segunda-feira, 16 de março de 2026

Os Cavaleiros da Távola Redonda

Título no Brasil: Os Cavaleiros da Távola Redonda
Título Original: Knights of the Round Table
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Talbot Jennings, Jan Lustig
Elenco: Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, Anne Crawford, Stanley Baker, Felix Aylmer

Sinopse:
Na idade Média o jovem plebeu Arthur consegue retirar a espada Excalibur de uma rocha. Assim se torna o Rei da Inglaterra. Ao lado de Merlin ele começa a reinar. Forma um grupo de valentes cavaleiros e entrenta os desafios de ser o monarca de um dos reinos mais importantes da Europa. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de arte e melhor som.

Comentários:
Produção luxuosa da Metro que se propõe a contar a lendária história do Rei Arthur. O estúdio não mediu esforços e realmente disponibilizou uma produção digna dessa figura mitológica da cultura britânica. Dessa forma o filme apresenta bem elaborados cenários, figurino luxuoso e bastente colorido e cenas de excelente nível técnico. O interessante é que o filme acabou sendo "roubado" pela atuação da atriz Ava Gardner. Ela interpreta Guinevere e rouba a cena com uma sensualidade à flora da pele. Coloca Arthur como coadjuvante e torna seu romance com o cavaleiro Lancelot, o grande interesse do filme como um todo. Definitivamente Robert Taylor não está à altura de sua partner em cena. Hoje em dia o filme surpreende por ser ultra colorido. Não apenas na direção de fotografia, mas também nas roupas dos atores. E o mais curioso de tudo é que isso é exatamente o que faziam os nobres na Idade Média. Quanto mais colorida fosse sua roupa, mas ele esbanjava sinais de poder e riqueza. Dessa maneira, por uma dessas ironias do destino, o filme que hoje pode ser encarado até mesmo como algo meio exagerado, na realidade apenas mostra como as pessoas da época se vestiam de fato. No mais a impressão que fica é a de que assistimos a um filme que é, acima de tudo, bonito de se ver.

Pablo Aluísio.

Um Yankee em Oxford

Título no Brasil: Um Yankee em Oxford
Título Original: A Yank at Oxford
Ano de Lançamento: 1938
País: Reino Unido
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: George Oppenheimer, John Monk Saunders
Elenco: Robert Taylor, Lionel Barrymore, Maureen O'Sullivan, Vivien Leigh, Edmund Gwenn, Griffith Jones

Sinopse:
A história acompanha Lee Sheridan, um jovem e talentoso atleta americano que recebe uma bolsa de estudos para estudar na prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra. Acostumado ao estilo competitivo e direto dos esportes universitários dos Estados Unidos, Sheridan encontra dificuldades para se adaptar às tradições e à disciplina do ambiente acadêmico britânico. Seu comportamento arrogante e impulsivo acaba gerando conflitos com colegas e professores, colocando em risco sua permanência na universidade. Ao mesmo tempo, ele se envolve em um romance com uma jovem inglesa, o que contribui para sua transformação pessoal. A narrativa acompanha o processo de amadurecimento do protagonista enquanto ele aprende a lidar com respeito, amizade e espírito esportivo.

Comentários:
Quando foi lançado em 1938, A Yank at Oxford foi bem recebido pelo público e pela crítica. O jornal The New York Times destacou o charme da produção e o carisma de Robert Taylor no papel principal, além de elogiar a ambientação convincente no universo acadêmico de Oxford. A presença de Vivien Leigh, ainda no início de sua carreira internacional, também chamou atenção, especialmente porque ela se tornaria uma das maiores estrelas de Hollywood pouco tempo depois ao protagonizar Gone with the Wind (1939). Comercialmente, o filme teve um desempenho sólido e ajudou a fortalecer a presença da Metro-Goldwyn-Mayer no cinema britânico da época. Hoje Um Yankee em Oxford é lembrado como um agradável drama esportivo e universitário da era clássica de Hollywood, além de ser visto como um registro interessante de um momento inicial da carreira de Vivien Leigh antes de sua consagração internacional.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Sheik

