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terça-feira, 14 de abril de 2026

A Filha da Pecadora

A Filha da Pecadora
O filme Desert Fury foi lançado em 1947, dirigido por Lewis Allen e estrelado por Jennifer Jones, John Hodiak, Lizabeth Scott, Burt Lancaster, Mary Astor e Wendell Corey. Ambientado em uma pequena cidade desértica de Nevada, o filme acompanha Paula Haller, filha de uma poderosa dona de cassino, que vive sob a forte influência da mãe. A chegada do misterioso Eddie Bendix, um homem com passado criminoso, desperta o interesse de Paula e provoca tensão na comunidade. Ao mesmo tempo, o leal xerife Tom Hanson observa com desconfiança os acontecimentos, tentando proteger Paula dos perigos que se aproximam. A narrativa mistura elementos de melodrama, romance e filme noir, explorando relações complexas e conflitos emocionais intensos. A atmosfera do deserto, capturada em cores vibrantes, contrasta com o clima sombrio da história. À medida que os segredos do passado de Eddie vêm à tona, a trama se torna mais densa e perigosa. Relações ambíguas e tensões latentes conduzem a história a um desfecho dramático. Assim, Desert Fury se destaca por sua combinação incomum de estilos e temas.

Quando foi lançado, Desert Fury recebeu uma recepção crítica mista, com elogios e críticas dividindo a opinião da imprensa americana. O The New York Times comentou que o filme possuía “uma narrativa curiosa, mas por vezes irregular em seu desenvolvimento”, destacando que a mistura de gêneros nem sempre funcionava plenamente. Já o Los Angeles Times elogiou a fotografia em Technicolor e a ambientação visual, afirmando que o filme “se destaca pelo uso impressionante das cores em um contexto geralmente associado ao preto e branco do noir”. A revista Variety apontou que o longa apresentava “um elenco forte, mas um roteiro que oscila entre o drama psicológico e o melodrama exagerado”. Muitos críticos reconheceram a tentativa de inovar ao combinar o estilo noir com cenários abertos e coloridos. No entanto, alguns consideraram que a narrativa carecia de maior coesão. A performance de Lizabeth Scott foi frequentemente elogiada por sua intensidade e presença. A crítica, de modo geral, viu o filme como uma experiência interessante, embora imperfeita. Assim, a recepção inicial refletiu tanto admiração quanto reservas.

A análise crítica continuou dividida, com algumas publicações destacando aspectos mais ousados do filme. A revista The New Yorker observou que o longa possuía “uma tensão emocional incomum para produções do gênero na época”. Muitos críticos também chamaram atenção para os subtextos presentes na relação entre certos personagens, algo que só seria mais amplamente discutido décadas depois. Embora o filme não tenha recebido grandes indicações a prêmios importantes como o Oscar, ele chamou atenção por sua abordagem estética diferenciada. A fotografia e o uso da cor foram frequentemente citados como elementos inovadores dentro do contexto do cinema noir. Com o passar dos anos, estudiosos começaram a reavaliar o filme sob uma nova perspectiva, reconhecendo sua originalidade. A combinação de melodrama, crime e tensão psicológica passou a ser vista como um experimento interessante dentro do cinema clássico de Hollywood. Dessa forma, o filme começou a ganhar uma reputação mais positiva entre críticos especializados. A reavaliação ajudou a destacar qualidades que haviam sido subestimadas em seu lançamento.

Do ponto de vista comercial, Desert Fury teve um desempenho moderado nas bilheterias. O filme conseguiu atrair público graças ao seu elenco estrelado e à popularidade de Jennifer Jones na época. No entanto, não alcançou o status de grande sucesso comercial. O público respondeu de maneira variada, com alguns espectadores apreciando o drama intenso e outros achando a narrativa excessivamente melodramática. A ambientação em Technicolor ajudou a diferenciar o filme de outros noirs do período, chamando atenção nas salas de cinema. Ao longo do tempo, o longa ganhou nova vida em exibições televisivas e no mercado doméstico. Muitos espectadores passaram a valorizar sua estética e atmosfera. Assim, embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria, o filme conseguiu manter sua relevância ao longo dos anos. Seu desempenho comercial pode ser considerado sólido, ainda que não extraordinário.

