quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Marlon Brando - Parte 3

"Sindicato de Ladrões" foi de certa maneira uma forma que o diretor Elia Kazan encontrou de se justificar aos seus colegas de profissão após ter dedurado uma série de profissionais do cinema e teatro para o comitê de atividades anti americanas. Parte dessas pessoas tinham participado do Partido Comunista americano e isso era algo muito sério naquela época. Para escapar da prisão ou talvez até mesmo de ser banido de Hollywood, Kazan resolveu entregar todos aqueles que ele sabia serem membros do Partido. Obviamente que aquilo tudo pegou muito mal e da noite para o dia Kazan passou a ser um nome a ser evitado. Como contornar uma situação dessas? A resposta caiu no colo de Kazan poucas semanas depois.

No roteiro desse filme também havia um sujeito que fora forçado pela situação para entregar os nomes de pessoas que tinham se envolvido em esquemas de corrupção. Quando Marlon Brando foi convidado para o papel de Terry Malloy ele imediatamente disse não, mas depois acabou sendo convencido que seria mais uma boa oportunidade de realizar um grande filme - e isso era a mais absoluta verdade. As filmagens se concentraram entre Nova Iorque e Hoboken, New Jersey e foram muito duras. Com baixas temperaturas, Brando precisou aprender parte da manha dos trabalhadores braçais do porto da cidade. Acabou fazendo amizades entre eles e em pouco tempo estava completamente à vontade em seu papel.

Por ser uma obra delicada que serviria a um propósito maior, Kazan queria seguir o script à risca, mas isso definitivamente não aconteceria com Marlon Brando no elenco. Numa cena com Rod Steiger e ele, o diretor sugeriu uma determinada situação de confronto no banco de trás de um carro. Brando achou que duas pessoas tão próximas como eram os personagens deles nunca se tratariam daquele jeito e por isso sugeriu mudanças. Ao invés de acontecer uma luta insana e feroz, o personagem de Brando apenas olharia com rosto chocado quando Steiger lhe apontasse uma arma. Era uma reação mais natural. Após um longo combate criativo Kazan finalmente se convenceu que Brando estava mesmo com a razão. Para Brando a resposta positiva por parte de Kazan confirmava o que ele pensava do diretor: que ele era de fato um dos cineastas mais brilhantes da história de Hollywood. Por seu engajamento no filme e principalmente por sua ótima atuação, Brando mais uma vez acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Hoje em dia, depois que Brando recusou seu Oscar por "O Poderoso Chefão", todos conhecem a extrema ojeriza que o ator sentia pela Academia, mas naquela época, ainda um jovem talento em ascensão, Brando decidiu que compareceria à premiação. Para sua surpresa seu nome foi anunciado e ele, pela primeira vez em sua carreira, seria premiado com a estatueta mais cobiçada do cinema americano. Usando um comportado terno, todos sorrisos, Brando subiu ao palco e recebeu seu Oscar das mãos de uma princesa, Grace Kellly. Estaria o mais famoso selvagem de Hollywood devidamente domado? Pelo menos naquela noite memorável sim. Brando foi um perfeito gentleman. Agradeceu até emocionado pelo reconhecimento e depois fez um discurso bem nos moldes que todos esperavam, sem atropelos ou escândalos. Anos depois o Oscar de Brando foi parar numa casa de leilões. Em seu livro o ator reconheceu não se lembrar mais onde ele havia ido parar, mas depois de um ou dois minutos admitiu que o havia dado de presente - só não lembrava direito a quem! Imagine, o prêmio mais desejado de Hollywood indo parar nas mãos de qualquer um... enfim, coisas de Marlon Brando...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Outra Aurora

Título no Brasil: Outra Aurora
Título Original: Another Dawn
Ano de Lançamento: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: William Dieterle
Roteiro: Laird Doyle, Casey Robinson
Elenco: Errol Flynn, Kay Francis, Ian Hunter, Friedrich von Ledebur, J. Carrol Naish, Henry O'Neill

Sinopse:
Ambientado em uma região desértica sob domínio colonial britânico, o filme acompanha Julia Ashton, uma mulher que vive um casamento sem amor com um oficial militar. Durante uma viagem, ela conhece o oficial Terence Dillon, por quem se apaixona intensamente. No entanto, o destino a leva a descobrir que Dillon é amigo próximo de seu marido, criando um triângulo amoroso marcado por culpa, dever e paixão. Em meio ao ambiente hostil do deserto e às tensões sociais e militares, os personagens enfrentam dilemas morais que colocam à prova seus valores e lealdades.

Comentários:
Lançado em 1937, Another Dawn recebeu críticas positivas na época, com destaque para a química entre Errol Flynn e Kay Francis. O jornal The New York Times elogiou a atmosfera exótica e o tom dramático da narrativa, enquanto a revista Variety destacou a produção sofisticada e o apelo romântico do filme. Comercialmente, o filme teve bom desempenho e ajudou a consolidar Errol Flynn como um dos grandes astros da Warner Bros. nos anos 1930, embora não tenha alcançado o mesmo nível de popularidade de seus filmes de aventura. Ao longo dos anos, Outra Aurora passou a ser lembrado como um elegante drama romântico da era clássica de Hollywood, valorizado por sua ambientação e pelo estilo refinado de direção. Hoje, é visto como uma obra representativa do cinema romântico e dramático da década de 1930.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Por Quem os Sinos Dobram

Título no Brasil: Por Quem os Sinos Dobram
Título Original: For Whom the Bell Tolls
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sam Wood
Roteiro: Dudley Nichols
Elenco: Gary Cooper, Ingrid Bergman, Akim Tamiroff, Katina Paxinou, Arturo de Córdova, Joseph Calleia

Sinopse:
Ambientado durante a Guerra Civil Espanhola, o filme acompanha Robert Jordan, um professor americano que se junta às forças republicanas como especialista em explosivos. Sua missão é destruir uma ponte estratégica para impedir o avanço das tropas inimigas. Durante a operação, ele se integra a um grupo de guerrilheiros e conhece Maria, uma jovem marcada pelos horrores da guerra, por quem se apaixona profundamente. Enquanto o prazo da missão se aproxima, Jordan precisa lidar com conflitos internos no grupo, o perigo constante e a certeza de que seu destino pode estar selado. A história combina romance, ação e drama em meio a um dos conflitos mais intensos do século XX.

Comentários:
Lançado em 1943, For Whom the Bell Tolls foi amplamente elogiado pela crítica e recebeu várias indicações ao Oscar. A atuação de Ingrid Bergman foi especialmente destacada, rendendo-lhe uma indicação ao prêmio, enquanto Katina Paxinou venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O jornal The New York Times elogiou a grandiosidade da produção e a força emocional da narrativa, baseada no romance de Ernest Hemingway. O filme também foi um grande sucesso de público, consolidando-se como uma das produções mais importantes da década de 1940. Ao longo dos anos, Por Quem os Sinos Dobram passou a ser considerado um clássico do cinema de guerra e romance, lembrado pela química entre Gary Cooper e Ingrid Bergman e pela forma como retrata os dilemas humanos em tempos de conflito. Hoje, permanece como uma adaptação respeitada da obra de Hemingway e uma referência do cinema clássico de Hollywood

Erick Steve. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Robert Taylor

Robert Taylor
Robert Taylor foi um dos grandes astros de Hollywood durante as décadas de 1930, 1940 e 1950, conhecido por sua aparência elegante, presença marcante e versatilidade em diferentes gêneros cinematográficos. Ele nasceu em 5 de agosto de 1911, na cidade de Filley, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, com o nome de Spangler Arlington Brugh. Filho de um médico, Taylor teve uma educação relativamente confortável e demonstrou interesse por artes desde jovem, especialmente música, chegando a estudar violoncelo. No entanto, foi durante seus estudos universitários que ele começou a se interessar pela atuação, participando de peças teatrais que chamaram a atenção de agentes de talentos. Sua mudança para Hollywood ocorreu no início da década de 1930, quando assinou contrato com o poderoso estúdio Metro-Goldwyn-Mayer, que rapidamente percebeu seu potencial como galã.