Título no Brasil: O Sheik
Título Original: The Sheik
Ano de Lançamento: 1921
País: Estados Unidos
Estúdio: Famous Players-Lasky Corporation
Direção: George Melford
Roteiro: Monte M. Katterjohn, Beulah Marie Dix
Elenco: Rudolph Valentino, Agnes Ayres, Ruth Miller, George Waggner, Frank Butler, Lucien Littlefield

Sinopse:
A história acompanha Lady Diana Mayo, uma jovem aristocrata inglesa independente que viaja para o norte da África em busca de aventura. Durante sua jornada pelo deserto, ela acaba sendo sequestrada pelo poderoso e misterioso líder tribal Ahmed Ben Hassan, conhecido como o Sheik. Inicialmente revoltada com sua captura, Diana resiste às tentativas do sheik de conquistá-la. Porém, à medida que convivem no deserto e enfrentam diversos perigos, a relação entre os dois começa a mudar gradualmente. Entre perseguições, conflitos tribais e momentos de tensão romântica, a narrativa apresenta um romance exótico ambientado em paisagens áridas e misteriosas do Oriente Médio, típico das fantasias românticas populares no cinema da época.

Comentários:
Quando foi lançado em 1921, The Sheik tornou-se um fenômeno cultural. O jornal The New York Times destacou o enorme apelo romântico da história e o magnetismo de Rudolph Valentino, cuja atuação transformou o ator em um dos maiores símbolos sexuais do cinema mudo. Revistas da época como Photoplay também enfatizaram a popularidade do filme entre o público feminino, que se encantou com a figura exótica e sedutora do personagem principal. O filme foi um grande sucesso comercial e ajudou a estabelecer Valentino como uma das maiores estrelas de Hollywood nos anos 1920. O impacto cultural foi tão grande que gerou uma sequência, The Son of the Sheik (1926), também estrelada pelo ator. Com o passar das décadas, O Sheik passou a ser considerado um dos filmes mais influentes do cinema mudo, embora hoje também seja analisado criticamente por seus estereótipos orientalistas. Ainda assim, permanece como uma obra marcante da história de Hollywood e um exemplo clássico do romantismo exótico que fascinava o público do início do século XX.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Fruto Proibido

Título no Brasil: Fruto Proibido
Título Original: Boom Town
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: John Lee Mahin, Jules Furthman
Elenco: Clark Gable, Spencer Tracy, Claudette Colbert, Hedy Lamarr, Frank Morgan, Lionel Atwill

Sinopse:
A história acompanha dois aventureiros e amigos, Big John McMasters e Jonathan Sand, que viajam pelo oeste americano no início do século XX em busca de fortuna no nascente e lucrativo negócio do petróleo. Sempre em busca do próximo grande campo petrolífero, os dois enfrentam fracassos, rivalidades e mudanças rápidas que caracterizam a expansão industrial da época. Quando finalmente conseguem sucesso e riqueza, a amizade entre eles começa a ser testada por ambição, negócios e relacionamentos amorosos. O surgimento de duas mulheres importantes em suas vidas complica ainda mais a relação entre os antigos parceiros. Enquanto um se torna um magnata do petróleo respeitado, o outro enfrenta dificuldades financeiras e pessoais, levando a uma ruptura que ameaça destruir uma amizade construída ao longo de anos de luta. O filme mistura drama, romance e aventura ao retratar o crescimento da indústria petrolífera nos Estados Unidos.