Atualmente, Desert Fury é visto como um filme cult dentro do cinema clássico de Hollywood. Críticos contemporâneos destacam sua ousadia estética e seus subtextos psicológicos como elementos que o diferenciam de outras produções da época. O filme é frequentemente citado como um exemplo de “noir em cores”, algo relativamente raro no período em que foi produzido. A atuação de Lizabeth Scott e a complexidade das relações entre os personagens são aspectos amplamente analisados. Estudos modernos também exploram as possíveis leituras simbólicas e emocionais da narrativa. A direção de Lewis Allen é reconhecida por sua capacidade de criar tensão em um ambiente visualmente luminoso. O filme passou a ser apreciado por sua singularidade dentro do gênero. Novas gerações de espectadores continuam descobrindo a obra. Dessa forma, Desert Fury conquistou um lugar especial entre os filmes cult do período clássico. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

A Filha da Pecadora (Desert Fury, Estados Unidos, 1947) Direção: Lewis Allen / Roteiro: Robert Rossen e Ethel Hill, baseado no romance Desert Town, de Ramona Stewart / Elenco: Jennifer Jones, John Hodiak, Lizabeth Scott, Burt Lancaster, Mary Astor e Wendell Corey / Sinopse: Em uma cidade do deserto, uma jovem se envolve com um homem de passado suspeito, desencadeando conflitos emocionais e perigos ocultos que revelam segredos e tensões entre os personagens.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma Vida Por um Fio

Quando o filme começa, Leona Stevenson (Barbara Stanwyck) está desesperada ao telefone tentando localizar o marido. Ele ficou de chegar em casa cedo, mas simplesmente desaparece. No trabalho ninguém tem notícias. Ela é a filha herdeira de um rico industrial do ramo de produtos químicos. Está sozinha em casa e por causa de uma doença no coração não consegue se locomover. Ligando para várias pessoas ela vai descobrindo que existe um plano... para matá-la! Com isso o desespero se espalha, ainda mais depois que descobre que há um invasor em sua bela mansão. É o assassino, chegando para colocar um fim em sua vida.

Eu poderia definir esse clássico "Sorry, Wrong Number" como um drama de suspense e crime. A história é bem sórdida, se formos analisar bem. Há essa mulher rica, que decidiu por capricho se casar com um homem pobre, interpretado pelo ótimo Burt Lancaster. É um sujeito sem grandes valores pessoais. Embora diga que quer vencer na vida por seus próprios méritos, não pensa muito antes de entrar numa jogada criminosa, onde passa a roubar a fábrica de seu próprio sogro. Pior do que isso, ele descobre que há um seguro de vida de alguns milhões de dólares no nome de sua esposa. Se ela morrer, ele ficará milionário. Então juntando todos os pontos temos o ambiente ideal para o surgimento de um plano de assassinato.

Barbara Stanwyck está maravilhosa em sua atuação. Deitada a maior parte do filme em uma cama, com joias e cercada de todo o luxo, ela percebe que na verdade está no centro de um plano criminoso, onde ela é a principal vítima. Por esse trabalho ela foi indicada ao Oscar naquele ano. Já Burt Lancaster, que fez toda a sua carreira interpretando mocinhos e heróis, aqui surge como um mau caráter, um homem de valores vis, que só pensa em ficar rico, nem que para isso precise matar a própria esposa. Enfim, sordidez para todos os lados nesse grande filme clássico. Simplesmente imperdível.

Uma Vida Por um Fio (Sorry, Wrong Number, Estados Unidos, 1948) Direção: Anatole Litvak / Roteiro: Lucille Fletcher / Elenco: Barbara Stanwyck, Burt Lancaster, Ann Richards, Wendell Corey / Sinopse: Leona Stevenson (Barbara Stanwyck) é a rica herdeira que fica em casa, sozinha e sem ter como se locomover, por causa de uma doença no coração. A única coisa que tem para se comunicar com as pessoas é um telefone ao lado da cama. E sua casa acaba de ser invadida por um assassino profissional. Estaria seu marido por trás desse crime? Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor atriz (Barbara Stanwyck).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Burt Lancaster

Perfil: Burt Lancaster
Burt Lancaster foi um dos maiores e mais carismáticos atores da história do cinema norte-americano, dono de uma presença física imponente e de uma intensidade dramática que atravessou gêneros e décadas. Nascido em 2 de novembro de 1913, em Nova York, Lancaster teve uma juventude marcada pelo esporte e pelo circo, chegando a atuar como acrobata antes de ingressar no cinema. Essa formação incomum contribuiu para seu domínio corporal e para a energia singular que levava às telas.