Sua ascensão ao estrelato foi rápida, especialmente após seu papel no filme Magnificent Obsession (1935), ao lado de Irene Dunne, que consolidou sua imagem como protagonista romântico. Durante os anos seguintes, Robert Taylor tornou-se um dos principais rostos da MGM, participando de diversos filmes de sucesso e trabalhando ao lado de grandes atrizes da época. Entre seus trabalhos mais notáveis está o clássico Camille (1936), no qual contracenou com Greta Garbo, uma das maiores estrelas do cinema mundial. Ao longo de sua carreira, Taylor demonstrou capacidade de atuar tanto em dramas românticos quanto em filmes históricos e aventuras. Um de seus papéis mais lembrados foi no épico medieval Ivanhoe (1952), onde interpretou o herói do título, consolidando sua popularidade junto ao público internacional.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Robert Taylor interrompeu temporariamente sua carreira cinematográfica para servir nas forças armadas dos Estados Unidos. Ele atuou principalmente como instrutor de voo e participou da produção de filmes de treinamento militar, contribuindo para o esforço de guerra. Após o conflito, Taylor retornou a Hollywood e passou a diversificar ainda mais seus papéis, buscando personagens mais maduros e complexos. Na década de 1950, ele se destacou especialmente em filmes do gênero faroeste, que estavam em grande popularidade naquele período. Sua presença nesses filmes ajudou a consolidar sua imagem como um ator versátil, capaz de se adaptar às mudanças da indústria cinematográfica e às preferências do público.

Além de sua carreira no cinema, Robert Taylor também teve uma vida pessoal bastante comentada. Ele foi casado com a atriz Barbara Stanwyck, uma das maiores estrelas de Hollywood, em um relacionamento que durou de 1939 a 1952. Posteriormente, casou-se com Ursula Thiess, com quem teve filhos. Ao longo de sua vida, Taylor também se envolveu em questões políticas, especialmente durante o período da Guerra Fria, quando participou de investigações relacionadas à influência comunista em Hollywood, um tema controverso na história do cinema americano. Apesar dessas polêmicas, sua carreira artística continuou sólida, e ele manteve seu status de estrela por muitos anos, tanto no cinema quanto na televisão.

Robert Taylor faleceu em 8 de junho de 1969, aos 57 anos, vítima de câncer de pulmão. Seu legado permanece importante na história do cinema clássico de Hollywood, sendo lembrado como um dos grandes galãs da chamada “Era de Ouro” dos estúdios. Sua filmografia inclui dezenas de produções que marcaram época e continuam sendo apreciadas por fãs de cinema até hoje. Taylor representou um tipo de ator que combinava carisma, elegância e profissionalismo, características que o tornaram um dos nomes mais duradouros de sua geração. Ao longo das décadas, seu trabalho contribuiu para definir o estilo e o glamour do cinema hollywoodiano clássico, garantindo-lhe um lugar de destaque na memória cultural do século XX.

Erick Steve. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Os Cavaleiros da Távola Redonda

Título no Brasil: Os Cavaleiros da Távola Redonda
Título Original: Knights of the Round Table
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Talbot Jennings, Jan Lustig
Elenco: Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, Anne Crawford, Stanley Baker, Felix Aylmer

Sinopse:
Na idade Média o jovem plebeu Arthur consegue retirar a espada Excalibur de uma rocha. Assim se torna o Rei da Inglaterra. Ao lado de Merlin ele começa a reinar. Forma um grupo de valentes cavaleiros e entrenta os desafios de ser o monarca de um dos reinos mais importantes da Europa. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de arte e melhor som.

Comentários:
Produção luxuosa da Metro que se propõe a contar a lendária história do Rei Arthur. O estúdio não mediu esforços e realmente disponibilizou uma produção digna dessa figura mitológica da cultura britânica. Dessa forma o filme apresenta bem elaborados cenários, figurino luxuoso e bastente colorido e cenas de excelente nível técnico. O interessante é que o filme acabou sendo "roubado" pela atuação da atriz Ava Gardner. Ela interpreta Guinevere e rouba a cena com uma sensualidade à flora da pele. Coloca Arthur como coadjuvante e torna seu romance com o cavaleiro Lancelot, o grande interesse do filme como um todo. Definitivamente Robert Taylor não está à altura de sua partner em cena. Hoje em dia o filme surpreende por ser ultra colorido. Não apenas na direção de fotografia, mas também nas roupas dos atores. E o mais curioso de tudo é que isso é exatamente o que faziam os nobres na Idade Média. Quanto mais colorida fosse sua roupa, mas ele esbanjava sinais de poder e riqueza. Dessa maneira, por uma dessas ironias do destino, o filme que hoje pode ser encarado até mesmo como algo meio exagerado, na realidade apenas mostra como as pessoas da época se vestiam de fato. No mais a impressão que fica é a de que assistimos a um filme que é, acima de tudo, bonito de se ver.

Pablo Aluísio.

Um Yankee em Oxford

Título no Brasil: Um Yankee em Oxford
Título Original: A Yank at Oxford
Ano de Lançamento: 1938
País: Reino Unido
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: George Oppenheimer, John Monk Saunders
Elenco: Robert Taylor, Lionel Barrymore, Maureen O'Sullivan, Vivien Leigh, Edmund Gwenn, Griffith Jones

Sinopse:
A história acompanha Lee Sheridan, um jovem e talentoso atleta americano que recebe uma bolsa de estudos para estudar na prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra. Acostumado ao estilo competitivo e direto dos esportes universitários dos Estados Unidos, Sheridan encontra dificuldades para se adaptar às tradições e à disciplina do ambiente acadêmico britânico. Seu comportamento arrogante e impulsivo acaba gerando conflitos com colegas e professores, colocando em risco sua permanência na universidade. Ao mesmo tempo, ele se envolve em um romance com uma jovem inglesa, o que contribui para sua transformação pessoal. A narrativa acompanha o processo de amadurecimento do protagonista enquanto ele aprende a lidar com respeito, amizade e espírito esportivo.

Comentários:
Quando foi lançado em 1938, A Yank at Oxford foi bem recebido pelo público e pela crítica. O jornal The New York Times destacou o charme da produção e o carisma de Robert Taylor no papel principal, além de elogiar a ambientação convincente no universo acadêmico de Oxford. A presença de Vivien Leigh, ainda no início de sua carreira internacional, também chamou atenção, especialmente porque ela se tornaria uma das maiores estrelas de Hollywood pouco tempo depois ao protagonizar Gone with the Wind (1939). Comercialmente, o filme teve um desempenho sólido e ajudou a fortalecer a presença da Metro-Goldwyn-Mayer no cinema britânico da época. Hoje Um Yankee em Oxford é lembrado como um agradável drama esportivo e universitário da era clássica de Hollywood, além de ser visto como um registro interessante de um momento inicial da carreira de Vivien Leigh antes de sua consagração internacional.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Sheik

Título no Brasil: O Sheik
Título Original: The Sheik
Ano de Lançamento: 1921
País: Estados Unidos
Estúdio: Famous Players-Lasky Corporation
Direção: George Melford
Roteiro: Monte M. Katterjohn, Beulah Marie Dix
Elenco: Rudolph Valentino, Agnes Ayres, Ruth Miller, George Waggner, Frank Butler, Lucien Littlefield

Sinopse:
A história acompanha Lady Diana Mayo, uma jovem aristocrata inglesa independente que viaja para o norte da África em busca de aventura. Durante sua jornada pelo deserto, ela acaba sendo sequestrada pelo poderoso e misterioso líder tribal Ahmed Ben Hassan, conhecido como o Sheik. Inicialmente revoltada com sua captura, Diana resiste às tentativas do sheik de conquistá-la. Porém, à medida que convivem no deserto e enfrentam diversos perigos, a relação entre os dois começa a mudar gradualmente. Entre perseguições, conflitos tribais e momentos de tensão romântica, a narrativa apresenta um romance exótico ambientado em paisagens áridas e misteriosas do Oriente Médio, típico das fantasias românticas populares no cinema da época.

