Mostrando postagens com marcador Kirk Douglas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kirk Douglas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Chaga de Fogo

Título no Brasil: Chaga de Fogo
Título Original: Detective Story
Ano de Lançamento: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: William Wyler
Roteiro: Philip Yordan, Robert Wyler
Elenco: Kirk Douglas, Eleanor Parker, William Bendix, Cathy O'Donnell, George Macready, Horace McMahon

Sinopse:
O filme mostra um dia de trabalho na vida de um investigador de uma delegacia de polícia em Nova Iorque. Ao longo do dia ele precisa lidar com uma série de criminosos diversos. O jovem que roubou do próprio patrão para gastar com sua namorada fútil. O médico rico e renomado que fazia abortos. Uma dupla de arrombadores de apartamentos e até mesmo uma garota, pega no flagra, roubando uma loja de departamentos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção e melhor roteiro. 

Comentários:
Um bom clássico da carreira do ator Kirk Douglas. A primeira coisa que me chamou a atenção foram as longas tomadas de cena. Como a história se passa toda dentro de uma delegacia de polícia os eventos vão acontecendo ao mesmo tempo e praticamente não há cortes de edição. Quase um teatro filmado. Mostra bem como o elenco era bom, mesmo em grandes sequências eles não perdiam o fio da meada e nem esqueciam os extensos diálogos. Como destaque e não poderia ser diferente, temos um talentoso Kirk Douglas. Ele interpreta um daqueles detetives durões dos filmes antigos. O tempo todo ele precisa ser parado por seu superior pois sua vontade seria a de acertar socos certeiros na cara de todos aqueles criminosos que pegou. E no final ele acaba descobrindo que sua própria esposa estaria envolvida nos crimes de um médico de uma clínica clandestina de aborto. O detalhe cruel é que ele nem sabia disso e o filho era de outro homem! Claro que sua casa cai depois disso. Um filme realmente muito bom, valorizado pelo final trágico que surpreendeu muita gente na época. Mesmo com todo o moralismo machista da época, o filme ainda se sustenta muito bem nos dias de hoje! 

Pablo Aluísio.

A Montanha dos Sete Abutres

A Montanha dos Sete Abutres
Há momentos em que os deuses do cinema parecem estar em estado de graça. Unir um diretor genial como Billy Wilder com um ator excepcional como Kirk Douglas não poderia dar em outra coisa. Esse clássico "A Montanha dos Sete Abutres" é uma verdadeira obra-prima da sétima arte. O enredo é um retrato puro e até mesmo cruel da alma do ser humano. Aqui visto sob o lado mais sórdido de cada personagem em cena. O brilhante roteiro serve para mostrar as reais intenções de certas pessoas que não estão preocupadas em ajudar os outros, mesmo que esses passem por momentos cruciais na vida, mas sim em como podem explorar uma situação limite em proveito próprio, passando por cima de todos os valores e de todos os sentimentos nobres. A trama explora muito bem esse aspecto. Chuck Tatum (Kirk Douglas) é um jornalista decadente que após ter trabalhado em grandes jornais de Nova Iorque vai parar em um jornalzinho de Albuquerque, bem no interior dos Estados Unidos. É uma queda e tanto na carreira. Tudo o que Tatum deseja é encontrar uma boa história para levantar novamente sua vida profissional. E ela surge, quase por acaso, após um homem ficar preso soterrado numa velha mina, construída em cima de um antigo cemitério indígena. Não demora muito e Tatum transforma o acontecimento em um verdadeiro circo, causando uma comoção na mídia nacional. Para ele o que importa não é o destino do pobre sujeito soterrado, mas sim o proveito pessoal que poderá tirar daquela tragédia.

O filme é bem isso. Um maravilhoso e ao mesmo tempo cruel tratado sobre a sordidez humana. Assim de forma bem simples poderíamos resumir esse grande clássico de Billy Wilder, "Ace in the Hole", sem dúvida um de seus mais brilhantes e inspirados trabalhos. Os personagens que o cineasta explora em seu roteiro formam o retrato da ambição humana sem limites, um conjunto de pessoas desprezíveis que só pensam em si mesmas e não hesitam em explorar a desgraça alheia em prol de seu proveito próprio. O jornalista interpretado por Kirk Douglas certamente é o mais perfeito retrato disso, um sujeito que só deseja o sucesso pessoal a qualquer custo, mesmo que isso custe a vida de um inocente.

