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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Paul Newman

Paul Newman foi uma das maiores estrelas de Hollywood e uma das personalidades mais admiradas do cinema mundial. Nascido em 26 de janeiro de 1925, na cidade de Shaker Heights, Ohio, destacou-se não apenas por seus famosos olhos azuis, mas também pelo enorme talento dramático e pelo carisma que exibia diante das câmeras. Filho de um comerciante e de uma dona de casa com grande interesse pelas artes, desenvolveu desde cedo o gosto pela atuação. Durante a Segunda Guerra Mundial serviu na Marinha dos Estados Unidos, experiência que marcou sua juventude. Após o conflito, estudou teatro e aperfeiçoou sua formação artística em instituições renomadas. Sua combinação de talento, beleza e inteligência rapidamente chamou a atenção dos produtores de Hollywood. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, tornou-se um dos atores mais respeitados e influentes da história do cinema.

Os primeiros anos em Hollywood não foram fáceis. Newman enfrentou comparações constantes com Marlon Brando, que na época revolucionava a atuação cinematográfica. Contudo, ele logo encontrou sua própria identidade artística. Seu primeiro grande sucesso veio com Somebody Up There Likes Me, no qual interpretou o boxeador Rocky Graziano. O desempenho foi amplamente elogiado pela crítica e revelou um ator capaz de transmitir intensidade emocional e autenticidade. Nos anos seguintes, consolidou sua reputação com atuações em dramas, romances e filmes de aventura. Sua presença magnética na tela fazia com que se destacasse em qualquer produção. Rapidamente, tornou-se um dos atores mais requisitados de Hollywood e um dos favoritos do público internacional.

A década de 1960 marcou o auge de sua popularidade. Nesse período estrelou clássicos como The Hustler, Hud, Cool Hand Luke e Butch Cassidy and the Sundance Kid. Sua parceria com Robert Redford tornou-se uma das mais famosas da história do cinema. Juntos, protagonizaram sucessos que permanecem populares até hoje. Newman possuía a rara capacidade de interpretar personagens complexos, muitas vezes rebeldes ou moralmente ambíguos, sem perder a empatia do público. Essa combinação de charme e profundidade psicológica fez dele um dos maiores astros de sua geração. Seus trabalhos nesse período continuam figurando entre os mais admirados da cinematografia americana.

Além de ator, Paul Newman também foi diretor e produtor de sucesso. Recebeu inúmeras indicações ao Oscar ao longo da carreira e finalmente conquistou a estatueta de Melhor Ator por sua atuação em The Color of Money, dirigido por Martin Scorsese. Anos antes, já havia recebido um Oscar honorário em reconhecimento à sua extraordinária contribuição para o cinema. Mesmo em idade avançada, continuou entregando interpretações memoráveis em filmes como Road to Perdition. Sua dedicação à profissão e sua capacidade de se reinventar artisticamente garantiram uma carreira longa e admirada tanto pelo público quanto pela crítica especializada.

A vida pessoal de Newman foi marcada por uma rara estabilidade para os padrões de Hollywood. Em 1958, casou-se com Joanne Woodward, formando um dos casais mais duradouros e respeitados da indústria cinematográfica. O relacionamento durou cinquenta anos, até a morte do ator. Além do sucesso artístico, Newman ficou conhecido por seu trabalho filantrópico. Em 1982, criou a empresa de alimentos Newman's Own, destinando integralmente os lucros para instituições beneficentes. Ao longo das décadas, centenas de milhões de dólares foram doados para causas sociais, educacionais e médicas. Esse compromisso com a filantropia ampliou ainda mais o respeito que o público tinha por ele.

Paul Newman faleceu em 26 de setembro de 2008, aos 83 anos, vítima de câncer de pulmão. Sua morte foi lamentada por admiradores, colegas de profissão e líderes de diversos países. Mais do que um grande ator, ele deixou um legado de integridade, talento e generosidade. Seus filmes continuam sendo exibidos e estudados por novas gerações de espectadores e cineastas. Sua imagem permanece associada à era de ouro de Hollywood, mas sua influência ultrapassa qualquer período específico da história do cinema. Paul Newman é lembrado não apenas como uma estrela de primeira grandeza, mas como um artista completo e um ser humano exemplar, cuja contribuição para a cultura e para a sociedade permanece viva muitos anos após sua partida.

