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segunda-feira, 25 de maio de 2026

O Rei e Eu

O Rei e Eu
O filme The King and I foi lançado em 29 de junho de 1956, dirigido por Walter Lang e estrelado por Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Terry Saunders e Carlos Rivas. Baseado no famoso musical da Broadway criado por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, o filme conta a história de Anna Leonowens, uma professora britânica viúva que viaja ao Sião do século XIX para educar os filhos do rei Mongkut. Ao chegar ao palácio, Anna encontra uma cultura profundamente diferente da sua e passa a enfrentar choques culturais constantes. O relacionamento entre Anna e o rei evolui de confrontos e desentendimentos para respeito mútuo e admiração. O filme mistura romance, drama histórico e números musicais grandiosos. A narrativa explora temas como tradição, modernização e diferenças culturais. O carisma de Yul Brynner no papel do rei tornou-se um dos elementos centrais da obra. A produção também impressiona pelos figurinos luxuosos e cenários elaborados. Assim, The King and I consolidou-se como um dos grandes musicais clássicos de Hollywood.

Quando foi lançado, The King and I recebeu uma recepção crítica extremamente positiva. O The New York Times elogiou o filme como “um musical majestoso, repleto de elegância e emoção”. Já o Los Angeles Times destacou a performance de Yul Brynner, afirmando que ele entregava “uma atuação magnética e inesquecível”. A revista Variety comentou que o longa era “um espetáculo luxuoso que honra plenamente o sucesso da Broadway”. Muitos críticos elogiaram a química entre Deborah Kerr e Yul Brynner, além da qualidade dos números musicais. A direção de Walter Lang também recebeu reconhecimento por equilibrar intimidade emocional e grandiosidade visual. A crítica destacou especialmente canções como “Getting to Know You” e “Shall We Dance?”. O filme foi amplamente considerado uma das grandes produções musicais da década de 1950. Assim, conquistou aclamação imediata da imprensa especializada.

A recepção crítica tornou-se ainda mais forte após a temporada de premiações. The King and I recebeu 9 indicações ao Oscar e venceu 5, incluindo Melhor Ator para Yul Brynner, além de prêmios por figurino, direção de arte e trilha sonora. Deborah Kerr também recebeu muitos elogios por sua atuação elegante e emocional. Publicações como The New Yorker destacaram que o filme era “uma combinação rara de inteligência, humor e espetáculo visual”. A interpretação de Brynner passou a ser considerada uma das mais icônicas da história dos musicais. Muitos críticos também elogiaram a adaptação cinematográfica por manter a essência teatral sem perder a força do cinema. Com o passar das décadas, o filme consolidou sua posição como um clássico absoluto do gênero musical. A trilha sonora tornou-se extremamente popular e influente. Assim, a reputação crítica do filme permaneceu sólida e admirada ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, The King and I foi um enorme sucesso de bilheteria. O filme arrecadou cifras impressionantes para a época e tornou-se uma das maiores bilheterias de 1956. O público respondeu de forma entusiasmada ao romance, à música e ao visual grandioso da produção. A popularidade de Yul Brynner cresceu enormemente após o lançamento. O longa também teve excelente desempenho internacional, especialmente na Europa e na Ásia. Exibições prolongadas nos cinemas ajudaram a transformar o filme em um fenômeno cultural. Além disso, relançamentos posteriores e exibições televisivas mantiveram sua popularidade viva por décadas. O filme também impulsionou novas montagens teatrais do musical ao redor do mundo. Assim, seu impacto comercial foi enorme. The King and I tornou-se um dos musicais mais lucrativos e celebrados de sua época.

Atualmente, The King and I é considerado um dos maiores musicais clássicos da história do cinema. A atuação de Yul Brynner permanece lendária e profundamente associada ao personagem do rei Mongkut. O filme continua sendo admirado pela elegância de sua produção e pela força de suas canções. Críticos modernos reconhecem tanto suas qualidades artísticas quanto os debates contemporâneos sobre representação cultural e orientalismo presentes na obra. Ainda assim, a direção refinada, os figurinos e a química entre os protagonistas continuam sendo amplamente elogiados. O longa segue influenciando adaptações musicais e produções históricas até hoje. Novas gerações continuam descobrindo o filme através de restaurações e edições especiais. Dessa forma, sua importância histórica permanece incontestável. The King and I continua sendo uma referência fundamental do cinema musical clássico.

