segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lady Hamilton

Lady Hamilton
Depois do grande sucesso de "E O Vento Levou" a atriz Vivien Leigh decidiu deixar Hollywood para trás. Estava cansada dos grandes estúdios, dos produtores, dos executivos americanos. Ela via a atuação de uma outra maneira, como grande arte. Não apenas como algo para se fazer grandes fortunas, em filmes comerciais produzidos em ritmo industrial. Assim ela voltou para sua terra natal, a Inglaterra. Ao lado de Laurence Olivier, seu marido e grande nome do teatro e cinema britânicos, ela começou a procurar por um roteiro realmente artístico para voltar ao cinema. Acabou encontrando em "Lady Hamilton". Esse filme se tornaria a primeira adaptação para o cinema do romance histórico "Fire Over England" escrito por AEW Mason.

A história era bem evocativa de um passado glorioso do império britânico. Sir William Hamilton (Alan Mowbray), um viúvo de meia idade, se torna o embaixador britânico na corte de Nápoles. Emma (Vivien Leigh) é uma jovem inglesa que em visita a sua mãe acaba conhecendo Lord Hamilton. Não demora muito e eles começam um romance. A paixão é compartilhada e em poucos meses eles decidem se casar. Apesar da diferença de idade, o casamento vai bem até Emma, agora Lady Hamilton, conhecer o jovem e destemido Lord Nelson (Laurence Olivier), um militar condecorado, considerado um verdadeiro herói para os britânicos. Apesar da rígida moralidade da sociedade inglesa de sua época, Emma não consegue se controlar e acaba tendo um ardente romance com Nelson, gerando um escândalo na sociedade Londrina.

Essa produção, cujo enredo foi baseado em fatos históricos reais, tem muita classe e sofisticação. Fica claro, desde os primeiros momentos, que os britânicos queriam mostrar aos americanos toda a superioridade de seu nível cultural, sempre mais refinado e elevado. O filme apresenta uma produção pomposa, com figurinos luxuosos e cenários ricamente decorados. Laurence Olivier surge com um tapa-olho na maioria das cenas e Vivien Leigh desfila uma infinidade de vestidos elegantes a cada momento. Aliás o figurino do filme, considerado deslumbrante na época, foi um dos destaques. As roupas foram todas assinadas pela figurinista inglesa Marjorie Best.

A direção de fotografia de Rudolph Maté também foi um dos destaques do filme, sendo indicada pela academia ao Oscar, Um filme bonito de se ver, com direção de arte caprichada, foi considerada naquele ano como uma das produções mais bem realizadas em sua reconstituição de época. Os produtores esperavam por uma indicação de Vivien Leigh ao Oscar, mas ela não veio. Na época se dizia que a comunidade do cinema em Holywood havia ficado ofendida pelo fato de que a atriz inglesa havia voltado para Inglaterra, dando as costas para o cinema americano. Havia uma dose de rancor em sua "não indicação". Apesar de tudo isso, o filme ainda hoje é considerado um dos melhores momentos da carreira de Vivien Leigh. Um filme histórico que tem drama, romance e até mesmo uma pitada de tragédia para emocionar os mais sentimentais.

Lady Hamilton, a Divina Dama (That Hamilton Woman, Inglaterra, 1941) Estúdio: Alexander Korda Films, London Film Productions / Direção: Alexander Korda / Roteiro: Walter Reisch, R.C. Sherriff / Elenco: Vivien Leigh, Laurence Olivier, Alan Mowbray / Sinopse: O filme "Lady Hamilton, a Divina Dama" conta a história real, baseada em fatos históricos, do romance de uma dama da alta sociedade inglesa com um famoso almirante da marinha de seu país. A paixão entre ambos causou grande escândalo, porque ela era uma mulher casada. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de arte (Vincent Korda e Julia Heron). melhores efeitos especiais (Lawrence W. Butler, William A. Wilmarth) e melhor direção de fotografia (Rudolph Maté). Filme vencedor do Oscar na categoria de melhor som (Jack Whitney).

Pablo Aluísio.

Três Semanas de Loucura

Título no Brasil: Três Semanas de Loucura
Título Original: 21 Days
Ano de Lançamento: 1940
País: Reino Unido
Estúdio: London Film Productions
Direção: Basil Dean
Roteiro: Graham Greene e Basil Dean, baseado na peça The First and the Last, de John Galsworthy
Elenco: Vivien Leigh, Laurence Olivier, Leslie Banks, Francis L. Sullivan, Hay Petrie, Esmé Percy, Robert Newton, David Horne e Frederick Lloyd. 