Comentários:
Na época de seu lançamento, Boom Town foi muito bem recebido pelo público e se tornou um dos grandes sucessos comerciais de 1940. A revista Variety elogiou o carisma da dupla Clark Gable e Spencer Tracy, destacando a química entre os dois atores e o dinamismo da narrativa. Já o jornal The New York Times ressaltou o espetáculo proporcionado pela produção da Metro-Goldwyn-Mayer, elogiando especialmente as cenas relacionadas à exploração de petróleo e ao crescimento das cidades que surgiam ao redor dos campos petrolíferos. O filme também foi importante por reunir um elenco estelar típico da chamada “era de ouro” de Hollywood, com grandes nomes do estúdio MGM em papéis marcantes. Comercialmente, foi um grande êxito nas bilheterias e ajudou a consolidar ainda mais o estrelato de Gable e Tracy como duas das maiores figuras do cinema americano da época. Com o passar das décadas, Boom Town passou a ser lembrado como um clássico drama industrial de Hollywood, representando bem o estilo de grandes produções da MGM nos anos 1940 e sendo frequentemente revisitado por historiadores do cinema como um retrato interessante da ambição e do espírito empreendedor retratados pelo cinema daquele período.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Em Busca do Ouro

Em Busca do Ouro
É um dos clássicos mais conhecidos de Charles Chaplin. Aqui ele leva Carlitos, o adorável vagabundo, para o Alaska, na corrida ao ouro. Logo no começo do filme duas coisas interessantes. Chaplin denomina seu personagem de "Aventureiro Solitário". Também faz questão de qualificar o filme como uma comédia dramática. O roteiro, escrito pelo próprio Chaplin, vai bem por esse caminho. O pequenino e frágil Carlitos tem que enfrentar as durezas de uma vida que era para poucos. Muitos que foram em busca do ouro morreram naquelas montanhas geladas. Quando o filme começa ele vaga pela imensidão branca do lugar, com fome e frio. Acaba encontrando uma cabana bem no meio do nada. O problema é que lá está também um foragido da lei, um sujeito que tenta expulsar ele do lugar de todo jeito (o que acaba dando origem a várias cenas engraçadas com o humor físico de Chaplin).

Depois chega outro aventureiro, um sujeito rude, barbudo, um ogro. Os três então tentam sobreviver à grande tempestade de neve. Com seus personagens morrendo de fome Chaplin traz a primeira cena antológica do filme, quando ele prepara sua própria botina como se fosse uma iguaria gourmet. O couro da bota vira um bom filé e os cadarços uma macarronada saborosa. Outra cena sempre muito lembrada acontece quando seu companheiro de cabana, já delirando pela fome, começa a enxergar Carlitos como se fosse um enorme e suculento frango. Há também a genial dança dos pãezinhos, inesquecível. Um marco de Chaplin no cinema. Depois desses apertos finalmente o "aventureiro solitário" chega numa pequena vila, daquelas erguidas da noite para o dia pelos mineradores. E lá Chaplin traz um pouco mais de leveza romântica ao filme, com seu vagabundo se apaixonando platonicamente por uma bela do lugar. Enfim, todos os elementos Chaplinianos estão presentes no filme. Mais um belo momento desse gênio do cinema que conseguiu atravessar o teste do tempo.

Em Busca do Ouro (The Gold Rush, Estados Unidos, 1925) Direção: Charles Chaplin / Roteiro: Charles Chaplin / Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, Tom Murray / Sinopse: Carlitos (Chaplin)  vai até o Alaska onde ouro foi descoberto, causando uma verdadeira febre do ouro, com milhares de pessoas tentando a sorte nas montanhas geladas da região. Com fome e morrendo de frio ele finalmente alcança uma cabana, onde começa sua aventura em busca da riqueza. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Som (RCA Sound) e Melhor Música (Max Terr).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Charles Chaplin - Parte 1

Charles Chaplin já era um homem rico e famoso quando soube que a mãe de seus filhos Charlie Chaplin Jr e Sydney, tinha planos de lançar os garotos no cinema. O oportunismo era óbvio, Lita Grey queria lucrar rápido e fácil com o nome de Chaplin. Ao saber disso o pai Charles Chaplin imediatamente acionou seus advogados.