O Rei e Eu (The King and I, Estados Unidos, 1956) Direção: Walter Lang / Roteiro: Ernest Lehman, baseado no musical de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, inspirado nos livros de Anna Leonowens / Elenco: Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Terry Saunders e Carlos Rivas / Sinopse: Uma professora britânica viaja ao Sião para educar os filhos do rei Mongkut, desenvolvendo uma relação marcada por conflitos culturais, respeito mútuo e transformação pessoal.

Erick Steve. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

A Um Passo da Eternidade

A Um Passo da Eternidade 
O soldado Robert E. Lee Prewitt (Montgomery Clift) é transferido para uma base militar no Havaí após ter alguns problemas com oficiais no quartel onde servia. Lá ele fica sob o comando do Sargento Milton Warden (Burt Lancaster). Prewitt tem fama de bom boxeador, mas não quer voltar aos ringues. Como o Comandante do grupo é fã do esporte ele tenta convencer o soldado a lutar de qualquer jeito ao lhe impor uma rígida disciplina militar. Seu objetivo é forçar Previtt a lutar na competição militar, mas ele resiste bravamente. Nesse ínterim, o Sargento Milton decide começar um caso extraconjugal com a bela Karen Holmes (Deborah Kerr); O problema é que ela é a esposa de seu Capitão!

"A Um Passo da Eternidade" é um dos clássicos mais famosos da história do cinema americano. O que o distingue dos demais filmes de guerra da época é que o roteiro do filme procura desenvolver o máximo possível o aspecto mais humano dos personagens em cena. O papel de Clift é um exemplo. Ele é um novato que sofre todos os tipos de humilhações dentro da base. Mesmo assim resiste ás provocações para demonstrar seu ponto de vista. Ao se envolver com a dançarina de cabaré Lorene Burke (Donna Reed) ele procura acima de tudo uma redenção em sua vida, algo que valha a pena lutar. O enredo gira em torno dele, mas o filme não se resume a isso pois tem como pano de fundo o grande ataque japonês ao porto americano de Pearl Harbor, fato que ocasionou a entrada dos EUA na II Guerra Mundial. O argumento assim tenta dar um rosto e uma história para os milhares de militares americanos que estavam no Havaí nesse grande bombardeio das forças do império japonês.

Baseado no romance best-seller de James Jones, "A Um Passo da Eternidade" é, em essência, um filme sobre relacionamentos humanos, paixões, rivalidades nas vésperas de um dos maiores acontecimentos da história norte-americana. Além do filme em si ser um marco, a produção ficou conhecida também por várias histórias de bastidores. Uma das mais conhecidas envolveu o cantor Frank Sinatra. Na época ele estava em um péssimo momento na carreira. Após ter um problema vocal suas vendas despencaram e assim Sinatra ficou sem muitas alternativas. Ao descobrir que a Columbia faria "A um Passo da Eternidade" resolveu lutar pelo papel de Angelo Maggio, um soldado boa praça que é vítima de um guarda sádico (interpretado pelo sempre ótimo Ernest Borgnine). O drama para Sinatra começou quando o diretor Fred Zinnemann o recusou para o filme. Segundo afirmam alguns livros o chefão mafioso Sam Giancana, atendendo a um pedido desesperado de Sinatra, colocou Zinnemann contra a parede para que ele escalasse o cantor em decadência. O fato acabou sendo utilizado em "O Poderoso Chefão" em uma cena em que um cantor italiano pede ajuda a Don Vito Corleone para que ele fosse escalado para um filme importante.  A cena é impactante quando uma cabeça de cavalo decepada é colocada ao lado da cama de um cineasta famoso.

De qualquer modo, seja lá como entrou no filme, o fato é que Sinatra conseguiu voltar ao auge. Ele venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação e o filme acabou se tornando o grande premiado de seu ano, levando para casa ainda mais sete prêmios. Uma consagração praticamente completa na mais prestigiada premiação do cinema mundial. Burt Lancaster também foi indicado ao Oscar de melhor ator, mas não venceu. Havia um certo preconceito contra ele, por ser um astro de filmes de ação e aventura na época. Já Montgomery Clift foi completamente esquecido em mais uma daquelas famosas injustiças da Academia. A consolação para Lancaster veio pelo fato de ter feito a cena mais famosa de sua carreira, quando beija Deborah Kerr na beira da praia. Um momento considerado extremamente ousado para a época, com sensualidade à flor da pele.