Sinopse: 
Larry Durrant é um homem de espírito independente que retorna a Londres depois de fracassar em uma aventura empresarial na África. Ao reencontrar Wanda Wallen, uma mulher casada por quem está apaixonado, ele acredita que finalmente poderá construir uma vida feliz ao lado dela. Os planos do casal, entretanto, são interrompidos pelo aparecimento de Henry Wallen, o marido de Wanda, que passa a chantageá-los e ameaça revelar o relacionamento. Durante uma violenta discussão, Henry acaba morrendo acidentalmente, deixando Larry diante de uma situação desesperadora. Preocupado com as consequências do ocorrido, Larry procura seu irmão Keith Durrant, um respeitado advogado que está prestes a conquistar uma importante posição profissional. Keith aconselha o irmão a deixar o país, mas Larry se recusa a fugir e acaba envolvido em novas complicações. Pouco depois, um antigo clérigo chamado John Evan é acusado injustamente pelo assassinato, e as evidências parecem suficientes para condená-lo. Diante dessa situação, Larry decide aproveitar o tempo que lhe resta para viver momentos de felicidade ao lado de Wanda, mas promete confessar o crime caso o inocente seja condenado. Os dois passam a enfrentar vinte e um dias de angústia, divididos entre o amor que sentem um pelo outro e a consciência de que a felicidade conquistada pode custar a vida de um homem inocente. 

Comentários: 
Três Semanas de Loucura é um drama britânico que reúne dois dos maiores nomes da interpretação clássica: Vivien Leigh e Laurence Olivier. Dirigido por Basil Dean, o filme foi baseado na peça teatral The First and the Last, escrita por John Galsworthy, e apresenta uma história em que romance, culpa, responsabilidade moral e justiça se entrelaçam. Olivier interpreta Larry Durrant, um homem que precisa escolher entre proteger a própria liberdade e assumir as consequências de seus atos. Vivien Leigh vive Wanda, a mulher que compartilha com ele o amor e a angústia provocados pela situação. Leslie Banks interpreta Keith, o irmão advogado que tenta proteger tanto a família quanto a própria carreira. Um dos aspectos mais interessantes da produção é justamente a maneira como o relacionamento amoroso dos protagonistas se desenvolve sob a ameaça constante de uma tragédia. A direção utiliza ambientes londrinos, cenários cuidadosamente construídos e uma atmosfera de suspense para acompanhar o conflito psicológico dos personagens. A história também explora as diferenças entre a justiça legal e a consciência individual, mostrando como decisões aparentemente justificáveis podem produzir consequências devastadoras. Embora não seja um dos títulos mais conhecidos da filmografia de Leigh e Olivier, o longa permite observar os dois atores em uma fase inicial de suas carreiras, pouco antes de alcançarem reconhecimento internacional ainda maior. 

A produção possui uma história curiosa nos bastidores. As filmagens aconteceram em 1937, quando Leigh e Olivier já mantinham um relacionamento amoroso, e o filme acabou permanecendo arquivado por aproximadamente dois anos antes de chegar ao público. O produtor Alexander Korda pretendia aproveitar o talento de Leigh e impulsionar sua carreira, mas decidiu adiar o lançamento até que a atriz alcançasse projeção internacional com E o Vento Levou, em 1939. A distribuição acabou ficando a cargo da Columbia Pictures, e o filme chegou às telas em 1940. A recepção crítica foi dividida: alguns críticos reconheceram a capacidade da história de combinar suspense e emoção, enquanto outros consideraram a adaptação menos convincente do que a obra teatral original. O próprio Graham Greene, que participou do roteiro, demonstrou insatisfação com o resultado e criticou algumas das mudanças realizadas durante a adaptação. Apesar dessas limitações, a produção conserva interesse histórico por registrar a parceria entre Leigh e Olivier antes de seus trabalhos mais célebres e por apresentar uma narrativa moralmente complexa, centrada na culpa e no sacrifício. O desempenho de Hay Petrie como o homem injustamente acusado também foi destacado posteriormente pelo British Film Institute, que considera sua interpretação um dos pontos fortes do filme. Hoje, Três Semanas de Loucura representa uma curiosidade valiosa do cinema britânico dos anos 1930 e 1940, especialmente para os admiradores de Vivien Leigh, Laurence Olivier e dos dramas psicológicos da época. 

