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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Algemas de Cristal

Título no Brasil: Algemas de Cristal
Título Original: The Glass Menagerie
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: Irving Rapper
Roteiro: Peter Berneis e Tennessee Williams
Elenco: Jane Wyman, Kirk Douglas, Gertrude Lawrence, Arthur Kennedy, Ralph Sanford e Ann Tyrrell

Sinopse: 
Ambientado em St. Louis durante a década de 1930, o filme acompanha a família Wingfield, formada por Amanda, seu filho Tom e sua filha Laura, uma jovem extremamente tímida que vive mergulhada em seu próprio mundo e encontra conforto em sua pequena coleção de animais de vidro. Abandonada pelo marido, Amanda vive presa às lembranças de sua juventude e preocupa-se constantemente com o futuro dos filhos. Tom trabalha em um emprego de que não gosta para sustentar a família, mas sente-se cada vez mais sufocado pela vida doméstica e sonha em partir em busca de novas experiências. Preocupada com a solidão de Laura, Amanda insiste para que Tom convide um colega de trabalho para jantar. O escolhido é Jim O'Connor, um jovem simpático e popular que desperta imediatamente as esperanças de Amanda. A chegada de Jim transforma o ambiente da casa e proporciona a Laura uma rara oportunidade de superar sua timidez. Durante o encontro, porém, antigas ilusões, expectativas familiares e desejos pessoais começam a entrar em conflito, conduzindo a história para um momento de grande emoção e decepção.

Comentários: 
Algemas de Cristal foi a primeira adaptação cinematográfica de uma peça de Tennessee Williams e levou para as telas uma das obras mais conhecidas do teatro americano. Irving Rapper procurou preservar boa parte da estrutura original, mantendo o foco nos quatro personagens principais e nos conflitos psicológicos da família Wingfield. Jane Wyman apresenta uma atuação delicada como Laura, enquanto Kirk Douglas interpreta Jim O'Connor com um charme que contrasta com a atmosfera melancólica da família. Gertrude Lawrence assume o papel de Amanda, uma mulher presa às lembranças do passado e determinada a encontrar um futuro melhor para os filhos, enquanto Arthur Kennedy interpreta Tom, personagem que funciona também como narrador da história. A fotografia de Robert Burks e a música de Max Steiner contribuem para criar o ambiente intimista do filme. A produção foi realizada pela companhia de Charles K. Feldman e distribuída pela Warner Bros., tendo recebido lançamento em setembro de 1950. O filme possui cerca de 107 minutos e representou uma tentativa de transformar para o cinema uma peça marcada por memórias, simbolismo e forte carga emocional.

A recepção crítica na época foi dividida. A Variety elogiou a adaptação e considerou que o filme conseguia transformar o material teatral em uma produção cinematográfica envolvente, enquanto Bosley Crowther, do The New York Times, foi muito mais crítico, afirmando que algumas cenas aproximavam-se de uma espécie de comédia exagerada e prejudicavam a delicadeza da obra original. O New Yorker, por sua vez, observou que a fidelidade à peça produzia um filme literário e poderoso em seus momentos mais tocantes, embora reconhecesse que a concentração da ação em poucos ambientes poderia tornar algumas passagens monótonas. O próprio Tennessee Williams posteriormente demonstrou insatisfação com a adaptação, especialmente por alterações feitas para oferecer ao público um desfecho mais próximo dos padrões de Hollywood daquele período. Apesar das controvérsias, o filme permanece importante na história das adaptações de Williams e é particularmente interessante pela presença de Jane Wyman, Kirk Douglas e Gertrude Lawrence. Hoje, Algemas de Cristal é lembrado tanto como documento do cinema americano de 1950 quanto como uma das primeiras tentativas de levar Tennessee Williams para a tela grande.

Erick Steve.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

O Invencível

O Invencível
Kirk Douglas teve uma das filmografia mais longas e produtivas da história de Hollywood. São 92 filmes, onde o ator ao longo de cinco décadas de carreira, mostrou todo o seu talento, indo do drama à comédia, dos filmes de guerra aos filmes de western. Tudo realizado com grande talento e empenho profissional. Um de seus grandes filmes foi esse "O Invencível" de 1949, onde chegou inclusive a ser indicado ao Oscar de melhor ator. Muitos na época acreditavam que Kirk Douglas era o favorito ao prêmio, mas como em termos de Academia tudo pode acontecer, ele não levou a estatueta para casa. Claro, foi decepcionante para ele que apareceu na festa bem animado, mas não deu, Kirk não se tornou o escolhido daquela noite. Nesse filme Kirk Douglas interpretou um esportista conhecido como Midge, um sujeito de origem humilde que começa a subir na carreira de lutador de boxe. Conforme cresce e se torna uma figura importante no mundo esportivo, ele começa a esquecer todos aqueles que lhe ajudaram nessa longa caminhada. Abandona a mulher que fez tudo por ele e começa a ignorar parentes e amigos dos duros anos da pobreza. Como se vê é um personagem complicado de se interpretar, uma vez que na verdade se trata de um sujeito de caráter duvidoso, que acaba se deslumbrando com a sua própria fama e sucesso.

Para muitos especialistas na biografia de Kirk Douglas esse foi um dos filmes definitivos de sua carreira, pois o alçou para o estrelado. Não é para menos pois Kirk está completamente à vontade no papel do inescrupuloso Midge, uma pessoa que fica embriagada com seu próprio êxito nos ringues. O filme tem um clima noir dos mais marcantes, com belo uso da fotografia preto e branco, obviamente inspirado no cinema alemão da época. As cenas de lutas são extremamente bem editadas, o que valeu o Oscar de melhor montagem para o filme naquele ano. Até porque uma luta de boxe no cinema exigia emoção e nada melhor do que uma boa edição para realçar ainda mais esse aspecto.  

A atriz Marilyn Maxwell (grande amiga pessoal de outro astro da época, Rock Hudson) está perfeita no papel de Grace. Curiosamente o filme teria problemas anos depois no auge da chamada "Caça às Bruxas" pois o roteiro foi considerado o símbolo perfeito do sentimento subversivo que havia sido acusado o cinema americano daqueles anos. O roteirista Carl Foreman acabou sendo acusado de ser comunista e entrou para a lista negra. Bobagem paranoica, tipicamente da mentalidade débil mental do Macarthismo. Deixe tudo isso de lado, "O Invencível" é um perfeito retrato das mudanças de um homem que não conseguiu mais separar seu sucesso profissional de sua vida pessoal. Não se trata de uma ode à ideologia socialista. Assim fica a recomendação para os fãs do cinema noir da década de 1940, pois "Champion" é sem dúvida uma grande obra cinematográfica daquele período histórico do cinema americano.

O Invencível (Champion, Estados Unidos, 1949) Direção: Mark Robson / Roteiro: Carl Foreman, Ring Lardner / Elenco: Kirk Douglas, Marilyn Maxwell, Arthur Kennedy / Sinopse: Boxeador (Douglas) começa a colecionar vitórias nos ringues ao mesmo tempo em que começa a esquecer todos aqueles que o ajudaram a subir na carreira. O destino porém lhe reservará uma grande lição de vida. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor edição (Harry Gerstad). Também indicado nas categorias de melhor ator (Kirk Douglas), melhor ator coadjuvante (Arthur Kennedy), melhor roteiro (Carl Foreman), melhor direção de fotografia em preto e branco (Franz Planer) e melhor música (Dimitri Tiomkin). Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria de melhor direção de fotografia em preto e branco (Franz Planer).

Pablo Aluísio.