Um De Nós Morrerá

Um De Nós Morrerá
A história do famoso Billy The Kid (1859 - 1881) já foi contada inúmeras vezes ao longo dos anos pelo cinema americano. Geralmente o pistoleiro que surge nas telas é muito distante do que viveu no Novo México no século XIX. De fato a grande maioria dos filmes sobre Billy não tem qualquer tipo de ligação com os fatos reais. Acontece que Billy The Kid virou personagem de estórias fantasiosas que acabaram criando sua fama e mito. Isso já acontecia no século 19 e continuou ao longo das décadas. O personagem de ficção é um justiceiro, de esporas prateadas, defensor da honra, justiça e liberdade.

O Billy The Kid da história real ficava bem longe disso. Era realmente um assassino profissional ao qual são creditadas inúmeras mortes (algumas estimativas afirmam que matou mais de 20 pessoas). O que criou sua notoriedade foi a participação que teve na chamada guerra do Condado de Lincoln. Após ver seu patrão inglês ser morto por motivos comerciais, Billy e outros capangas formaram um bando chamado "Os Justiceiros", cujo principal objetivo era matar os assassinos de seu chefe. Nesse conflito, no qual morreram várias pessoas, Billy foi responsabilizado pela morte do Xerife de Lincoln. Condenado à forca conseguiu escapar, matando mais dois homens da lei na prisão onde se encontrava. Perseguido pelo Xerife Pat Garrett finalmente foi encontrado numa cidadezinha do Novo México, onde foi finalmente morto por Pat, que diziam ter laços de amizade com Billy.

O filme "Um De Nós Morrerá" conta essa história. Na época de seu lançamento os produtores anunciaram que seria o mais fiel retrato dos acontecimentos. A intenção era deixar o Billy The Kid da fantasia de lado para mostrar o verdadeiro homem por trás do mito. Em pouco mais de 90 minutos o roteiro se propõe a justamente isso. O problema é que o roteiro (baseado na obra do grande Gore Vidal) cortou passagens vitais para se entender Billy e a Guerra do Condado de Lincoln (que inclusive não é citada no filme). Assim em termos histórico o filme surge extremamente resumido, simplificado. A produção também contou com um orçamento muito restrito, que tirou da obra aquela grandiosidade que estamos acostumados a ver nos grandes filmes de western da década de 50.

O grande mérito de "Um de Nós Morrerá" surge porém na muito inspirada atuação do ator Paul Newman. Ele realmente surpreende ao mostrar um Billy The Kid nada glamouroso. Pelo contrário, o que vemos é um cowboy rústico, meio abobalhado e sem muita noção das coisas que faz (algo que bate certamente com o Billy real). Esse aliás deveria ter sido o primeiro faroeste de James Dean, que obviamente se encaixaria muito bem no papel do conturbado Billy. Quando morreu o estúdio pensou em arquivar o projeto mas com o surgimento de Paul Newman o filme renasceu das cinzas. "Um De Nós Morrerá" não é definitivo, nem muito menos completo, apresenta lacunas enormes da história do famoso criminoso, mas pelo menos adotou uma postura realista - algo que seria seguido em filmes posteriores. Não chega a ser um grande filme mas é um marco nesse sentido, certamente.

Um De Nós Morrerá (The Left Handed Gun, Estados Unidos, 1958) Direção: Arthur Penn / Roteiro: Leslie Stevens baseado na obra de Gore Vidal / Elenco: Paul Newman, Lita Milan, Hurd Hatfield, John Dehner, James Best, James Congdon, Denver Pyle. / Sinopse: Cinebiografia do famoso pistoleiro do velho oeste, Billy The Kid (Paul Newman). Após ver seu patrão morto por um grupo de assassinos contratados por um comerciante rival, Billy e seus colegas resolvem fazer justiça pelas próprias mãos.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Paul Newman - The Long, Hot Summer (1958)