Erick Steve.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Amando Sem Saber

Título no Brasil: Amando Sem Saber
Título Original: Four's a Crowd
Ano de Lançamento: 1938
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Casey Robinson e Sig Herzig, baseado em uma história de Wallace Sullivan
Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Rosalind Russell, Patric Knowles, Walter Connolly, Hugh Herbert, Melville Cooper, Franklin Pangborn e Margaret Hamilton. 

Sinopse:
Robert Lansford, conhecido como Bob, é um antigo editor de jornal que atualmente trabalha no ramo das relações públicas e procura conquistar clientes importantes para expandir seus negócios. Quando Jean Christy, uma jornalista que trabalha para um jornal ameaçado de fechamento, procura sua ajuda, Bob percebe uma oportunidade de utilizar o veículo para promover seus próprios interesses. O proprietário do jornal, Pat Buckley, é um jovem empresário que está noivo de Lorri Dillingwell, neta de um milionário chamado John P. Dillingwell. Interessado em conquistar o milionário como cliente, Bob decide aproveitar a situação e propõe transformar Dillingwell em alvo de uma campanha jornalística negativa para depois melhorar sua imagem pública. A estratégia provoca conflitos entre Pat e Lorri, ao mesmo tempo que Jean começa a desenvolver sentimentos pelo próprio Bob. Enquanto os relacionamentos se tornam cada vez mais complicados, o habilidoso publicitário continua manipulando pessoas e acontecimentos para alcançar seus objetivos. Entre intrigas profissionais, confusões românticas e disputas de interesses, os quatro protagonistas acabam envolvidos em uma sucessão de mal-entendidos que ameaça transformar seus planos pessoais em um verdadeiro desastre. 

Comentários:
Amando Sem Saber é uma comédia romântica produzida pela Warner Bros. em 1938, reunindo Errol Flynn, Olivia de Havilland, Rosalind Russell e Patric Knowles em uma história marcada por confusões amorosas e intrigas profissionais. A direção ficou a cargo de Michael Curtiz, um dos cineastas mais importantes da Warner durante a década de 1930 e responsável por vários filmes de aventura estrelados por Flynn. A produção surgiu em um momento particularmente importante da carreira do ator, que havia conquistado enorme popularidade com As Aventuras de Robin Hood, lançado naquele mesmo ano. Interessado em demonstrar sua versatilidade e evitar que sua imagem ficasse restrita aos filmes de capa e espada, Flynn procurou oportunidades em comédias românticas, como esta. Sua personagem, Bob Lansford, é um publicitário inteligente, ambicioso e manipulador que utiliza a imprensa para influenciar a opinião pública e beneficiar seus clientes. Olivia de Havilland interpreta Lorri Dillingwell, enquanto Rosalind Russell vive Jean Christy, a jornalista que acaba envolvida nos planos de Bob. O roteiro combina romance, sátira do mundo jornalístico e humor, utilizando as disputas profissionais como ponto de partida para uma sucessão de complicações sentimentais. A presença de atores experientes como Walter Connolly, Hugh Herbert e Margaret Hamilton também contribui para o estilo característico das comédias hollywoodianas daquele período. 

A recepção comercial de Amando Sem Saber ficou abaixo das expectativas, e o filme não alcançou o sucesso de outras produções protagonizadas por Errol Flynn durante aqueles anos. A obra também não conquistou a mesma reputação de suas aventuras históricas, embora apresente um aspecto interessante de sua trajetória artística: a tentativa de demonstrar que poderia interpretar personagens contemporâneos e participar de comédias sofisticadas. A história oferece ainda uma representação satírica das relações entre imprensa, publicidade, dinheiro e poder, mostrando como campanhas de comunicação podem ser utilizadas tanto para construir quanto para destruir reputações. Essa abordagem tornou-se particularmente curiosa quando observada à luz da evolução posterior das relações públicas e da influência dos meios de comunicação na sociedade. A parceria entre Flynn e Olivia de Havilland também constitui um dos atrativos do longa, pois os dois atores já haviam conquistado grande popularidade juntos e voltariam a dividir a tela em outras produções. Embora Michael Curtiz mantenha o ritmo característico de suas comédias, a quantidade de intrigas e trocas românticas pode tornar a narrativa um pouco movimentada demais para alguns espectadores. Com o passar do tempo, o filme permaneceu como um título menos conhecido de sua filmografia, mas interessante para quem deseja conhecer outras facetas de Errol Flynn, Olivia de Havilland e Rosalind Russell. Hoje, Amando Sem Saber representa uma curiosidade do período clássico de Hollywood e um registro da tentativa de Flynn de ampliar seu repertório para além dos personagens heroicos que o haviam transformado em uma estrela internacional.

