segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Príncipe Encantado

Título no Brasil: O Príncipe Encantado
Título Original: A Date with Judy
Ano de Lançamento: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Dorothy Kingsley, baseado na série radiofônica de Alec Wyman
Elenco: Jane Powell, Wallace Beery, Elizabeth Taylor, Carmen Miranda, Robert Stack, Scotty Beckett, Selena Royle e Leon Ames.
Duração: 113 minutos.

Sinopse:
A Date with Judy é uma comédia musical juvenil ambientada em uma típica família americana de classe média. A protagonista, Judy Foster, interpretada por Jane Powell, é uma adolescente romântica que vive preocupada com seu relacionamento com Oogie Pringle, vivido por Scotty Beckett. Ao mesmo tempo, Judy acredita que seu namorado pode estar interessado em outras garotas e começa a alimentar uma série de ciúmes e mal-entendidos. Seu pai, Melvyn Foster, interpretado por Wallace Beery, é um homem de personalidade forte que mantém uma relação bastante complicada com sua esposa, Dora, e com os filhos. Elizabeth Taylor interpreta Carol Pringle, uma jovem elegante e sofisticada que se torna uma espécie de rival de Judy e acrescenta uma nova dimensão aos conflitos amorosos da história. O filme também conta com uma participação muito especial de Carmen Miranda, cuja presença proporciona alguns dos momentos musicais mais exuberantes da produção. Misturando romance adolescente, conflitos familiares, números musicais e humor, o longa representa perfeitamente o estilo das comédias juvenis produzidas pela MGM no período.

Comentários:
Embora muitas referências atuais indiquem 1947 por causa do período de produção, A Date with Judy foi efetivamente lançado nos Estados Unidos em julho de 1948. A produção nasceu da popularidade da série radiofônica homônima e recebeu da MGM o tratamento luxuoso característico de suas grandes comédias musicais. A crítica americana teve uma reação bastante favorável ao entretenimento oferecido pelo filme. A Variety destacou Jane Powell como uma das grandes forças da produção e elogiou a combinação entre humor familiar, romance adolescente e música. O The New York Times, embora considerasse a história leve e pouco sofisticada, reconheceu o excelente trabalho do elenco e a eficiência da MGM em transformar uma série radiofônica em um espetáculo cinematográfico colorido. Elizabeth Taylor, com apenas 16 anos, recebeu atenção especial por sua elegância e presença de tela, mesmo tendo um papel secundário. A jovem atriz já começava a demonstrar a qualidade fotogênica que futuramente faria dela uma das maiores estrelas de Hollywood. Robert Stack também chamava atenção como o jovem amor de Carol, enquanto Wallace Beery era responsável por boa parte do humor adulto. Entretanto, o grande destaque popular foi Carmen Miranda, que aparece em números musicais exuberantes e praticamente rouba algumas das cenas em que participa.

Com o passar dos anos, A Date with Judy passou a ser lembrado principalmente como um produto típico da Hollywood musical do final dos anos 1940. Críticos modernos observam que sua história é simples e bastante convencional, mas reconhecem o valor histórico da produção como retrato dos filmes juvenis e musicais da MGM. A Turner Classic Movies destaca particularmente a presença de Elizabeth Taylor e Carmen Miranda, duas artistas que, embora em momentos completamente diferentes de suas carreiras, conferem ao filme uma importância especial para os admiradores do cinema clássico. Taylor ainda estava construindo sua imagem como atriz adolescente, poucos anos antes de alcançar o estrelato absoluto com Um Lugar ao Sol e Assim Caminha a Humanidade. Carmen Miranda, por sua vez, já era uma estrela internacional e uma das artistas latino-americanas mais conhecidas de Hollywood. O filme também é lembrado pela fotografia em Technicolor, pelos figurinos e pelos números musicais elaborados, características que ajudaram a MGM a manter sua posição dominante no gênero. Hoje, A Date with Judy é considerado um entretenimento leve e nostálgico, particularmente interessante para os fãs de Elizabeth Taylor em sua juventude e para aqueles que desejam conhecer a tradição das comédias musicais adolescentes produzidas pelos grandes estúdios americanos durante a Era de Ouro de Hollywood.

Erick Steve. 

Nossa Vida com Papai

Título no Brasil: Nossa Vida com Papai
Título Original: Life with Father
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Donald Ogden Stewart, baseado nas memórias de Clarence Day e na peça teatral de Howard Lindsay e Russel Crouse
Elenco: William Powell, Irene Dunne, Elizabeth Taylor, Edmund Gwenn, ZaSu Pitts, Jimmy Lydon, Martin Milner, Johnny Calkins e Derek Scott.
Duração: 118 minutos.

Sinopse:
Ambientado em Nova York no final do século XIX, Nossa Vida com Papai acompanha Clarence Day, um bem-sucedido corretor da Bolsa que acredita ser a autoridade máxima dentro de sua casa. Interpretado por William Powell, Clarence é um homem autoritário, temperamental e cheio de opiniões sobre praticamente tudo, especialmente sobre a maneira como sua família deve viver. Sua esposa, Vinnie, interpretada por Irene Dunne, entretanto, conhece perfeitamente o marido e consegue administrar seus acessos de irritação com inteligência e delicadeza. O casal vive com seus quatro filhos, e a rotina doméstica transforma-se em uma sucessão de situações cômicas envolvendo dinheiro, empregados, educação, religião e relacionamentos. Elizabeth Taylor interpreta Mary Skinner, uma jovem que se torna amiga da família e desperta o interesse romântico de um dos filhos de Clarence. Um dos conflitos centrais surge quando Clarence percebe que sua família pertence a uma tradição religiosa diferente da de Mary e decide que determinadas questões precisam ser resolvidas. A história transforma os pequenos acontecimentos da vida doméstica em uma divertida observação dos costumes da classe média alta nova-iorquina da época.

Comentários:
Nossa Vida com Papai foi um grande sucesso da Warner Bros. e recebeu uma recepção crítica predominantemente positiva em 1947. A produção adaptava uma peça da Broadway extremamente popular, por sua vez baseada nas memórias humorísticas de Clarence Day, e Michael Curtiz procurou preservar no cinema o espírito de comédia familiar da obra original. O The New York Times foi particularmente favorável, destacando que o filme conseguia transportar para o Technicolor o charme, o humor e o sentimentalismo delicado da peça. A Variety também elogiou William Powell e Irene Dunne, observando que os dois conseguiam preservar boa parte do encanto da produção teatral e que o humor derivado da personalidade autoritária de Clarence continuava funcionando muito bem. A TV Guide, em avaliação posterior, foi ainda mais entusiasmada com Powell, classificando sua interpretação do patriarca como "magnificent" e destacando também as contribuições de Elizabeth Taylor, Martin Milner, Jimmy Lydon e Edmund Gwenn. Elizabeth Taylor tinha apenas 15 anos e estava começando a se estabelecer como uma das grandes jovens promessas da MGM; seu papel é secundário, mas sua presença já demonstra o extraordinário magnetismo que posteriormente a transformaria em uma das maiores estrelas de Hollywood. A própria Turner Classic Movies destaca que Life with Father foi um dos trabalhos que Taylor realizou como atriz jovem antes de sua consolidação definitiva como estrela.

A recepção, contudo, não foi totalmente uniforme. A The New Yorker, em crítica atribuída a Pauline Kael em retrospectiva, mostrou-se muito mais fria e considerou a adaptação excessivamente cuidadosa e pouco cinematográfica, argumentando que Michael Curtiz parecia fora de seu elemento diante do material teatral. Essa divergência é interessante porque evidencia justamente uma característica do filme: seu maior mérito está nos atores, nos diálogos e na reprodução do ambiente doméstico, e não em uma linguagem cinematográfica particularmente ousada. William Powell domina a produção com uma atuação cômica extremamente precisa, enquanto Irene Dunne funciona como seu contraponto perfeito. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Ator para Powell, Fotografia em Cores, Direção de Arte em Cores e Trilha Sonora. A produção também foi importante para a Warner Bros. por demonstrar que uma comédia familiar de época poderia obter grande sucesso utilizando o então luxuoso Technicolor. Décadas depois, sua reputação permaneceu sólida: atualmente, Nossa Vida com Papai possui 92% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, com 13 avaliações. Para os admiradores de Elizabeth Taylor, o filme possui ainda um valor especial por registrar a atriz muito jovem, poucos anos depois de A Coragem de Lassie e National Velvet, em uma fase anterior à transformação na estrela internacional que se tornaria durante os anos 1950 e 1960.

Erick Steve.

As Delícias da Vida

Título no Brasil: As Delícias da Vida
Título Original: Cynthia
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Robert Z. Leonard
Roteiro: Harold Buchman e Charles Kaufman, baseado na peça The Rich, Full Life, de Viña Delmar
Elenco: Elizabeth Taylor, Mary Astor, George Murphy, S. Z. Sakall, Gene Lockhart, Spring Byington e James Lydon.
Duração: 98 minutos.

Sinopse:
Cynthia acompanha Cynthia Bishop, uma adolescente tímida e fisicamente frágil, interpretada por Elizabeth Taylor quando tinha apenas 14 anos durante as filmagens. Extremamente protegida pelos pais, Larry e Louise Bishop, Cynthia cresceu acreditando que sua saúde delicada a impedia de levar uma vida normal. Seus pais, principalmente o pai, desenvolvem uma preocupação exagerada com sua condição e procuram evitar qualquer situação que possa representar esforço físico ou emocional. A chegada da adolescência, entretanto, faz com que Cynthia comece a desejar independência, amizades e experiências próprias de sua idade. Na escola, ela descobre uma paixão pela música e recebe a oportunidade de participar de uma apresentação musical. Ao mesmo tempo, apaixona-se pelo colega Ricky Latham, que a incentiva a enfrentar suas inseguranças. Quando seus pais tentam impedir que participe da apresentação, Cynthia decide desafiar a proteção excessiva que sempre marcou sua vida. A experiência transforma-se, assim, em uma história de amadurecimento, na qual a jovem precisa conquistar não apenas a aprovação dos outros, mas principalmente a confiança em si mesma.

