segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Príncipe Encantado

Título no Brasil: O Príncipe Encantado
Título Original: A Date with Judy
Ano de Lançamento: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Dorothy Kingsley, baseado na série radiofônica de Alec Wyman
Elenco: Jane Powell, Wallace Beery, Elizabeth Taylor, Carmen Miranda, Robert Stack, Scotty Beckett, Selena Royle e Leon Ames.
Duração: 113 minutos.

Sinopse:
A Date with Judy é uma comédia musical juvenil ambientada em uma típica família americana de classe média. A protagonista, Judy Foster, interpretada por Jane Powell, é uma adolescente romântica que vive preocupada com seu relacionamento com Oogie Pringle, vivido por Scotty Beckett. Ao mesmo tempo, Judy acredita que seu namorado pode estar interessado em outras garotas e começa a alimentar uma série de ciúmes e mal-entendidos. Seu pai, Melvyn Foster, interpretado por Wallace Beery, é um homem de personalidade forte que mantém uma relação bastante complicada com sua esposa, Dora, e com os filhos. Elizabeth Taylor interpreta Carol Pringle, uma jovem elegante e sofisticada que se torna uma espécie de rival de Judy e acrescenta uma nova dimensão aos conflitos amorosos da história. O filme também conta com uma participação muito especial de Carmen Miranda, cuja presença proporciona alguns dos momentos musicais mais exuberantes da produção. Misturando romance adolescente, conflitos familiares, números musicais e humor, o longa representa perfeitamente o estilo das comédias juvenis produzidas pela MGM no período.

Comentários:
Embora muitas referências atuais indiquem 1947 por causa do período de produção, A Date with Judy foi efetivamente lançado nos Estados Unidos em julho de 1948. A produção nasceu da popularidade da série radiofônica homônima e recebeu da MGM o tratamento luxuoso característico de suas grandes comédias musicais. A crítica americana teve uma reação bastante favorável ao entretenimento oferecido pelo filme. A Variety destacou Jane Powell como uma das grandes forças da produção e elogiou a combinação entre humor familiar, romance adolescente e música. O The New York Times, embora considerasse a história leve e pouco sofisticada, reconheceu o excelente trabalho do elenco e a eficiência da MGM em transformar uma série radiofônica em um espetáculo cinematográfico colorido. Elizabeth Taylor, com apenas 16 anos, recebeu atenção especial por sua elegância e presença de tela, mesmo tendo um papel secundário. A jovem atriz já começava a demonstrar a qualidade fotogênica que futuramente faria dela uma das maiores estrelas de Hollywood. Robert Stack também chamava atenção como o jovem amor de Carol, enquanto Wallace Beery era responsável por boa parte do humor adulto. Entretanto, o grande destaque popular foi Carmen Miranda, que aparece em números musicais exuberantes e praticamente rouba algumas das cenas em que participa.

Com o passar dos anos, A Date with Judy passou a ser lembrado principalmente como um produto típico da Hollywood musical do final dos anos 1940. Críticos modernos observam que sua história é simples e bastante convencional, mas reconhecem o valor histórico da produção como retrato dos filmes juvenis e musicais da MGM. A Turner Classic Movies destaca particularmente a presença de Elizabeth Taylor e Carmen Miranda, duas artistas que, embora em momentos completamente diferentes de suas carreiras, conferem ao filme uma importância especial para os admiradores do cinema clássico. Taylor ainda estava construindo sua imagem como atriz adolescente, poucos anos antes de alcançar o estrelato absoluto com Um Lugar ao Sol e Assim Caminha a Humanidade. Carmen Miranda, por sua vez, já era uma estrela internacional e uma das artistas latino-americanas mais conhecidas de Hollywood. O filme também é lembrado pela fotografia em Technicolor, pelos figurinos e pelos números musicais elaborados, características que ajudaram a MGM a manter sua posição dominante no gênero. Hoje, A Date with Judy é considerado um entretenimento leve e nostálgico, particularmente interessante para os fãs de Elizabeth Taylor em sua juventude e para aqueles que desejam conhecer a tradição das comédias musicais adolescentes produzidas pelos grandes estúdios americanos durante a Era de Ouro de Hollywood.

Erick Steve. 