Comentários:
Quando foi lançado em 1921, The Sheik tornou-se um fenômeno cultural. O jornal The New York Times destacou o enorme apelo romântico da história e o magnetismo de Rudolph Valentino, cuja atuação transformou o ator em um dos maiores símbolos sexuais do cinema mudo. Revistas da época como Photoplay também enfatizaram a popularidade do filme entre o público feminino, que se encantou com a figura exótica e sedutora do personagem principal. O filme foi um grande sucesso comercial e ajudou a estabelecer Valentino como uma das maiores estrelas de Hollywood nos anos 1920. O impacto cultural foi tão grande que gerou uma sequência, The Son of the Sheik (1926), também estrelada pelo ator. Com o passar das décadas, O Sheik passou a ser considerado um dos filmes mais influentes do cinema mudo, embora hoje também seja analisado criticamente por seus estereótipos orientalistas. Ainda assim, permanece como uma obra marcante da história de Hollywood e um exemplo clássico do romantismo exótico que fascinava o público do início do século XX.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Fruto Proibido

Título no Brasil: Fruto Proibido
Título Original: Boom Town
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: John Lee Mahin, Jules Furthman
Elenco: Clark Gable, Spencer Tracy, Claudette Colbert, Hedy Lamarr, Frank Morgan, Lionel Atwill

Sinopse:
A história acompanha dois aventureiros e amigos, Big John McMasters e Jonathan Sand, que viajam pelo oeste americano no início do século XX em busca de fortuna no nascente e lucrativo negócio do petróleo. Sempre em busca do próximo grande campo petrolífero, os dois enfrentam fracassos, rivalidades e mudanças rápidas que caracterizam a expansão industrial da época. Quando finalmente conseguem sucesso e riqueza, a amizade entre eles começa a ser testada por ambição, negócios e relacionamentos amorosos. O surgimento de duas mulheres importantes em suas vidas complica ainda mais a relação entre os antigos parceiros. Enquanto um se torna um magnata do petróleo respeitado, o outro enfrenta dificuldades financeiras e pessoais, levando a uma ruptura que ameaça destruir uma amizade construída ao longo de anos de luta. O filme mistura drama, romance e aventura ao retratar o crescimento da indústria petrolífera nos Estados Unidos.

Comentários:
Na época de seu lançamento, Boom Town foi muito bem recebido pelo público e se tornou um dos grandes sucessos comerciais de 1940. A revista Variety elogiou o carisma da dupla Clark Gable e Spencer Tracy, destacando a química entre os dois atores e o dinamismo da narrativa. Já o jornal The New York Times ressaltou o espetáculo proporcionado pela produção da Metro-Goldwyn-Mayer, elogiando especialmente as cenas relacionadas à exploração de petróleo e ao crescimento das cidades que surgiam ao redor dos campos petrolíferos. O filme também foi importante por reunir um elenco estelar típico da chamada “era de ouro” de Hollywood, com grandes nomes do estúdio MGM em papéis marcantes. Comercialmente, foi um grande êxito nas bilheterias e ajudou a consolidar ainda mais o estrelato de Gable e Tracy como duas das maiores figuras do cinema americano da época. Com o passar das décadas, Boom Town passou a ser lembrado como um clássico drama industrial de Hollywood, representando bem o estilo de grandes produções da MGM nos anos 1940 e sendo frequentemente revisitado por historiadores do cinema como um retrato interessante da ambição e do espírito empreendedor retratados pelo cinema daquele período.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Em Busca do Ouro

Em Busca do Ouro
É um dos clássicos mais conhecidos de Charles Chaplin. Aqui ele leva Carlitos, o adorável vagabundo, para o Alaska, na corrida ao ouro. Logo no começo do filme duas coisas interessantes. Chaplin denomina seu personagem de "Aventureiro Solitário". Também faz questão de qualificar o filme como uma comédia dramática. O roteiro, escrito pelo próprio Chaplin, vai bem por esse caminho. O pequenino e frágil Carlitos tem que enfrentar as durezas de uma vida que era para poucos. Muitos que foram em busca do ouro morreram naquelas montanhas geladas. Quando o filme começa ele vaga pela imensidão branca do lugar, com fome e frio. Acaba encontrando uma cabana bem no meio do nada. O problema é que lá está também um foragido da lei, um sujeito que tenta expulsar ele do lugar de todo jeito (o que acaba dando origem a várias cenas engraçadas com o humor físico de Chaplin).

Depois chega outro aventureiro, um sujeito rude, barbudo, um ogro. Os três então tentam sobreviver à grande tempestade de neve. Com seus personagens morrendo de fome Chaplin traz a primeira cena antológica do filme, quando ele prepara sua própria botina como se fosse uma iguaria gourmet. O couro da bota vira um bom filé e os cadarços uma macarronada saborosa. Outra cena sempre muito lembrada acontece quando seu companheiro de cabana, já delirando pela fome, começa a enxergar Carlitos como se fosse um enorme e suculento frango. Há também a genial dança dos pãezinhos, inesquecível. Um marco de Chaplin no cinema. Depois desses apertos finalmente o "aventureiro solitário" chega numa pequena vila, daquelas erguidas da noite para o dia pelos mineradores. E lá Chaplin traz um pouco mais de leveza romântica ao filme, com seu vagabundo se apaixonando platonicamente por uma bela do lugar. Enfim, todos os elementos Chaplinianos estão presentes no filme. Mais um belo momento desse gênio do cinema que conseguiu atravessar o teste do tempo.

Em Busca do Ouro (The Gold Rush, Estados Unidos, 1925) Direção: Charles Chaplin / Roteiro: Charles Chaplin / Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, Tom Murray / Sinopse: Carlitos (Chaplin)  vai até o Alaska onde ouro foi descoberto, causando uma verdadeira febre do ouro, com milhares de pessoas tentando a sorte nas montanhas geladas da região. Com fome e morrendo de frio ele finalmente alcança uma cabana, onde começa sua aventura em busca da riqueza. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Som (RCA Sound) e Melhor Música (Max Terr).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Charles Chaplin - Parte 1

Charles Chaplin já era um homem rico e famoso quando soube que a mãe de seus filhos Charlie Chaplin Jr e Sydney, tinha planos de lançar os garotos no cinema. O oportunismo era óbvio, Lita Grey queria lucrar rápido e fácil com o nome de Chaplin. Ao saber disso o pai Charles Chaplin imediatamente acionou seus advogados.

Entrou com um processo na corte de Los Angeles, proibindo que os garotos fossem explorados comercialmente pela mãe, numa jogada grotesca de oportunismo barato. Assim que conseguiu a vitória nos tribunais Chaplin declarou para a imprensa: "Eles poderão fazer o que quiser de suas vidas no futuro. Se quiserem se tornar atores ou comediantes terão o meu apoio. Isso porém apenas após se tornarem adultos. Conheço a exploração e as tragédias que acompanham a carreira de muitos atores mirins. Não quero isso para meus filhos!".