Sua estreia em Hollywood aconteceu de forma impactante com Assassinos (1946), adaptação de Ernest Hemingway dirigida por Robert Siodmak. Desde o primeiro papel, Lancaster demonstrou força dramática e magnetismo, destacando-se no cinema noir e consolidando-se rapidamente como um astro. Diferente de muitos colegas da época, ele projetava uma masculinidade intensa, mas também vulnerável, o que ampliava o alcance emocional de seus personagens.

Durante os anos 1950, Burt Lancaster tornou-se um dos atores mais versáteis de Hollywood, transitando com naturalidade entre o faroeste, o drama histórico, o filme de aventura e o melodrama. Obras como O Homem de Alcatraz (1962), A Um Passo da Eternidade (1953) e Vera Cruz (1954) evidenciam sua capacidade de interpretar figuras complexas, frequentemente marcadas por conflitos morais, rebeldia e inconformismo diante da autoridade.

Lancaster também se destacou por sua independência artística e por desafiar o sistema dos grandes estúdios. Ao fundar a produtora Hecht-Hill-Lancaster, passou a ter maior controle sobre seus projetos, escolhendo filmes com conteúdo mais ousado e politicamente consciente. Essa postura o colocou à frente de seu tempo, permitindo-lhe abordar temas sociais, políticos e humanos com maior profundidade.

O reconhecimento máximo veio com o Oscar de Melhor Ator por Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960), no qual interpretou um pregador carismático e manipulador. A performance intensa e ambígua revelou um lado mais sombrio e complexo do ator, reafirmando sua coragem artística e seu domínio absoluto da cena. O papel permanece como um dos mais marcantes de sua carreira.

Além de seus trabalhos mais populares, Lancaster colaborou com grandes diretores e participou de produções europeias, ampliando seu repertório artístico. Filmes como O Leopardo (1963), dirigido por Luchino Visconti, demonstram sua sofisticação dramática e sua habilidade de se adaptar a estilos cinematográficos diversos, longe do modelo hollywoodiano tradicional.

Ao longo dos anos 1970 e 1980, Burt Lancaster passou a assumir papéis mais maduros, muitas vezes refletindo sobre o envelhecimento, a decadência e a memória. Sua atuação em Atlantic City (1980) foi amplamente elogiada e lhe rendeu uma indicação ao Oscar, mostrando que sua força interpretativa permanecia intacta mesmo com o passar do tempo.

Fora das telas, Lancaster era conhecido por seu engajamento político e por posições progressistas, apoiando causas sociais e civis. Essa postura reforçava sua imagem de artista consciente e comprometido, alguém que via o cinema não apenas como entretenimento, mas também como ferramenta de reflexão e transformação.

Burt Lancaster faleceu em 1994, deixando uma filmografia rica e diversa, marcada por personagens fortes e inesquecíveis. Seu legado permanece vivo como símbolo de liberdade artística, intensidade dramática e presença física rara.

Hoje, Burt Lancaster é lembrado como um ator completo, capaz de unir vigor físico, inteligência emocional e coragem criativa. Sua trajetória exemplifica o melhor do cinema clássico de Hollywood e sua transição para um cinema mais adulto e questionador, garantindo-lhe um lugar permanente entre os grandes nomes da história do cinema.