Nossa Vida com Papai

Título no Brasil: Nossa Vida com Papai
Título Original: Life with Father
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Donald Ogden Stewart, baseado nas memórias de Clarence Day e na peça teatral de Howard Lindsay e Russel Crouse
Elenco: William Powell, Irene Dunne, Elizabeth Taylor, Edmund Gwenn, ZaSu Pitts, Jimmy Lydon, Martin Milner, Johnny Calkins e Derek Scott.
Duração: 118 minutos.

Sinopse:
Ambientado em Nova York no final do século XIX, Nossa Vida com Papai acompanha Clarence Day, um bem-sucedido corretor da Bolsa que acredita ser a autoridade máxima dentro de sua casa. Interpretado por William Powell, Clarence é um homem autoritário, temperamental e cheio de opiniões sobre praticamente tudo, especialmente sobre a maneira como sua família deve viver. Sua esposa, Vinnie, interpretada por Irene Dunne, entretanto, conhece perfeitamente o marido e consegue administrar seus acessos de irritação com inteligência e delicadeza. O casal vive com seus quatro filhos, e a rotina doméstica transforma-se em uma sucessão de situações cômicas envolvendo dinheiro, empregados, educação, religião e relacionamentos. Elizabeth Taylor interpreta Mary Skinner, uma jovem que se torna amiga da família e desperta o interesse romântico de um dos filhos de Clarence. Um dos conflitos centrais surge quando Clarence percebe que sua família pertence a uma tradição religiosa diferente da de Mary e decide que determinadas questões precisam ser resolvidas. A história transforma os pequenos acontecimentos da vida doméstica em uma divertida observação dos costumes da classe média alta nova-iorquina da época.

Comentários:
Nossa Vida com Papai foi um grande sucesso da Warner Bros. e recebeu uma recepção crítica predominantemente positiva em 1947. A produção adaptava uma peça da Broadway extremamente popular, por sua vez baseada nas memórias humorísticas de Clarence Day, e Michael Curtiz procurou preservar no cinema o espírito de comédia familiar da obra original. O The New York Times foi particularmente favorável, destacando que o filme conseguia transportar para o Technicolor o charme, o humor e o sentimentalismo delicado da peça. A Variety também elogiou William Powell e Irene Dunne, observando que os dois conseguiam preservar boa parte do encanto da produção teatral e que o humor derivado da personalidade autoritária de Clarence continuava funcionando muito bem. A TV Guide, em avaliação posterior, foi ainda mais entusiasmada com Powell, classificando sua interpretação do patriarca como "magnificent" e destacando também as contribuições de Elizabeth Taylor, Martin Milner, Jimmy Lydon e Edmund Gwenn. Elizabeth Taylor tinha apenas 15 anos e estava começando a se estabelecer como uma das grandes jovens promessas da MGM; seu papel é secundário, mas sua presença já demonstra o extraordinário magnetismo que posteriormente a transformaria em uma das maiores estrelas de Hollywood. A própria Turner Classic Movies destaca que Life with Father foi um dos trabalhos que Taylor realizou como atriz jovem antes de sua consolidação definitiva como estrela.

A recepção, contudo, não foi totalmente uniforme. A The New Yorker, em crítica atribuída a Pauline Kael em retrospectiva, mostrou-se muito mais fria e considerou a adaptação excessivamente cuidadosa e pouco cinematográfica, argumentando que Michael Curtiz parecia fora de seu elemento diante do material teatral. Essa divergência é interessante porque evidencia justamente uma característica do filme: seu maior mérito está nos atores, nos diálogos e na reprodução do ambiente doméstico, e não em uma linguagem cinematográfica particularmente ousada. William Powell domina a produção com uma atuação cômica extremamente precisa, enquanto Irene Dunne funciona como seu contraponto perfeito. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Ator para Powell, Fotografia em Cores, Direção de Arte em Cores e Trilha Sonora. A produção também foi importante para a Warner Bros. por demonstrar que uma comédia familiar de época poderia obter grande sucesso utilizando o então luxuoso Technicolor. Décadas depois, sua reputação permaneceu sólida: atualmente, Nossa Vida com Papai possui 92% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, com 13 avaliações. Para os admiradores de Elizabeth Taylor, o filme possui ainda um valor especial por registrar a atriz muito jovem, poucos anos depois de A Coragem de Lassie e National Velvet, em uma fase anterior à transformação na estrela internacional que se tornaria durante os anos 1950 e 1960.

