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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Gata em Teto de Zinco Quente

Título no Brasil: Gata em Teto de Zinco Quente
Título Original: Cat on a Hot Tin Roof
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Brooks
Roteiro: James Poe, Richard Brooks
Elenco: Elizabeth Taylor, Paul Newman, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson, Madeleine Sherwood
  
Sinopse:
Com roteiro baseado na peça "Cat on a Hot Tin Roof" de Tennessee Williams, o filme narra o complicado relacionamento entre a jovem Maggie (Elizabeth Taylor) e seu marido Brick Pollitt (Paul Newman). O casamento de ambos está em frangalhos, principalmente por causa do distanciamento que cresce a cada dia entre eles. Para piorar Brick se sente oprimido por viver em uma velha e tradicional casa do sul dos Estados Unidos dominada por um rico proprietário à moda antiga. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Paul Newman), Melhor Atriz (Elizabeth Taylor), Melhor Direção (Richard Brooks), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia (William H. Daniels). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Direção.

Comentários:
O filme foi roteirizado pelo diretor Richard Brooks. Se formos analisar bem sua carreira veremos que ele sempre foi mais um roteirista do que propriamente um diretor. Pois bem, embora Tennessee Williams tenha reclamado de algumas mudanças em seu texto original, temos que convir que o roteiro em si é muito bem escrito e trabalhado, deixando o filme com ótimo ritmo, fugindo da armadilha de o deixar teatral demais.. Penso que os textos de autoria do grande Tennessee Williams eram perigosos ao serem adaptados ao cinema, pois poderiam deixar qualquer filme pesado ou com aspecto de teatro filmado, o que não seria adequado pois artes diferenciadas exigem também adaptações diferentes. Nem sempre o que é adequado ao teatro consegue ser satisfatório na tela. Em "Gata em Teto de Zinco Quente" isso definitivamente não acontece e o espectador ao final da exibição terá a certeza de que assistiu a um grande filme, cinema puro. A produção é elegante, acima de tudo. O enredo se passa todo dentro de um grande casarão que é sede de uma fazendo de algodão no sul dos EUA. Embora isso possa parecer tedioso, não é. Hoje a MGM está à beira da falência, mas naquela época não economizava no bom gosto, como bem podemos comprovar aqui. A fazenda tipicamente sulista, o bonito figurino (especialmente de Liz Taylor) e a fotografia inspirada confirmam a elegância da película.
 
A grande força do filme porém vem de seu elenco maravilhoso. Elizabeth Taylor está linda e talentosa, dominando a cena. Ela  esbanja naturalidade e carisma em cada momento que surge na tela. Paul Newman, que passa o tempo todo de muletas e engessado, também demonstra muito talento no papel de Brick Pollitt, talvez o único personagem com algum valor moral dentro daquela casa. O curioso é que mesmo atores com escolas diferentes (com Newman vindo do teatro e Liz sendo basicamente uma atriz de cinema) conseguem se entender extremamente bem em cena. Sua química salta aos olhos, mesmo Paul Newman interpretando um marido que diante de tantos problemas negligencia sua bela e jovem esposa. Do elenco de apoio tenho que destacar primeiramente Burl Ives (Big Daddy, ótimo em sua caracterização de um homem que não conseguiu passar afeto aos seus familiares durante toda a sua vida) e Madeleine Sherwood (que faz a insuportável Mae Pollitt). Dentre as várias excelentes cenas destacaria aquela que se passa entre Newman e Ives no porão quando em tom de nostalgia Big Daddy se recorda de seu falecido pai, um mero vagabundo. Ali ele se mostra totalmente, sem máscaras, o que de certa maneira também serve para revelar a verdadeira face de sua família. Ótimo momento no quesito atuação. Enfim temos aqui um dos maiores clássicos da era de ouro de Hollywood, com dois de seus grandes astros em plena forma pessoal e dramática. Um filme mais do que clássico, absoluto.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Gata em Teto de Zinco Quente

Gata em Teto de Zinco Quente
Cat on a Hot Tin Roof, conhecido no Brasil como Gata em Teto de Zinco Quente, foi lançado nos Estados Unidos em 29 de agosto de 1958, sob a direção de Richard Brooks, que também escreveu o roteiro ao lado de James Poe, adaptando a peça homônima de Tennessee Williams, vencedora do Pulitzer em 1955. A produção da Metro-Goldwyn-Mayer reuniu um dos elencos mais prestigiosos de Hollywood naquele momento, formado por Paul Newman, Elizabeth Taylor, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson e Madeleine Sherwood. Newman interpretou Brick Pollitt, um ex-astro do futebol americano que se tornou alcoólatra e emocionalmente distante depois da morte de seu melhor amigo, enquanto Taylor interpretou Maggie, sua esposa, uma mulher determinada a recuperar o marido e garantir seu lugar na família. A trama se passa na propriedade rural de Big Daddy Pollitt, poderoso proprietário de terras do Mississippi, que reúne a família para comemorar seu aniversário. Entretanto, por trás da festa existe uma enorme tensão: Big Daddy está gravemente doente, embora inicialmente não saiba toda a extensão de sua condição, e seus filhos disputam silenciosamente a futura herança. Brick permanece indiferente a tudo, refugiando-se na bebida e recusando-se a manter relações conjugais com Maggie. Ao longo de uma única noite e de um intenso confronto familiar, antigos ressentimentos, mentiras, desejos, ciúmes e segredos começam a vir à tona. O resultado foi um dos grandes dramas familiares de Hollywood dos anos 1950.