Erick Steve. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Brutalidade Mortal

Título no Brasil: Brutalidade Mortal
Título Original: Brute Force
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jules Dassin
Roteiro: Richard Brooks, Robert Patterson
Elenco: Burt Lancaster, Hume Cronyn, Yvonne De Carlo, Charles Bickford, Ella Raines, Sam Levene

Sinopse:
Na superlotada Penitenciária de Westgate, onde a violência e o medo são normas e o diretor tem menos poder do que os guardas e os principais prisioneiros, a violência explode a todo momento. O condenado violento, durão e obstinado Joe Collins (Lancaster) quer revanche contra o chefe da guarda, Capitão Munsey, um pequeno ditador que se orgulha do poder absoluto. Depois de muitas infrações, Joe e seus companheiros de cela são colocados no temido cano de esgoto; provocando um esquema de fuga que tem todas as chances de se transformar em um banho de sangue.

Comentários:
Esse segundo filme da carreira do ator Burt Lancaster foi considerado muito visceral e brutal, fazendo jus ao seu título. A história se passa dentro de uma prisão onde os condenados vivem praticamente como bestas, como animais enjaulados. Para Lancaster o filme foi muito adequado. Jovem, atlético e musculoso, mas ainda não muito experiente como ator, ele conseguiu se sobressair nas cenas de lutas e pancadaria. Só com o tempo é que esse ex-trapezista de circo iria finalmente se desenvolver como bom intérprete de papéis dramáticos, afinal tudo tem seu tempo e momento de acontecer. De uma forma ou outra uma coisa não se pode negar, até hoje impressiona pela força de suas imagens. E pensar que um filme com uma história tão atroz assim foi lançado nos anos 1940. Pois é, o cinema americano já estava em seu auge por essa época. Obs: Esse filme também é conhecido no Brasil apenas como "Brutalidade", pois foi exibido com esse nome em algumas reprises na madrugadas televisivas dos canais abertos nacionais. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

A Um Passo da Eternidade

A Um Passo da Eternidade 
O soldado Robert E. Lee Prewitt (Montgomery Clift) é transferido para uma base militar no Havaí após ter alguns problemas com oficiais no quartel onde servia. Lá ele fica sob o comando do Sargento Milton Warden (Burt Lancaster). Prewitt tem fama de bom boxeador, mas não quer voltar aos ringues. Como o Comandante do grupo é fã do esporte ele tenta convencer o soldado a lutar de qualquer jeito ao lhe impor uma rígida disciplina militar. Seu objetivo é forçar Previtt a lutar na competição militar, mas ele resiste bravamente. Nesse ínterim, o Sargento Milton decide começar um caso extraconjugal com a bela Karen Holmes (Deborah Kerr); O problema é que ela é a esposa de seu Capitão!

"A Um Passo da Eternidade" é um dos clássicos mais famosos da história do cinema americano. O que o distingue dos demais filmes de guerra da época é que o roteiro do filme procura desenvolver o máximo possível o aspecto mais humano dos personagens em cena. O papel de Clift é um exemplo. Ele é um novato que sofre todos os tipos de humilhações dentro da base. Mesmo assim resiste ás provocações para demonstrar seu ponto de vista. Ao se envolver com a dançarina de cabaré Lorene Burke (Donna Reed) ele procura acima de tudo uma redenção em sua vida, algo que valha a pena lutar. O enredo gira em torno dele, mas o filme não se resume a isso pois tem como pano de fundo o grande ataque japonês ao porto americano de Pearl Harbor, fato que ocasionou a entrada dos EUA na II Guerra Mundial. O argumento assim tenta dar um rosto e uma história para os milhares de militares americanos que estavam no Havaí nesse grande bombardeio das forças do império japonês.

Baseado no romance best-seller de James Jones, "A Um Passo da Eternidade" é, em essência, um filme sobre relacionamentos humanos, paixões, rivalidades nas vésperas de um dos maiores acontecimentos da história norte-americana. Além do filme em si ser um marco, a produção ficou conhecida também por várias histórias de bastidores. Uma das mais conhecidas envolveu o cantor Frank Sinatra. Na época ele estava em um péssimo momento na carreira. Após ter um problema vocal suas vendas despencaram e assim Sinatra ficou sem muitas alternativas. Ao descobrir que a Columbia faria "A um Passo da Eternidade" resolveu lutar pelo papel de Angelo Maggio, um soldado boa praça que é vítima de um guarda sádico (interpretado pelo sempre ótimo Ernest Borgnine). O drama para Sinatra começou quando o diretor Fred Zinnemann o recusou para o filme. Segundo afirmam alguns livros o chefão mafioso Sam Giancana, atendendo a um pedido desesperado de Sinatra, colocou Zinnemann contra a parede para que ele escalasse o cantor em decadência. O fato acabou sendo utilizado em "O Poderoso Chefão" em uma cena em que um cantor italiano pede ajuda a Don Vito Corleone para que ele fosse escalado para um filme importante.  A cena é impactante quando uma cabeça de cavalo decepada é colocada ao lado da cama de um cineasta famoso.