Comentários:
Quando Cynthia chegou aos cinemas em 1947, Elizabeth Taylor já era uma jovem atriz em ascensão dentro da Metro-Goldwyn-Mayer, e o filme ajudou a consolidar sua imagem como uma das grandes promessas juvenis de Hollywood. A crítica americana, entretanto, recebeu a produção de maneira bastante dividida. O The New York Times, através de Bosley Crowther, foi bastante severo e classificou o filme como um produto excessivamente artificial da MGM, embora reconhecesse a simpatia de Elizabeth Taylor. A revista TIME teve uma avaliação mais equilibrada: considerou que a história funcionava melhor quando retratava os pequenos conflitos da adolescência e as dificuldades familiares, fazendo uma comparação favorável com o escritor Booth Tarkington. Ao mesmo tempo, a publicação criticou algumas das situações cômicas consideradas exageradas e previsíveis. Já Howard Barnes, do New York Herald Tribune, foi muito mais entusiasmado com Elizabeth Taylor, escrevendo que a jovem atriz realizava um trabalho brilhante no papel-título e interpretava sua personagem com "grave encanto". Essa diferença de opiniões demonstra que, embora o filme não fosse considerado uma grande produção da MGM, havia um consenso de que Taylor possuía uma presença cinematográfica extraordinária para sua idade.

Com o passar das décadas, Cynthia passou por uma interessante reavaliação. O filme, que originalmente era visto sobretudo como uma produção juvenil e sentimental da MGM, passou a despertar maior interesse justamente por registrar Elizabeth Taylor em uma etapa muito importante de sua carreira. A Turner Classic Movies observa que a interpretação da atriz e a de Mary Astor receberam elogios dos críticos contemporâneos, enquanto retrospectivamente o crítico britânico Alexander Walker classificou Cynthia como um dos triunfos injustamente esquecidos de Taylor, destacando sua delicadeza, simpatia e afirmação de independência. A relação entre Cynthia e sua mãe, interpretada por Mary Astor, é particularmente importante para o filme, pois transforma a história em um drama sobre proteção parental e amadurecimento. O longa também possui valor histórico por registrar uma das primeiras grandes atuações de Elizabeth Taylor como protagonista adolescente. Comercialmente, a produção foi lucrativa para a MGM: os registros do estúdio apontam receitas de aproximadamente US$ 1,206 milhão nos Estados Unidos e Canadá e US$ 442 mil em outros mercados, resultando em lucro de cerca de US$ 280 mil. Hoje, Cynthia é considerado um filme menor, porém charmoso, da Hollywood clássica, e sobretudo um documento precioso da formação artística de Elizabeth Taylor antes de sua transformação em uma das maiores estrelas do cinema mundial.

Erick Steve. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Os Filmes de Vivien Leigh - Parte 1

Vivien Leigh nasceu em Darjeeling, na época uma província do império britânico na distante e exótica Índia. Seus pais estavam a trabalho por lá. Depois de algum tempo retornaram finalmente a Londres, onde Vivien desde cedo mostrou muita vocação para as artes, especialmente para a arte dramática. Assim ela estudou por vários anos para ser atriz, frequentando alguns dos melhores cursos de teatro de Londres.

Durante muitos anos o teatro foi o centro de sua carreira de atriz e só aos 22 anos ela fez seu primeiro filme chamado "The Village Squire", uma pequena produção inglesa dirigida pelo cineasta Reginald Denham. O roteiro do filme era baseado numa peça teatral escrita pelo dramaturgo Arthur Jarvis Black e contava a singela história de uma pequena vila no interior da Inglaterra que via sua rotina mudar completamente com a chegada de uma grande estrela de cinema.

Como era de se esperar os primeiros filmes de Vivien Leigh foram todos rodados na Inglaterra, sua terra natal. Hollywood ainda parecia uma realidade distante nesses seus primeiros trabalhos no cinema. Em 1935, ano em que estreou nas telas, ela atuou em quatro produções distintas, todas produções modestas de estúdios locais. "Look Up and Laugh", seu segundo filme, foi uma comédia. Era uma experiência bem nova para Leigh que sempre havia direcionado seus estudos para o drama, não para o humor. Esse filme aliás é um caso raro dentro da sua filmografia pois a atriz não tinha muita vocação para esse tipo de roteiro. Anos depois lembrando de sua participação nesse filme ela confessou: "Eu não nasci para as comédias, definitivamente não!"

Essa percepção iria ficar ainda mais forte em seu filme seguinte, intitulado "Things Are Looking Up". Leigh interpretava uma colegial nesse filme muito leve, simples, de conteúdo familiar. Serviu para ganhar alguma experiência, porém não foi algo muito importante. No quarto filme em que participou "Gentlemen's Agreement" de George Pearson, ela ouviu um conselho desse diretor dizendo a ela que deveria ir para os Estados Unidos, onde haveria certamente maiores oportunidades para sua carreira de atriz. Ficar na Inglaterra iria limitar seus objetivos. Ela ouviu atentamente o que Pearson lhe aconselhou e começou então a planejar sua viagem para Hollywood. Quem sabe poderia dar certo por lá.

Pablo Aluísio. 

Os Filmes de Vivien Leigh - Parte 2

O filme que fez Hollywood se interessar por Vivien Leigh foi o drama histórico "Fogo Por Sobre a Inglaterra", que se passava nos tempos do reinado da Rainha Elizabeth I. Vivien ficou extremamente bem no filme, com roupas de época. Ela ainda era bem jovem e sua imagem chamou a atenção dos grandes estúdios americanos. O fato desse filme inglês ser exibido nos cinemas dos Estados Unidos serviu como um cartão de visitas da atriz no outro lado do Atlântico.

Esse filme também foi um marco na vida pessoal da atriz pois ela conheceu o ator Laurence Olivier com quem iria se casar futuramente. O fato de ambos serem atores, lutando pela carreira em Londres na pequena indústria cinematográfica local, acabou servindo de atração entre eles. O romance não demorou muito a acontecer, até porque Vivien se sentia bem solitária nos primeiros dias na capital britânica. Seus familiares e amigos ficaram no interior e em Londres ela precisou formar um novo círculo de amigo. Era uma nova vida que começava para ela.

O filme seguinte na carreira de Vivien Leigh foi um filme de espionagem, passado durante a primeira guerra mundial, chamado "Jornada Sinistra". A atriz interpretava uma personagem chamada Madeleine Goddard. Ela era uma espiã francesa em Londres que acabava se apaixonando por um espião alemão, seu inimigo no conflito. O Barão Karl Von Marwitz era interpretado pelo ator Conrad Veidt. Esse filme foi lançado em 1937, dois anos antes da eclosão da II Guerra Mundial. Hitler já estava no poder na Alemanha, mas poucos ainda sabiam que uma nova guerra, pior ainda do que a anterior, estava prestes a varrer a Europa mais uma vez. Para Vivien foi algo até perturbador fazer esse filme, principalmente pelas coisas que estavam prestes a acontecer, com bombardeios alemães diários em Londres, algo que ela própria iria vivenciar.

Nesse mesmo ano Vivien ainda iria atuar em uma comédia romântica bem leve chamada "Tempestade Num Copo D'Água". Ela interpretava uma jornalista investigativa de nome Victoria Gow. Quando o filme começa ela parte em busca de histórias indiscretas envolvendo um figurão da política, mas de forma irônica acabava se apaixonando por ele. O curioso sobre esses três últimos filmes de Leigh é que os três foram lançados no Brasil também, demonstrando que ela já era uma artista conhecida em nosso país, antes mesmo da explosão de "E O Vento Levou...". Vivien ainda não era uma grande estrela, algo que só iria acontecer mesmo com o lançamento desse épico americano, considerado por muitos como um dos maiores filmes de todos os tempos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto IV

O último ano de Marilyn Monroe - O último ano da vida de Marilyn Monroe foi bem turbulento. Ela resolveu se livrar de coisas e pessoas que não estavam lhe fazendo bem. Por recomendação de seu terapeuta Marilyn resolveu que pela primeira vez em sua vida iria comprar uma casa própria. A atriz viveu toda a sua vida alugando e sendo despejada de apartamentos de Los Angeles e seu psicólogo lhe disse que isso criou nela uma espécie de trauma, onde seu subconsciente lhe passava a mensagem subliminar de que ela na verdade não pertencia a lugar nenhum e nem tinha raízes seguras onde se fixar. Marilyn gostou da explicação e comprou uma bela casa nos arredores da cidade - nada luxuoso ou extravagante, mas acima de tudo aconchegante. Conformou confessou a um repórter adorou a sensação de ser dona de sua própria casa, onde poderia ficar como bem entendesse, totalmente à vontade.

Como o casamento também vinha de mal a pior Marilyn resolveu despachar seu marido, o escritor Arthur Miller. Marilyn havia se apaixonado por ele principalmente por ser uma pessoa culta que passava uma imagem paterna para ela. Na vida a dois Marilyn porém se decepcionou completamente com ele. Miller caiu em um ostracismo incrível na carreira onde não produzia ou escrevia mais nada que fosse relevante ou elogiado. Além disso se mostrou totalmente submisso a esposa, carregando suas malas para cima e para baixo. Nos últimos meses Miller havia virado praticamente um empregado de Marilyn e isso a deixou completamente decepcionada com ele. Marilyn queria um homem de verdade ao seu lado, não um capacho, um verme que dizia sim a praticamente tudo o que ele queria ou mandava. Não demorou muito e Marilyn o mandou embora de sua vida, dizendo que além de ser um banana ele havia se revelado um tremendo de um chato!