A esposa do pobre sujeito soterrado, a falsa loira Lorraine Minosa (em ótima atuação da atriz Jan Sterling), é uma figura desalmada, mesquinha, má e interesseira que causa asco e nojo no espectador. Nessa tríade de gente ordinária não escapa nem mesmo o xerife da cidade, incorporando todas as corrupções que você possa imaginar. Billy Wilder assim procura mostrar ao público o lado mais desprezível de todos eles. O valor da vida humana é mera peça no tabuleiro de interesses vis e sórdidos. No final o que temos aqui é um retrato nada lisonjeiro da alma humana e uma prova maravilhosa do talento desse grande cineasta. É, em suma, um filme indispensável para se guardar em sua coleção.

A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, Estados Unidos, 1951) Estúdio: Paramount Pictures / Direção: Billy Wilder / Roteiro: Billy Wilder, Lesser Samuels, W. Newman / Elenco: Kirk Douglas, Jan Sterling, Robert Arthur / Sinopse: Jornalista inescrupuloso e mau-caráter começa a explorar de forma vil uma tragédia para levantar sua carreira decadente. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original (Billy Wilder, Lesser Samuels e Walter Newman).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Algemas de Cristal

Título no Brasil: Algemas de Cristal
Título Original: The Glass Menagerie
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: Irving Rapper
Roteiro: Peter Berneis e Tennessee Williams
Elenco: Jane Wyman, Kirk Douglas, Gertrude Lawrence, Arthur Kennedy, Ralph Sanford e Ann Tyrrell

Sinopse: 
Ambientado em St. Louis durante a década de 1930, o filme acompanha a família Wingfield, formada por Amanda, seu filho Tom e sua filha Laura, uma jovem extremamente tímida que vive mergulhada em seu próprio mundo e encontra conforto em sua pequena coleção de animais de vidro. Abandonada pelo marido, Amanda vive presa às lembranças de sua juventude e preocupa-se constantemente com o futuro dos filhos. Tom trabalha em um emprego de que não gosta para sustentar a família, mas sente-se cada vez mais sufocado pela vida doméstica e sonha em partir em busca de novas experiências. Preocupada com a solidão de Laura, Amanda insiste para que Tom convide um colega de trabalho para jantar. O escolhido é Jim O'Connor, um jovem simpático e popular que desperta imediatamente as esperanças de Amanda. A chegada de Jim transforma o ambiente da casa e proporciona a Laura uma rara oportunidade de superar sua timidez. Durante o encontro, porém, antigas ilusões, expectativas familiares e desejos pessoais começam a entrar em conflito, conduzindo a história para um momento de grande emoção e decepção.

Comentários: 
Algemas de Cristal foi a primeira adaptação cinematográfica de uma peça de Tennessee Williams e levou para as telas uma das obras mais conhecidas do teatro americano. Irving Rapper procurou preservar boa parte da estrutura original, mantendo o foco nos quatro personagens principais e nos conflitos psicológicos da família Wingfield. Jane Wyman apresenta uma atuação delicada como Laura, enquanto Kirk Douglas interpreta Jim O'Connor com um charme que contrasta com a atmosfera melancólica da família. Gertrude Lawrence assume o papel de Amanda, uma mulher presa às lembranças do passado e determinada a encontrar um futuro melhor para os filhos, enquanto Arthur Kennedy interpreta Tom, personagem que funciona também como narrador da história. A fotografia de Robert Burks e a música de Max Steiner contribuem para criar o ambiente intimista do filme. A produção foi realizada pela companhia de Charles K. Feldman e distribuída pela Warner Bros., tendo recebido lançamento em setembro de 1950. O filme possui cerca de 107 minutos e representou uma tentativa de transformar para o cinema uma peça marcada por memórias, simbolismo e forte carga emocional.

A recepção crítica na época foi dividida. A Variety elogiou a adaptação e considerou que o filme conseguia transformar o material teatral em uma produção cinematográfica envolvente, enquanto Bosley Crowther, do The New York Times, foi muito mais crítico, afirmando que algumas cenas aproximavam-se de uma espécie de comédia exagerada e prejudicavam a delicadeza da obra original. O New Yorker, por sua vez, observou que a fidelidade à peça produzia um filme literário e poderoso em seus momentos mais tocantes, embora reconhecesse que a concentração da ação em poucos ambientes poderia tornar algumas passagens monótonas. O próprio Tennessee Williams posteriormente demonstrou insatisfação com a adaptação, especialmente por alterações feitas para oferecer ao público um desfecho mais próximo dos padrões de Hollywood daquele período. Apesar das controvérsias, o filme permanece importante na história das adaptações de Williams e é particularmente interessante pela presença de Jane Wyman, Kirk Douglas e Gertrude Lawrence. Hoje, Algemas de Cristal é lembrado tanto como documento do cinema americano de 1950 quanto como uma das primeiras tentativas de levar Tennessee Williams para a tela grande.