Erick Steve. 

O Homem Perfeito

Título no Brasil: O Homem Perfeito
Título Original: The Perfect Specimen
Ano de Lançamento: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures 
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Norman Reilly Raine, Lawrence Riley, Brewster Morse e Fritz Falkenstein, baseado no romance de Samuel Hopkins Adams.
Elenco: Errol Flynn, Joan Blondell, Hugh Herbert, Edward Everett Horton, Dick Foran, Beverly Roberts, May Robson, Allen Jenkins e Dennie Moore. 

Sinopse: 
Gerald Beresford Wicks é o herdeiro de uma imensa fortuna e foi criado desde a infância em completo isolamento, sob a rigorosa supervisão de sua avó, que pretende transformá-lo no homem perfeito, física, moral e intelectualmente. Educado para assumir suas responsabilidades familiares, Gerald recebeu conhecimentos sobre inúmeras áreas, mas praticamente não conhece o mundo exterior nem as experiências comuns da vida. Sua rotina começa a mudar quando Mona Carter, uma jovem jornalista curiosa e independente, decide conhecê-lo pessoalmente. Interessada na história do misterioso herdeiro, Mona acaba provocando uma situação que permite aos dois se encontrarem. Percebendo que Gerald possui uma visão extremamente limitada da realidade, ela o incentiva a abandonar temporariamente sua propriedade e descobrir como as pessoas vivem fora daquele ambiente privilegiado. Fascinado pela possibilidade de conhecer o mundo, Gerald resolve partir sem avisar sua família. A decisão provoca grande confusão, pois sua avó acredita que ele foi sequestrado e mobiliza as autoridades para encontrá-lo. Enquanto isso, Gerald acompanha Mona em uma série de experiências inesperadas que colocam à prova toda a educação que recebeu. Durante essa aventura, ele começa a descobrir o amor, a independência e as contradições da sociedade, percebendo que a perfeição imaginada por sua família está muito distante da verdadeira experiência humana. 

Comentários: 
O Homem Perfeito é uma comédia romântica produzida pela Warner Bros. em 1937, período em que Errol Flynn já começava a se consolidar como uma das grandes estrelas de Hollywood. Depois de conquistar popularidade em filmes de aventura, o ator recebeu a oportunidade de experimentar um gênero diferente, interpretando um jovem herdeiro ingênuo que precisa descobrir o mundo por conta própria. A direção ficou a cargo de Michael Curtiz, cineasta com quem Flynn trabalharia novamente em produções de grande importância, incluindo As Aventuras de Robin Hood, lançado em 1938. Joan Blondell interpreta Mona Carter, a jornalista espirituosa que funciona como principal contraponto à educação rígida do protagonista. Hugh Herbert, Edward Everett Horton, Dick Foran e May Robson completam o elenco, contribuindo para o tom cômico da narrativa. A história foi adaptada do romance homônimo de Samuel Hopkins Adams, publicado originalmente em 1936. A produção combina romance, situações humorísticas e uma crítica à educação excessivamente controladora, mostrando como uma pessoa pode adquirir muitos conhecimentos teóricos sem necessariamente compreender a vida real. O filme também oferece uma oportunidade interessante de observar Errol Flynn em uma atuação mais leve e descontraída, distante dos papéis heroicos pelos quais se tornou especialmente conhecido. 

A recepção crítica da época foi moderada, embora o filme tenha encontrado público e obtido um resultado comercial positivo. O crítico Frank S. Nugent, do The New York Times, considerou a produção uma comédia romântica leve, mas pouco envolvente, enquanto a atuação de May Robson recebeu elogios particulares. A revista Time, em sua avaliação publicada em novembro de 1937, também demonstrou reservas quanto à interpretação de Flynn, apesar de reconhecer a premissa curiosa da história. Segundo registros financeiros da Warner Bros., o filme arrecadou aproximadamente US$ 1,28 milhão mundialmente, diante de um orçamento estimado em US$ 505 mil, um resultado comercial favorável para a produção. Embora não tenha alcançado a mesma notoriedade de outros trabalhos da dupla formada por Flynn e Curtiz, O Homem Perfeito permanece como um título interessante da filmografia dos dois artistas. A obra também permite observar o funcionamento das comédias românticas produzidas pelos grandes estúdios americanos durante a década de 1930, com suas histórias de diferenças sociais, conflitos familiares e personagens que precisam romper convenções para encontrar a própria identidade. Para os admiradores de Errol Flynn, o filme representa uma curiosa oportunidade de conhecer uma faceta menos aventureira do ator, enquanto sua parceria com Joan Blondell proporciona boa parte do charme e da leveza da narrativa.