Depois dessa batalha judicial Chaplin resolveu se aproximar mais dos meninos. Embora cultivasse a imagem do adorável vagabundo nas telas, o fato era que em sua vida pessoal Chaplin era um homem até mesmo introvertido, taciturno, um diretor obcecado pela perfeição que poderia ser também rude nas filmagens com suas equipes. A reaproximação entre pai e seus filhos foi algo positivo, bom, mas não livrou Charles Chaplin Jr de ter muitos problemas emocionais em sua vida. Sempre à sombra do mito do pai, algo que ele jamais poderia superar, tentou uma carreira de ator quando atingiu a maioridade, mas nunca conseguiu o sucesso. Ele escreveria um livro chamado "Meu Pai, Charlie Chaplin" e morreria tragicamente e precocemente, após enfrentar anos de problemas com drogas.

Charles Chaplin achava, como muitos pais de seu tempo, que apenas a dureza e a firmeza de disciplina colocaria seu filho na linha. Assim ele procurou dar uma educação austera e disciplinadora aos filhos, no estilo mais conservador, mas com o passar dos anos acabou percebendo que isso não daria muito certo. Os meninos se ressentiam do pai, de seu jeito duro de ser, sempre como um figura autoritária, e com o passar dos anos acabaram se afastando mais ainda dele. O fato de Chaplin ter constituído uma nova família, anos depois, piorou ainda mais esse quadro. De fato pai e filhos nunca tiveram mesmo uma relação carinhosa e isenta de muitos problemas.

Pablo Aluísio.

domingo, 1 de março de 2026

Nossa Coleção de Cinema

Nossa Coleção de Cinema 
Aqui estão nossas publicações de Cinema até o momento. Eu pretendo lançar novos títulos esse ano, mas tudo no seu devido tempo. Sendo bem otimista diria que até daria para lançar títulos mensais, mas isso vai depender de vários fatores. De qualquer maneira eu recomendo a aquisição desses livros, até porque fui um colecionador de revistas de cinema em minha vida de cinéfilo por longos anos. Hoje em dia elas, infelizmente, não existem mais! Uma pena. Então estou produzindo esses livros com o espítito daquelas publicações que eu tanto curti no passado. Segue nossa lista:

Cinema Classe A - Volume 1
Nesse primeiro livro temos as filmografias de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Russell Crowe em destaque. Seus filmes são analisados, com resenhas e fichas técnicas. Um livro para quem gosta de ler sobre Cinema Internacional. E tudo com o cuidado técnico que caracteriza nossos textos sobre a história do cinema. Não deixe de ter na sua coleção! Textos de Pablo Aluísio e Erick Steve. 

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Crônicas do Velho Oeste
Uma seleção especial trazendo os melhores filmes de Faroeste, em textos com muitas informações. E não é só. Essa edição ainda traz histórias de western, todas se passando no velho oeste americano. Uma coletânea de contos de faroeste. São 200 páginas com muito faroeste para o leitor! Textos de Pablo Aluísio e Erick Steve. 

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James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano.¨

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Marilyn Monroe
Nesse livro você encontrará uma grande quantidade de informações sobre a atriz Marilyn Monroe. A filmografia completa dessa grande estrela do cinema está comentada filme a filme. Dados pessoais de sua vida pessoal, seus casamentos conturbados, além de crônicas e textos sobre ela. Como adicional ainda encontrará uma seleção dos melhores livros, filmes e discos dessa inesquecível estrela de Hollywood.

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Marlon Brando
Esse livro conta a história da vida e da obra do ator Marlon Brando. Todos os seus filmes são analisados de forma detalhada. A filmografia completa está em suas páginas, em ordem cronológica. Além disso o livro traz diversos artigos, textos e curiosidades sobre esse grande mito da história do cinema americano e da Hollywood em sua era de ouro.

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Elvis Presley - Volume 1
Nesse primeiro volume escrito por Pablo Aluísio, o leitor é apresentado aos primeiros discos e filmes da carreira de Elvis Presley. Um resgate com muitas informações, fruto de uma pesquisa que durou anos por parte de seu autor. Essa é a história do jovem artista que revolucionou o mundo da música desde os seus primeiros anos de fama, sucesso e impacto cultural.

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Pablo Aluísio. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Amores Clandestinos

Título no Brasil: Amores Clandestinos
Título Original: A Summer Place
Ano de Produção: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Delmer Daves
Roteiro: Sloam Wilson, Delmer Daves
Elenco: Richard Egan, Sandra Dee, Troy Donahue, Doroth McGuire
 
Sinopse:
O jovem Johnny Hunter (Troy Donahue) conhece uma bela garota, Molly Jorgenson (Sandra Dee), durante um veraneio numa linda ilha turística. O problema para Molly é que seus pais não aceitam, por questões morais e sociais, que o namoro do jovem casal vá em frente. Está armada assim a trama básica do filme "A Summer Place" que no Brasil recebeu o título de "Amores Clandestinos". Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Ator - Revelação Masculina (Troy Donahue). Também premiado pelo Laurel Awards na categoria Melhor Trilha Sonora (Max Steiner).

Comentários:
Esse filme romântico foi um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 50 e elevou a atriz Sandra Dee ao patamar de estrela, campeã de popularidade e ídolo adolescente em plenos anos dourados. O filme é muito didático no sentido de mostrar todo o leque de tabus e preconceitos morais e sexuais que imperavam na sociedade americana da época (se lá nos EUA era assim, imaginem aqui no Brasil como deveria ser atrasado!). A "honra" das jovens de família, a virgindade, o decoro, as convenções sociais que os namorados tinham que seguir à risca, tudo está na tela. O filme é muito romântico e tem uma trilha sonora marcante. Para se ter uma ideia a música tema foi um estouro nas paradas chegando ao primeiro lugar da revista Billboard na versão de Percy Faith. Impossível não conhecê-la até mesmo nos dias de hoje. O roteiro é obviamente açucarado, feito para embalar os amores juvenis da época mas tem também seus méritos, chegando ao ponto de discutir coisas mais sérias como a gravidez na adolescência, por exemplo.

Talvez o maior problema de "Amores Clandestinos", além de sua moralidade totalmente fora de moda nos dias atuais, seja o fraco desempenho do casalzinho de adolescentes que são os protagonistas do filme. Ok, Sandra Dee era um grande fenômeno de popularidade, todas as moças da época queriam ser como ela, mas o fato é que como atriz ela era bem limitada. Seu talento dramático se resumia a fazer beicinhos, um atrás do outro. Pelo menos foi salva por ser carismática e simpática. O mesmo não se pode dizer de seu partner em cena, o inexpressivo galãzinho Troy Donahue que não conseguiu escapar da canastrice completa. Um tipo de ator que se garantia apenas por seu bom visual. O problema é que isso é pouco, ainda mais nesse roteiro onde vários aspectos interessantes poderiam ser bem melhor explorados. O filme foi dirigido por Delmer Daves que havia escrito o roteiro de outro grande sucesso romântico da época, o também clássico "Tarde Demais Para Esquecer". De certa forma "Summer Place" é uma versão adolescente daquele filme estrelado por Cary Grant. Todos os ingredientes estão lá, a impossibilidade de concretizar um grande amor, locações paradisíacas e canções românticas marcantes, de cortar o coração. Por isso indico o filme a quem gosta de produções como essa. Certamente vai aquecer os corações dos mais românticos, desde que eles não sejam exigentes demais com boas atuações.

Pablo Aluísio.

