece lá e logo consegue uma ascensão meteórica, indo morar na casa do seu patrão, Will. Ele se torna um sério candidato para casar-se com Clara, pois Will não tolera a idéia que ela não lhe deixe herdeiros.

Pablo Aluísio.

Paul Newman - The Helen Morgan Story (1957)

Paul Newman - The Helen Morgan Story (1957)
O filme The Helen Morgan Story foi lançado em 10 de outubro de 1957, dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Ann Blyth, Paul Newman, Richard Carlson, Gene Evans, Cara Williams e Alan King. O longa é uma cinebiografia da cantora e atriz Helen Morgan, uma das mais famosas intérpretes da Broadway durante as décadas de 1920 e 1930. A história acompanha sua ascensão meteórica ao estrelato nos clubes noturnos e nos palcos nova-iorquinos, destacando especialmente seu enorme sucesso na produção teatral Show Boat. Paralelamente ao reconhecimento artístico, o filme retrata sua vida pessoal turbulenta, marcada por relacionamentos difíceis, inseguranças emocionais e problemas crescentes com o alcoolismo. À medida que sua carreira atinge o auge, sua vida privada começa a se deteriorar. A narrativa procura mostrar o contraste entre a artista adorada pelo público e a mulher que enfrentava profundas dificuldades pessoais. O filme combina elementos de drama biográfico e musical. Assim, The Helen Morgan Story apresenta um retrato clássico da ascensão e queda de uma estrela do entretenimento.

Quando foi lançado, The Helen Morgan Story recebeu uma recepção crítica positiva, embora não entusiasmada. O The New York Times observou que o filme era “uma biografia convencional, mas conduzida com competência e sensibilidade”. Já o Los Angeles Times elogiou a interpretação de Ann Blyth, destacando sua elegância e capacidade de transmitir a vulnerabilidade da protagonista. A revista Variety descreveu o filme como “um drama bem produzido que consegue despertar interesse mesmo para espectadores pouco familiarizados com Helen Morgan”. Muitos críticos consideraram que a direção experiente de Michael Curtiz ajudava a dar ritmo e emoção à narrativa. Entretanto, alguns especialistas apontaram que o roteiro suavizava certos aspectos mais sombrios da vida real da cantora. Ainda assim, a produção foi reconhecida pela qualidade de sua reconstituição de época. Dessa forma, a recepção inicial foi favorável, ainda que sem o impacto de outras grandes cinebiografias da década.

O aspecto mais comentado pela crítica foi a participação de Paul Newman, que na época começava a consolidar sua posição como uma das grandes promessas de Hollywood. Embora o foco da história fosse Helen Morgan, muitos críticos destacaram a força dramática de Newman em suas cenas. Publicações como The New Yorker elogiaram a elegância visual da produção e a recriação dos ambientes da Broadway e dos clubes noturnos da Era do Jazz. O filme não recebeu indicações importantes ao Oscar, mas foi respeitado pela crítica especializada como uma produção de prestígio da Warner Bros.. Com o passar dos anos, estudiosos do cinema passaram a observar o filme como um exemplo típico das cinebiografias hollywoodianas dos anos 1950, período em que muitos aspectos controversos da vida de figuras públicas eram suavizados para atender aos padrões do Código Hays. Ainda assim, a obra manteve seu valor histórico e artístico. Sua reputação crítica permaneceu estável ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, The Helen Morgan Story teve um desempenho respeitável, embora não extraordinário. O filme atraiu especialmente espectadores familiarizados com a carreira da verdadeira Helen Morgan e admiradores dos dramas musicais da época. A presença de Paul Newman ajudou a ampliar o interesse do público, enquanto Ann Blyth já era uma atriz bastante conhecida em Hollywood. O longa teve arrecadação suficiente para ser considerado um resultado satisfatório para o estúdio, mas não figurou entre os maiores sucessos de 1957. O público geralmente reagiu de forma positiva à história emocional e às sequências musicais. Exibições posteriores na televisão contribuíram para manter viva a memória da produção. Assim, o filme encontrou seu público e consolidou-se como uma cinebiografia respeitada. Seu desempenho comercial refletiu mais o interesse pelo gênero do que um fenômeno de bilheteria.

Atualmente, The Helen Morgan Story é lembrado principalmente por três motivos: por retratar uma figura importante da história da Broadway, por representar um dos trabalhos tardios do lendário diretor Michael Curtiz e por trazer um jovem Paul Newman em ascensão. Críticos modernos costumam reconhecer as qualidades da produção, embora observem que o filme segue muitas convenções típicas das biografias hollywoodianas dos anos 1950. A atuação de Ann Blyth continua sendo bastante elogiada, especialmente por transmitir a fragilidade emocional da protagonista. O longa também desperta interesse entre pesquisadores da história da música popular americana e do teatro musical. Embora não seja considerado um clássico de primeira linha, mantém uma reputação sólida entre admiradores do cinema biográfico clássico. Sua reconstrução da era dos grandes clubes noturnos continua atraente. Dessa forma, The Helen Morgan Story permanece uma obra respeitável e interessante dentro da filmografia de seu período.

Com Lágrimas na Voz (The Helen Morgan Story, Estados Unidos, 1957) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Oscar Saul, Dean Riesner e Stephen Longstreet, baseado na vida de Helen Morgan /
Elenco: Ann Blyth, Paul Newman, Richard Carlson, Gene Evans, Cara Williams e Alan King /
Sinopse: A trajetória da cantora Helen Morgan, desde sua ascensão ao estrelato na Broadway até os problemas pessoais e profissionais que ameaçaram destruir sua carreira e sua vida.

Erick Steve.