Erick Steve.

Êxito Fugaz

Título no Brasil: Êxito Fugaz
Título Original: Young Man with a Horn
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Carl Foreman, Edmund H. North
Elenco: Kirk Douglas, Lauren Bacall, Doris Day

Sinopse:
O jovem Rick Martin (Kirk Douglas) descobre que tem um dom para a música e se apaixona pelo trompete. O lendário trompetista Art Hazzard coloca Rick sob sua proteção e lhe ensina tudo o que sabe sobre como tocar. Rick acaba se tornando um trompetista famoso, mas sua personalidade volátil e seu desejo de tocar jazz em vez das músicas mais convencionais das bandas para as quais trabalha o colocam em uma situação complicada.

Comentários:
O jazz quando surgiu tinha o mesmo aspecto de som revolucionário que o rock iria ter alguns anos depois. Era considerado uma sonoridade da parcela negra e marginal da sociedade, então havia todo aquele preconceito e perseguição que bem conhecemos. Esse filme aqui tenta trazer um retrato desse tempo, focando no personagem de Kirk Douglas que não sabia tocar nenhum instrumento, mas como bom ator que era, passava de forma convincente nas telas de cinema como um músico talentoso. E ele precisa também se decidir entre duas mulheres fortes em sua vida, sendo uma delas a Doris Day quer era naquela época um símbolo de boa moça da sociedade. Enfim, um bom filme cujo roteiro até hoje se mostra bem interessante por causa do contexto cultural em que a história do filme se desenvolve. 

Pablo Aluísio.

Kirk Douglas - Filmografia Selecionada

 
Kirk Douglas - Filmografia Selecionada

Décadas de 1940 e 1950: 
O Tempo Não Apaga
O Invencível
Êxito Fugaz
Algemas de Cristal
A Montanha dos 7 Abutres
Chaga de Fogo
Floresta Maldita
O Rio da Aventura
Assim Estava Escrito
A História de Três Amores
O Malabarista
Mais Forte que a Morte
20.000 Léguas Submarinas
Ulysses
Caminhos sem Volta
Homem sem Rumo
A Um Passo da Morte
Sede de Viver
Lábios Selados
Sem Lei e Sem Alma
Glória Feita de Sangue
Vikings, os Conquistadores
Duelo de Titãs
O Discípulo do Diabo
Anáguas a Bordo

Pesquisa: Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

O Invencível

O Invencível
Kirk Douglas teve uma das filmografia mais longas e produtivas da história de Hollywood. São 92 filmes, onde o ator ao longo de cinco décadas de carreira, mostrou todo o seu talento, indo do drama à comédia, dos filmes de guerra aos filmes de western. Tudo realizado com grande talento e empenho profissional. Um de seus grandes filmes foi esse "O Invencível" de 1949, onde chegou inclusive a ser indicado ao Oscar de melhor ator. Muitos na época acreditavam que Kirk Douglas era o favorito ao prêmio, mas como em termos de Academia tudo pode acontecer, ele não levou a estatueta para casa. Claro, foi decepcionante para ele que apareceu na festa bem animado, mas não deu, Kirk não se tornou o escolhido daquela noite. Nesse filme Kirk Douglas interpretou um esportista conhecido como Midge, um sujeito de origem humilde que começa a subir na carreira de lutador de boxe. Conforme cresce e se torna uma figura importante no mundo esportivo, ele começa a esquecer todos aqueles que lhe ajudaram nessa longa caminhada. Abandona a mulher que fez tudo por ele e começa a ignorar parentes e amigos dos duros anos da pobreza. Como se vê é um personagem complicado de se interpretar, uma vez que na verdade se trata de um sujeito de caráter duvidoso, que acaba se deslumbrando com a sua própria fama e sucesso.