Paul Newman - The Long, Hot Summer (1958)
O filme O Mercador de Almas (The Long, Hot Summer) foi lançado em 3 de abril de 1958, dirigido por Martin Ritt e estrelado por Paul Newman, Joanne Woodward, Orson Welles, Anthony Franciosa, Lee Remick e Angela Lansbury. Inspirado em contos e personagens criados por William Faulkner, o filme se passa em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos durante um verão sufocante. A história acompanha Ben Quick, um jovem ambicioso e carismático que chega à cidade carregando a reputação de incendiário. Sua presença chama a atenção do poderoso fazendeiro Will Varner, que vê nele um possível sucessor para administrar seus negócios e, talvez, um futuro marido para sua filha Clara. No entanto, Clara é uma mulher independente e resistente às tentativas do pai de controlar sua vida. Entre disputas familiares, ambições pessoais e tensões românticas, Ben tenta conquistar seu espaço em uma comunidade desconfiada. O calor intenso funciona como metáfora para os conflitos emocionais dos personagens. Assim, mistura drama, romance e estudo de personagens em uma narrativa marcante.

Quando foi lançado, recebeu uma recepção crítica amplamente positiva. O The New York Times destacou que o filme era “um drama vigoroso, repleto de personagens fortes e interpretações memoráveis”. Já o Los Angeles Times elogiou especialmente a atuação de Paul Newman, observando que o ator demonstrava “uma presença magnética que domina a tela”. A revista Variety descreveu o longa como “uma adaptação inteligente e envolvente do universo de William Faulkner”. Muitos críticos elogiaram a direção de Martin Ritt, que conseguiu capturar a atmosfera do sul americano sem cair em estereótipos simplistas. A química entre Paul Newman e Joanne Woodward também foi amplamente celebrada. O filme foi visto como uma produção madura e sofisticada, voltada para um público adulto. Dessa forma, a crítica reconheceu a obra como um dos dramas mais interessantes de 1958.

A repercussão crítica tornou-se ainda mais favorável após sua exibição em festivais internacionais. No Festival de Cannes de 1958, Paul Newman recebeu o prêmio de Melhor Ator, reconhecimento que ajudou a consolidar sua posição entre os maiores talentos de sua geração. Muitos críticos destacaram a intensidade emocional de sua interpretação de Ben Quick. Publicações como The New Yorker elogiaram o filme por sua combinação de romance, conflito social e análise psicológica dos personagens. A atuação de Orson Welles também recebeu atenção especial, graças à força e à autoridade que trouxe ao papel de Will Varner. Embora o filme não tenha sido um grande competidor no Oscar daquele ano, sua reputação crítica permaneceu elevada. Com o passar das décadas, estudiosos passaram a considerá-lo uma das melhores adaptações inspiradas na obra de Faulkner. Assim, sua importância artística continuou a crescer.

Do ponto de vista comercial foi um sucesso significativo. O filme beneficiou-se da crescente popularidade de Paul Newman, que havia conquistado reconhecimento com produções anteriores como Cat on a Hot Tin Roof. O público respondeu favoravelmente à combinação de romance, drama familiar e tensão emocional. As bilheterias foram sólidas tanto nos Estados Unidos quanto em diversos mercados internacionais. A presença de Joanne Woodward, uma atriz já muito respeitada, também ajudou a atrair espectadores. O longa permaneceu em cartaz por várias semanas e teve boa vida posterior na televisão. Muitos espectadores apreciaram especialmente o relacionamento turbulento entre Ben e Clara. Assim, o filme consolidou-se como um sucesso comercial e artístico. Seu desempenho ajudou a fortalecer ainda mais a carreira de seus protagonistas.

Atualmente é considerado um dos melhores dramas românticos produzidos em Hollywood durante os anos 1950. O filme é frequentemente lembrado pela química extraordinária entre Paul Newman e Joanne Woodward, que eram casados na vida real e se tornaram um dos casais mais famosos da história do cinema. Críticos modernos elogiam a direção segura de Martin Ritt, a força do roteiro e a qualidade das interpretações. A atuação de Newman continua sendo considerada uma das melhores de sua carreira inicial. O filme também é valorizado por sua representação das tensões sociais e familiares do sul americano. Novas gerações de cinéfilos continuam descobrindo a obra por meio de restaurações e exibições em canais especializados. Dessa forma, sua reputação permanece extremamente sólida. O Mercador de Almas continua sendo um clássico elegante e envolvente do cinema americano.