Se o Marido Atender, Desligue

Título no Brasil: Se o Marido Atender, Desligue
Título Original: If a Man Answers
Ano de Produção: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Henry Levin
Roteiro: Richard Morris, Winifred Wolfe
Elenco: Sandra Dee, Bobby Darin, Cesar Romero, Micheline Presle

Sinopse:
Chantal Stacy (Sandra Dee) é uma rica socialite que acaba se casando com o fotógrafo pobretão Eugene Wright (Bobby Darin). Nos primeiros meses tudo acaba indo bem até o surgimento de um amigo invejoso que tenta separar os dois. Em desespero, Chantal procura conselhos com a mãe, mas a ajuda que recebe acaba piorando ainda mais a situação.

Comentários:
Uma comédia romântica típica dos anos 1960 com o casalzinho formado pela atriz Sandra Dee e pelo cantor Bobby Darin, que formavam par também fora das telas. Nesse período do cinema americano o produtor  Ross Hunter descobriu a força de bilheteria que representava o público feminino e resolveu investir cada vez mais nesse tipo de produção feito especialmente para elas. A fórmula deu tão certo que até hoje em dia filmes assim costumam ser extremamente populares, rendendo ótimas bilheterias todos os anos. Super colorido, ensolarado, o filme mantém seu charme nostálgico. No elenco uma surpresa: Cesar Romero acabou roubando o show e recebeu até mesmo uma indicação ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante (além dessa o filme ainda foi indicado para Melhor Comédia - Musical). Obviamente que hoje em dia vai soar um pouco datado, mas no geral ainda se torna interessante para cinéfilos em geral por ser um exemplo perfeito desse gênero no cinema da época.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Horas Intermináveis

Título no Brasil: Horas Intermináveis
Título Original: Fourteen Hours
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: John Paxton, Joel Sayre
Elenco: Paul Douglas, Richard Basehart, Grace Kelly, Debra Paget, Jeffrey Hunter, Barbara Bel Geddes
  
Sinopse:
A vida não tem mais sentido para Robert Cosick (Richard Basehart). Desesperado por ter perdido tudo, ficando arruinado financeiramente, ele decide subir até o décimo quinto andar de um edifício de Nova Iorque para pular. O policial Charlie Dunnigan (Paul Douglas) é então chamado para atender essa ocorrência e tenta convencer o potencial suicida para que não pule em direção à morte. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Direção de Arte (Lyle R. Wheeler e Leland Fuller). Também indicado ao BAFTA Awards na categoria Melhor Filme Americano do Ano.

Comentários:
Um filme noir que acabou sendo conhecido por ser o começo das carreiras de atores jovens (e naquela época ainda desconhecidos), que iriam fazer sucesso em Hollywood nos anos que viriam. O caso mais famoso nesse aspecto foi a da estreia de Grace Kelly no cinema, ainda bastante inexperiente, interpretando uma personagem coadjuvante. Jovem e linda, ainda não se sabia que ela iria se tornar uma das maiores estrelas do cinema americano. Além de Grace o elenco de apoio ainda trazia Jeffrey Hunter, que iria se consagrar interpretando Jesus Cristo no épico "Rei dos Reis" e Debra Paget, que se tornaria famosa ao fazer a namorada do roqueiro Elvis Presley em "Ama-me com Ternura" (o faroeste "Love Me Tender"). Ou seja, poucas vezes se viu um elenco jovem tão promissor como nesse filme. Em termos gerais é um suspense noir que se baseia em uma situação limite que dura intermináveis 14 horas, onde um homem em desespero ameaça se suicidar, pulando do décimo quinto andar de um prédio em Nova Iorque. Enquanto ele ameaça pular ou não, um policial tenta convencê-lo a não fazer isso. A história foi baseada em fatos reais. Durante a grande depressão muitas pessoas perderam tudo na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque e se suicidaram. O filme assim romanceia um desses casos que terminou de forma trágica.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Vidas Amargas

Vidas Amargas
Lançado em 10 de abril de 1955, Vidas Amargas foi dirigido por Elia Kazan e estrelado por James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives e Richard Davalos. Baseado no romance de John Steinbeck, o filme acompanha o conflito emocional de um jovem sensível que luta para conquistar o amor e a aprovação do pai em uma família marcada por ressentimentos e diferenças morais. Ambientada no início do século XX, a narrativa explora rivalidade entre irmãos, culpa e desejo de redenção em meio às transformações sociais de uma pequena comunidade rural. O ponto de partida dramático reside na busca desesperada do protagonista por reconhecimento afetivo, conduzindo a história por intensos confrontos psicológicos e dilemas familiares sem revelar seus acontecimentos finais.

Na época do lançamento, a recepção crítica foi amplamente positiva, com especial atenção à performance de James Dean. O The New York Times destacou a intensidade emocional do ator, observando que sua atuação transmitia “uma vulnerabilidade rara e profundamente comovente”. Já o Los Angeles Times elogiou a direção de Elia Kazan por transformar o drama familiar em experiência cinematográfica poderosa, ressaltando a autenticidade das emoções retratadas.

A revista Variety apontou o filme como um drama literário de grande força interpretativa, destacando o equilíbrio entre lirismo visual e conflito psicológico. O The New Yorker comentou que a obra possuía sensibilidade incomum ao retratar relações familiares marcadas por silêncio e dor. Embora alguns críticos tenham considerado o tom melodramático em certos momentos, o consenso geral foi entusiasmado, consolidando o filme como marco artístico da década de 1950.

No campo comercial, Vidas Amargas alcançou bom desempenho de bilheteria, impulsionado principalmente pela repercussão em torno de James Dean, cuja carreira ganharia dimensão lendária após sua morte precoce no mesmo ano. Produzido com orçamento moderado, o filme obteve retorno financeiro sólido nos Estados Unidos e também encontrou público significativo no mercado internacional. Além disso, recebeu diversas indicações a prêmios importantes, reforçando sua relevância artística e comercial.

Com o passar do tempo, Vidas Amargas tornou-se um clássico do cinema dramático americano, frequentemente lembrado como uma das atuações mais marcantes de James Dean. A profundidade emocional da narrativa e a abordagem sensível dos conflitos familiares continuam sendo elogiadas por críticos contemporâneos. Hoje, o filme é visto como obra fundamental para compreender a transformação do realismo psicológico no cinema dos anos 1950 e a influência duradoura do ator em gerações posteriores.

Vidas Amargas (East of Eden, Estados Unidos, 1955) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Paul Osborn (baseado no romance de John Steinbeck) / Elenco: James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet / Sinopse: Um jovem luta para obter o amor do pai e encontrar seu lugar dentro de uma família marcada por rivalidade, culpa e desejo de redenção.

Erick Steve. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

James Dean

James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária para aqueles tempos de grandiosidade cinematográfica. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano. 

Abaixo os links onde o interessado pode comprar o novo livro:



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Texto II

O primeiro teste cinematográfico de Rock Hudson na Universal foi tão ruim e desastroso que o estúdio o exibiu por anos para novos aspirantes à astros. A ideia era demonstrar que mesmo um teste inicial horroroso não significava o fim de uma promissora carreira no futuro. Mesmo não convencendo em nada a Universal resolveu contratar Rock, lhe dando um contrato de sete anos e meio (o padrão da época). Qual foi a razão para Rock ser contratado, mesmo não indo bem em seus testes iniciais de câmera? Muito simples, a Universal sabia que Rock tinha um belo futuro, de gordas bilheterias, pela frente! Bastava olhar para ele, com sua imagem impecável de galã, para entender bem isso.