Erick Steve.

As Delícias da Vida

Título no Brasil: As Delícias da Vida
Título Original: Cynthia
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Robert Z. Leonard
Roteiro: Harold Buchman e Charles Kaufman, baseado na peça The Rich, Full Life, de Viña Delmar
Elenco: Elizabeth Taylor, Mary Astor, George Murphy, S. Z. Sakall, Gene Lockhart, Spring Byington e James Lydon.
Duração: 98 minutos.

Sinopse:
Cynthia acompanha Cynthia Bishop, uma adolescente tímida e fisicamente frágil, interpretada por Elizabeth Taylor quando tinha apenas 14 anos durante as filmagens. Extremamente protegida pelos pais, Larry e Louise Bishop, Cynthia cresceu acreditando que sua saúde delicada a impedia de levar uma vida normal. Seus pais, principalmente o pai, desenvolvem uma preocupação exagerada com sua condição e procuram evitar qualquer situação que possa representar esforço físico ou emocional. A chegada da adolescência, entretanto, faz com que Cynthia comece a desejar independência, amizades e experiências próprias de sua idade. Na escola, ela descobre uma paixão pela música e recebe a oportunidade de participar de uma apresentação musical. Ao mesmo tempo, apaixona-se pelo colega Ricky Latham, que a incentiva a enfrentar suas inseguranças. Quando seus pais tentam impedir que participe da apresentação, Cynthia decide desafiar a proteção excessiva que sempre marcou sua vida. A experiência transforma-se, assim, em uma história de amadurecimento, na qual a jovem precisa conquistar não apenas a aprovação dos outros, mas principalmente a confiança em si mesma.

Comentários:
Quando Cynthia chegou aos cinemas em 1947, Elizabeth Taylor já era uma jovem atriz em ascensão dentro da Metro-Goldwyn-Mayer, e o filme ajudou a consolidar sua imagem como uma das grandes promessas juvenis de Hollywood. A crítica americana, entretanto, recebeu a produção de maneira bastante dividida. O The New York Times, através de Bosley Crowther, foi bastante severo e classificou o filme como um produto excessivamente artificial da MGM, embora reconhecesse a simpatia de Elizabeth Taylor. A revista TIME teve uma avaliação mais equilibrada: considerou que a história funcionava melhor quando retratava os pequenos conflitos da adolescência e as dificuldades familiares, fazendo uma comparação favorável com o escritor Booth Tarkington. Ao mesmo tempo, a publicação criticou algumas das situações cômicas consideradas exageradas e previsíveis. Já Howard Barnes, do New York Herald Tribune, foi muito mais entusiasmado com Elizabeth Taylor, escrevendo que a jovem atriz realizava um trabalho brilhante no papel-título e interpretava sua personagem com "grave encanto". Essa diferença de opiniões demonstra que, embora o filme não fosse considerado uma grande produção da MGM, havia um consenso de que Taylor possuía uma presença cinematográfica extraordinária para sua idade.

Com o passar das décadas, Cynthia passou por uma interessante reavaliação. O filme, que originalmente era visto sobretudo como uma produção juvenil e sentimental da MGM, passou a despertar maior interesse justamente por registrar Elizabeth Taylor em uma etapa muito importante de sua carreira. A Turner Classic Movies observa que a interpretação da atriz e a de Mary Astor receberam elogios dos críticos contemporâneos, enquanto retrospectivamente o crítico britânico Alexander Walker classificou Cynthia como um dos triunfos injustamente esquecidos de Taylor, destacando sua delicadeza, simpatia e afirmação de independência. A relação entre Cynthia e sua mãe, interpretada por Mary Astor, é particularmente importante para o filme, pois transforma a história em um drama sobre proteção parental e amadurecimento. O longa também possui valor histórico por registrar uma das primeiras grandes atuações de Elizabeth Taylor como protagonista adolescente. Comercialmente, a produção foi lucrativa para a MGM: os registros do estúdio apontam receitas de aproximadamente US$ 1,206 milhão nos Estados Unidos e Canadá e US$ 442 mil em outros mercados, resultando em lucro de cerca de US$ 280 mil. Hoje, Cynthia é considerado um filme menor, porém charmoso, da Hollywood clássica, e sobretudo um documento precioso da formação artística de Elizabeth Taylor antes de sua transformação em uma das maiores estrelas do cinema mundial.