O Mercador de Almas (The Long, Hot Summer, Estados Unidos, 1958) Direção: Martin Ritt / Roteiro: Irving Ravetch e Harriet Frank Jr., baseado em contos e personagens das obras The Hamlet e outras histórias de William Faulkner / Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward, Orson Welles, Anthony Franciosa, Lee Remick e Angela Lansbury / Sinopse: Um jovem ambicioso chega a uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos e se envolve nos conflitos de uma poderosa família local, enquanto tenta conquistar a confiança do patriarca e o coração de sua filha.

Erick Steve. 

O Mercador de Almas

O Mercador de Almas
Em "O Mercador de Almas" temos várias características que fizeram o cinema americano se tornar o melhor do mundo durante a década de 1950 . O elenco é fenomenal. Além de Paul Newman em ótima forma (tanto do ponto de vista de talento como de presença) temos um personagem à prova de falhas interpretado pelo, ora vejam só, o mito do cinema Orson Welles. Nem precisa dizer que ele é realmente a alma de todo o filme. Gorducho, malvado, esbanjando rabugice em cada cena, Welles toma conta de tudo, literalmente. Com filmes como esse percebemos que além de grande cineasta ele também era um ator fantástico. Sua voz de trovão ecoa em cada cena, fazendo os atores que contracenaram com ele sumirem lentamente.

Em termos de roteiro e argumento o filme se parece bastante com outro clássico da filmografia de Newman, "Gata em Teto de Zinco Quente". Esse, assim como aquele, também é ambientado numa típica fazenda do Sul dos EUA. O enredo também gira em torno dos filhos de um rico fazendeiro, seus problemas familiares e as complicações cotidianas dessas famílias. Para completar o "Mercador de Almas" também é inspirado na obra de um grande autor, a novela "The Hamlet" de William Faulkner. A única diferença mais nítida é que "Gata em Teto de Zinco Quente" é bem mais teatral do que esse, mas fora isso são extremamente parecidos. De qualquer forma uma coisa é certa: Ambos os filmes são fundados em excelentes diálogos e interpretações inspiradas. Por essa época Paul Newman havia se tornado um dos grandes atores do cinema, mostrando de forma excepcional que passava muito longe do rótulo vazio de galã, muito pelo contrário, Newman estava sempre se arriscando em personagens com muita profundidade psicológica, complexos, muitas vezes anti-heróis, crápulas, sem o menor remorso moral. Nesse "Mercador de Almas" ele novamente encontra um papel à sua altura. Uma obra cinematográfica do mais alto nível que merece ser redescoberta.

O Mercador de Almas (The Long Hot Summer, Estados Unidos, 1958) Direção: Martin Ritt / Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward, Anthony Franciosa, Orson Welles, Lee Remick / Sinopse: Ben Quick (Paul Newman) deixa uma cidade após suspeitarem, sem provas, que é um incendiário. Ele põe o pé na estrada e consegue carona com Eula Varner (Lee Remick) e Clara Varner (Joanne Woodward). Eula é casada com Jody Varner (Anthony Franciosa), cujo pai, Will Varner (Orson Welles), é "dono" de Frenchman's Bend, uma pequena cidade do Mississipi. Já Clara, a filha solteira de Will, trabalha como professora. Ben se estabelece lá e logo consegue uma ascensão meteórica, indo morar na casa do seu patrão, Will. Ele se torna um sério candidato para casar-se com Clara, pois Will não tolera a idéia que ela não lhe deixe herdeiros.

Pablo Aluísio.