De qualquer modo, seja lá como entrou no filme, o fato é que Sinatra conseguiu voltar ao auge. Ele venceu o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação e o filme acabou se tornando o grande premiado de seu ano, levando para casa ainda mais sete prêmios. Uma consagração praticamente completa na mais prestigiada premiação do cinema mundial. Burt Lancaster também foi indicado ao Oscar de melhor ator, mas não venceu. Havia um certo preconceito contra ele, por ser um astro de filmes de ação e aventura na época. Já Montgomery Clift foi completamente esquecido em mais uma daquelas famosas injustiças da Academia. A consolação para Lancaster veio pelo fato de ter feito a cena mais famosa de sua carreira, quando beija Deborah Kerr na beira da praia. Um momento considerado extremamente ousado para a época, com sensualidade à flor da pele.

A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, Estados Unidos, 1953) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Daniel Taradash baseado no romance de James Jones / Elenco: Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Frank Sinatra, Donna Reed, Ernest Borgnine, Philip Ober / Sinopse: Nas vésperas do ataque japonês à base de Pearl Harbor, fato que levou os Estados Unidos a entrarem na II Guerra Mundial, um grupo de soldados vivem seus dramas pessoais em um regimento do Havaí. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção (Fred Zinnemann), Melhor Roteiro (Daniel Taradash), Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra), Melhor Atriz Coadjuvante (Donna Reed), Melhor Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey), Melhor Som (John P. Livadary) e Melhor Edição (William A. Lyon). Filme vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Direção (Fred Zinnemann) e Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra),  

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 10 de março de 2025

Os Assassinos

Há muito tempo eu percebi que os filmes da década de 40 são bem mais realistas do que os que foram realizados nos anos 50. Na década de 50 os personagens são muito mais definidos (os mocinhos são verdadeiros poços de virtude e os bandidos são malvadões sem coração). Nos anos 40 isso não era bem assim. Veja o caso desse "Os Assassinos". Os tipos que desfilam pela tela possuem dubiedade moral, não se sabendo ao certo se na realidade são vilões ou mocinhos. Na realidade eles passeiam em um campo cinzento, sem se posicionar completamente em um lado ou outro, igual à vida real.

Na trama alguns personagens são centrais. O "Sueco", vivido por Burt Lancaster, é um boxeador fracassado que após o fim de sua carreira vive de pequenos golpes até que se une ao bando de Big Jim. De todos os envolvidos a que mais destaca essa dubiedade moral dos anos 40 é a personagem Kitty, interpretada por Ava Gardner (no auge da juventude e beleza). Femme Fatale por excelência, ela será o centro de toda a trama passada no filme. "Os Assassinos" é um ótimo exemplo do cinema maduro e cínico da década de 40. Não existem propriamente bandidos ou mocinhos e seu roteiro estruturado em vários flashbacks acentua ainda mais isso. Um belo exemplar noir que deve ser conhecido pela geração cinéfila mais jovem. 

Os Assassinos (The Killers, Estados Unidos, 1948) Direção: Robert Siodmak / Roteiro: Anthony Veiller, Elwood Bredell, Ernest Hemingway, John Huston, Richard Brooks / Elenco: Burt Lancaster, Ava Gardner, Edmond O'Brien, Albert Dekker / Sinopse: Através de flashbacks o filme narra a intrigante estória do "Sueco" (Burt Lancaster), um sujeito de passado nebuloso envolvido com o submundo do crime. Filme indicado a quatro categorias no Oscar: Melhor direção, roteiro, edição e música.

Pablo Aluísio.