Erick Steve. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Os Filmes de Vivien Leigh - Parte 1

Vivien Leigh nasceu em Darjeeling, na época uma província do império britânico na distante e exótica Índia. Seus pais estavam a trabalho por lá. Depois de algum tempo retornaram finalmente a Londres, onde Vivien desde cedo mostrou muita vocação para as artes, especialmente para a arte dramática. Assim ela estudou por vários anos para ser atriz, frequentando alguns dos melhores cursos de teatro de Londres.

Durante muitos anos o teatro foi o centro de sua carreira de atriz e só aos 22 anos ela fez seu primeiro filme chamado "The Village Squire", uma pequena produção inglesa dirigida pelo cineasta Reginald Denham. O roteiro do filme era baseado numa peça teatral escrita pelo dramaturgo Arthur Jarvis Black e contava a singela história de uma pequena vila no interior da Inglaterra que via sua rotina mudar completamente com a chegada de uma grande estrela de cinema.

Como era de se esperar os primeiros filmes de Vivien Leigh foram todos rodados na Inglaterra, sua terra natal. Hollywood ainda parecia uma realidade distante nesses seus primeiros trabalhos no cinema. Em 1935, ano em que estreou nas telas, ela atuou em quatro produções distintas, todas produções modestas de estúdios locais. "Look Up and Laugh", seu segundo filme, foi uma comédia. Era uma experiência bem nova para Leigh que sempre havia direcionado seus estudos para o drama, não para o humor. Esse filme aliás é um caso raro dentro da sua filmografia pois a atriz não tinha muita vocação para esse tipo de roteiro. Anos depois lembrando de sua participação nesse filme ela confessou: "Eu não nasci para as comédias, definitivamente não!"

Essa percepção iria ficar ainda mais forte em seu filme seguinte, intitulado "Things Are Looking Up". Leigh interpretava uma colegial nesse filme muito leve, simples, de conteúdo familiar. Serviu para ganhar alguma experiência, porém não foi algo muito importante. No quarto filme em que participou "Gentlemen's Agreement" de George Pearson, ela ouviu um conselho desse diretor dizendo a ela que deveria ir para os Estados Unidos, onde haveria certamente maiores oportunidades para sua carreira de atriz. Ficar na Inglaterra iria limitar seus objetivos. Ela ouviu atentamente o que Pearson lhe aconselhou e começou então a planejar sua viagem para Hollywood. Quem sabe poderia dar certo por lá.

Pablo Aluísio. 

Os Filmes de Vivien Leigh - Parte 2

O filme que fez Hollywood se interessar por Vivien Leigh foi o drama histórico "Fogo Por Sobre a Inglaterra", que se passava nos tempos do reinado da Rainha Elizabeth I. Vivien ficou extremamente bem no filme, com roupas de época. Ela ainda era bem jovem e sua imagem chamou a atenção dos grandes estúdios americanos. O fato desse filme inglês ser exibido nos cinemas dos Estados Unidos serviu como um cartão de visitas da atriz no outro lado do Atlântico.

Esse filme também foi um marco na vida pessoal da atriz pois ela conheceu o ator Laurence Olivier com quem iria se casar futuramente. O fato de ambos serem atores, lutando pela carreira em Londres na pequena indústria cinematográfica local, acabou servindo de atração entre eles. O romance não demorou muito a acontecer, até porque Vivien se sentia bem solitária nos primeiros dias na capital britânica. Seus familiares e amigos ficaram no interior e em Londres ela precisou formar um novo círculo de amigo. Era uma nova vida que começava para ela.

O filme seguinte na carreira de Vivien Leigh foi um filme de espionagem, passado durante a primeira guerra mundial, chamado "Jornada Sinistra". A atriz interpretava uma personagem chamada Madeleine Goddard. Ela era uma espiã francesa em Londres que acabava se apaixonando por um espião alemão, seu inimigo no conflito. O Barão Karl Von Marwitz era interpretado pelo ator Conrad Veidt. Esse filme foi lançado em 1937, dois anos antes da eclosão da II Guerra Mundial. Hitler já estava no poder na Alemanha, mas poucos ainda sabiam que uma nova guerra, pior ainda do que a anterior, estava prestes a varrer a Europa mais uma vez. Para Vivien foi algo até perturbador fazer esse filme, principalmente pelas coisas que estavam prestes a acontecer, com bombardeios alemães diários em Londres, algo que ela própria iria vivenciar.