Marilyn na verdade estava mirando nos irmãos Kennedy. Seria uma reviravolta e tanto em sua vida se ela conseguisse conquistar Bob ou então tivesse a chance de emplacar um romance com o próprio presidente dos Estados Unidos, JFK! Não seria o máximo se tornar a primeira dama do país depois de brilhar por tantos anos no mundo do cinema? Isso tudo porém não passava de um delírio de Marilyn já que nenhum deles estava disposto a colocar a carreira política em jogo por causa de Marilyn e suas loucuras. De qualquer forma Marilyn estava pelo menos respirando ares novos em sua vida. Uma sensação de mudança a tinha deixado de melhor humor a tal ponto que convidou o fotógrafo George Burns para tirar algumas fotos de seu novo lar para a capa de uma revista de decoração. A foto acima, por exemplo, foi tirada apenas seis semanas antes de sua morte.

Nas fotos Marilyn surgia feliz e sorridente porém os velhos fantasmas do passado ainda a incomodavam. Marilyn tinha dois grandes receios na vida, o primeiro era terminar louca como sua mãe, internada em uma instituição psiquiátrica. Muitos parentes de Marilyn tinham desenvolvido problemas mentais no passado de sua família e ela tinha pavor de também começar a apresentar sinais de insanidade. O segundo grande medo de sua vida era terminar sozinha seus dias, sem marido ou filhos. Por ter feito muitos abortos na juventude, Marilyn sabia que agora com mais de 30 anos o sonho da maternidade ficava cada vez mais distante. Isso a deixava deprimida, principalmente nas noites solitárias. E foi justamente numa noite dessas, na privacidade de seu quarto, ouvindo um disco de Frank Sinatra, que ela finalmente encontraria a paz que tanto desejava.

Pablo Aluísio.

O Que Pode um Beijo

O que Pode um Beijo
Mais um faroeste B na filmografia de Marilyn Monroe. Nessa época ela ainda era bem jovem e estava tentando seu lugar so sol em Hollywood. Como era uma jovem bonita, foi escalada para fazer parte do elenco de apoio, no grupo de belas coristas de um saloon. Embora já tivesse adotado aquela imagem de Marilyn que todos conhecemos, achei seu visual meio estranho nesse filme, tudo por causa de uns cachinhos dourados que fizeram em seu cabelo. Ficou bem fora da casinha, um penteado meio mal feito. Não caiu bem. 

Em termos de história esse western contava mais uma história da expansão das ferrovias rumo ao oeste selvagem. Esses trens antigos mudaram a história dos Estados Unidos, mas não eram bem vistos por todos. A ferrovia significava a modernidade e muitos odiavam isso, fazendo muitas vezes operações de sabotagens nas ferrovias, o que colocava em risco a própria vida dos passageiros. No caso desse filme era justamente isso que acontecia. Bandidos contratados por donos de diligências tentando sabotar as linhas de trens que seguiam rumo ao oeste. 

O que Pode um Beijo (A Ticket to Tomahawk, Estados Unidos, 1950) Direção: Richard Sale / Roteiro: Mary Loos, Richard Sale / Elenco: Dan Dailey, Anne Baxter, Rory Calhoun, Walter Brennan, Marilyn Monroe / Sinopse: Primeiro filme da atriz Marilyn Monroe na década de 1950. Ainda em papel bem secundário, ela interpretava uma bailarina de saloon nesse filme de faroeste B de Hollywood. 

Pablo Aluísio. 

Loucos de Amor

Loucos de Amor
Depois da euforia do filme anterior Marilyn Monroe desceu um degrau na carreira. Não que fosse um filme ruim, nada disso, mas que não iria abrir maior espaço para ela que teria que novamente interpretar o papel de uma loira burra e gostosa. Era uma comédia maluca dos Irmãos Marx, então não haveria mesmo oportunidade para Marilyn Monroe mostrar muita coisa no meio dessa confusão divertida. Tudo no roteiro havia sido escrito para que os Irmãos Marx brilhassem em cena com seu humor. Para Marilyn só sobrou fazer mais um extra baseado apenas em sua beleza. 

Revisto hoje em dia esse filme entretanto serve para uma constatação de que Marilyn tinha mesmo jeito para a comédia e o humor, algo que seria explorado em seus primeiros filmes de estrela de Hollywood. Ela era certamente uma garota bonita, todos sabiam disso, mas ainda assim esbanjava talento para cenas de humor. E essa pode ser considerada a primeira experiência da atriz nesse estilo cinematográfico, algo que ela soube muito bem explorar dede o começo de sua filmografia. 

Loucos de Amor (Love Happy, Estados Unidos, 1949) Direção: David Miller / Roteiro: Frank Tashlin, Mac Benoff, Harpo Marx / Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Marilyn Monroe,  Ilona Massey / Sinopse: Os irmãos Marx vão para a Broadway e criam todos os tipos de confusões no meio teatral de Nova Iorque. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

007 Contra Goldfinger

007 Contra Goldfinger
007 Contra Goldfinger (Goldfinger) foi lançado em 17 de setembro de 1964 no Reino Unido e em 22 de dezembro de 1964 nos Estados Unidos. O filme foi dirigido por Guy Hamilton e representou o terceiro longa-metragem da série oficial de James Bond produzida pela Eon Productions. O roteiro foi escrito por Richard Maibaum e Paul Dehn, baseado no romance homônimo de Ian Fleming. O elenco principal reúne Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman, Harold Sakata, Shirley Eaton e Bernard Lee. Na história, o agente secreto James Bond recebe a missão de investigar o magnata do ouro Auric Goldfinger, suspeito de envolvimento em operações internacionais de contrabando. A investigação leva Bond a descobrir um plano audacioso para invadir Fort Knox e tornar inutilizáveis as reservas de ouro dos Estados Unidos, aumentando imensamente o valor das reservas particulares de Goldfinger. Para impedir a conspiração, Bond enfrenta o implacável vilão, seu guarda-costas Oddjob e uma série de armadilhas que se tornariam clássicas da franquia.

Quando estreou, 007 Contra Goldfinger recebeu uma recepção crítica extremamente positiva e foi considerado um enorme avanço em relação aos dois primeiros filmes da série. O The New York Times elogiou o equilíbrio entre ação, humor e sofisticação, afirmando que Sean Connery consolidava definitivamente sua imagem como James Bond. A revista Variety destacou a direção segura de Guy Hamilton e classificou o filme como "uma aventura de espionagem de primeira categoria". O Los Angeles Times elogiou especialmente o ritmo da narrativa, os cenários grandiosos e o carisma do elenco. Muitos críticos ressaltaram que Goldfinger definiu a fórmula clássica dos filmes de Bond: um vilão memorável, um plano de proporções gigantescas, carros equipados com tecnologia inovadora, belas locações internacionais, humor refinado e sequências de ação espetaculares. O consenso foi de que a franquia havia atingido um novo patamar de qualidade e popularidade.

Além do enorme sucesso de crítica, 007 Contra Goldfinger recebeu diversos reconhecimentos importantes. O filme conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Sonoros, tornando-se o primeiro da franquia James Bond a vencer um Prêmio da Academia. A canção-tema "Goldfinger", interpretada por Shirley Bassey e composta por John Barry, Leslie Bricusse e Anthony Newley, transformou-se em um dos temas musicais mais famosos da história da série. A interpretação de Gert Fröbe como Auric Goldfinger e a presença de Oddjob, vivido por Harold Sakata, também receberam elogios e ajudaram a criar dois dos vilões mais icônicos do cinema. Com o passar dos anos, o filme passou a figurar constantemente entre os melhores capítulos da franquia em listas elaboradas por críticos e fãs.

Do ponto de vista comercial, 007 Contra Goldfinger foi um fenômeno mundial. Produzido com um orçamento aproximado de US$ 3 milhões, arrecadou cerca de US$ 125 milhões em bilheteria mundial, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais da década de 1960. Nos Estados Unidos, foi um enorme êxito de público, enquanto no mercado internacional consolidou definitivamente James Bond como um fenômeno global da cultura popular. O filme também impulsionou a venda de produtos licenciados, popularizou o lendário Aston Martin DB5 equipado com dispositivos secretos e fortaleceu ainda mais o prestígio da franquia. O entusiasmo do público foi tão grande que muitos historiadores do cinema utilizam a expressão "Bondmania" para descrever o impacto cultural provocado por Goldfinger.

Hoje, 007 Contra Goldfinger é amplamente considerado um dos maiores filmes de espionagem de todos os tempos e, para muitos críticos e fãs, o melhor filme da era de Sean Connery como James Bond. Sua influência pode ser percebida em praticamente todos os longas posteriores da franquia, que passaram a repetir elementos estabelecidos por esta produção. O desempenho carismático de Sean Connery, a direção elegante de Guy Hamilton, a memorável trilha sonora de John Barry e a inesquecível sequência do raio laser apontado para Bond tornaram-se referências permanentes da cultura pop. Décadas após seu lançamento, Goldfinger continua sendo apontado como um dos filmes que definiram o gênero de espionagem moderno e permanece como um clássico absoluto do cinema de aventura.

007 Contra Goldfinger (Goldfinger, Reino Unido, 1964) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Richard Maibaum e Paul Dehn, baseado no romance Goldfinger, de Ian Fleming / Elenco: Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman, Harold Sakata, Shirley Eaton e Bernard Lee / Sinopse: James Bond investiga o poderoso Auric Goldfinger e descobre um plano para atacar Fort Knox, obrigando o agente 007 a enfrentar um dos vilões mais perigosos de sua carreira para impedir uma catástrofe econômica mundial.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Marnie, Confissões de uma Ladra

Marnie, Confissões de uma Ladra 
Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie) foi lançado em 22 de julho de 1964, dirigido por Alfred Hitchcock e baseado no romance homônimo de Winston Graham. O roteiro foi escrito por Jay Presson Allen. O elenco principal reúne Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham e Alan Napier. A trama acompanha Marnie Edgar, uma mulher traumatizada que vive assumindo falsas identidades para conseguir empregos temporários e roubar grandes quantias de dinheiro de seus patrões. Sua rotina muda quando é descoberta por Mark Rutland, um rico empresário que, em vez de denunciá-la, decide casar-se com ela. Aos poucos, Mark percebe que a esposa sofre de profundos traumas psicológicos ligados à infância e tenta descobrir o segredo que domina sua vida. O filme mistura suspense, drama psicológico e romance, explorando temas como culpa, repressão sexual, trauma e identidade.