Paul Newman - The Helen Morgan Story (1957)

Paul Newman - The Helen Morgan Story (1957)
O filme The Helen Morgan Story foi lançado em 10 de outubro de 1957, dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Ann Blyth, Paul Newman, Richard Carlson, Gene Evans, Cara Williams e Alan King. O longa é uma cinebiografia da cantora e atriz Helen Morgan, uma das mais famosas intérpretes da Broadway durante as décadas de 1920 e 1930. A história acompanha sua ascensão meteórica ao estrelato nos clubes noturnos e nos palcos nova-iorquinos, destacando especialmente seu enorme sucesso na produção teatral Show Boat. Paralelamente ao reconhecimento artístico, o filme retrata sua vida pessoal turbulenta, marcada por relacionamentos difíceis, inseguranças emocionais e problemas crescentes com o alcoolismo. À medida que sua carreira atinge o auge, sua vida privada começa a se deteriorar. A narrativa procura mostrar o contraste entre a artista adorada pelo público e a mulher que enfrentava profundas dificuldades pessoais. O filme combina elementos de drama biográfico e musical. Assim, The Helen Morgan Story apresenta um retrato clássico da ascensão e queda de uma estrela do entretenimento.

Quando foi lançado, The Helen Morgan Story recebeu uma recepção crítica positiva, embora não entusiasmada. O The New York Times observou que o filme era “uma biografia convencional, mas conduzida com competência e sensibilidade”. Já o Los Angeles Times elogiou a interpretação de Ann Blyth, destacando sua elegância e capacidade de transmitir a vulnerabilidade da protagonista. A revista Variety descreveu o filme como “um drama bem produzido que consegue despertar interesse mesmo para espectadores pouco familiarizados com Helen Morgan”. Muitos críticos consideraram que a direção experiente de Michael Curtiz ajudava a dar ritmo e emoção à narrativa. Entretanto, alguns especialistas apontaram que o roteiro suavizava certos aspectos mais sombrios da vida real da cantora. Ainda assim, a produção foi reconhecida pela qualidade de sua reconstituição de época. Dessa forma, a recepção inicial foi favorável, ainda que sem o impacto de outras grandes cinebiografias da década.

O aspecto mais comentado pela crítica foi a participação de Paul Newman, que na época começava a consolidar sua posição como uma das grandes promessas de Hollywood. Embora o foco da história fosse Helen Morgan, muitos críticos destacaram a força dramática de Newman em suas cenas. Publicações como The New Yorker elogiaram a elegância visual da produção e a recriação dos ambientes da Broadway e dos clubes noturnos da Era do Jazz. O filme não recebeu indicações importantes ao Oscar, mas foi respeitado pela crítica especializada como uma produção de prestígio da Warner Bros.. Com o passar dos anos, estudiosos do cinema passaram a observar o filme como um exemplo típico das cinebiografias hollywoodianas dos anos 1950, período em que muitos aspectos controversos da vida de figuras públicas eram suavizados para atender aos padrões do Código Hays. Ainda assim, a obra manteve seu valor histórico e artístico. Sua reputação crítica permaneceu estável ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, The Helen Morgan Story teve um desempenho respeitável, embora não extraordinário. O filme atraiu especialmente espectadores familiarizados com a carreira da verdadeira Helen Morgan e admiradores dos dramas musicais da época. A presença de Paul Newman ajudou a ampliar o interesse do público, enquanto Ann Blyth já era uma atriz bastante conhecida em Hollywood. O longa teve arrecadação suficiente para ser considerado um resultado satisfatório para o estúdio, mas não figurou entre os maiores sucessos de 1957. O público geralmente reagiu de forma positiva à história emocional e às sequências musicais. Exibições posteriores na televisão contribuíram para manter viva a memória da produção. Assim, o filme encontrou seu público e consolidou-se como uma cinebiografia respeitada. Seu desempenho comercial refletiu mais o interesse pelo gênero do que um fenômeno de bilheteria.

Atualmente, The Helen Morgan Story é lembrado principalmente por três motivos: por retratar uma figura importante da história da Broadway, por representar um dos trabalhos tardios do lendário diretor Michael Curtiz e por trazer um jovem Paul Newman em ascensão. Críticos modernos costumam reconhecer as qualidades da produção, embora observem que o filme segue muitas convenções típicas das biografias hollywoodianas dos anos 1950. A atuação de Ann Blyth continua sendo bastante elogiada, especialmente por transmitir a fragilidade emocional da protagonista. O longa também desperta interesse entre pesquisadores da história da música popular americana e do teatro musical. Embora não seja considerado um clássico de primeira linha, mantém uma reputação sólida entre admiradores do cinema biográfico clássico. Sua reconstrução da era dos grandes clubes noturnos continua atraente. Dessa forma, The Helen Morgan Story permanece uma obra respeitável e interessante dentro da filmografia de seu período.

