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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto III

O Casamento com Arthur Miller 
Quando a imprensa descobriu que Marilyn Monroe e Arthur Miller tinham um caso amoroso um jornalista escreveu que era a combinação perfeita entre um cérebro privilegiado e o corpo mais desejado da América. Miller realmente era um grande intelectual, mas sua fama na literatura jamais conseguiu ofuscar o mito de Marilyn. Miller se tornou conhecido com a publicação de "A Morte do Caixeiro Viajante", um texto celebrado até os dias de hoje. Marilyn tinha esperanças de ser feliz ao seu lado, mas o casamento não deu certo. Ela morreria de uma overdose acidental de pílulas aos 36 anos. Ele teve uma vida longa, morrendo apenas aos 89 anos. Sua carreira estava destruída e segundo os principais críticos de sua obra jamais conseguiu escrever nada de importante após a morte de Marilyn. Assim completava-se a triste sina na vida de Norma Jean Baker. Ela jamais conseguiria ser feliz em sua vida amorosa. Filha de um relacionamento obscuro, onde nunca conseguiu saber direito quem havia sido seu pai, com uma mãe esquizofrênica, Marilyn não teve uma vida fácil. Na verdade ela foi muito dura. A atriz cresceu em uma série de lares adotivos. Entre uma família ou outra sempre retornava para o orfanato californiano onde viveu grande parte de sua infância.

Quando tinha apenas 16 anos a "mãe" adotiva de ocasião lhe arranjou um casamento sem amor com um rapaz que morava no bairro. Marilyn não o amava, porém não havia outro jeito ou outro caminho a se seguir. A única boa coisa era que o marido era marinheiro e passava longos períodos distantes de casa. Isso trouxe uma certa independência para Marilyn que aproveitou sua ausência para quem sabe ir atrás de seu velho sonho de ser atriz. Ela foi descoberta por um fotógrafo quando trabalhava numa fábrica. Virou a garota do calendário e depois resolve ir embora de vez, para Hollywood, para tentar arranjar emprego na indústria de filmes de Los Angeles. Era mais uma mocinha em busca do sonho de ser uma estrela. Marilyn conseguiu. Ficou famosa, namorou homens desejados e ganhou bastante dinheiro. A felicidade porém não veio. Durante muito tempo ela não foi levado à sério como atriz, mas sim como uma loira burra gostosona com talento para comédias. Marilyn porém queria mais. Ela queria se reconhecida como boa atriz. Assim foi embora para Nova Iorque estudar no famoso Actors Studio que era dirigido por Lee Strasberg, o gênio da arte de atuar.

Foi em Nova Iorque, respirando e convivendo com a classe intelectual artística da cidade que conheceu o escritor Arthur Miller. Marilyn que procurava por cultura e sabedoria viu tudo isso em Miller. Ele era um homem respeitado, vencedor do prêmio Pulitzer. Embora fosse casado Marilyn investiu em sua nova paixão. Depois de um namoro um tanto desajeitado, finalmente se casaram em 1956. Marilyn achava que seu novo marido parecia muito com Lincoln, que ela idolatrava. Obviamente que o casamento enlouqueceu a imprensa. Todos queriam entender essa estranha atração entre o homem das letras e a garota bonita das telas. O dramaturgo ficou no centro da atenção e começou a ser cortejado também pelos grandes estúdios de Hollywood. Ele certamente não seria o primeiro escritor a virar um roteirista de sucesso.

O casamento parecia perfeito nos jornais e revistas, mas a realidade era bem outra. Miller queria que Marilyn se dedicasse a ser uma esposa em tempo integral, que deixasse um pouco a badalação da capital do cinema em prol de uma vida caseira e dedicada ao lar. Nessa época Miller disse a Marilyn que ela deveria ser acima de tudo sua esposa, deixando a fama de lado. Claro que não deu certo. Marilyn jamais deixaria seu sonho de lado por nenhum homem. Ela foi para a Inglaterra filmar ao lado do grande Laurence Olivier. Com sérios problemas envolvendo pílulas e drogas as filmagens foram caóticas. Marilyn começou a tratar mal seu marido Arthur Miller, o destratando na frente de todos. Aos poucos também foi perdendo o interesse por ele. Marilyn estava sempre o chamado de ser "um chato" e que nunca saía para se divertir. Mesmo tendo ficado ao seu lado durante a "Ameaça Vermelha", Marilyn já não encontrava nada de interesse em seu esposo.