Para muitos especialistas na biografia de Kirk Douglas esse foi um dos filmes definitivos de sua carreira, pois o alçou para o estrelado. Não é para menos pois Kirk está completamente à vontade no papel do inescrupuloso Midge, uma pessoa que fica embriagada com seu próprio êxito nos ringues. O filme tem um clima noir dos mais marcantes, com belo uso da fotografia preto e branco, obviamente inspirado no cinema alemão da época. As cenas de lutas são extremamente bem editadas, o que valeu o Oscar de melhor montagem para o filme naquele ano. Até porque uma luta de boxe no cinema exigia emoção e nada melhor do que uma boa edição para realçar ainda mais esse aspecto.  

A atriz Marilyn Maxwell (grande amiga pessoal de outro astro da época, Rock Hudson) está perfeita no papel de Grace. Curiosamente o filme teria problemas anos depois no auge da chamada "Caça às Bruxas" pois o roteiro foi considerado o símbolo perfeito do sentimento subversivo que havia sido acusado o cinema americano daqueles anos. O roteirista Carl Foreman acabou sendo acusado de ser comunista e entrou para a lista negra. Bobagem paranoica, tipicamente da mentalidade débil mental do Macarthismo. Deixe tudo isso de lado, "O Invencível" é um perfeito retrato das mudanças de um homem que não conseguiu mais separar seu sucesso profissional de sua vida pessoal. Não se trata de uma ode à ideologia socialista. Assim fica a recomendação para os fãs do cinema noir da década de 1940, pois "Champion" é sem dúvida uma grande obra cinematográfica daquele período histórico do cinema americano.

O Invencível (Champion, Estados Unidos, 1949) Direção: Mark Robson / Roteiro: Carl Foreman, Ring Lardner / Elenco: Kirk Douglas, Marilyn Maxwell, Arthur Kennedy / Sinopse: Boxeador (Douglas) começa a colecionar vitórias nos ringues ao mesmo tempo em que começa a esquecer todos aqueles que o ajudaram a subir na carreira. O destino porém lhe reservará uma grande lição de vida. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor edição (Harry Gerstad). Também indicado nas categorias de melhor ator (Kirk Douglas), melhor ator coadjuvante (Arthur Kennedy), melhor roteiro (Carl Foreman), melhor direção de fotografia em preto e branco (Franz Planer) e melhor música (Dimitri Tiomkin). Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria de melhor direção de fotografia em preto e branco (Franz Planer).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

O Tempo Não Apaga

Título no Brasil: O Tempo Não Apaga
Título Original: The Strange Love of Martha Ivers
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Lewis Milestone
Roteiro: Robert Rossen
Elenco: Barbara Stanwyck, Van Heflin, Lizabeth Scott, Kirk Douglas, Judith Anderson, Roman Bohnen

Sinopse:
O ano é 1928. Baseado no romance "Love Lies Bleeding" escrito por John Patrick, o filme conta a história de Martha Ivers (Barbara Stanwyck), uma mulher dominadora e implacável, casada com um homem que tenta manipular de todas as maneiras. Martha tem um terrível segredo envolvendo seu passado, algo que não pode ser descoberto por ninguém.

Comentários:
Drama pesado, assinado pelo talentoso cineasta Lewis Milestone. O filme chegou a ser indicado a um Oscar, na categoria melhor roteiro. Curiosamente a indicação foi para o escritor John Patrick que escreveu o romance que deu origem ao filme e não propriamente ao roteirista dessa produção,  Robert Rossen. Um tipo de erro que alguns anos depois a Academia iria consertar, mudando as regras de indicação a esse prêmio. Outro fato curioso é que o filme fez grande sucesso na Europa (mais do que dentro do mercado americano). Sua trama, bem pesada, calcada em personagens dramáticos e trágicos, foi bem de encontro ao gosto dos europeus. Por essa razão o filme acabou fazendo boa carreira no exterior, inclusive sendo reconhecido no Festival de Cannes daquele ano. Outro fato digno de nota é que esse foi o primeiro filme da carreira do ator Kirk Douglas. Ele interpreta um jovem procurador, ambicioso, mas honesto, chamado Walter O'Neil. Douglas ainda era bem moço, mas já demonstrava aquele carisma forte que iria construir toda a sua carreira, o transformando em um dos grandes astros da história de Hollywood nos anos seguintes. Já Barbara Stanwyck se sobressai bastante com sua atuação ao dar vida a uma mulher com poucos valores éticos, cujas ambições se resumem a ficar rica, seja de que maneira for. Ela inclusive guarda um terrível segredo em seu passado que agora tenta de todas as formas esconder. Enfim, um bom dramalhão dos anos 40, valorizado sobretudo por seu excelente elenco.

Pablo Aluísio.