Nesse mesmo ano Vivien ainda iria atuar em uma comédia romântica bem leve chamada "Tempestade Num Copo D'Água". Ela interpretava uma jornalista investigativa de nome Victoria Gow. Quando o filme começa ela parte em busca de histórias indiscretas envolvendo um figurão da política, mas de forma irônica acabava se apaixonando por ele. O curioso sobre esses três últimos filmes de Leigh é que os três foram lançados no Brasil também, demonstrando que ela já era uma artista conhecida em nosso país, antes mesmo da explosão de "E O Vento Levou...". Vivien ainda não era uma grande estrela, algo que só iria acontecer mesmo com o lançamento desse épico americano, considerado por muitos como um dos maiores filmes de todos os tempos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto IV

O último ano de Marilyn Monroe - O último ano da vida de Marilyn Monroe foi bem turbulento. Ela resolveu se livrar de coisas e pessoas que não estavam lhe fazendo bem. Por recomendação de seu terapeuta Marilyn resolveu que pela primeira vez em sua vida iria comprar uma casa própria. A atriz viveu toda a sua vida alugando e sendo despejada de apartamentos de Los Angeles e seu psicólogo lhe disse que isso criou nela uma espécie de trauma, onde seu subconsciente lhe passava a mensagem subliminar de que ela na verdade não pertencia a lugar nenhum e nem tinha raízes seguras onde se fixar. Marilyn gostou da explicação e comprou uma bela casa nos arredores da cidade - nada luxuoso ou extravagante, mas acima de tudo aconchegante. Conformou confessou a um repórter adorou a sensação de ser dona de sua própria casa, onde poderia ficar como bem entendesse, totalmente à vontade.

Como o casamento também vinha de mal a pior Marilyn resolveu despachar seu marido, o escritor Arthur Miller. Marilyn havia se apaixonado por ele principalmente por ser uma pessoa culta que passava uma imagem paterna para ela. Na vida a dois Marilyn porém se decepcionou completamente com ele. Miller caiu em um ostracismo incrível na carreira onde não produzia ou escrevia mais nada que fosse relevante ou elogiado. Além disso se mostrou totalmente submisso a esposa, carregando suas malas para cima e para baixo. Nos últimos meses Miller havia virado praticamente um empregado de Marilyn e isso a deixou completamente decepcionada com ele. Marilyn queria um homem de verdade ao seu lado, não um capacho, um verme que dizia sim a praticamente tudo o que ele queria ou mandava. Não demorou muito e Marilyn o mandou embora de sua vida, dizendo que além de ser um banana ele havia se revelado um tremendo de um chato!

Marilyn na verdade estava mirando nos irmãos Kennedy. Seria uma reviravolta e tanto em sua vida se ela conseguisse conquistar Bob ou então tivesse a chance de emplacar um romance com o próprio presidente dos Estados Unidos, JFK! Não seria o máximo se tornar a primeira dama do país depois de brilhar por tantos anos no mundo do cinema? Isso tudo porém não passava de um delírio de Marilyn já que nenhum deles estava disposto a colocar a carreira política em jogo por causa de Marilyn e suas loucuras. De qualquer forma Marilyn estava pelo menos respirando ares novos em sua vida. Uma sensação de mudança a tinha deixado de melhor humor a tal ponto que convidou o fotógrafo George Burns para tirar algumas fotos de seu novo lar para a capa de uma revista de decoração. A foto acima, por exemplo, foi tirada apenas seis semanas antes de sua morte.

Nas fotos Marilyn surgia feliz e sorridente porém os velhos fantasmas do passado ainda a incomodavam. Marilyn tinha dois grandes receios na vida, o primeiro era terminar louca como sua mãe, internada em uma instituição psiquiátrica. Muitos parentes de Marilyn tinham desenvolvido problemas mentais no passado de sua família e ela tinha pavor de também começar a apresentar sinais de insanidade. O segundo grande medo de sua vida era terminar sozinha seus dias, sem marido ou filhos. Por ter feito muitos abortos na juventude, Marilyn sabia que agora com mais de 30 anos o sonho da maternidade ficava cada vez mais distante. Isso a deixava deprimida, principalmente nas noites solitárias. E foi justamente numa noite dessas, na privacidade de seu quarto, ouvindo um disco de Frank Sinatra, que ela finalmente encontraria a paz que tanto desejava.