Entrou com um processo na corte de Los Angeles, proibindo que os garotos fossem explorados comercialmente pela mãe, numa jogada grotesca de oportunismo barato. Assim que conseguiu a vitória nos tribunais Chaplin declarou para a imprensa: "Eles poderão fazer o que quiser de suas vidas no futuro. Se quiserem se tornar atores ou comediantes terão o meu apoio. Isso porém apenas após se tornarem adultos. Conheço a exploração e as tragédias que acompanham a carreira de muitos atores mirins. Não quero isso para meus filhos!".

Depois dessa batalha judicial Chaplin resolveu se aproximar mais dos meninos. Embora cultivasse a imagem do adorável vagabundo nas telas, o fato era que em sua vida pessoal Chaplin era um homem até mesmo introvertido, taciturno, um diretor obcecado pela perfeição que poderia ser também rude nas filmagens com suas equipes. A reaproximação entre pai e seus filhos foi algo positivo, bom, mas não livrou Charles Chaplin Jr de ter muitos problemas emocionais em sua vida. Sempre à sombra do mito do pai, algo que ele jamais poderia superar, tentou uma carreira de ator quando atingiu a maioridade, mas nunca conseguiu o sucesso. Ele escreveria um livro chamado "Meu Pai, Charlie Chaplin" e morreria tragicamente e precocemente, após enfrentar anos de problemas com drogas.

Charles Chaplin achava, como muitos pais de seu tempo, que apenas a dureza e a firmeza de disciplina colocaria seu filho na linha. Assim ele procurou dar uma educação austera e disciplinadora aos filhos, no estilo mais conservador, mas com o passar dos anos acabou percebendo que isso não daria muito certo. Os meninos se ressentiam do pai, de seu jeito duro de ser, sempre como um figura autoritária, e com o passar dos anos acabaram se afastando mais ainda dele. O fato de Chaplin ter constituído uma nova família, anos depois, piorou ainda mais esse quadro. De fato pai e filhos nunca tiveram mesmo uma relação carinhosa e isenta de muitos problemas.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Amores Clandestinos

Título no Brasil: Amores Clandestinos
Título Original: A Summer Place
Ano de Produção: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Delmer Daves
Roteiro: Sloam Wilson, Delmer Daves
Elenco: Richard Egan, Sandra Dee, Troy Donahue, Doroth McGuire
 
Sinopse:
O jovem Johnny Hunter (Troy Donahue) conhece uma bela garota, Molly Jorgenson (Sandra Dee), durante um veraneio numa linda ilha turística. O problema para Molly é que seus pais não aceitam, por questões morais e sociais, que o namoro do jovem casal vá em frente. Está armada assim a trama básica do filme "A Summer Place" que no Brasil recebeu o título de "Amores Clandestinos". Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Ator - Revelação Masculina (Troy Donahue). Também premiado pelo Laurel Awards na categoria Melhor Trilha Sonora (Max Steiner).

Comentários:
Esse filme romântico foi um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 50 e elevou a atriz Sandra Dee ao patamar de estrela, campeã de popularidade e ídolo adolescente em plenos anos dourados. O filme é muito didático no sentido de mostrar todo o leque de tabus e preconceitos morais e sexuais que imperavam na sociedade americana da época (se lá nos EUA era assim, imaginem aqui no Brasil como deveria ser atrasado!). A "honra" das jovens de família, a virgindade, o decoro, as convenções sociais que os namorados tinham que seguir à risca, tudo está na tela. O filme é muito romântico e tem uma trilha sonora marcante. Para se ter uma ideia a música tema foi um estouro nas paradas chegando ao primeiro lugar da revista Billboard na versão de Percy Faith. Impossível não conhecê-la até mesmo nos dias de hoje. O roteiro é obviamente açucarado, feito para embalar os amores juvenis da época mas tem também seus méritos, chegando ao ponto de discutir coisas mais sérias como a gravidez na adolescência, por exemplo.