Então Rock começou a aparecer em pequenos papéis, só para ir se acostumando. Seu primeiro filme foi o drama de guerra "Sangue, Suor e Lágrimas" de 1948. O personagem de Rock só tinha uma linha de diálogo. Ele aparecia numa cena de reunião de militares no QG da Força Aérea. Interpretava um oficial, um segundo tenente. Não foi nada espetacular, porém demonstrou que Rock levava muito jeito, pois fica ótimo na tela de cinema. Um executivo comentou: "Rock e as câmeras se amavam. Era amor à primeira vista! Bastava aparecer por alguns segundos para que todos prestassem atenção nele, inclusive as mulheres, que ficavam loucas por aquele homem alto, bonito e muito másculo".

Rock também assinou um contrato com o agente Henry Willson. Ele era considerado um dos melhores agentes de atores de Hollywood na época. Muito bem articulado, bem relacionado dentro da indústria. Henry, um velho homossexual, era visto como um grande fazedor de astros. Vários galãs já tinham passado por sua agência. No fundo ele sabia que Rock ainda era uma joia bruta, que precisava ser lapidada, trabalhada, por isso não mediu esforços para promovê-lo.

Henry começou a levar Rock para as principais festas de Hollywood, onde frequentavam os grandes executivos, diretores, donos de estúdio. Eram justamente nessas festas que elencos inteiros de grandes produções eram escalados. Fazer sucesso na carreira em Hollywood significava também fazer sucesso no meio social da cidade. Você tinha que fazer um certo jogo, um certo charme, em determinados lugares. Então algum diretor ou produtor iria se interessar por você e um novo filme estaria ao seu alcance. Rock logo entendeu isso e jogou o jogo. E acabou se dando muito bem...

Pablo Aluísio. 

A Praia dos Biquínis

Título no Brasil: A Praia dos Biquínis
Título Original: Bikini Beach
Ano de Produção: 1964
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: William Asher
Roteiro: William Asher, Leo Townsend
Elenco: Frankie Avalon, Annette Funicello, Martha Hyer, Don Rickles, Harvey Lembeck, John Ashley

Sinopse:
Entre várias ondas na praia, o jovem Frankie (Frankie Avalon) tenta conquistar mais uma vez o coração da doce e maravilhosa Dee Dee (Annette Funicello). Para isso porém ele terá que enfrentar mais uma vez as artimanhas de Eric Von Zipper (Harvey Lembeck) e seus motoqueiros e um cientista maluco, que quer provar que adolescentes e primatas possuem os mesmos instintos básicos de acasalamento!

Comentários:
Se você tiver curiosidade em saber como eram os filmes feitos para o público adolescente nos anos 60, uma boa dica é esse filme de verão chamado "Bikini Beach". Estrelado pelo casalzinho sensação da época, Frankie Avalon e Annette Funicello, essas produções eram extremamente lucrativas, porque tinham uma orçamento quase mínimo (esse aqui custou apenas 600 mil dólares!) e conseguiam faturar muito bem nas bilheterias. Essa fita aqui, por exemplo, foi a terceira de uma longa série de fitas rápidas que começaram com "A Praia dos Amores" no ano anterior, sendo seguida de "Quanto Mais Músculos Melhor". Haveria ainda um quarto filme intitulado "Folias na Praia" em 1965. Todos esses filmes foram bastante reprisados no Brasil, na década de 70, na Sessão da Tarde, por isso acabaram bem populares por aqui. Os roteiros eram sempre bem básicos. Avalon e Funicello em eterno namorico pelas praias da Califórnia, sendo importunados pelo motoqueiro maluco Eric Von Zipper (Harvey Lembeck). Tudo realmente muito pueril, inocente, bem de acordo com os padrões da época. Hoje em dia esses filmes, de baixo teor artístico e cinematográfico, servem apenas como curiosidades nostálgicas. Frankie Avalon, por exemplo, até tentou emplacar uma carreira de cantor ao estilo Elvis Presley, mas como ele definitivamente não era Elvis, acabou ficando pelo meio do caminho. De qualquer maneira assista e conheça, nem que seja para matar as saudades de um tempo que não existe mais.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mentira Salvadora

Mentira Salvadora
Esse filme pode ser considerado a primeira grande chance que Marilyn Monroe conseguiu em sua carreira. Ela havia sido contratada pela Fox, mas até então não tinha conseguido uma grande oportunidade. Então seu amante (na verdade seu sugar daddy) chamado Johnny Hyde conseguiu com o chefão da Columbia Pictures Harry Cohn que fosse dada uma oportunidade melhor para Marilyn nesse filme. E ela finalmente conseguiu uma personagem com nome e importância dentro de um filme. Ela interpretou a jovem filha da protagonista, uma garota chamada Peggy Martin.

Marilyn ficou eufórica com essa oportunidade, mas a verdade pura e simples é que o filme não passava de uma produção B que na época não chegou a alcançar qualquer tipo de sucesso. Com apenas uma semana em cartaz foi tirado do circuito de exibição pela fraca bilheteria. De qualquer maneira com o passar dos anos o filme foi finalmente redescoberto e por causa de Marilyn Monroe, aqui dando os seus primeiros passos rumo a uma carreira de sucesso. 

Mentira Salvadora (Ladies of the Chorus, Estados Unidos, 1948) Direção: Phil Karlson / Roteiro: Harry Sauber / Elenco: Adele Jergens, Marilyn Monroe, Rand Brooks / Sinopse: Uma dançarina de Chorus Line se apaixona pelo sujeito errado e começa a sofrer os problemas inerentes a esse que poderia ser um erro, mas não de seu coração. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Marlon Brando e o Sindicato de Ladrões


Marlon Brando e o Sindicato de Ladrões
Sindicato de Ladrões (On the Waterfront) foi lançado em 28 de julho de 1954 e é dirigido por Elia Kazan, reunindo um elenco liderado por Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden e Lee J. Cobb. Ambientado nos cais de Nova York, o filme mergulha no cotidiano brutal dos estivadores controlados por um sindicato corrupto e violento. A narrativa acompanha Terry Malloy, um ex-pugilista que trabalha no porto e vive sob a influência de chefes sindicais que exploram os trabalhadores por meio do medo e da coerção. O ponto de partida da história se dá quando Terry se envolve, ainda que indiretamente, em um episódio de violência que o obriga a confrontar sua própria consciência. A partir desse conflito inicial, o filme constrói um retrato intenso sobre culpa, silêncio, lealdade e a difícil escolha entre a sobrevivência individual e a responsabilidade moral coletiva.

No momento de seu lançamento, Sindicato de Ladrões foi recebido com aclamação quase imediata pela crítica americana. O The New York Times destacou a atuação de Marlon Brando como “extraordinariamente natural e dolorosamente humana”, afirmando que o ator havia redefinido o realismo dramático no cinema americano. O jornal também elogiou a direção de Elia Kazan, ressaltando a maneira como o cineasta utilizava os cenários reais dos portos para reforçar a sensação de opressão e abandono social. Já o Los Angeles Times descreveu o filme como “um soco moral”, apontando que sua força residia na combinação entre denúncia social e drama pessoal.

A revista Variety classificou o longa como “uma obra poderosa e socialmente relevante”, elogiando o roteiro de Budd Schulberg por transformar uma questão sindical complexa em um drama acessível e emocionalmente devastador. O The New Yorker destacou a famosa cena do táxi entre Brando e Rod Steiger como uma das mais impactantes já vistas no cinema até então, afirmando que ali se condensava “toda a tragédia moral do personagem”. Embora alguns críticos tenham percebido subtextos políticos ligados ao contexto do macarthismo, a avaliação geral foi amplamente positiva, reconhecendo o filme como uma obra corajosa, intensa e artisticamente inovadora para sua época.