Com Lágrimas na Voz (The Helen Morgan Story, Estados Unidos, 1957) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Oscar Saul, Dean Riesner e Stephen Longstreet, baseado na vida de Helen Morgan /
Elenco: Ann Blyth, Paul Newman, Richard Carlson, Gene Evans, Cara Williams e Alan King /
Sinopse: A trajetória da cantora Helen Morgan, desde sua ascensão ao estrelato na Broadway até os problemas pessoais e profissionais que ameaçaram destruir sua carreira e sua vida.

Erick Steve. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Com Lágrimas na Voz

Título no Brasil: Com Lágrimas na Voz
Título Original: The Helen Morgan Story
Ano de Lançamento: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Oscar Saul, Dean Riesner
Elenco: Ann Blyth, Paul Newman, Richard Carlson, Gene Evans, Alan King, Cara Williams

Sinopse:
O filme conta a história da cantora norte-americana Helen Morgan. De origem humilde e sofrida, ela vai aos poucos abrindo as portas para o sucesso com seu grande talento. Após muito esforço artístico finalmente chega à fama e à fortuna, apenas para perder tudo depois para o álcool e para suas péssimas escolhas pessoais.

Comentários:
No começo de sua carreira as comparações com James Dean incomodaram muito Paul Newman. Certo, eram dois atores da mesma geração, inclusive tiveram a mesma formação dramática no Actors Studio de Nova Iorque, mas no fundo, no fundo, tinham pouca coisa a ver. E Newman sabia que tentar ser o "novo James Dean" seria uma cilada. Assim colocou o ego de lado e foi atrás de bons roteiros. Queria ser bom ator e não apenas um astro jovem de Hollywood. E estava disposto a atuar em filmes com excelentes histórias, mesmo que para isso tivesse que atuar em um papel mais secundário. É o que vemos aqui. Um bom drama sobre a vida de uma artista que sucumbe ás armadilhas da fama e do sucesso. Com direção firme de Michael Curtiz e excelente atuação da atriz Ann Blyth, que foi injustamente esnobada pelo Oscar, esse é um drama envolvente e emocional, tudo na medida certa. Bons tempos eram esses em que o cinema contava histórias de dramas trágicos de pessoas amarguradas e infelizes por suas escolhas. Certamente a sétima arte era muito mais profunda e complexa nesse aspecto. Arte mesmo, de verdade. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Famintas de Amor

Título no Brasil: Famintas de Amor
Título Original: Until They Sail
Ano de Lançamento: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Robert Wise
Roteiro: Robert Anderson, James A. Michener
Elenco: Paul Newman, Joan Fontaine, Jean Simmons, Sandra Dee, Piper Laurie, Charles Drake

Sinopse:
Esse filme mostra o drama vivido por um grupo de mulheres que mora na Nova Zelândia após o começo da Segunda Guerra Mundial. Os homens da vila onde moram vão para a guerra e elas ficam sozinhas. Então quando um batalhão das forças armadas dos Estados Unidos chega na região começa uma série de relacionamentos entre elas e os militares estrangeiros. Algo não permitido pelo alto comando das forças militares. 

Comentários:
Bom filme romântico da década de 1950. O ator Paul Newman interpreta esse militar norte-americano que vai parar na distante Nova Zelândia durante a II Guerra Mundial. Ali ele conhece a realidade de três irmãs, todas solitárias, lutando pela vida. Claro que acaba se relacionando com uma delas, mas isso traz problemas. Havia certos regulamentos dentro das forças armadas dos Estados Unidos que impedia esse tipo de relacionamento amoroso entre os soldados e oficiais com a população local. De certa maneira o filme tem semelhanças com "Sayonara" de Marlon Brando, sendo esse passado no Japão. O elenco também é muito bom, com destaque para a jovem adolescente Sandra Dee interpretando a mais jovem das irmãs e do próprio Paul Newman, aqui interpretando um sujeito meio indeciso, inseguro. Ele não consegue decidir se vai mesmo entrar fundo naquele romance. Enfim, bom filme, deixo a minha recomendação. 

Pablo Aluísio.