Talvez o maior problema de "Amores Clandestinos", além de sua moralidade totalmente fora de moda nos dias atuais, seja o fraco desempenho do casalzinho de adolescentes que são os protagonistas do filme. Ok, Sandra Dee era um grande fenômeno de popularidade, todas as moças da época queriam ser como ela, mas o fato é que como atriz ela era bem limitada. Seu talento dramático se resumia a fazer beicinhos, um atrás do outro. Pelo menos foi salva por ser carismática e simpática. O mesmo não se pode dizer de seu partner em cena, o inexpressivo galãzinho Troy Donahue que não conseguiu escapar da canastrice completa. Um tipo de ator que se garantia apenas por seu bom visual. O problema é que isso é pouco, ainda mais nesse roteiro onde vários aspectos interessantes poderiam ser bem melhor explorados. O filme foi dirigido por Delmer Daves que havia escrito o roteiro de outro grande sucesso romântico da época, o também clássico "Tarde Demais Para Esquecer". De certa forma "Summer Place" é uma versão adolescente daquele filme estrelado por Cary Grant. Todos os ingredientes estão lá, a impossibilidade de concretizar um grande amor, locações paradisíacas e canções românticas marcantes, de cortar o coração. Por isso indico o filme a quem gosta de produções como essa. Certamente vai aquecer os corações dos mais românticos, desde que eles não sejam exigentes demais com boas atuações.

Pablo Aluísio.

Se o Marido Atender, Desligue

Título no Brasil: Se o Marido Atender, Desligue
Título Original: If a Man Answers
Ano de Produção: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Henry Levin
Roteiro: Richard Morris, Winifred Wolfe
Elenco: Sandra Dee, Bobby Darin, Cesar Romero, Micheline Presle

Sinopse:
Chantal Stacy (Sandra Dee) é uma rica socialite que acaba se casando com o fotógrafo pobretão Eugene Wright (Bobby Darin). Nos primeiros meses tudo acaba indo bem até o surgimento de um amigo invejoso que tenta separar os dois. Em desespero, Chantal procura conselhos com a mãe, mas a ajuda que recebe acaba piorando ainda mais a situação.

Comentários:
Uma comédia romântica típica dos anos 1960 com o casalzinho formado pela atriz Sandra Dee e pelo cantor Bobby Darin, que formavam par também fora das telas. Nesse período do cinema americano o produtor  Ross Hunter descobriu a força de bilheteria que representava o público feminino e resolveu investir cada vez mais nesse tipo de produção feito especialmente para elas. A fórmula deu tão certo que até hoje em dia filmes assim costumam ser extremamente populares, rendendo ótimas bilheterias todos os anos. Super colorido, ensolarado, o filme mantém seu charme nostálgico. No elenco uma surpresa: Cesar Romero acabou roubando o show e recebeu até mesmo uma indicação ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante (além dessa o filme ainda foi indicado para Melhor Comédia - Musical). Obviamente que hoje em dia vai soar um pouco datado, mas no geral ainda se torna interessante para cinéfilos em geral por ser um exemplo perfeito desse gênero no cinema da época.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Horas Intermináveis

Título no Brasil: Horas Intermináveis
Título Original: Fourteen Hours
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: John Paxton, Joel Sayre
Elenco: Paul Douglas, Richard Basehart, Grace Kelly, Debra Paget, Jeffrey Hunter, Barbara Bel Geddes
  
Sinopse:
A vida não tem mais sentido para Robert Cosick (Richard Basehart). Desesperado por ter perdido tudo, ficando arruinado financeiramente, ele decide subir até o décimo quinto andar de um edifício de Nova Iorque para pular. O policial Charlie Dunnigan (Paul Douglas) é então chamado para atender essa ocorrência e tenta convencer o potencial suicida para que não pule em direção à morte. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Direção de Arte (Lyle R. Wheeler e Leland Fuller). Também indicado ao BAFTA Awards na categoria Melhor Filme Americano do Ano.