Pablo Aluísio.

O Que Pode um Beijo

O que Pode um Beijo
Mais um faroeste B na filmografia de Marilyn Monroe. Nessa época ela ainda era bem jovem e estava tentando seu lugar so sol em Hollywood. Como era uma jovem bonita, foi escalada para fazer parte do elenco de apoio, no grupo de belas coristas de um saloon. Embora já tivesse adotado aquela imagem de Marilyn que todos conhecemos, achei seu visual meio estranho nesse filme, tudo por causa de uns cachinhos dourados que fizeram em seu cabelo. Ficou bem fora da casinha, um penteado meio mal feito. Não caiu bem. 

Em termos de história esse western contava mais uma história da expansão das ferrovias rumo ao oeste selvagem. Esses trens antigos mudaram a história dos Estados Unidos, mas não eram bem vistos por todos. A ferrovia significava a modernidade e muitos odiavam isso, fazendo muitas vezes operações de sabotagens nas ferrovias, o que colocava em risco a própria vida dos passageiros. No caso desse filme era justamente isso que acontecia. Bandidos contratados por donos de diligências tentando sabotar as linhas de trens que seguiam rumo ao oeste. 

O que Pode um Beijo (A Ticket to Tomahawk, Estados Unidos, 1950) Direção: Richard Sale / Roteiro: Mary Loos, Richard Sale / Elenco: Dan Dailey, Anne Baxter, Rory Calhoun, Walter Brennan, Marilyn Monroe / Sinopse: Primeiro filme da atriz Marilyn Monroe na década de 1950. Ainda em papel bem secundário, ela interpretava uma bailarina de saloon nesse filme de faroeste B de Hollywood. 

Pablo Aluísio. 

Loucos de Amor

Loucos de Amor
Depois da euforia do filme anterior Marilyn Monroe desceu um degrau na carreira. Não que fosse um filme ruim, nada disso, mas que não iria abrir maior espaço para ela que teria que novamente interpretar o papel de uma loira burra e gostosa. Era uma comédia maluca dos Irmãos Marx, então não haveria mesmo oportunidade para Marilyn Monroe mostrar muita coisa no meio dessa confusão divertida. Tudo no roteiro havia sido escrito para que os Irmãos Marx brilhassem em cena com seu humor. Para Marilyn só sobrou fazer mais um extra baseado apenas em sua beleza. 

Revisto hoje em dia esse filme entretanto serve para uma constatação de que Marilyn tinha mesmo jeito para a comédia e o humor, algo que seria explorado em seus primeiros filmes de estrela de Hollywood. Ela era certamente uma garota bonita, todos sabiam disso, mas ainda assim esbanjava talento para cenas de humor. E essa pode ser considerada a primeira experiência da atriz nesse estilo cinematográfico, algo que ela soube muito bem explorar dede o começo de sua filmografia. 

Loucos de Amor (Love Happy, Estados Unidos, 1949) Direção: David Miller / Roteiro: Frank Tashlin, Mac Benoff, Harpo Marx / Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Marilyn Monroe,  Ilona Massey / Sinopse: Os irmãos Marx vão para a Broadway e criam todos os tipos de confusões no meio teatral de Nova Iorque. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

007 Contra Goldfinger

007 Contra Goldfinger
007 Contra Goldfinger (Goldfinger) foi lançado em 17 de setembro de 1964 no Reino Unido e em 22 de dezembro de 1964 nos Estados Unidos. O filme foi dirigido por Guy Hamilton e representou o terceiro longa-metragem da série oficial de James Bond produzida pela Eon Productions. O roteiro foi escrito por Richard Maibaum e Paul Dehn, baseado no romance homônimo de Ian Fleming. O elenco principal reúne Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman, Harold Sakata, Shirley Eaton e Bernard Lee. Na história, o agente secreto James Bond recebe a missão de investigar o magnata do ouro Auric Goldfinger, suspeito de envolvimento em operações internacionais de contrabando. A investigação leva Bond a descobrir um plano audacioso para invadir Fort Knox e tornar inutilizáveis as reservas de ouro dos Estados Unidos, aumentando imensamente o valor das reservas particulares de Goldfinger. Para impedir a conspiração, Bond enfrenta o implacável vilão, seu guarda-costas Oddjob e uma série de armadilhas que se tornariam clássicas da franquia.