A reação da crítica americana no lançamento foi fortemente positiva, especialmente em relação às atuações. Bosley Crowther, do The New York Times, escreveu que o elenco praticamente se "destrói" de tanto atuar e gritar, classificando o resultado como um espetáculo "ferocious and fascinating". Crowther também elogiou particularmente Paul Newman, descrevendo-o como um homem jovem, atormentado e posto à prova, enquanto considerou Elizabeth Taylor "terrific" no papel de Maggie. A Variety também foi bastante favorável, chamando o longa de "a powerful, well-seasoned film" e destacando Newman como um dos melhores atores do cinema. O Los Angeles Times, através de Philip K. Scheuer, considerou que a adaptação preservava a força do drama teatral e afirmou que Brooks havia extraído interpretações "stunningly real and varied" de seu elenco. A grande ressalva americana estava relacionada à adaptação do texto de Tennessee Williams. O Código Hays impediu que o filme tratasse abertamente da homossexualidade de Brick e de sua relação emocional com Skipper, elemento fundamental da peça original. Mesmo assim, os críticos reconheceram que a tensão permanecia perceptível por baixo dos diálogos. O filme foi, portanto, simultaneamente considerado uma excelente realização cinematográfica e uma adaptação inevitavelmente censurada de uma obra mais ousada.

Na Europa, especialmente no Reino Unido, a discussão sobre a censura tornou-se ainda mais importante. O The Guardian, em sua análise histórica, observou que a versão cinematográfica havia se tornado muito mais "polite" que a peça, perdendo parte de sua franqueza sobre a homossexualidade. O crítico britânico destacou que o filme transformou aquilo que era uma questão central da peça em uma tensão apenas sugerida. Décadas depois, Peter Bradshaw, também no Guardian, voltou ao filme e afirmou que não era possível assisti-lo sem perceber como a questão da homossexualidade havia sido censurada. Ainda assim, Bradshaw considerou extraordinária a atuação de Elizabeth Taylor, cuja Maggie foi descrita como uma personagem de intensidade "mesmerically feline". Na França, La Chatte sur un toit brûlant também se tornou um filme muito conhecido, embora a avaliação posterior tenha enfatizado justamente aquilo que a censura havia retirado da história. A Cinémathèque Française registra a produção como uma importante adaptação de Tennessee Williams e destaca o conflito familiar, a doença do patriarca e a crise conjugal entre Brick e Maggie. O filme recebeu seis indicações ao Oscar de 1959, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor para Richard Brooks, Melhor Ator para Paul Newman, Melhor Atriz para Elizabeth Taylor, Fotografia em Cores e Roteiro Adaptado. Não venceu nenhuma categoria, mas o número de indicações demonstrou a enorme consideração da Academia pela produção.

Com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 2,3 milhões, Cat on a Hot Tin Roof transformou-se em um extraordinário sucesso comercial. A produção arrecadou cerca de US$ 11,2 milhões, tornando-se o filme de maior bilheteria da MGM em 1958 e o terceiro filme de maior arrecadação daquele ano nos Estados Unidos. O resultado foi particularmente impressionante porque se tratava de um drama adulto, essencialmente concentrado em poucos personagens e em conflitos familiares, sem grandes cenas de ação ou espetáculos típicos das superproduções da época. O principal fator de atração foi a combinação de Paul Newman e Elizabeth Taylor, dois dos maiores símbolos de Hollywood naquele momento. Taylor havia acabado de consolidar sua posição como uma das grandes estrelas do cinema, enquanto Newman estava rapidamente se tornando um dos principais atores de sua geração. O público também foi atraído pelo caráter provocativo da história, mesmo que a censura tivesse suavizado seu conteúdo. A imagem de Taylor como Maggie, frequentemente vestida com roupas extremamente elegantes e sensuais, tornou-se um dos elementos mais memoráveis da publicidade do filme. Newman, por sua vez, apresentou um personagem muito diferente dos heróis convencionais, marcado pelo alcoolismo, pela culpa e pela incapacidade de enfrentar seus sentimentos. A combinação entre sexualidade, riqueza, doença, herança e conflitos familiares fez com que o filme ultrapassasse o público habitual dos dramas teatrais. O resultado comercial comprovou que uma produção baseada em Tennessee Williams poderia ser simultaneamente sofisticada e extremamente popular.