Quando estreou, Marnie, Confissões de uma Ladra recebeu uma recepção crítica mista. O The New York Times elogiou a sofisticação visual de Hitchcock e a atmosfera de suspense, mas considerou que o roteiro nem sempre conseguia desenvolver satisfatoriamente os conflitos psicológicos da protagonista. A revista Variety destacou a direção segura de Hitchcock e a força da interpretação de Tippi Hedren, embora observasse que a narrativa poderia parecer excessivamente simbólica para parte do público. O Los Angeles Times reconheceu a ousadia do diretor ao abordar temas como trauma sexual e distúrbios psicológicos, mas apontou que algumas soluções dramáticas eram pouco convincentes. Muitos críticos da época esperavam um suspense mais próximo de Psicose ou Os Pássaros, o que contribuiu para uma recepção inicialmente menos entusiasmada. Ainda assim, praticamente todos reconheceram o domínio técnico de Hitchcock na construção das imagens e da tensão dramática.

Na época de seu lançamento, Marnie não recebeu indicações ao Oscar nem aos principais prêmios internacionais, fato que surpreendeu parte da crítica. Entretanto, diversos analistas elogiaram especialmente a interpretação de Tippi Hedren, considerada uma das mais complexas de sua carreira, e a presença carismática de Sean Connery, que filmou a produção logo após alcançar fama mundial como James Bond. Com o passar das décadas, estudiosos de cinema passaram a reavaliar o filme de forma muito mais positiva. Críticos da revista The New Yorker e pesquisadores da obra de Hitchcock destacaram que Marnie antecipou discussões modernas sobre saúde mental, abuso infantil e repressão psicológica, transformando-o em um dos trabalhos mais pessoais e ousados do diretor.

Do ponto de vista comercial, Marnie teve um desempenho modesto. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 3 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 7 milhões nas bilheterias mundiais. Embora tenha recuperado seu investimento, ficou abaixo do enorme sucesso alcançado por Psicose (1960) e Os Pássaros (1963). Parte do público estranhou o tom mais psicológico e menos voltado ao suspense tradicional. Ainda assim, o filme encontrou admiradores ao longo dos anos por meio das exibições na televisão, do mercado de vídeo doméstico e das restaurações promovidas por estúdios e cinematecas, conquistando uma reputação crescente entre cinéfilos.

Hoje, Marnie, Confissões de uma Ladra é considerado por muitos críticos um dos filmes mais subestimados de Alfred Hitchcock. A direção elegante, a fotografia de Robert Burks, a trilha sonora composta por Bernard Herrmann e, principalmente, a atuação de Tippi Hedren são frequentemente apontadas como grandes qualidades da obra. Embora alguns aspectos da narrativa sejam vistos atualmente como datados, especialmente na forma como o relacionamento entre Marnie e Mark é retratado, o filme continua sendo objeto de estudos acadêmicos por sua abordagem da psicologia humana e pela riqueza de sua linguagem visual. Atualmente, é reconhecido como um dos trabalhos mais complexos e fascinantes da fase final da carreira de Hitchcock.

Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie, Estados Unidos, 1964) Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Jay Presson Allen, baseado no romance Marnie, de Winston Graham / Elenco: Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham e Alan Napier / Sinopse: Uma mulher que vive roubando seus empregadores sob identidades falsas casa-se com um empresário que tenta descobrir a origem dos profundos traumas psicológicos que dominam sua vida e a levam ao crime.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Peggy

Título no Brasil: Peggy
Título Original: Peggy
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal-International Pictures
Direção: Frederick De Cordova
Roteiro: Bruce Manning, baseado no romance The Fair Young Phoenix, de E. V. Timms
Elenco: Diana Lynn, Charles Coburn, Anne Francis, John Derek, Barbara Lawrence, Connie Gilchrist, Rock Hudson, Harry Davenport e Ray Collins.

Sinopse:
Ambientado no início do século XX, Peggy acompanha a jovem Peggy O'Hara, filha de um professor universitário que se muda com a família para uma pequena cidade americana. Inteligente, espontânea e cheia de entusiasmo, Peggy rapidamente conquista a simpatia dos moradores, mas também provoca situações embaraçosas com seu comportamento pouco convencional para os rígidos padrões sociais da época. Enquanto tenta adaptar-se ao novo ambiente, ela vive os primeiros romances, enfrenta os desafios da vida adulta e aprende importantes lições sobre responsabilidade, amizade e amor. Em meio a festas, eventos universitários e encontros familiares, a protagonista descobre que crescer significa encontrar o equilíbrio entre seus sonhos e as expectativas da sociedade. O filme combina romance, humor e drama leve, oferecendo um retrato nostálgico da juventude americana do início do século XX.

Comentários:
Lançado em 1950, Peggy foi recebido como uma agradável comédia romântica de época, destacando-se principalmente pelo carisma de Diana Lynn. A atriz, conhecida por interpretar jovens inteligentes e independentes, recebeu elogios da crítica por sua atuação natural e cativante. O The New York Times descreveu o filme como uma produção leve e simpática, ressaltando que seu principal mérito estava na espontaneidade de Diana Lynn e no clima nostálgico cuidadosamente construído pela direção de Frederick De Cordova. A revista Variety também publicou uma crítica favorável, observando que o longa oferecia entretenimento familiar de qualidade, embora seu roteiro seguisse fórmulas bastante tradicionais das comédias românticas da época. Os críticos destacaram ainda o excelente trabalho de Charles Coburn, veterano vencedor do Oscar, cuja presença conferia elegância e humor às cenas em que aparecia. A fotografia, os figurinos e a reconstrução do ambiente universitário americano do início do século XX também foram elogiados por sua riqueza de detalhes e autenticidade.

Com o passar das décadas, Peggy tornou-se uma obra relativamente pouco lembrada pelo grande público, mas continua despertando interesse entre admiradores do cinema clássico de Hollywood. Historiadores observam que o filme representa bem o estilo de produções leves e otimistas que dominaram parte da indústria cinematográfica americana no pós-guerra. Em retrospectivas dedicadas à carreira de Diana Lynn, diversos críticos apontam Peggy como uma de suas atuações mais encantadoras, demonstrando seu talento para personagens românticas e bem-humoradas. Embora nunca tenha alcançado o status de clássico, o longa é frequentemente elogiado por seu charme, pelos diálogos espirituosos e pelo retrato idealizado da vida universitária americana. Entre os fãs do cinema clássico, a produção permanece como uma agradável descoberta, oferecendo uma narrativa simples, mas conduzida com competência e repleta do charme característico das comédias românticas produzidas pela Universal durante a década de 1950. Hoje, Peggy é visto como um pequeno tesouro escondido da Era de Ouro de Hollywood, especialmente recomendado para aqueles que apreciam filmes românticos elegantes e nostálgicos.

Erick Steve.

Larápios

Título no Brasil: Larápios
Título Original: I Was a Shoplifter
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Charles Lamont
Roteiro: Irwin Gielgud
Elenco: Scott Brady, Mona Freeman, Andrea King, Tony Curtis, Rock Hudson

Sinopse:
Jovem é presa após furtar objetos em uma grande loja de departamentos. Na central de polícia lhe é oferecido um acordo. Ela não irá presa, mas vai colaborar com os policiais, se tornando informante, para que os demais criminosos da região, ladrões em especial, sejam identificados e presos pelos detetives do Departamento de Polícia. 

Comentários:
Um cult movie do chamado cinema noir. Esse foi um movimento cinematográfico bem interessante surgido dentro da indústria americana. Copiando a estética de filmes europeus, usando principalmente do jogo de luzes e sombras, com tramas envolvendo investigações policiais e personagens sórdidos, foi um excelente investimento para os estúdios de Hollywood. Custavam pouco e faturavam bem nas bilheterias. Aqui a Universal colocou seu time de jovens atores, astros em potencial na época, para ir pegando experiência no cinema. Entre eles temos Rock Hudson e Tony Curtis. Eram jovens e ainda desconhecidos do grande público. Ambos iriam se tornar campeões de bilheteria nos anos que viriam. É um bom filme, bem de acordo com a filosofia noir. Por isso acabou se tornando, com o passar dos anos, um dos mais conhecidos exemplares do gênero. 

Pablo Aluísio.

Winchester 73

Winchester 73
Lendo a autobiografia do ator Rock Hudson nos deparamos com um capítulo onde ele relembra o lançamento desse western. De como viajou ao lado de James Stewart para promover o filme nas cidades. Na época ele era apenas um coadjuvante de luxo nesse faroeste que tem um ótimo roteiro. E é justamente o roteiro que se destaca nessa produção. Posso afirmar, sem parecer exagerado, que temos aqui um roteiro muito bem escrito, algo bem inovador mesmo. Várias histórias vão sendo mostradas e aos poucos todas convergem para o mesmo local. O roteiro na verdade segue o rifle Winchester 73 que vai passando de mão em mão ao longo do filme. A arma é uma espécie de prêmio que o personagem de James Stewart ganha em um concurso na cidade de Dodge City. Nessa cena temos direito até mesmo a uma aparição do famoso homem da lei Wyatt Earp. O rifle acaba sendo roubado depois, indo parar nas mãos de um grupo Sioux. Depois ele vai parar nas mãos de militares da cavalaria, vira objeto de ostentação de um covarde etc. O fio condutor de todo o enredo então passa a ser justamente esse rifle. E assim várias histórias do velho oeste vão sendo contadas.