Erick Steve. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Aconteceu Naquela Noite

 Aconteceu Naquela Noite
Clássico do cinema dirigido pelo mestre Frank Capra. Ellie (Claudette Colbert) é uma jovem rica e mimada que vive em atrito com seu pai dominador. Herdeira de uma das maiores fortunas familiares dos Estados Unidos, seu pai deseja que ela se case com um jovem fino e elegante da alta sociedade. Ela não aceita. Para irritá-lo mais ainda, Ellie decide se casar às escondidas com um playboy fútil e frívolo. A ofensa faz com que seu pai consiga através de seu poder e dinheiro anular o casamento, mas Ellie não se dá por vencida e decide fugir, ganhar o mundo para conhecer como vivem as pessoas comuns. Assim acaba conhecendo Peter (Clark Gable), um jovem repórter desempregado, que deseja usar sua história para ganhar as manchetes dos grandes jornais. A aproximação entre eles logo se revela mais interessante do que Ellie inicialmente pensava. Frank Capra foi um dos grandes cineastas da história de Hollywood. Ele foi figura de destaque dentro do cinema americano durante a grande depressão. O diretor entendeu a complicada situação em que o país vivia, com muita miséria e desemprego, e decidiu filmar produções com temáticas positivas, para levantar o moral do povo americano. Assim seus filmes ficaram bem queridos pela nação, pois injetavam otimismo e confiança no futuro para todos aqueles que sofriam os terríveis efeitos da depressão econômica.

"Aconteceu Naquela Noite" é até hoje muito lembrado. Na verdade é um filme leve, uma comédia romântica muito bem escrita que apresenta ótimos diálogos (alguns bem ousados para os anos 30) e um delicioso "duelo" em cena entre os mitos Clark Gable e Claudette Colbert. Ela está perfeita em sua caracterização de garota moderna, que era muito popular entre as feministas daqueles tempos. Curiosamente o filme também mostrou o poder que Hollywood poderia exercer no mundo da moda e dos costumes. Nos anos 30 era padrão entre os homens americanos o uso de duas camisas - uma interna e outra por fora. Pois bem, em determinada cena de "It Happened One Night" Gable retira sua camisa e revela o peito nu para Claudette Colbert, mostrando que ele não usava duas camisas.

O momento considerado quase pornográfico pelos padrões morais dos anos 30 acabou virando sensação e moda pois da noite para o dia o americano médio aboliu também sua camisa interna - numa clara demonstração de que o cinema também poderia ditar as regras da moda. Clark Gable, que já era um grande galã, virou símbolo máximo da sensualidade e ousadia. Esse filme aliás foi seu segundo maior sucesso de bilheteria, ficando atrás apenas de "E o Vento Levou" que se tornaria por décadas o maior sucesso de bilheteria de todos os tempos. Quem diria que uma simples camisa iria fazer tanta diferença...

Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night, Estados Unidos, 1934) Estúdio: Columbia Pictures / Direção: Frank Capra / Roteiro: Robert Riskin, Samuel Hopkins Adams / Elenco: Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connolly, Roscoe Karns, Jameson Thomas, Alan Hale / Sinopse: Jovem rica e mimada se envolve com um homem comum, da classe trabalhadora, deixando seu pai muito iritado. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor filme, melhor ator (Clark Gable), melhor atriz (Claudette Colbert), melhor direção (Frank Capra) e melhor roteiro adaptado (Robert Riskin).

Pablo Aluísio.

