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sexta-feira, 17 de abril de 2026

As Chaves do Reino

Título no Brasil: As Chaves do Reino
Título original: The Keys of the Kingdom
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Joseph L. Mankiewicz, John M. Stahl
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, Nunnally Johnson
Elenco: Gregory Peck, Thomas Mitchell, Vincent Price, Roddy McDowall, Edmund Gwenn, Peggy Ann Garner

Sinopse:
O filme conta a história do Padre Francis Chisholm (Gregory Peck). Assim que se ordena ele é enviado para uma missão na China. Suas ordens é de restaurar uma paróquia que foi destruída pela guerra. Ao chegar no distante país descobre que tudo está em ruínas e que colocar tudo em ordem novamente vai levar anos e anos. Ainda assim aceita esse grande desafio. Roteiro baseado no romance de grande sucesso escrito por de A.J. Cronin. 

Comentários:
Gregory Peck faz parte de um panteão de grandes atores da era clássica de Hollywood que jamais fez um filme medíocre em sua vida. O cinéfilo mais antigo já sabe, se no elenco estiver o nome de Peck, pode assistir sem qualquer receio. Vai ver um filme bom, com certeza. Esse é mais um deles. E o tema não deixa de ser espinhoso, mostrando a vida de um Padre tentando colocar novamente em pé uma paróquia católica em ruínas. Não vai ser algo fácil de realizar. Os chineses possuíam sua própria religiosidade, que nada tinha a ver com as doutrinas do catolicismo. Além de falta de seguidores ainda havia a desconfiança natural daquele povo contra estrangeiros em geral. Sua sorte é que acaba salvando a vida do filho de um poderoso Mandarim. Não com fé, mas com ciência, pois faz um tratamento contra uma infecção no garoto. Esse homem rico e influente acaba lhe ajudando a levantar uma nova igreja, um novo convento e tudo mais. Só que sempre há novos problemas surgindo no horizonte, um atrás do outro! Só com muita fé mesmo para resistir a tantas adversidades. Enfim, filme corajoso, muito bem atuado por todo um elenco acima da média e contando com a direção do mestre Joseph L. Mankiewicz. Realmente nada falta nesse grande filme do passado. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 1 de junho de 2025

Júlio César

Em sua autobiografia Marlon Brando tirou duas conclusões sobre o filme “Júlio César”. A primeira foi que ele era ainda muito jovem e inexperiente para assumir um papel tão complexo em um texto tão rico (e muito fiel ao original escrito por William Shakespeare). O ator ficou inseguro durante as filmagens, também pudera, rodeado de monstros da arte de interpretação, Brando teve que se esforçar muito mais do que o habitual para não só decorar o rebuscado texto como também compreender o que ele significava. A segunda conclusão que Brando chegou é a de que filmes assim não encontram muita recepção e ressonância entre a cultura americana que em essência é a cultura do chiclete e da Coca-Cola, uma cultura que nem chega perto da milenar cultura europeia do qual provém essa maravilhosa peça.

Durante a exibição do filme fiquei pensando na opinião do ator e cheguei na conclusão pessoal de que ele estava certo apenas em termos. Realmente o ator está muito jovem, até inexperiente, para recitar Shakespeare. Atores ingleses obviamente se saem melhor nesse aspecto. Porém é impossível não reconhecer seu talento em duas grandes cenas do filme. A primeira ocorre quando Marco Antônio (Brando) encontra o corpo esfaqueado de César no senado. Se nos primeiros minutos de filme ele está em segundo plano aqui nesse momento assume posição de destaque no desenrolar dos acontecimentos. A segunda grande cena do ator no filme surge depois quando ele discursa para a multidão. Levando o corpo de César nos braços ele joga com as palavras de forma maravilhosa. Essa segunda cena é seguramente um dos maiores momentos de Brando no cinema. Esqueça seus famosos resmungos, aqui ele surge com uma dicção perfeita e uma oratória ímpar (mostrando que sua passagem pelo Actors Studio não foi em vão). Com pleno domínio ele instiga o povo contra os senadores que mataram César. Brando está perfeito no discurso, em um momento realmente de arrepiar.

Sobre o segundo aspecto realmente devo dar razão à opinião do ator. O público americano provavelmente estranhou a forma do filme. A cultura americana (e a nossa, diga-se de passagem) não abre muitas brechas para um texto tão bem escrito e profundo como esse. Os diálogos são declamados com grande eloqüência, por maravilhosos atores. O texto obviamente é riquíssimo em todos os sentidos e ao final de cada grande diálogo o espectador mais atento certamente ficará impressionado pela grandeza que a palavra escrita alcançava nas mãos de Shakespeare. Por se tratar de tão culto autor o filme exige uma certa erudição do público.

O espectador deve entender principalmente o contexto histórico do que se passa na tela (o fim da República Romana e o surgimento do Império). Deve também entender que Brutus (brilhantemente interpretado por James Mason) não é um vilão em cena mas sim um cidadão romano que acreditava no sistema político de então. Aliás é bom frisar que o tempo acabaria de certa forma dando razão a ele e aos senadores que mataram César. Os ideais republicanos de Roma tiveram muito mais influência nos séculos seguintes do que o arcaico e corrupto sistema que foi implantado pelos imperadores que iriam suceder César no poder. O legado do Império acabou mas as fundações do republicanismo que tanto foram defendidas por Brutus seguem firme até os dias de hoje. Enfim, Júlio César é um excelente filme, uma aula de cultura em todos os aspectos. Brando não está menos do que magnífico, apesar de ter ficado inseguro no resultado final. Em tempos de sub-cultura que vivemos “Júlio César” é não menos do que obrigatório

Júlio César (Julius Caesar, Estados Unidos, 1953) Diretor: Joseph L. Mankiewicz / Roteiro: Joseph L. Mankiewicz baseado na obra de William Shakespeare / Elenco: Marlon Brando, James Mason, John Gielgud, Deborah Kerr, Alan Napier./ Sinopse: Júlio César (Louis Calhern) é um habilitoso político e general romano que é assassinado no senado nos idos de março. Após sua morte duas facções se formam, os que querem a morte dos assassinos liderados por Marco Antônio (Marlon Brando) e Otáviano e os que comemoram sua morte liderados por Brutus (James Mason) e Cícero (Alan Napier). O palco da guerra civil está armado.

Pablo Aluísio.