Além do bom roteiro, o filme se destaca também pelo excelente elenco. Astros de Hollywood da sua era de ouro estão aqui. O ator James Stewart repete seu tradicional papel de homem íntegro e honesto. Para falar a verdade ele não precisava de muito mais do que isso. Sempre carismático e correto, Stewart liderou um elenco acima da média. O mais curioso é a presença de dois jovens atores que iriam virar grandes astros nos anos que viriam: Rock Hudson e Tony Curtis. O primeiro está quase irreconhecível como um chefe Sioux. Ele atuou no filme de peruca e pintado nas cores tradicionais dos nativos americanos, algo bem fora dos padrões de sua carreira. Já Tony Curtis, muito, muito jovem, faz um soldado da cavalaria no meio de um cerco indígena. Ambos estavam em começo de carreira, tentando um lugar ao sol em Hollywood.

Na época os dois eram contratados da Universal Pictures, que tinha um quadro de treinamento de novos atores. A Universal era conhecida por realizar vários faroestes B, mas aqui caprichou um pouco mais na produção. Isso porque contava com o astro James Stewart como estrela do filme. Assim o estúdio decidiu produzir um faroeste classe A para fazer jus a ele. A empresa cinematográfica sabia do potencial das bilheterias com sua presença. E tudo isso resultou numa produção caprichada. A direção também foi entregue a um cineasta experiente. Anthony Mann foi para James Stewart o que John Ford foi para John Wayne, ou seja, uma bela parceria se firmou entre ambos ao longo dos anos. Aqui a sintonia da dupla funciona novamente. Mann, com mão firme, não deixa o filme em nenhum momento cair na banalidade. Excelente trabalho de direção. Em suma, esse é um daqueles grandes filmes de western da história de Hollywood. Um filme para se ter na coleção.

Winchester '73 (Winchester '73, Estados Unidos, 1950) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Robert L. Richards, Borden Chase / Elenco: James Stewart, Rock Hudson, Tony Curtis, Shelley Winters, Dan Duryea / Sinopse: Lin McAdam (James Stewart) vence uma competição de tiro cujo prêmio é um rifle Winchester 73, a melhor arma da época. Após perder sua posse a arma cai nas mãos de várias pessoas ao longo do tempo. Filme indicado ao Writers Guild of America.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Montanhas Ardentes

Título no Brasil: Montanhas Ardentes
Título Original: Red Skies of Montana
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Joseph M. Newman
Roteiro: Harry Kleiner, Art Cohn
Elenco: Richard Widmark, Constance Smith, Jeffrey Hunter
  
Sinopse:
Quando um grande incêndio irrompe nas montanhas de Montana, um esquadrão de 'Smoke Jumpers' (grupo formado por pára-quedistas de elite do corpo de bombeiros do serviço florestal dos Estados Unidos) é levado para o centro do foco do desastre natural. A situação é desesperadora por causa da extensão do fogo que se alastra pela floresta com ferocidade, o que leva todos aqueles bravos homens ao limite de suas forças. Enquanto isso um dos membros é dado como morto pelo fogo, mas seu filho não se convence e tenta provar que ele foi vítima da covardia de um dos integrantes dos 'Smoke Jumpers'.

Comentários:
Uma aventura focando na vida dos bombeiros que foi muito complicada de se realizar. Nos anos 1950 a tecnologia dos efeitos especiais era ainda muito pouco sofisticada. Para se recriar um incêndio de grandes proporções no meio da floresta não havia outra maneira a não ser colocar fogo de verdade em grandes áreas florestais. Nem precisa dizer que isso era muito perigoso não apenas para a equipe como também para o meio ambiente. Mesmo assim o diretor Joseph M. Newman topou o desafio. O resultado é bem impactante na tela, com os atores literalmente exaustos pela complicada provação física a que foram submetidos. Por falar em elenco ele é de fato muito bom, valorizado pelas esforçadas presenças de Richard Widmark e Jeffrey Hunter (ainda muito jovem, em começo de carreira). O roteiro se desdobra em duas linhas narrativas básicas. Uma explorando a missão dos bombeiros na floresta em si e outra na questão envolvendo a morte de um dos membros da equipe - teria ele sido morto por omissão e covardia de seus próprios colegas de trabalho? A produção tem um estilo levemente documental, tentando recriar em detalhes a vida dos bombeiros do mundo real, mas isso não atrapalha em nada a diversão. Um filme realmente muito interessante, valorizado por um roteiro que mantém a atenção do começo ao fim. Um exemplo de aventura inteligente na era do cinema clássico americano.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Marlon Brando (1954 - 1956)

Marlon Brando (1954 - 1956)
Aqui está três reviews de filmes de Marlon Brando lançados entre os anos de 1954 e 1956. Após um começo de carreira brilhante em Hollywood, no ano de 1950, Brando começou a enfrentar certos problemas com os produtores dos grandes estúdios. Além disso sua conturbada vida pessoal começou a chamar mais atenção da imprensa que seus próprios filmes. De qualquer maneira aqui estão três filmes lançados nessa fase da carreira de Marlon Brando. 

Desirée – O Amor de Napoleão 
O filme Desirée – O Amor de Napoleão (Désirée) foi lançado em 4 de novembro de 1954, dirigido por Henry Koster e estrelado por Marlon Brando, Jean Simmons, Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell e Elizabeth Sellars. Baseado no romance histórico Désirée, de Annemarie Selinko, o filme acompanha a vida de Désirée Clary, jovem francesa que vive um intenso romance com o então desconhecido oficial de artilharia Napoleon Bonaparte. Quando Napoleão decide romper o relacionamento para se casar com Joséphine de Beauharnais, visando fortalecer sua posição política, Désirée segue um caminho diferente. Anos depois, ela se casa com o marechal Jean-Baptiste Bernadotte, que viria a tornar-se rei da Suécia. Mesmo separados, os destinos de Désirée e Napoleão continuam ligados pelos grandes acontecimentos que transformaram a Europa no início do século XIX. O filme mistura romance, drama histórico e intrigas políticas, tendo como pano de fundo as Guerras Napoleônicas e a ascensão e queda do imperador francês.

Quando foi lançado, Desirée recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva. O The New York Times elogiou a produção por sua elegância visual e destacou que Marlon Brando oferecia “um Napoleão surpreendentemente humano e contido”. O Los Angeles Times ressaltou a química entre Brando e Jean Simmons, além da qualidade dos figurinos e da direção de arte. A revista Variety classificou o filme como “um romance histórico refinado e produzido com grande esmero”, observando que a Fox havia realizado uma produção de alto nível. Muitos críticos elogiaram Jean Simmons por interpretar Désirée com sensibilidade e inteligência, transformando-a na verdadeira força dramática da narrativa. Alguns especialistas, entretanto, observaram que Brando adotava um estilo de interpretação muito moderno para um personagem histórico do início do século XIX, o que dividiu opiniões. Ainda assim, a produção foi amplamente reconhecida como um drama histórico de qualidade. A recepção geral foi claramente favorável.

O reconhecimento artístico refletiu-se nas premiações. Desirée recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Direção de Arte em Cores e Melhor Figurino em Cores, sendo elogiado pela reconstituição da França napoleônica e dos palácios europeus. Embora não tenha conquistado estatuetas, o filme foi considerado uma das produções históricas mais elegantes de 1954. Publicações como The New Yorker destacaram o cuidado da direção de Henry Koster em privilegiar o desenvolvimento emocional dos personagens em vez de transformar a história em um simples espetáculo militar. Ao longo das décadas, diversos historiadores observaram que o filme toma algumas liberdades em relação aos fatos históricos, especialmente na dramatização do relacionamento entre Désirée e Napoleão. Ainda assim, a obra permaneceu respeitada como uma adaptação cinematográfica competente do romance de Annemarie Selinko. Sua reputação crítica manteve-se estável ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, Desirée foi um sucesso expressivo para a 20th Century Fox. Produzido com um orçamento elevado e fotografado em CinemaScope, o filme atraiu grande público interessado tanto na figura histórica de Napoleão quanto na presença de Marlon Brando, que vivia um dos momentos mais importantes de sua carreira após On the Waterfront. As bilheterias foram bastante satisfatórias nos Estados Unidos e também em diversos países europeus, onde a temática napoleônica despertava especial interesse. O público elogiou os cenários grandiosos, os figurinos luxuosos e o romance central da narrativa. Exibições posteriores na televisão ajudaram a manter viva sua popularidade durante as décadas seguintes. Assim, o filme consolidou-se como um dos dramas históricos de maior sucesso comercial dos anos 1950.

Atualmente, Desirée continua sendo considerado uma das melhores cinebiografias românticas sobre Napoleão Bonaparte. Embora produções posteriores tenham buscado retratos historicamente mais detalhados do imperador, o filme permanece admirado por sua elegância visual, pela excelente interpretação de Jean Simmons e pela curiosa composição de Marlon Brando como Napoleão. Críticos modernos destacam que o longa privilegia a dimensão humana e sentimental dos personagens históricos, diferenciando-se dos grandes épicos militares sobre o período napoleônico. A fotografia em CinemaScope, os figurinos e a direção de arte continuam sendo aspectos muito elogiados. Para admiradores de romances históricos e do cinema clássico de Hollywood, Desirée permanece uma obra sofisticada e envolvente. Mais de setenta anos após sua estreia, continua sendo uma referência importante dentro do gênero.

Desirée – O Amor de Napoleão (Désirée, Estados Unidos, 1954) Direção: Henry Koster / Roteiro: Daniel Taradash, baseado no romance Désirée, de Annemarie Selinko / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons, Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell e Elizabeth Sellars / Sinopse: A jovem Désirée Clary vive um intenso romance com Napoleão Bonaparte, mas seus caminhos se separam quando ele escolhe o poder político. Anos depois, ela torna-se rainha da Suécia, enquanto acompanha de longe a ascensão e a queda do homem que marcou sua juventude.