Não demorou muito e ela começou a humilhar Miller durante as filmagens. O diretor John Huston disse que durante as filmagens de "Os Desajustados" Miller não parecia nada muito além do que seu carregador de malas. O casal até tentou consertar as coisas, comprando uma bela casa de campo em Connecticut, mas ela não conseguia mais passar muito tempo ao seu lado. Marilyn também não colaborava pois estava bebendo como nunca e tomando pílulas na mesma proporção. Ela também começou a ter relacionamentos fora do casamento. Se envolveu com o ator Yves Montand e depois se apaixonou perdidamente pelo presidente JFK. Miller não tinha chances de competir com esses homens. Logo foi deixado de lado, como a uma mala velha. Em pouco tempo ela resolveu o colocar para fora de casa e depois pediu o divórcio. Achava insuportável viver mais alguns anos com Miller de novo. Ele era naquela altura de sua vida apenas um chato enfadonho.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto II

Uma das mais curiosas passagens da história de Marilyn Monroe envolveu a atriz e o nobre Rainier III, Príncipe de Mônaco. Na virada dos anos 1950 para 1960 o novo monarca de Mônaco estava preocupado. Se antes seu pequeno principado era muito badalado e cheio de celebridades, agora as coisas não andavam tão bem. Os cassinos e hotéis de sua cidade  estavam operando com baixa frequência. Rainier então entendeu que precisava colocar Mônaco novamente no mapa, transformar o lugar mais uma vez em um point dos ricos e famosos. Para isso precisava de publicidade, envolvendo Mônaco em um evento de enorme repercussão nos meios de comunicação. A solução então seria se casar com alguma estrela de cinema, de preferência famosa a glamourosa. Seus assessores pensaram inicialmente em Elizabeth Taylor, mas Rainier descartou por causa da instabilidade emocional da jovem atriz, afinal ela vivia se casando, se divorciando, para se casar novamente poucos meses depois. Tudo bem que era um casamento promocional acima de tudo, mas Rainier também almejava algo duradouro, que lhe trouxesse filhos e filhas para herdarem o seu trono.

Depois que Liz foi deixada de lado ele lembrou da atriz mais famosa da época, Marilyn Monroe! Estaria a loira disponível? Ela já havia se separado de Joe DiMaggio e se encontrava solteira, livre, leve e solta. De vez em quando saia em alguma revista notícias de seus namoricos, mas nada sério. Sem pensar duas vezes Rainier providenciou que dois de seus mais próximos assistentes voassem rumo a Nova Iorque para se encontrar com Marilyn Monroe pessoalmente. A missão era encontrar Marilyn e lhe fazer um gentil convite para que fosse até Mônaco, pois o príncipe era grande admirador seu. Quem sabe, eles poderiam sugerir sutilmente, que algo a mais poderia surgir desse encontro! Eles porém logo descobriram que isso não seria nada fácil. Era mais fácil encontrar o presidente dos Estados Unidos do que a famosa estrela de cinema. Marilyn, que era complicada até mesmo de ser encontrada nos sets de filmagens de seus próprios filmes, simplesmente desaparecia sem deixar rastros. Poucos conseguiam ver ou falar com ela. De uma forma ou outra, os enviados de Rainier conseguiram com muito esforço encontrar com a assistente pessoal da atriz nos corredores da Fox e com muita diplomacia e cautela explicaram o que desejavam. Será que Marilyn não estaria disposta a um encontro com o príncipe de Mônaco?

O curioso é que Marilyn sequer conhecia Mônaco, imagine Rainier. No dia seguinte ao acordar e se dirigir ao seu café da manhã - lá pelas três da tarde, como quase sempre fazia - Monroe foi informada do estranho convite! "Ele quer me conhecer? Para quê?" - indagou a loira com seus profundos olhos azuis e seu conhecido modo de agir de garotinha assustada! A assistente de Marilyn tentou explicar: "Pelo que eu entendi o príncipe deseja ter filhos com uma grande estrela americana" - Marilyn arregalou seus olhos com aquela revelação! Sim, era surreal. Marilyn não se conteve e logo caiu na gargalhada, rindo ainda mais depois quando viu a foto do pobre Rainier que poderia ser um príncipe, milionário até dizer chega, mas que não era nada rico em termos de beleza. Marilyn logo começou a brincar com sua aparência, suas orelhas de abano e cara de ratinho de milharal do meio oeste.

Não havia a menor possibilidade dela sequer encontrar com aquele nobre europeu algum dia. Ela não tinha interesse nenhum nisso. Tampouco queria se envolver em um romance arranjado, em um estranho encontro às escuras do outro lado do Atlântico. Aquilo tudo parecia muito bizarro para Marilyn. Não, de jeito nenhum ela iria conhecer o tal príncipe. O convite assim foi recusado e a história esquecida, a não ser como piada de salão, para Marilyn se divertir um pouco com aquele esquisito príncipe de Mônaco. Agora imagine sua enorme surpresa depois de alguns meses quando descobriu que uma outra estrela como ela aceitara o convite! Sim, Grace Kelly estava muito interessada em reinar em Mônaco. Não pensou muito e se comprometeu com o pouco atraente Rainier. Marilyn ficou muito surpresa com o fato, mas teve o gesto espirituoso de ligar para a colega parabenizando pelo casamento. Rindo, comentou: "Que bom que você encontrou um jeito de sair desse negócio de Hollywood!".