No aspecto comercial, Sindicato de Ladrões também apresentou um desempenho sólido. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 910 mil, o filme arrecadou aproximadamente US$ 9,6 milhões em bilheteria nos Estados Unidos, tornando-se um sucesso significativo para um drama social de tom pesado. O desempenho financeiro foi impulsionado tanto pelo boca a boca quanto pelo reconhecimento crítico e pelas indicações a prêmios. O longa manteve uma carreira prolongada nos cinemas e consolidou-se como uma produção lucrativa, especialmente considerando seu tema sério e sua abordagem realista, distante do entretenimento escapista dominante da época.

Com o passar das décadas, Sindicato de Ladrões passou a ser considerado um dos maiores filmes da história do cinema. Atualmente, figura com frequência em listas de melhores filmes americanos já realizados e é estudado em cursos de cinema, sociologia e história. A atuação de Marlon Brando é vista como um marco da atuação moderna, influenciando gerações de atores. O filme venceu oito Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, e hoje é reconhecido não apenas como um poderoso drama social, mas também como uma obra-chave para compreender o cinema americano do pós-guerra e suas tensões morais e políticas.

Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, Estados Unidos, 1954) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Budd Schulberg (baseado em reportagens de Malcolm Johnson publicadas no New York Sun) / Elenco: Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Pat Henning / Sinopse: Um trabalhador dos portos enfrenta o domínio de um sindicato violento e corrupto, sendo forçado a escolher entre o silêncio cúmplice e a difícil decisão de agir conforme sua consciência.

Erick Steve. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Sindicato de Ladrões

Sindicato de Ladrões
Durante anos o diretor Elia Kazan foi considerado um traidor em Hollywood. Ele havia entregado para o Macarthismo um grande número de profissionais do cinema. Cineastas, roteiristas, atores, atrizes, muitos viram suas carreiras destruídas por causa de Kazan. Essas pessoas faziam parte do Partido Comunista, do qual Kazan também era membro. Quando a coisa apertou, ele entregou todo mundo. Alguns foram presos, outros banidos de Hollywood e alguns até mesmo cometeram suicídio. Com isso Kazan ficou marcado para sempre. Uma maneira dele procurar por uma redenção aconteceu com esse clássico chamado "Sindicato de Ladrões".

Para Marlon Brando esse filme era o retrato de todos os fracassados da América. Todos os derrotados pelo sistema. Aquelas pessoas que não conseguiam o sucesso, a fama e a fortuna. Ele interpretava um boxeador com uma carreira cheia de fracassos que entregava as lutas para que a máfia ganhasse dinheiro fácil no mundo das apostas esportivas. Algum tempo depois essa mesma quadrilha acabava cometendo um crime, colocando um peso a mais na consciência do personagem de Brando. Era aqui que Kazan tentava justificar seus atos no passado, tentando criar uma justificativa baseada em grandes valores para todos aqueles que entregavam seus antigos comparsas ou como no caso dele, dos antigos companheiros de causa.

O filme traz um retrato cru e realista. As cenas foram rodadas nas ruas e nas docas, no meio de pessoas comuns, sem excessos de produção e nem nada do tipo. Marlon Brando, com seu jeito da classe trabalhadora, simplesmente atuava ao lado das pessoas do dia a dia, sempre procurando pelo realismo. Seu talento lhe valeu o primeiro Oscar de sua carreira. Curiosamente Brando compareceu à cerimônia onde recebeu a estatueta de uma linda Grace Kelly. Depois tirou fotos e seguiu todo o protocolo da Academia. Algo que iria renegar anos depois quando seria premiado por "O Poderoso Chefão", ao recusar a premiação. No caso do Oscar vencido por "Sindicato de Ladrões" ele decidiu dar a estatueta para um amigo. Era uma forma dele demonstrar que não dava valor ao Oscar e nem à Academia. Também era uma maneira rebelde de se dissociar da futilidade de uma Hollywood que em sua opinião era vazia e sem sentido. De uma forma ou outra o filme foi aclamado por público e crítica, vencendo os principais prêmios de cinema naquele ano. Foi a forma de Hollywood dizer que finalmente Kazan estava perdoado.

Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, Estados Unidos, 1954) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Budd Schulberg, Elia Kazan, Malcolm Johnson / Elenco: Marlon Brando, Karl Malden, Rod Steiger, Lee J. Cobb, Eva Marie Saint / Sinopse: Terry Malloy (Brando) é um boxeador fracassado que entrega lutas para que a máfia fature no mundo das apostas esportivas. Após um crime ele começa a ter crises de consciência. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Atriz Coadjuvante (Eva Marie Saint), Melhor Direção (Elia Kazan), Melhor Roteiro, Melhor Direção de Fotografia (Boris Kaufman), Melhor Direção de Arte (Richard Day) e Melhor Edição (Gene Milford). Também vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Direção e Melhor direção de fotografia.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Burt Lancaster

Perfil: Burt Lancaster
Burt Lancaster foi um dos maiores e mais carismáticos atores da história do cinema norte-americano, dono de uma presença física imponente e de uma intensidade dramática que atravessou gêneros e décadas. Nascido em 2 de novembro de 1913, em Nova York, Lancaster teve uma juventude marcada pelo esporte e pelo circo, chegando a atuar como acrobata antes de ingressar no cinema. Essa formação incomum contribuiu para seu domínio corporal e para a energia singular que levava às telas.

Sua estreia em Hollywood aconteceu de forma impactante com Assassinos (1946), adaptação de Ernest Hemingway dirigida por Robert Siodmak. Desde o primeiro papel, Lancaster demonstrou força dramática e magnetismo, destacando-se no cinema noir e consolidando-se rapidamente como um astro. Diferente de muitos colegas da época, ele projetava uma masculinidade intensa, mas também vulnerável, o que ampliava o alcance emocional de seus personagens.

Durante os anos 1950, Burt Lancaster tornou-se um dos atores mais versáteis de Hollywood, transitando com naturalidade entre o faroeste, o drama histórico, o filme de aventura e o melodrama. Obras como O Homem de Alcatraz (1962), A Um Passo da Eternidade (1953) e Vera Cruz (1954) evidenciam sua capacidade de interpretar figuras complexas, frequentemente marcadas por conflitos morais, rebeldia e inconformismo diante da autoridade.

Lancaster também se destacou por sua independência artística e por desafiar o sistema dos grandes estúdios. Ao fundar a produtora Hecht-Hill-Lancaster, passou a ter maior controle sobre seus projetos, escolhendo filmes com conteúdo mais ousado e politicamente consciente. Essa postura o colocou à frente de seu tempo, permitindo-lhe abordar temas sociais, políticos e humanos com maior profundidade.

O reconhecimento máximo veio com o Oscar de Melhor Ator por Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960), no qual interpretou um pregador carismático e manipulador. A performance intensa e ambígua revelou um lado mais sombrio e complexo do ator, reafirmando sua coragem artística e seu domínio absoluto da cena. O papel permanece como um dos mais marcantes de sua carreira.

Além de seus trabalhos mais populares, Lancaster colaborou com grandes diretores e participou de produções europeias, ampliando seu repertório artístico. Filmes como O Leopardo (1963), dirigido por Luchino Visconti, demonstram sua sofisticação dramática e sua habilidade de se adaptar a estilos cinematográficos diversos, longe do modelo hollywoodiano tradicional.

Ao longo dos anos 1970 e 1980, Burt Lancaster passou a assumir papéis mais maduros, muitas vezes refletindo sobre o envelhecimento, a decadência e a memória. Sua atuação em Atlantic City (1980) foi amplamente elogiada e lhe rendeu uma indicação ao Oscar, mostrando que sua força interpretativa permanecia intacta mesmo com o passar do tempo.