Quando estreou, 007 Contra Goldfinger recebeu uma recepção crítica extremamente positiva e foi considerado um enorme avanço em relação aos dois primeiros filmes da série. O The New York Times elogiou o equilíbrio entre ação, humor e sofisticação, afirmando que Sean Connery consolidava definitivamente sua imagem como James Bond. A revista Variety destacou a direção segura de Guy Hamilton e classificou o filme como "uma aventura de espionagem de primeira categoria". O Los Angeles Times elogiou especialmente o ritmo da narrativa, os cenários grandiosos e o carisma do elenco. Muitos críticos ressaltaram que Goldfinger definiu a fórmula clássica dos filmes de Bond: um vilão memorável, um plano de proporções gigantescas, carros equipados com tecnologia inovadora, belas locações internacionais, humor refinado e sequências de ação espetaculares. O consenso foi de que a franquia havia atingido um novo patamar de qualidade e popularidade.

Além do enorme sucesso de crítica, 007 Contra Goldfinger recebeu diversos reconhecimentos importantes. O filme conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Sonoros, tornando-se o primeiro da franquia James Bond a vencer um Prêmio da Academia. A canção-tema "Goldfinger", interpretada por Shirley Bassey e composta por John Barry, Leslie Bricusse e Anthony Newley, transformou-se em um dos temas musicais mais famosos da história da série. A interpretação de Gert Fröbe como Auric Goldfinger e a presença de Oddjob, vivido por Harold Sakata, também receberam elogios e ajudaram a criar dois dos vilões mais icônicos do cinema. Com o passar dos anos, o filme passou a figurar constantemente entre os melhores capítulos da franquia em listas elaboradas por críticos e fãs.

Do ponto de vista comercial, 007 Contra Goldfinger foi um fenômeno mundial. Produzido com um orçamento aproximado de US$ 3 milhões, arrecadou cerca de US$ 125 milhões em bilheteria mundial, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais da década de 1960. Nos Estados Unidos, foi um enorme êxito de público, enquanto no mercado internacional consolidou definitivamente James Bond como um fenômeno global da cultura popular. O filme também impulsionou a venda de produtos licenciados, popularizou o lendário Aston Martin DB5 equipado com dispositivos secretos e fortaleceu ainda mais o prestígio da franquia. O entusiasmo do público foi tão grande que muitos historiadores do cinema utilizam a expressão "Bondmania" para descrever o impacto cultural provocado por Goldfinger.

Hoje, 007 Contra Goldfinger é amplamente considerado um dos maiores filmes de espionagem de todos os tempos e, para muitos críticos e fãs, o melhor filme da era de Sean Connery como James Bond. Sua influência pode ser percebida em praticamente todos os longas posteriores da franquia, que passaram a repetir elementos estabelecidos por esta produção. O desempenho carismático de Sean Connery, a direção elegante de Guy Hamilton, a memorável trilha sonora de John Barry e a inesquecível sequência do raio laser apontado para Bond tornaram-se referências permanentes da cultura pop. Décadas após seu lançamento, Goldfinger continua sendo apontado como um dos filmes que definiram o gênero de espionagem moderno e permanece como um clássico absoluto do cinema de aventura.