Atualmente, Cat on a Hot Tin Roof é considerado um dos grandes clássicos do cinema americano dos anos 1950 e uma das obras mais importantes das carreiras de Paul Newman e Elizabeth Taylor. O filme mantém 97% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, com mais de três dezenas de avaliações, e 92% de aprovação do público, números que demonstram a extraordinária longevidade de sua reputação. No Metacritic, apresenta 84/100, classificado como "Universal Acclaim", enquanto a avaliação dos usuários permanece em território bastante favorável. A principal crítica contemporânea continua sendo a mesma levantada desde 1958: a adaptação perdeu parte da força da peça de Tennessee Williams ao eliminar praticamente todas as referências explícitas à homossexualidade de Brick. O próprio Williams ficou profundamente insatisfeito com a versão cinematográfica, e Paul Newman também manifestou decepção com a maneira como o material original foi alterado. Entretanto, essa limitação histórica não destruiu o poder dramático do filme. Pelo contrário, a tensão entre o que é dito e aquilo que permanece não dito tornou-se parte fundamental da experiência. A atuação de Newman é hoje reconhecida como uma das mais importantes de sua carreira, enquanto Taylor criou uma Maggie simultaneamente sensual, desesperada, inteligente e determinada. Burl Ives também permanece memorável como Big Daddy, uma figura brutal e vulnerável diante da própria mortalidade. A fotografia de William Daniels, a atmosfera sufocante da mansão e a direção de Brooks completam uma obra que continua fascinando novas gerações. Assim, mesmo sendo uma adaptação censurada, Cat on a Hot Tin Roof sobreviveu ao seu tempo e permanece como um dos grandes dramas familiares da história de Hollywood.

Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, Estados Unidos, 1958) Direção: Richard Brooks / Roteiro: Richard Brooks e James Poe, baseado na peça Cat on a Hot Tin Roof, de Tennessee Williams / Elenco: Paul Newman, Elizabeth Taylor, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson e Madeleine Sherwood / Sinopse: Durante o aniversário de um poderoso fazendeiro do Mississippi, uma família mergulhada em disputas pela herança é obrigada a confrontar doenças, ressentimentos, ambição e os segredos que destruíram o casamento de Brick e Maggie.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

segunda-feira, 3 de março de 2025

Vidas Amargas

Pode ser considerado o primeiro filme de James Dean, mesmo ele tendo aparecido em pequenas participações em três filmes anteriores. Esse é o primeiro filme em que ele realmente teve a oportunidade de mostrar seu talento como ator. Nos filmes anteriores ele tinha poucas linhas de diálogos e em alguns deles era um mero figurante. Porém em "Vidas Amargas" o diretor Elia Kazan resolveu apostar naquele jovem ator de Indiana, dando a maior oportunidade de sua carreira até então. E Dean não decepcionou, atuando de forma brilhante em seu papel, a de um jovem com problemas familiares que ousava trazer à tona um segredo sobre sua mãe que poderia destruir sua família.

O roteiro foi baseado no best-seller escrito pelo autor John Steinbeck. Entretanto Kazan decidiu que só iria explorar a parte inicial da história contada no livro. Ele acreditava que a força dramática do livro se concentrava justamente em seus primeiros capítulos. Não interessava ao cineasta o desenrolar daqueles primeiros acontecimentos. E assim foi feito. O resultado ficou excepcional. Aliás é interessante notar como James Dean já encarnava nesse seu primeiro grande papel a figura do jovem rebelde, encucado e confuso, que não era bem visto nem mesmo por seu pai, um tipo conservador indigesto, que a despeito de ser um homem duro com os filhos, usava tudo como mera desculpa para torturar psicologicamente o filho de que não gostava, justamente o personagem de Dean. Em conclusão, "Vidas Amargas" é uma obra-prima da sétima arte. Grande filme  de James Dean e Elia Kazan, em momento inspirado de suas carreiras.

Vidas Amargas (East of Eden, Estados Unidos, 1955) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Paul Osborn, Elia Kazan, inspirados no livro escrito por John Steinbeck / Elenco: James Dean, Raymond Massey, Julie Harris, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet / Sinopse: Nas vésperas da explosão da I Guerra Mundial, um jovem chamado Cal Trask (James Dean) descobre um grande segredo envolvendo o passado de sua família. E ele não deixará isso passar em branco, usando tudo para atingir seu rígido pai e seu irmão, considerado um jovem modelo na cidade onde vive. Filme vencedor do Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante (Jo Van Fleet). Também indicado nas categorias de melhor ator (James Dean), melhor direção (Elia Kazan) e melhor roteiro adaptado.

Pablo Aluísio.