A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, Estados Unidos, 1953) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Daniel Taradash baseado no romance de James Jones / Elenco: Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Frank Sinatra, Donna Reed, Ernest Borgnine, Philip Ober / Sinopse: Nas vésperas do ataque japonês à base de Pearl Harbor, fato que levou os Estados Unidos a entrarem na II Guerra Mundial, um grupo de soldados vivem seus dramas pessoais em um regimento do Havaí. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção (Fred Zinnemann), Melhor Roteiro (Daniel Taradash), Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Melhor Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Melhor Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey), Melhor Som (John P. Livadary) e Melhor Edição (William A. Lyon). Filme vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Direção (Fred Zinnemann) e Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra),  

Pablo Aluísio. 

domingo, 1 de junho de 2025

Júlio César

Em sua autobiografia Marlon Brando tirou duas conclusões sobre o filme “Júlio César”. A primeira foi que ele era ainda muito jovem e inexperiente para assumir um papel tão complexo em um texto tão rico (e muito fiel ao original escrito por William Shakespeare). O ator ficou inseguro durante as filmagens, também pudera, rodeado de monstros da arte de interpretação, Brando teve que se esforçar muito mais do que o habitual para não só decorar o rebuscado texto como também compreender o que ele significava. A segunda conclusão que Brando chegou é a de que filmes assim não encontram muita recepção e ressonância entre a cultura americana que em essência é a cultura do chiclete e da Coca-Cola, uma cultura que nem chega perto da milenar cultura europeia do qual provém essa maravilhosa peça.

Durante a exibição do filme fiquei pensando na opinião do ator e cheguei na conclusão pessoal de que ele estava certo apenas em termos. Realmente o ator está muito jovem, até inexperiente, para recitar Shakespeare. Atores ingleses obviamente se saem melhor nesse aspecto. Porém é impossível não reconhecer seu talento em duas grandes cenas do filme. A primeira ocorre quando Marco Antônio (Brando) encontra o corpo esfaqueado de César no senado. Se nos primeiros minutos de filme ele está em segundo plano aqui nesse momento assume posição de destaque no desenrolar dos acontecimentos. A segunda grande cena do ator no filme surge depois quando ele discursa para a multidão. Levando o corpo de César nos braços ele joga com as palavras de forma maravilhosa. Essa segunda cena é seguramente um dos maiores momentos de Brando no cinema. Esqueça seus famosos resmungos, aqui ele surge com uma dicção perfeita e uma oratória ímpar (mostrando que sua passagem pelo Actors Studio não foi em vão). Com pleno domínio ele instiga o povo contra os senadores que mataram César. Brando está perfeito no discurso, em um momento realmente de arrepiar.

Sobre o segundo aspecto realmente devo dar razão à opinião do ator. O público americano provavelmente estranhou a forma do filme. A cultura americana (e a nossa, diga-se de passagem) não abre muitas brechas para um texto tão bem escrito e profundo como esse. Os diálogos são declamados com grande eloqüência, por maravilhosos atores. O texto obviamente é riquíssimo em todos os sentidos e ao final de cada grande diálogo o espectador mais atento certamente ficará impressionado pela grandeza que a palavra escrita alcançava nas mãos de Shakespeare. Por se tratar de tão culto autor o filme exige uma certa erudição do público.

O espectador deve entender principalmente o contexto histórico do que se passa na tela (o fim da República Romana e o surgimento do Império). Deve também entender que Brutus (brilhantemente interpretado por James Mason) não é um vilão em cena mas sim um cidadão romano que acreditava no sistema político de então. Aliás é bom frisar que o tempo acabaria de certa forma dando razão a ele e aos senadores que mataram César. Os ideais republicanos de Roma tiveram muito mais influência nos séculos seguintes do que o arcaico e corrupto sistema que foi implantado pelos imperadores que iriam suceder César no poder. O legado do Império acabou mas as fundações do republicanismo que tanto foram defendidas por Brutus seguem firme até os dias de hoje. Enfim, Júlio César é um excelente filme, uma aula de cultura em todos os aspectos. Brando não está menos do que magnífico, apesar de ter ficado inseguro no resultado final. Em tempos de sub-cultura que vivemos “Júlio César” é não menos do que obrigatório

Júlio César (Julius Caesar, Estados Unidos, 1953) Diretor: Joseph L. Mankiewicz / Roteiro: Joseph L. Mankiewicz baseado na obra de William Shakespeare / Elenco: Marlon Brando, James Mason, John Gielgud, Deborah Kerr, Alan Napier./ Sinopse: Júlio César (Louis Calhern) é um habilitoso político e general romano que é assassinado no senado nos idos de março. Após sua morte duas facções se formam, os que querem a morte dos assassinos liderados por Marco Antônio (Marlon Brando) e Otáviano e os que comemoram sua morte liderados por Brutus (James Mason) e Cícero (Alan Napier). O palco da guerra civil está armado.

Pablo Aluísio.