007 Contra Goldfinger (Goldfinger, Reino Unido, 1964) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Richard Maibaum e Paul Dehn, baseado no romance Goldfinger, de Ian Fleming / Elenco: Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman, Harold Sakata, Shirley Eaton e Bernard Lee / Sinopse: James Bond investiga o poderoso Auric Goldfinger e descobre um plano para atacar Fort Knox, obrigando o agente 007 a enfrentar um dos vilões mais perigosos de sua carreira para impedir uma catástrofe econômica mundial.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Marnie, Confissões de uma Ladra

Marnie, Confissões de uma Ladra 
Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie) foi lançado em 22 de julho de 1964, dirigido por Alfred Hitchcock e baseado no romance homônimo de Winston Graham. O roteiro foi escrito por Jay Presson Allen. O elenco principal reúne Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham e Alan Napier. A trama acompanha Marnie Edgar, uma mulher traumatizada que vive assumindo falsas identidades para conseguir empregos temporários e roubar grandes quantias de dinheiro de seus patrões. Sua rotina muda quando é descoberta por Mark Rutland, um rico empresário que, em vez de denunciá-la, decide casar-se com ela. Aos poucos, Mark percebe que a esposa sofre de profundos traumas psicológicos ligados à infância e tenta descobrir o segredo que domina sua vida. O filme mistura suspense, drama psicológico e romance, explorando temas como culpa, repressão sexual, trauma e identidade.

Quando estreou, Marnie, Confissões de uma Ladra recebeu uma recepção crítica mista. O The New York Times elogiou a sofisticação visual de Hitchcock e a atmosfera de suspense, mas considerou que o roteiro nem sempre conseguia desenvolver satisfatoriamente os conflitos psicológicos da protagonista. A revista Variety destacou a direção segura de Hitchcock e a força da interpretação de Tippi Hedren, embora observasse que a narrativa poderia parecer excessivamente simbólica para parte do público. O Los Angeles Times reconheceu a ousadia do diretor ao abordar temas como trauma sexual e distúrbios psicológicos, mas apontou que algumas soluções dramáticas eram pouco convincentes. Muitos críticos da época esperavam um suspense mais próximo de Psicose ou Os Pássaros, o que contribuiu para uma recepção inicialmente menos entusiasmada. Ainda assim, praticamente todos reconheceram o domínio técnico de Hitchcock na construção das imagens e da tensão dramática.

Na época de seu lançamento, Marnie não recebeu indicações ao Oscar nem aos principais prêmios internacionais, fato que surpreendeu parte da crítica. Entretanto, diversos analistas elogiaram especialmente a interpretação de Tippi Hedren, considerada uma das mais complexas de sua carreira, e a presença carismática de Sean Connery, que filmou a produção logo após alcançar fama mundial como James Bond. Com o passar das décadas, estudiosos de cinema passaram a reavaliar o filme de forma muito mais positiva. Críticos da revista The New Yorker e pesquisadores da obra de Hitchcock destacaram que Marnie antecipou discussões modernas sobre saúde mental, abuso infantil e repressão psicológica, transformando-o em um dos trabalhos mais pessoais e ousados do diretor.

Do ponto de vista comercial, Marnie teve um desempenho modesto. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 3 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 7 milhões nas bilheterias mundiais. Embora tenha recuperado seu investimento, ficou abaixo do enorme sucesso alcançado por Psicose (1960) e Os Pássaros (1963). Parte do público estranhou o tom mais psicológico e menos voltado ao suspense tradicional. Ainda assim, o filme encontrou admiradores ao longo dos anos por meio das exibições na televisão, do mercado de vídeo doméstico e das restaurações promovidas por estúdios e cinematecas, conquistando uma reputação crescente entre cinéfilos.

Hoje, Marnie, Confissões de uma Ladra é considerado por muitos críticos um dos filmes mais subestimados de Alfred Hitchcock. A direção elegante, a fotografia de Robert Burks, a trilha sonora composta por Bernard Herrmann e, principalmente, a atuação de Tippi Hedren são frequentemente apontadas como grandes qualidades da obra. Embora alguns aspectos da narrativa sejam vistos atualmente como datados, especialmente na forma como o relacionamento entre Marnie e Mark é retratado, o filme continua sendo objeto de estudos acadêmicos por sua abordagem da psicologia humana e pela riqueza de sua linguagem visual. Atualmente, é reconhecido como um dos trabalhos mais complexos e fascinantes da fase final da carreira de Hitchcock.

Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie, Estados Unidos, 1964) Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Jay Presson Allen, baseado no romance Marnie, de Winston Graham / Elenco: Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham e Alan Napier / Sinopse: Uma mulher que vive roubando seus empregadores sob identidades falsas casa-se com um empresário que tenta descobrir a origem dos profundos traumas psicológicos que dominam sua vida e a levam ao crime.

Pablo Aluísio e Erick Steve.