Eles e Elas 
O filme Eles e Elas (Guys and Dolls) foi lançado em 3 de novembro de 1955, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e estrelado por Marlon Brando, Jean Simmons, Frank Sinatra, Vivian Blaine, Stubby Kaye e Robert Keith. Baseado no famoso musical da Broadway criado por Jo Swerling e Abe Burrows, com músicas de Frank Loesser, o filme acompanha duas histórias de amor ambientadas no vibrante universo dos apostadores de Nova York. O carismático jogador Sky Masterson aceita uma aposta para conquistar Sarah Brown, uma dedicada missionária do Exército da Salvação. Paralelamente, o veterano apostador Nathan Detroit tenta finalmente se casar com sua noiva Adelaide, depois de mantê-la esperando durante quatorze anos. Repleto de números musicais memoráveis, humor refinado e romance, o filme preserva o espírito da montagem teatral, ao mesmo tempo em que amplia sua escala cinematográfica. Assim, Eles e Elas tornou-se um dos grandes musicais produzidos por Hollywood na década de 1950.

Quando foi lançado, Eles e Elas recebeu uma recepção crítica amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um musical exuberante, espirituoso e magnificamente produzido”, elogiando a direção elegante de Joseph L. Mankiewicz. O Los Angeles Times destacou a química entre Marlon Brando e Jean Simmons, além da energia de Frank Sinatra em suas cenas musicais. A revista Variety classificou a produção como “uma adaptação luxuosa que preserva o charme do espetáculo original”. Muitos críticos ficaram inicialmente curiosos com a escolha de Marlon Brando, conhecido principalmente por papéis dramáticos, para interpretar um protagonista de musical. No entanto, sua atuação foi considerada surpreendentemente eficiente, especialmente nas cenas românticas e nas canções. A fotografia colorida, os figurinos e a direção de arte também receberam elogios. Dessa forma, a crítica reconheceu o filme como uma das principais adaptações musicais da década.

O reconhecimento artístico também apareceu durante a temporada de premiações. Eles e Elas recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Fotografia em Cores, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino em Cores e Melhor Trilha Sonora de Musical, embora não tenha conquistado nenhuma estatueta. Também foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia, enquanto Jean Simmons recebeu elogios por sua interpretação de Sarah Brown. Publicações como The New Yorker destacaram a habilidade de Mankiewicz em equilibrar humor, romance e espetáculo musical. Alguns críticos lamentaram apenas que diversas canções da versão teatral tivessem sido modificadas ou substituídas para a adaptação cinematográfica. Ainda assim, o consenso foi de que o filme preservava a essência da obra da Broadway. Ao longo das décadas, a reputação crítica permaneceu bastante elevada.

Do ponto de vista comercial, Eles e Elas foi um sucesso expressivo. Produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer com um orçamento elevado para a época, o filme arrecadou cerca de US$ 13 milhões nas bilheterias mundiais, tornando-se um dos musicais de maior sucesso de 1955. A reunião de duas das maiores estrelas de Hollywood — Marlon Brando e Frank Sinatra — despertou enorme interesse do público. Os números musicais, especialmente "Luck Be a Lady" e "Sit Down, You're Rockin' the Boat", conquistaram grande popularidade. O longa também teve excelente desempenho internacional e permaneceu em cartaz durante muitos meses. Exibições posteriores na televisão e lançamentos em vídeo doméstico ampliaram ainda mais sua audiência. Assim, o filme consolidou-se como um importante sucesso comercial da MGM e reforçou a popularidade do musical cinematográfico nos anos 1950.

Atualmente, Eles e Elas é considerado um dos grandes clássicos dos musicais hollywoodianos. Críticos modernos continuam elogiando sua elegante direção, a qualidade de suas canções e o elenco de primeira linha. A atuação de Marlon Brando, antes vista com certa desconfiança, passou a ser reconhecida como uma interessante demonstração de sua versatilidade como ator. A presença de Frank Sinatra também permanece um dos maiores atrativos da produção. Embora alguns apreciadores do musical da Broadway prefiram a versão teatral, a adaptação cinematográfica é frequentemente incluída entre os melhores musicais já produzidos por Hollywood. Sua influência pode ser percebida em diversas produções posteriores do gênero. Quase sete décadas após sua estreia, Eles e Elas continua encantando novas gerações de espectadores com seu humor, romantismo e músicas inesquecíveis.

Eles e Elas (Guys and Dolls, Estados Unidos, 1955) Direção: Joseph L. Mankiewicz / Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, baseado no musical Guys and Dolls, de Jo Swerling e Abe Burrows, inspirado em contos de Damon Runyon, com músicas de Frank Loesser / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons, Frank Sinatra, Vivian Blaine, Stubby Kaye e Robert Keith / Sinopse: Um apostador aceita o desafio de conquistar uma missionária, enquanto outro tenta finalmente convencer sua noiva a se casar, em uma divertida história de romance, música e apostas na Nova York dos anos 1950

Casa de Chá do Luar de Agosto 
O filme Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon) foi lançado em 29 de novembro de 1956, dirigido por Daniel Mann e estrelado por Marlon Brando, Glenn Ford, Machiko Kyō, Eddie Albert, Paul Ford e Harry Morgan. Baseado na peça teatral de John Patrick, vencedora do Prêmio Pulitzer, que por sua vez foi inspirada no romance de Vern Sneider, o filme se passa em Okinawa logo após a Segunda Guerra Mundial. A história acompanha o capitão Fisby, um oficial do Exército dos Estados Unidos encarregado de americanizar uma pequena aldeia japonesa. Para ajudá-lo, é designado Sakini, um intérprete local espirituoso e extremamente astuto. Em vez de seguir rigorosamente as ordens da ocupação militar, Fisby passa a compreender e respeitar os costumes dos moradores, incentivando a construção de uma tradicional casa de chá em vez de projetos burocráticos impostos pelos superiores. A narrativa utiliza humor e sátira para discutir o choque entre culturas, mostrando como o diálogo e o respeito podem superar preconceitos. O personagem Sakini, interpretado por Marlon Brando, tornou-se um dos papéis mais incomuns de sua carreira.

Quando foi lançado, Casa de Chá do Luar de Agosto recebeu uma recepção crítica positiva, embora dividida em alguns aspectos. O The New York Times elogiou o humor inteligente do roteiro e destacou a mensagem humanista da obra, descrevendo-a como “uma comédia encantadora e surpreendentemente sensível”. O Los Angeles Times ressaltou a qualidade da adaptação da peça teatral e a boa atuação de Glenn Ford. A revista Variety considerou o filme “uma sátira sofisticada sobre os excessos da burocracia militar”, elogiando também sua direção discreta. Entretanto, a interpretação de Marlon Brando gerou opiniões divergentes. Muitos críticos admiraram sua coragem em assumir um personagem completamente diferente dos papéis dramáticos pelos quais era conhecido, enquanto outros consideraram exagerados o sotaque e a caracterização do ator. Ainda assim, a produção foi amplamente elogiada por seu humor elegante e por sua crítica social.

Na temporada de premiações, Casa de Chá do Luar de Agosto recebeu três indicações ao Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor Ator – Musical ou Comédia para Glenn Ford e Melhor Ator Coadjuvante para Eddie Albert. Embora não tenha sido indicado ao Oscar, o filme manteve o prestígio da peça original, que havia conquistado enorme sucesso na Broadway. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente o equilíbrio entre comédia e reflexão política, observando que o filme conseguia abordar temas delicados sem perder seu tom leve. Ao longo dos anos, porém, alguns estudiosos passaram a questionar a escolha de Marlon Brando — um ator americano — para interpretar um personagem okinawano, apontando que essa decisão reflete práticas comuns da Hollywood da época, mas que hoje são vistas de forma crítica. Apesar disso, a qualidade do roteiro e das atuações continua sendo reconhecida.

Do ponto de vista comercial, Casa de Chá do Luar de Agosto foi um bom sucesso para a Metro-Goldwyn-Mayer. O prestígio da peça teatral e a popularidade de Marlon Brando e Glenn Ford atraíram um público expressivo aos cinemas. Embora não tenha alcançado as bilheterias dos grandes épicos da década, o filme recuperou seu investimento e teve excelente desempenho especialmente nos Estados Unidos. A crítica favorável e o boca a boca contribuíram para sua permanência em cartaz durante vários meses. Posteriormente, a obra encontrou nova audiência por meio da televisão e do mercado de vídeo doméstico. Seu humor acessível e sua mensagem de tolerância ajudaram a manter sua popularidade ao longo das décadas. Assim, o filme consolidou-se como uma das comédias mais lembradas da carreira de Brando.

Atualmente, Casa de Chá do Luar de Agosto continua sendo visto como uma produção inteligente e humanista, embora também desperte debates por aspectos relacionados à representação cultural. Críticos modernos elogiam sua defesa do respeito entre povos diferentes, sua crítica ao autoritarismo burocrático e a delicadeza com que trata o choque de culturas no pós-guerra. A interpretação de Marlon Brando permanece controversa: alguns a consideram uma demonstração de sua extraordinária versatilidade, enquanto outros a veem como um exemplo das limitações de representatividade do cinema hollywoodiano dos anos 1950. Ainda assim, o filme é reconhecido por sua qualidade narrativa, pelos diálogos espirituosos e pela excelente atuação de Glenn Ford. Mais de seis décadas após sua estreia, Casa de Chá do Luar de Agosto permanece uma obra importante tanto para a história da comédia quanto para a reflexão sobre o encontro entre diferentes culturas.

Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon, Estados Unidos, 1956) Direção: Daniel Mann / Roteiro: John Patrick, baseado em sua peça The Teahouse of the August Moon, inspirada no romance homônimo de Vern Sneider / Elenco: Marlon Brando, Glenn Ford, Machiko Kyō, Eddie Albert, Paul Ford e Harry Morgan / Sinopse: Um oficial americano enviado para administrar uma aldeia em Okinawa acaba aprendendo a valorizar as tradições locais graças à influência de um esperto intérprete, descobrindo que a compreensão entre culturas pode ser mais eficaz do que a imposição de regras.

Erick Steve e Pablo Aluísio. 