Quando o Diabo Atiça

Título no Brasil: Quando o Diabo Atiça
Título Original: Forsaking All Others
Ano de Produção: 1934
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: W.S. Van Dyke
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, Frank Cavett
Elenco: Robert Montgomery, Joan Crawford, Clark Gable, Charles Butterworth, Billie Burke
  
Sinopse:
Dillon Todd (Robert Montgomery) acaba abandonando sua noiva Mary Clay (Joan Crawford) no altar. Ele, que sempre teve dúvidas sobre esse casamento, resolve seguir a voz do coração, indo atrás de sua grande paixão do passado, Connie. Mary por sua vez fica arrasada, mas resolve seguir em frente com sua vida. Tentado reconstruir sua vida sentimental ela acaba conhecendo Jeff Williams (Clark Gable) que, interessado por ela, resolve cortejá-la. O problema é que Mary ainda ama Dillon e esse, ao que tudo indica, parece estar arrependido pelo que fez. E agora, com quem Mary decidirá ficar?

Comentários:
A história desse filme é bem curiosa. O romance foi escrito para ser uma novela de rádio. Teve tanto sucesso em sua transmissão que acabou virando uma peça de teatro. Depois foi finalmente adaptada para o cinema. O primeiro filme lançado nos cinemas foi justamente esse aqui. Esqueça o esquisito (e até divertido) título nacional. Essa produção da MGM nos distantes anos 1930, captura bem um enredo que no fundo não passa de uma paródia de costumes, tentando até mesmo fazer graça de situações potencialmente mais dramáticas. Um dos destaques do filme, como não poderia deixar de ser, vem do elenco. Embora fosse estrelado pelo galã relutante Robert Montgomery, o grande nome do elenco é mesmo Clark Gable. Nessa época ele ainda não tinha se tornado o mito que viria a ser, principalmente após atuar no grande clássico "E o Vento Levou", mas já era um galã de renome. Desfilando seu tipo característico, ele encontrou uma parceira de cena à altura: a diva Joan Crawford. Essa atriz, que anos depois seria alvo de várias biografias que de certo modo procuravam destruir sua imagem perante o público, tem aqui uma de suas atuações mais marcantes. Joan Crawford era naturalmente glamorosa e mesmo quando atuava em personagens que não exigiam toda essa pompa, jamais de despia completamente de sua figura de grande estrela de cinema. Assim temos um dos mais interessantes filmes do cineasta W.S. Van Dyke. A conclusão final é que apesar da passagem do tempo os relacionamentos entre homens e mulheres não mudaram tanto assim! Continuam problemáticos, com desencontros, brigas e reconciliações improváveis. Igual na vida real. Em certos aspectos continuam como sempre foram, o que sempre dá farto material a ser explorado por livros e filmes românticos. Assista e confira.

Pablo Aluísio.

Almas Pecadoras

Título no Brasil: Almas Pecadoras
Título Original: Laughing Sinners
Ano de Produção: 1931
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Harry Beaumont
Roteiro: Kenyon Nicholson, Bess Meredyth
Elenco: Joan Crawford, Clark Gable, Neil Hamilton

Sinopse:
Ivy 'Bunny' Stevens (Joan Crawford) e Howard 'Howdy' Palmer (Neil Hamilton) vivem um relacionamento turbulento. O sujeito não é muito honesto, nem em relação ao mundo dos negócios e nem em relação ao seu relacionamento com a namorada. Após o estouro da guerra, ela resolve entrar para o exército da salvação, para ajudar no tratamento de soldados feridos pelo conflito. Lá acaba conhecendo o oficial Carl Loomis (Clark Gable), que irá mexer com seu coração indeciso.

Comentários:
Mais um filme de romance com um dos maiores galãs da história de Hollywood, Clark Gable. O roteiro se baseia no velho conceito de triângulo amoroso, onde a mocinha fica em dúvida se volta para seu antigo namorado, um sujeito indigesto e um tanto quanto mau-caráter, ou se casa com um oficial cheio de virtudes e honras, embora ela fique sempre em dúvida se o ama de verdade. Joan Crawford sempre foi uma atriz com uma personalidade muito forte, dentro e fora das telas. Aqui ela chega a ofuscar completamente seus parceiros de cena, isso porque o roteiro, baseado na peça escrita por Kenyon Nicholson, é centrado mesmo em sua personagem, a indecisa Ivy Stevens. Assim ela domina tudo, da primeira à última cena. Curiosamente não conseguiu uma indicação ao Oscar por sua atuação o que daria origem a décadas de indisposição com os membros da academia. Muito se dizia na época que ela poderia até ser uma grande atriz, mas não conseguia votos por causa de sua antipatia natural com os colegas de profissão. De qualquer maneira essa é um boa oportunidade para conhecer seu trabalho como intérprete que, a despeito das fofocas de bastidores, era realmente de alto nível.