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto I

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto I
A sexualidade de Marilyn - Apesar de ter sido um dos maiores símbolos sexuais da história do cinema, Marilyn nunca conseguiu ser plenamente feliz em sua vida sexual. Isso pode ser comprovado nos escritos que deixou ao longo dos anos. Em vários deles Marilyn deixou bem claro que, em muitos aspectos, sentia-se frustrada nesse aspecto. Assim não faltaram farpas para os homens que conseguiram levar a estrela para a cama. Marilyn costumava dar apelidos engraçados para os vários tipos de parceiros sexuais que teve. Um dos que mais lhe irritavam eram os "lobos". Marilyn usava essa denominação para qualificar homens que se aproximavam dela com segundas intenções. Na superfície pareciam homens bondosos que queriam lhe ajudar, mas que no fundo mesmo só queriam explorar a atriz para fins, digamos, libidinosos. Outros que não agradavam em nada eram os "apaixonados por si mesmos". Homens bonitos, fortes e musculosos, que perdiam mais tempo se olhando no espelho do que dando atenção para a mulher ao seu lado. Tipos egocêntricos, com cabelos cheios de brilhantina, e sorrisos falsos. Sexualmente esse tipo de parceiro, segundo Marilyn, não era nada interessante na cama. Só procuravam se satisfazer sexualmente a si mesmos, ao seus egos famintos, deixando as pobres garotas ao seu lado insatisfeitas.

Marilyn reclamava bastante também da forma como os homens de sua época faziam amor. Para a atriz a grande maioria deles eram puramente "mecânicos" e não se importavam em dar carinho ou afeto para ela. Assim Marilyn ficava com a impressão que esses tais "garanhões" se comportavam na verdade como se estivessem em algum atividade esportiva, em maratonas de exercícios e não em uma relação que exigia também cumplicidade e afeição com a parceira. Como teve muitos amantes Marilyn também acabou conseguindo ter uma boa experiência com homens em geral. Os vários relacionamentos e namoros fizeram com que ela logo descartasse os bonitões de estúdio que lhe importunavam.

O tipo ideal de homem para Marilyn acabou sendo bem mais velho do que ela, geralmente pessoas mais carinhosas e que sabiam ouvir. Também começou a ter uma queda por homens intelectualmente interessantes, que pudessem lhe trazer mais cultura e conhecimento. O sexo, na opinião de Marilyn, jamais poderia ser o fator mais importante em um relacionamento e ela provou seu ponto de vista no casamento com Joe DiMaggio. Sexualmente eles se davam muito bem, mas Joe era intelectualmente medíocre. Um italiano que preferia falar sobre esportes a ter algum tipo de conversa com mais conteúdo ao lado de sua jovem esposa. Não demorou então e o casamento entre eles logo acabou. Afinal de contas como ela própria dizia: "Uma relação sexual dura poucos minutos, depois você terá que aturar seu homem pelo resto do dia! Se não for uma pessoa interessante você estará em uma situação complicada de se lidar".

Outro fato curioso sobre Marilyn embaixo dos lençóis é que ela geralmente ficava frustrada após uma noite de amor. Ela não tinha muito prazer e isso lhe deixou bem encucada por um bom tempo. Em seu diário confessou: "Devo ser frígida, porque nunca fico plenamente satisfeita com sexo!". O pior acontecia quando ela tinha relações com homens que pouco se importavam se ela estava tendo algum prazer. Depois de uma transa rápida simplesmente viravam para o lado na cama e iam dormir. Não raro Marilyn ficava devastada quando isso acontecia. Sua frustração chegou ao ponto dela se perguntar se ainda gostava mesmo de homens, se era de fato heterossexual. "Será que se eu me relacionasse com uma mulher teria maior prazer?" - era um pensamento recorrente que Marilyn resolveu inclusive colocar no papel. Curiosamente porém ela nunca quis dar um passo à frente nessa questão e pelo que se saiba não existem evidências fortes o suficientes para revelar algum caso lésbico em sua vida. Pelo visto a atriz seguiu mesmo o caminho dos frustrantes relacionamentos com homens, ainda que muitos deles fossem decepcionantes e sexualmente insatisfatórios.

Pablo Aluísio.