Filmografia Paul Newman


Filmografia Paul Newman
O Cálice Sagrado
Deus é Meu Juiz
Marcado Pela Sarjeta
Famintas de Amor 
Com Lágrimas na Voz
O Mercador de Almas
Um de Nós Morrerá
Gata em Teto de Zinco Quente
A Delícia de um Dilema
O Moço da Filadélfia
Paixões Desenfradas
Exodus
Paris Vive à Noite
Desafio à Corrupção
Doce Pássaro da Juventude
As Aventuras de um Jovem 
O Indomado
Amor Daquele Jeito
Criminosos Não Merecem Prêmio
A Senhora e Seus Maridos
Quatro Confissões
Lady L
O Caçador de Aventuras
Cortina Rasgada
Hombre
Rebeldia Indomável
Que Delícia de Guerra
500 Milhas
Butch Cassidy
A Sala dos Espelhos
Uma Lição Para Nâo Esquecer
Meu Nome é Jim Kane
Roy Bean - O Homem da Lei
O Emissário de MacKintosh
Golpe de Mestre
Inferno na Torre
A Piscina Mortal
A Última Loucura de Mel Brooks
Oeste Selvagem
Vale Tudo 
Quinteto
O Dia em que o Mundo Acabou

Continua...

Obs: Em Negrito os filmes cujos reviews já foram publicados em nosso blog Cinema Clássico.

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Marcado pela Sarjeta

Esse é um filme baseado em fatos reais. Na história de um dos lutadores mais conhecidos da história do boxe americano. O roteiro é até bem convencional, sendo respeitoso com o protagonista, muito embora não esconda seus problemas pessoais e profissionais. Tudo levado numa ótica mais realista possível.O texto do roteiro foi baseado na autobiografia do lutador de boxe Rocky Graziano, aqui sendo interpretado por Paul Newman, acompanhamos sua trajetória desse boxeador rumo ao sucesso no esporte, seus amores, dramas e finalmente a queda após um momento de auge e excessos em sua carreira. Foi considerado um excelente drama esportivo, uma cinebiografia tocante e talentosa do popular lutador de boxe Rocky Graziano. O papel havia sido escrito para ser estrelado por James Dean, embora ele não tivesse altura e porte físico suficientes para encarnar o famoso boxeador. Com sua morte em um acidente de carro na estrada de Salinas, na Califórnia, a MGM ficou algum tempo em busca de um ator talentoso para encarnar Rocky nas telas. A procura porém não demorou muito, pois um novo astro estava surgindo em Hollywood. E o jovem Paul Newman parecia ser o sucessor natural de James Dean, até porque o caminho de ambos já tinham se cruzado algumas vezes na capital mundial do cinema.

Paul Newman, que também vinha do mesmo Actors Studio de Dean, se revelou ser uma excelente opção. A estrutura do roteiro se revelava perfeita em três atos, mostrando a luta de Rocky em chegar ao topo, seus excessos e sua queda, tanto no esporte como na vida. Os destaques em termos de técnica cinematográfica vão para a bela fotografia e a inspirada direção de arte (não por acaso vencedoras do Oscar). A edição também se destaca, principalmente nas cenas de luta, que imprime uma grande agilidade nas sequências. Além disso Newman conseguiu pela primeira vez no cinema disponibilizar ao público uma excelente atuação. Outro destaque do elenco vem com a presença da atriz Pier Angeli, o grande amor de James Dean, que se destaca em sua personagem. Ela era inegavelmente uma boa atriz, porém morreu muito cedo, precocemente. Depois da morte de James Dean tentou uma nova vida em Hollywood, se casou, mas se tornou uma pessoa infeliz com o passar dos anos. Nessa produção ela teve a melhor atuação de toda a sua carreira. Em suma um belo clássico que merece ser redescoberto sempre que possível.