Pablo Aluísio.

Triunfos de Mulher

Título no Brasil: Triunfos de Mulher
Título Original: Night Nurse
Ano de Produção: 1931
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Grace Perkins, Oliver H.P. Garrett
Elenco: Barbara Stanwyck, Ben Lyon, Clark Gable, Joan Blondell
  
Sinopse:
Lora Hart (Barbara Stanwyck) é uma jovem que começa a trabalhar como enfermeira em um grande hospital de Nova Iorque. Aos poucos porém ela descobre um sinistro plano para assassinar duas crianças, que estão seriamente doentes. Ao lado de um perito criminal ela busca provas para incriminar os verdadeiros criminosos.

Comentários:
Bom filme de suspense que elege como heroína de seu enredo uma enfermeira que, trabalhando no período noturno em um hospital, descobre haver um terrível plano envolvendo a morte de duas crianças que estão internadas lá. Inicialmente seria um projeto envolvendo o ator James Cagney que faria o papel de Nick. Depois do sucesso de bilheteria de "Inimigo Público" ele entendeu que o filme já não lhe interessava mais. Assim o roteiro foi reescrito para dar maior importância dentro da trama para a personagem Lora Hart (interpretada por Barbara Stanwyck). Nick então foi dado para Clark Gable interpretar, ainda dando os primeiros passos em sua carreira. O filme também sofreu alguns cortes por ordem do produtor Jack L. Warner que considerou a primeira versão do diretor William A. Wellman muito "perturbadora". O que sobrou de tudo isso foi um enredo que prende atenção até o fim, porém a sensação de que poderia ir mais longe fica sempre presente, até mesmo levando em conta os padrões morais da época.

Pablo Aluísio.

Filmografia Selecionada Clark Gable

Filmografia Selecionada Clark Gable:

Década de 1930:
Triunfos de Mulher
Almas Pecadoras
Amor de Dançarina
Aconteceu Naquela Noite
Quando o Diabo Atiça
O Grito da Selva
Mares da China
O Grande Motim
Ciúmes
San Francisco, a Cidade do Pecado
Cain e Mabel
Do Amor Ninguém Foge
Parnell - O Rei Sem Coroa
Saratoga
Piloto de Provas
Sob o Céu dos Trópicos
Este Mundo Louco
... E O Vento Levou

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Chaga de Fogo

Título no Brasil: Chaga de Fogo
Título Original: Detective Story
Ano de Lançamento: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: William Wyler
Roteiro: Philip Yordan, Robert Wyler
Elenco: Kirk Douglas, Eleanor Parker, William Bendix, Cathy O'Donnell, George Macready, Horace McMahon

Sinopse:
O filme mostra um dia de trabalho na vida de um investigador de uma delegacia de polícia em Nova Iorque. Ao longo do dia ele precisa lidar com uma série de criminosos diversos. O jovem que roubou do próprio patrão para gastar com sua namorada fútil. O médico rico e renomado que fazia abortos. Uma dupla de arrombadores de apartamentos e até mesmo uma garota, pega no flagra, roubando uma loja de departamentos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção e melhor roteiro. 

Comentários:
Um bom clássico da carreira do ator Kirk Douglas. A primeira coisa que me chamou a atenção foram as longas tomadas de cena. Como a história se passa toda dentro de uma delegacia de polícia os eventos vão acontecendo ao mesmo tempo e praticamente não há cortes de edição. Quase um teatro filmado. Mostra bem como o elenco era bom, mesmo em grandes sequências eles não perdiam o fio da meada e nem esqueciam os extensos diálogos. Como destaque e não poderia ser diferente, temos um talentoso Kirk Douglas. Ele interpreta um daqueles detetives durões dos filmes antigos. O tempo todo ele precisa ser parado por seu superior pois sua vontade seria a de acertar socos certeiros na cara de todos aqueles criminosos que pegou. E no final ele acaba descobrindo que sua própria esposa estaria envolvida nos crimes de um médico de uma clínica clandestina de aborto. O detalhe cruel é que ele nem sabia disso e o filho era de outro homem! Claro que sua casa cai depois disso. Um filme realmente muito bom, valorizado pelo final trágico que surpreendeu muita gente na época. Mesmo com todo o moralismo machista da época, o filme ainda se sustenta muito bem nos dias de hoje! 

Pablo Aluísio.