Comentários:
Um filme noir que acabou sendo conhecido por ser o começo das carreiras de atores jovens (e naquela época ainda desconhecidos), que iriam fazer sucesso em Hollywood nos anos que viriam. O caso mais famoso nesse aspecto foi a da estreia de Grace Kelly no cinema, ainda bastante inexperiente, interpretando uma personagem coadjuvante. Jovem e linda, ainda não se sabia que ela iria se tornar uma das maiores estrelas do cinema americano. Além de Grace o elenco de apoio ainda trazia Jeffrey Hunter, que iria se consagrar interpretando Jesus Cristo no épico "Rei dos Reis" e Debra Paget, que se tornaria famosa ao fazer a namorada do roqueiro Elvis Presley em "Ama-me com Ternura" (o faroeste "Love Me Tender"). Ou seja, poucas vezes se viu um elenco jovem tão promissor como nesse filme. Em termos gerais é um suspense noir que se baseia em uma situação limite que dura intermináveis 14 horas, onde um homem em desespero ameaça se suicidar, pulando do décimo quinto andar de um prédio em Nova Iorque. Enquanto ele ameaça pular ou não, um policial tenta convencê-lo a não fazer isso. A história foi baseada em fatos reais. Durante a grande depressão muitas pessoas perderam tudo na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque e se suicidaram. O filme assim romanceia um desses casos que terminou de forma trágica.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Vidas Amargas

Vidas Amargas
Lançado em 10 de abril de 1955, Vidas Amargas foi dirigido por Elia Kazan e estrelado por James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives e Richard Davalos. Baseado no romance de John Steinbeck, o filme acompanha o conflito emocional de um jovem sensível que luta para conquistar o amor e a aprovação do pai em uma família marcada por ressentimentos e diferenças morais. Ambientada no início do século XX, a narrativa explora rivalidade entre irmãos, culpa e desejo de redenção em meio às transformações sociais de uma pequena comunidade rural. O ponto de partida dramático reside na busca desesperada do protagonista por reconhecimento afetivo, conduzindo a história por intensos confrontos psicológicos e dilemas familiares sem revelar seus acontecimentos finais.

Na época do lançamento, a recepção crítica foi amplamente positiva, com especial atenção à performance de James Dean. O The New York Times destacou a intensidade emocional do ator, observando que sua atuação transmitia “uma vulnerabilidade rara e profundamente comovente”. Já o Los Angeles Times elogiou a direção de Elia Kazan por transformar o drama familiar em experiência cinematográfica poderosa, ressaltando a autenticidade das emoções retratadas.

A revista Variety apontou o filme como um drama literário de grande força interpretativa, destacando o equilíbrio entre lirismo visual e conflito psicológico. O The New Yorker comentou que a obra possuía sensibilidade incomum ao retratar relações familiares marcadas por silêncio e dor. Embora alguns críticos tenham considerado o tom melodramático em certos momentos, o consenso geral foi entusiasmado, consolidando o filme como marco artístico da década de 1950.

No campo comercial, Vidas Amargas alcançou bom desempenho de bilheteria, impulsionado principalmente pela repercussão em torno de James Dean, cuja carreira ganharia dimensão lendária após sua morte precoce no mesmo ano. Produzido com orçamento moderado, o filme obteve retorno financeiro sólido nos Estados Unidos e também encontrou público significativo no mercado internacional. Além disso, recebeu diversas indicações a prêmios importantes, reforçando sua relevância artística e comercial.

Com o passar do tempo, Vidas Amargas tornou-se um clássico do cinema dramático americano, frequentemente lembrado como uma das atuações mais marcantes de James Dean. A profundidade emocional da narrativa e a abordagem sensível dos conflitos familiares continuam sendo elogiadas por críticos contemporâneos. Hoje, o filme é visto como obra fundamental para compreender a transformação do realismo psicológico no cinema dos anos 1950 e a influência duradoura do ator em gerações posteriores.

Vidas Amargas (East of Eden, Estados Unidos, 1955) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Paul Osborn (baseado no romance de John Steinbeck) / Elenco: James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet / Sinopse: Um jovem luta para obter o amor do pai e encontrar seu lugar dentro de uma família marcada por rivalidade, culpa e desejo de redenção.

Erick Steve.