Casa de Chá do Luar de Agosto

Casa de Chá do Luar de Agosto
Esse filme é bem curioso. Primeiro é uma comédia leve e divertida estrelada por dois atores, Marlon Brando e Glenn Ford, que nunca foram tecnicamente comediantes. Segundo por trazer uma das caracterizações mais esquisitas da história do cinema: Brando interpretando um japonês chamado Sakini. Confesso que foi até complicado se acostumar com a pesada maquiagem do ator no filme, além de sua atuação, um tanto quanto estereotipada. De qualquer forma conforme o filme avança essa estranheza vai cedendo lugar à pura diversão, pois se o filme não chega a ser hilariante pelo menos tem cenas realmente divertidas e bem escritas. Glenn Ford está muito à vontade no papel, fazendo sem problemas várias cenas que beiram o cinema pastelão. Ele e Marlon inclusive tiveram alguns atritos de ego nas filmagens mas isso não passou ao filme pois tudo soa despretensiosamente leve e bom astral.

De uma maneira em geral o filme foi bem melhor do que eu esperava. Brando fala tão mal do filme em sua autobiografia que pensei que seria uma bomba completa. Não é. O diretor Daniel Mann procura ser bem sutil, até porque a cultura japonesa que mostra no filme já é conhecida por sua sutileza. O roteiro obviamente explora o choque cultural existente entre os moradores de uma pequena vila japonesa em Okinawa e os militares que a ocupam logo após a II Guerra. Os americanos tentam impor sua visão de progresso, com o plano de construir uma escola que ensine democracia no local enquanto os japoneses sonham com a construção de uma casa de chá onde possam se confraternizar e ver o pôr do sol. Desse confronto todo o argumento é construído, com momentos ora divertidos, ora banais, mas nunca chatos. Enfim, o filme nada mais é do que um bom passatempo, leve e ligeiro, e se for encarado dessa forma pode ser uma grata surpresa ao espectador.

Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon, EUA, 1958) Direção: David Mann / Roteiro: John Patrick baseado no livro de Vern J. Sneider / Elenco: Marlon Brando, Glenn Ford, Machiko Kyô, Eddie Albert / Sinopse: Após a II Guerra Mundial militares americanos planejam construir uma escola numa isolada vila japonesa em Okinawa, mas terão que convencer a população a local que prefere que seja construída uma casa de chá para que todos possam assistir ao por do sol juntos, em harmonia com a natureza.

Pablo Aluísio.

Eles e Elas

Eles e Elas 
Marlon Brando era um dos maiores atores de sua época. Porém não sabia cantar. Frank Sinatra era o rei da música, chamado de The Voice (a Voz) pelos críticos musicais. Como ator porém muitas vezes deixava a desejar. Assim teríamos um filme perfeito unindo esses dois talentos. Pelos menos foi assim que pensaram os executivos da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). Só que as coisas definitivamente não saíram bem como os produtores desejavam. Esse musical chamado "Eles e Elas" acabou se tornando um dos filmes mais singulares das carreiras de Brando e Sinatra. A trilha sonora foi gravada usando as diversas tentativas de Brando em cantar bem. Entre as inúmeras desafinadas os produtores conseguiram pincelar pequenos momentos. Depois editaram tudo e o espectador acabou mesmo acreditando que Brando era um cantor, mesmo que meramente mediano.

Já Frank Sinatra não gostou nada da experiência. Ele era um ator pragmático, que queria resolver tudo em apenas um ou dois takes. Porém ao contracenar com Marlon Brando precisou ter paciência em dobro para lidar com os métodos do Actor Studio. Isso acabou criando uma antipatia mútua entre Brando e Sinatra no set de filmagens. No final das gravações eles estavam praticamente sem se falar. Para Brando o ator Frank Sinatra não passava de um cantor tentando atuar sem passar muita vergonha. Ele achava Sinatra bem ruim. Para Sinatra, Brando era superestimado pela crítica. Ele também tinha achado as performances vocais de Marlon um verdadeiro desastre. Como nenhum deles estava disposto a abrir mão de seus egos monumentais a tensão imperou no estúdio. De uma maneira ou outra o público gostou do filme e ele foi até indicado ao Oscar, apesar da crítica não ter apreciado muito. Quem diria que algo assim poderia dar tanto certo no final?

Eles e Elas (Guys and Dolls, Estados Unidos, 1955) Direção: Joseph L. Mankiewicz / Roteiro: Jo Swerling, baseada no peça escrita por Abe Burrows / Elenco: Marlon Brando, Frank Sinatra, Jean Simmons, Vivian Blaine / Sinopse: Uma bela garota acaba servindo de pretexto para uma aposta nada ética. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Fotografia (Harry Stradling Sr), Melhor Direção de Arte (Oliver Smith, Joseph C. Wright), Melhor Figurino (Irene Sharaff) e Melhor Música (Jay Blackton, Cyril J. Mockridge). Filme vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Musical ou Comédia e Melhor Atriz (Jean Simmons).

Pablo Aluísio. 

Désirée - O Amor de Napoleão

Désirée - O Amor de Napoleão
Napoleão Bonaparte (Marlon Brando) é um general francês que em sucessivas batalhas acaba conquistando vastas terras e países. Feroz no campo de batalha, ele se rende ao amor de Désirée Clary (Jean Simmons), uma linda jovem que encanta o grande conquistador.  Marlon Brando fez esse filme com literalmente uma espada sobre sua cabeça. Acontece que ele abandonou o set de "O Egipcio" depois de discutir com o produtor e sair falando aos quatro ventos que o filme "era uma tremenda porcaria com péssimo roteiro, um dos piores que já tinha visto na vida". O estúdio então o processou em algumas centenas milhares de dólares. Na audiência inaugural perante o juiz Marlon acabou entrando no seguinte acordo: ele filmaria Desirée do mesmo estúdio e se livraria do processo em que estava envolvido.

Apesar de ter feito o filme por acordo judicial Brando resolveu causar o maior número de problemas possíveis no set de Desirée. Errava as cenas de propósito e fazia sotaques inadequados ao imperador francês, como um inglês arcaico ou um caipira do sul dos EUA; Claro que tudo resultou em muita dor de cabeça para a produção, sempre refilmando as cenas em que Brando propositalmente destruía. O auge de sua rebeldia foi ter levado uma mangueira de bombeiro para o luxuoso set e molhar todo o cenário, estragando inclusive as luxuosas roupas da produção. Ele estava se vingando do processo que sofreu. Apesar das confusões o filme foi terminado e se tornou um grande sucesso da carreira de Brando que depois disse em tom irônico: "O público americano não é dos mais inteligentes que existem do mundo".

Desirée - O Amor de Napoleão (Désirée, Estados Unidos, 1954) Direção: Henry Koster / Roteiro: Annemarie Selinko, Daniel Taradash / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons,  Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell / Sinopse: Napoleão Bonaparte (Marlon Brando) é um general francês que em sucessivas batalhas acaba conquistando vastas terras e países. Feroz no campo de batalha, ele se rende ao amor de Désirée Clary (Jean Simmons), uma linda jovem que encanta o grande conquistador.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Waterloo - A Batalha de Napoleão

Waterloo - A Batalha de Napoleão
Depois de praticamente conquistar toda a Europa com seu formidável exército o imperador Napoleão Bonaparte (Rod Steiger) se vê encurralado em sua própria capital, Paris. Com os ingleses e prussianos chegando ele acaba renunciando ao seu poder imperial. Preso, é enviado para a distante ilha de Elba. Após conspirar para fugir de sua prisão consegue finalmente chegar no continente com apenas mil homens. Em pouco tempo cai novamente nas graças do povo de seu país e consegue reassumir o trono. Agora Napoleão deseja vingança contra todos os seus inimigos, algo que se dará de forma definitiva na batalha de Waterloo onde enfrentará mais uma vez o hábil general britânico Duque de Wellington (Christopher Plummer) que se encontra pronto para destruir de uma vez por todas com as ambições militares do imperador francês.

Em minha opinião essa produção segue sendo, ainda nos dias de hoje, o melhor filme já realizado sobre os últimos dias do Imperador Napoleão Bonaparte (1769 - 1821). Produzido por Dino de Laurentiis é um daqueles filmes grandiosos, com milhares de extras, figurinos deslumbrantes e cenas do campo de batalha praticamente impecáveis. O roteiro é muito bem escrito e tenta mostrar em detalhes os dois lados desse conflito que decidiu os rumos da Europa de forma definitiva. O Imperador Napoleão é interpretado por Rod Steiger. Que grande ator! Ele tem aqui um dos grandes trabalhos de atuação de sua carreira. Seu Napoleão é um sujeito envelhecido, doente e completamente alucinado em se agarrar nos últimos fiapos de suas glórias passadas. Após retornar da ilha prisão de Elba ele consegue voltar ao poder, mas agora está cercado de inimigos por todos os lados, em especial os ingleses e os prussianos. Egomaníaco e convencido de sua própria lenda, o velho Napoleão decide ousar, indo diretamente para o ataque contra os exércitos inimigos, para surpresa de todos os seus generais. Nada de ficar na defensiva.

Embora tenha há muito tempo perdido no front a possibilidade de conquistar toda a Europa (ainda mais depois da desastrosa campanha na Rússia), o envelhecido general resolve dar a cartada final de sua vida ao encontrar no campo lamacento de Waterloo o poderoso exército comandado pelo comandante inglês Wellington (Christopher Plummer). O que se segue é uma das batalhas mais sangrentas da história, algo que só se repetiria em solo europeu com a eclosão da II Guerra Mundial mais de um século depois. O filme se apoia basicamente em dois atos. No primeiro conta o contexto histórico que antecedeu a grande batalha (a prisão e fuga de Elba e o retorno triunfante de Napoleão pelas mãos do povo ao poder).