Marcado pela Sarjeta (Somebody Up There Likes Me, Estados Unidos, 1956) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: Robert Wise / Roteiro: Ernest Lehman / Elenco: Paul Newman, Pier Angeli, Everett Sloane / Sinopse: De origem humilde, o lutador de boxe Rocky Graziano (Paul Newman) começa a subir na carreira, se transformando em um campeão dos ringues. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Fotografia em Preto e Branco (Joseph Ruttenberg) e Melhor Direção de Arte (Cedric Gibbons e Malcolm Brown). Indicado ainda a Melhor Edição.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Deus é Meu Juiz

Deus é Meu Juiz
O segundo filme da carreira de Paul Newman trazia um tema muito ousado para a época. De certa forma seria considerado complexo do ponto de vista psicológico até mesmo para os dias atuais, imagine para os anos 1950. O ator interpreta um militar das forças armadas americanas que é feito prisioneiro na guerra da Coreia. Ele passa dois longos anos em um campo de prisioneiros e quando retorna aos Estados Unidos está destruído psicologicamente. Pior do que isso, há provas de que nesse período ele teria passado para o lado do inimigo, colaborando com as forças ideológicas e militares dos países que lutaram contra os Estados Unidos na guerra. 

Paul Newman, ainda bem jovem, encontrou finalmente nesse filme o material de qualidade artística que tanto havia procurado. Ele tinha se formado no famoso Actors Studio e estava decepcionado com o primeiro filme que havia estrelado em Hollywood. Então passou a buscar por um roteiro que estivesse à altura de sua formação como ator. Encontrou esse que não foi tão bem compreendido na época de seu lançamento original. Só que não se engane, esse é um drama psicológico maduro e inteligente, um dos melhores já lançados na história do cinema norte-americano. E Newman, como era esperado, estava ótimo em sua atuação.

Deus é Meu Juiz (The Rack, Estados Unidos, 1956) Direção: Arnold Laven / Roteiro: Stewart Stern, Rod Serling / Elenco: Paul Newman, Wendell Corey, Walter Pidgeon / Sinopse: Após ficar dois anos como prisioneiro em um campo inimigo na guerra da Coreia, um jovem militar dos Estados Unidos retorna ao seu país, mas algo está errado com sua mente e forma de pensar. O que teria acontecido?

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de março de 2025

O Cálice Sagrado

Esse é o primeiro filme da carreira de Paul Newman. Isso por si só já basta para atiçar a curiosidade de qualquer cinéfilo. Além de Newman há no elenco atores e atrizes que de uma forma ou outra entraram na história do cinema como Jack Palance (como Simão, o Mago) e Pier Angeli (a namoradinha e grande amor da vida de James Dean). Pois bem, a primeira coisa que chama a atenção de quem assiste "O Cálice Sagrado" é sua estranha direção de arte. Tudo soa estilizado no filme, principalmente os cenários que são pouco realistas, parecendo até mesmo ambientações para peças de teatro. Cheguei a pensar que se tratava de uma produção pobre mesmo mas depois em uma cena de crucificação coletiva entendi finalmente a intenção do diretor. Não é que o filme seja mal feito mas se trata realmente de uma opção artística do cineasta Victor Saville (um veterano da época do cinema mudo).

O roteiro mistura ficção com realidade histórica (pelo menos para os que aceitam o conteúdo bíblico como fato histórico). Personagens que na Bíblia são secundários aqui ganham bastante atenção como José de Arimatéia e Simão, o Mago. Esse último é citado no novo testamento como um mágico que desafiou Pedro publicamente. Ofereceu dinheiro pelo poder de realizar milagres e foi repelido pelo principal apóstolo de Cristo. A cena final com Simão tentando provar ao imperador Nero que poderia voar (algo que nem Jesus conseguiu em vida) é muito divertida mesmo. Enfim, apesar de Newman ter odiado sua atuação aqui (chegou a publicar um pedido de desculpas em um jornal americano por sua fraca atuação) não posso dizer que o resultado final seja ruim. "O Cálice Sagrado" é um épico diferente, estranho até em certas passagens, mas que tenta ser inteligente e instigante. Isso já justifica sua existência.

O Cálice Sagrado (The Silver Chalice, Estados Unidos, 1954) Direção: Victor Saville / Roteiro: Thomas B. Costain, Lesser Samuels / Elenco: Paul Newman, Virginia Mayo, Pier Angeli, Jack Palance / Sinopse: Escravo de nome Basilio (Paul Newman) é designado para a confecção daquele que teria sido o último cálice usado por Jesus Cristo na última ceia.

Pablo Aluísio.