No segundo ato (que dura mais do que 60 minutos de filme) a própria batalha é desvendada em detalhes, mostrando as estratégias usadas pelas duas forças inimigas. Para quem gosta de história militar é certamente um prato cheio, tudo muito bem realizado, com centenas de milhares de figurantes em cena (todos pertencentes ao exército russo que colaborou na época com as filmagens). Um dos momentos mais significativos do filme acontece justamente após a carnificina. Montado em seu cavalo, Wellington fita o campo cheio de soldados mortos, alguns bem jovens, ainda na flor da idade. O cenário é de completa desolação. Então ele diz uma de suas frases mais famosas, que entrou inclusive para a história: "Não existe nada mais desolador em um campo de batalha do que a vitória, exceto, é claro, a própria derrota".

Waterloo - A Batalha de Napoleão (Waterloo, Inglaterra, Rússia, Itália, 1970) Estúdio: Dino de Laurentiis Cinematografica / Direção: Sergey Bondarchuk / Roteiro: Sergey Bondarchuk, H.A.L. Craig / Elenco: Rod Steiger, Christopher Plummer, Orson Welles / Sinopse: O filme recria a famosa batalha de Waterloo onde finalmente o Imperador Napoleão Bonaparte foi vencido pelos exércitos da Inglaterra. Filme vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. Também indicado na categoria de Melhor Fotografia.

Pablo Aluísio.

A Ponte de Waterloo

A Ponte de Waterloo
Clássico do cinema com a inesquecível atriz Vivien Leigh. A história se passa durante a segunda guerra mundial quando um oficial inglês, interpretado pelo ator Robert Taylor, relembra quando era apenas um jovem soldado durante a Primeira Guerra Mundial. Naquela época conhecera uma jovem garota, que sonhava um dia se tornar uma grande bailarina. Seus sonhos porém acabam com a explosão da guerra que varreria toda a Europa. Ela se chamava Myra (Vivien Leigh). Tentando sobreviver nas ruas de Londres, abalada pela morte de seu grande amor nos campos de batalha e precisando sobreviver de todas as formas, ela acaba tendo que abrir mão de tudo, inclusive de sua dignidade pessoal. Poucos sabem, mas a estrela Vivien Leigh (1913 - 1967) participou de poucos filmes ao longo de sua carreira. Foram apenas 20 produções entre 1935 e 1965. A atriz inglesa não se dava muito bem com o sistema industrial de fazer cinema em Hollywood e por causa de sua saúde ficava longos anos sem realizar nenhum filme. Também era extremamente seletiva na escolha dos roteiros de que iria participar. Depois de "E O Vento Levou" de 1939 choveram ofertas dos principais estúdios de Hollywood, mas Leigh sabiamente rejeitou a grande maioria deles.

Esse "A Ponte de Waterloo" foi lançado logo após "Três Semanas de Loucura" que sucedeu a "E O Vento Levou". Ao contrário do anterior, que apostava em um texto mais leve e até bem humorado, "Waterloo Bridge" era um dramalhão daqueles bem trágicos, com história bem pesada, mostrando os dramas de uma jovem garota (Leigh), cheia de sonhos e planos a realizar na vida, mas que tinha de desistir de todos eles para lutar pela sobrevivência. O cenário não poderia ser pior, a Europa durante a sangrenta Primeira Guerra Mundial. As cidades destruídas, com a população civil passando por necessidades básicas.

A fome, por exemplo, se tornara uma companheira constante. Vivien Leigh se entrega completamente ao personagem, dando o melhor de si, como sempre aliás. Talvez seu maior problema tenha sido o fato de dividir o filme com Robert Taylor que era apenas um galã sem muito talento dramático. O desnível deles se torna muito evidente ao longo do filme, com Leigh empenhada e muito talentosa e Taylor cheio de poses e olhares canastrões (chega a ser risível sua canastrice em cena!). Talvez por isso o filme não tenha tido a repercussão merecida. De qualquer maneira vale apenas pelo talento da eterna Vivien Leigh, um dos maiores talentos da história do cinema americano em sua fase mais clássica.

A Ponte de Waterloo (Waterloo Bridge, Estados Unidos, 1940) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: Mervyn LeRoy / Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau / Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Lucile Watson / Sinopse: Durante a Guerra Mundial, um casal tenta concretizar seu amor em mundo destruído pelo maior conflito armada de toda a história. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de fotografia (Joseph Ruttenberg) e melhor música (Herbert Stothart).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Bolha Assassina

Título no Brasil: A Bolha Assassina
Título Original: The Blob
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures 
Direção: Irvin S. Yeaworth Jr.
Roteiro: Theodore Simonson e Kate Phillips
Elenco: Steve McQueen, Aneta Corsaut, Earl Rowe, Olin Howland, Stephen Chase, George Karas.

Sinopse:
Em uma pequena cidade da Pensilvânia, um meteoro cai durante a noite trazendo consigo uma estranha substância gelatinosa de origem extraterrestre. Quando um idoso toca o objeto, a massa viscosa adere à sua mão e começa a crescer rapidamente. O jovem Steve Andrews testemunha os acontecimentos e tenta alertar as autoridades locais, mas ninguém acredita em sua história. Enquanto isso, a criatura continua consumindo pessoas e aumentando de tamanho a cada nova vítima. Logo a cidade inteira se vê ameaçada por uma entidade aparentemente indestrutível, cuja única motivação é devorar tudo o que encontra pela frente.

Comentários:
The Blob foi inicialmente recebido como um típico filme de ficção científica de baixo orçamento produzido durante a era dourada do cinema de monstros dos anos 1950. A crítica da época não demonstrou grande entusiasmo, considerando-o um entretenimento juvenil voltado principalmente para adolescentes. O jornal The New York Times classificou a produção como uma obra modesta, embora reconhecesse sua eficiência em criar suspense com recursos limitados. Muitos críticos também destacaram a atuação de um jovem Steve McQueen, então com 28 anos, interpretando um adolescente. Embora sua idade fosse frequentemente motivo de comentários bem-humorados nas resenhas, vários observadores notaram o carisma natural que mais tarde o transformaria em uma das maiores estrelas de Hollywood. A simplicidade da premissa — uma massa gelatinosa que cresce ao consumir seres humanos — foi vista por alguns críticos como absurda, mas outros elogiaram justamente a criatividade da ideia.

Com o passar das décadas, The Blob conquistou o status de clássico cult e tornou-se um dos filmes mais queridos entre os fãs da ficção científica e do terror dos anos 1950. A revista Time observou em retrospectivas que o longa representa perfeitamente os medos da Guerra Fria, período em que o cinema americano frequentemente transformava ansiedades sociais em monstros extraterrestres e ameaças invisíveis. Muitos estudiosos interpretam a criatura como uma metáfora para diversos temores da época, incluindo o comunismo, a energia nuclear e a paranoia coletiva. O site RogerEbert.com destacou que o filme permanece surpreendentemente divertido graças ao seu ritmo rápido e aos efeitos práticos engenhosos. Em comunidades de fãs, a sequência em que a criatura invade um cinema lotado é frequentemente citada como uma das cenas mais memoráveis do terror clássico. Hoje, The Blob é considerado uma das produções mais influentes do gênero, tendo inspirado inúmeras imitações, uma sequência em 1972 e uma refilmagem muito elogiada em 1988. Além disso, continua sendo lembrado como o primeiro grande papel de Steve McQueen no cinema, tornando-se uma peça importante da história da cultura popular americana.

Erick Steve. 

Império de Gangster

Título no Brasil: Império de Gangster
Título Original: Never Love a Stranger
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Robert Stevens
Roteiro: Richard Day e Harold Robbins, baseado no romance de Harold Robbins
Elenco: John Drew Barrymore, Steve McQueen, Lita Milan, Robert Bray, Salem Ludwig, R. G. Armstrong.

Sinopse:
A história acompanha Frankie Kane, um órfão criado em uma instituição católica de Nova York. Durante sua juventude, ele desenvolve uma forte amizade com Martin Cabell, um jovem judeu que sonha em se tornar advogado. Quando Frankie descobre que também possui ascendência judaica e será transferido para outra instituição, ele foge e acaba entrando no mundo do crime organizado. Anos depois, transformado em um influente gangster, reencontra Martin, agora promotor público, e Julie, o grande amor de sua juventude. A amizade dos dois homens passa a ser colocada à prova quando eles se encontram em lados opostos da lei.

Comentários:
Never Love a Stranger é lembrado principalmente por representar a primeira participação importante de Steve McQueen em um longa-metragem. Embora o protagonista seja interpretado por John Drew Barrymore, muitos críticos e historiadores do cinema voltaram sua atenção para McQueen, que poucos anos depois se tornaria uma das maiores estrelas de Hollywood. Na época do lançamento, o filme recebeu críticas mistas. Algumas publicações elogiaram a ambição de adaptar o romance de Harold Robbins e abordar questões de identidade religiosa, preconceito e criminalidade urbana. Entretanto, diversos críticos consideraram que o roteiro simplificava excessivamente os temas do livro e recorria a clichês dos filmes de gangsters produzidos nas décadas anteriores. O trabalho do veterano diretor de fotografia Lee Garmes foi frequentemente elogiado por conferir ao longa uma atmosfera típica do cinema noir tardio.

Em análises retrospectivas, a reputação do filme continua dividida. Muitos críticos modernos enxergam a obra como um melodrama policial irregular, mas interessante como documento histórico de uma época de transição em Hollywood. O site Rotten Tomatoes registra uma recepção modesta entre espectadores, embora alguns elogiem a narrativa de ascensão e queda do protagonista e a presença de um jovem Steve McQueen. O crítico e historiador de cinema Richard Chatten observou que o filme possuía uma premissa promissora, mas sofria com diálogos excessivamente convencionais e uma execução inconsistente. Outros comentaristas destacaram que John Drew Barrymore demonstra carisma e talento dramático, deixando a impressão de que poderia ter alcançado uma carreira muito maior do que a que efetivamente teve. Apesar de suas limitações, Never Love a Stranger continua despertando interesse entre fãs do cinema policial dos anos 1950 e admiradores da carreira de Steve McQueen, sendo frequentemente citado como uma curiosidade valiosa do início de sua trajetória cinematográfica.

Erick Steve.