Fora das telas, Lancaster era conhecido por seu engajamento político e por posições progressistas, apoiando causas sociais e civis. Essa postura reforçava sua imagem de artista consciente e comprometido, alguém que via o cinema não apenas como entretenimento, mas também como ferramenta de reflexão e transformação.

Burt Lancaster faleceu em 1994, deixando uma filmografia rica e diversa, marcada por personagens fortes e inesquecíveis. Seu legado permanece vivo como símbolo de liberdade artística, intensidade dramática e presença física rara.

Hoje, Burt Lancaster é lembrado como um ator completo, capaz de unir vigor físico, inteligência emocional e coragem criativa. Sua trajetória exemplifica o melhor do cinema clássico de Hollywood e sua transição para um cinema mais adulto e questionador, garantindo-lhe um lugar permanente entre os grandes nomes da história do cinema.

Erick Steve. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Brutalidade Mortal

Título no Brasil: Brutalidade Mortal
Título Original: Brute Force
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jules Dassin
Roteiro: Richard Brooks, Robert Patterson
Elenco: Burt Lancaster, Hume Cronyn, Yvonne De Carlo, Charles Bickford, Ella Raines, Sam Levene

Sinopse:
Na superlotada Penitenciária de Westgate, onde a violência e o medo são normas e o diretor tem menos poder do que os guardas e os principais prisioneiros, a violência explode a todo momento. O condenado violento, durão e obstinado Joe Collins (Lancaster) quer revanche contra o chefe da guarda, Capitão Munsey, um pequeno ditador que se orgulha do poder absoluto. Depois de muitas infrações, Joe e seus companheiros de cela são colocados no temido cano de esgoto; provocando um esquema de fuga que tem todas as chances de se transformar em um banho de sangue.

Comentários:
Esse segundo filme da carreira do ator Burt Lancaster foi considerado muito visceral e brutal, fazendo jus ao seu título. A história se passa dentro de uma prisão onde os condenados vivem praticamente como bestas, como animais enjaulados. Para Lancaster o filme foi muito adequado. Jovem, atlético e musculoso, mas ainda não muito experiente como ator, ele conseguiu se sobressair nas cenas de lutas e pancadaria. Só com o tempo é que esse ex-trapezista de circo iria finalmente se desenvolver como bom intérprete de papéis dramáticos, afinal tudo tem seu tempo e momento de acontecer. De uma forma ou outra uma coisa não se pode negar, até hoje impressiona pela força de suas imagens. E pensar que um filme com uma história tão atroz assim foi lançado nos anos 1940. Pois é, o cinema americano já estava em seu auge por essa época. Obs: Esse filme também é conhecido no Brasil apenas como "Brutalidade", pois foi exibido com esse nome em algumas reprises na madrugadas televisivas dos canais abertos nacionais. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Dias de Glória

Título no Brasil: Dias de Glória
Título Original: Days of Glory
Ano de Lançamento: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Jacques Tourneur
Roteiro: Herbert Dalmas, John Houseman
Elenco: Gregory Peck, Tamara Toumanova, Alan Reed, Lowell Gilmore, Glen Vernon, Erskine Sanford

Sinopse:
Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de guerrilheiros soviéticos luta contra a ocupação nazista atrás das linhas inimigas. Liderados pelo idealista Vladimir, eles realizam operações de sabotagem enquanto enfrentam privações extremas, traições e sacrifícios pessoais. No meio do conflito, surge um romance improvável que humaniza a brutalidade da guerra e expõe o alto custo da resistência.

Comentários: 
Esse clássico filme também é conhecido pelo título "Quando a Neve Tornar a Cair". Este foi o primeiro papel de destaque de Gregory Peck no cinema, lançando sua carreira em Hollywood. A direção coube ao cineasta Jacques Tourneur, conhecido por clássicos como Cat People e Out of the Past. A bailarina russa Tamara Toumanova atua como protagonista feminina, trazendo forte presença dramática ao filme. Produzido durante a guerra, o filme apresenta uma visão simpática à resistência soviética, algo comum em produções americanas do período em que EUA e URSS eram aliados. Apesar de orçamento modesto, o filme se destaca pela tensão psicológica e pelo tom sombrio. Com o início da Guerra Fria, o filme passou a ser visto de forma controversa devido à sua abordagem política. E com a chegada da paranoia anticomunista que varreu os Estados Unidos a partir dos anos 50 o filme foi praticamente banido e saiu de circulação. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Almas Rebeldes

Título no Brasil: Almas Rebeldes
Título Original: Strange Cargo
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Frank Borzage
Roteiro: John Lee Mahin, Richard Sale
Elenco: Clark Gable, Joan Crawford, Ian Hunter, Peter Lorre, Paul Lukas, J. Edward Bromberg

Sinopse:
Um grupo improvável de prisioneiros foge de uma colônia penal em uma ilha tropical, liderado pelo cínico Verne (Gable). Durante a fuga, eles conhecem Julie, uma mulher marcada por seu passado, e Cambreau, um misterioso forasteiro cuja presença desperta reflexões morais e espirituais. À medida que enfrentam perigos naturais e humanos, a jornada se transforma em um caminho de redenção, fé e confronto interior.

Comentários:
O filme reúne novamente Clark Gable e Joan Crawford, uma das parcerias mais famosas da Hollywood clássica. Dirigido por Frank Borzage, conhecido por seu estilo romântico e espiritual, o longa aborda temas de redenção e transcendência. Peter Lorre entrega uma atuação memorável como um dos fugitivos, acrescentando ambiguidade moral à história. A figura de Cambreau foi interpretada por muitos críticos como uma alegoria religiosa, o que gerou controvérsia na época. A produção enfrentou problemas com a censura, que considerou o conteúdo espiritual e moral “ousado” para os padrões do período. Hoje, Strange Cargo é visto como um dos filmes mais profundos e subestimados da carreira de Clark Gable.

Christian De Bella.

Em Cartaz: Almas Rebeldes
O drama Strange Cargo estreou nos cinemas em junho de 1940, dirigido por Frank Borzage e estrelado por Clark Gable e Joan Crawford, dois dos maiores astros da MGM naquele período. Ambientado em uma colônia penal na Guiana Francesa, o filme acompanha um grupo de prisioneiros fugitivos liderados por um criminoso cínico que, durante a jornada, entra em contato com um misterioso personagem de natureza quase espiritual. O longa surpreendeu desde o lançamento por seu tom filosófico e religioso, incomum para um drama de aventura estrelado por Gable.

Do ponto de vista da bilheteria, Strange Cargo teve um desempenho apenas moderado. Embora tenha contado com grandes estrelas e produção da MGM, o filme não alcançou os números esperados para um veículo de Clark Gable, especialmente quando comparado a sucessos mais convencionais do ator. A temática abstrata e o simbolismo religioso limitaram seu apelo junto ao grande público, fazendo com que o filme fosse visto mais como uma obra de prestígio artístico do que como um sucesso popular imediato.

A reação da crítica em 1940 foi dividida, refletindo o caráter incomum da produção. O The New York Times, em crítica assinada por Bosley Crowther, descreveu o filme como “estranho, sombrio e impregnado de simbolismo místico”, observando que a obra se afastava radicalmente do realismo esperado em um drama de prisão. Embora o jornal reconhecesse a força visual e a atmosfera criada por Borzage, também apontava que o significado espiritual do filme poderia confundir parte da audiência.

Outras publicações reagiram de forma igualmente ambígua. A revista Variety comentou que Strange Cargo era “ousado e incomum para os padrões de Hollywood”, elogiando a fotografia e a intensidade dramática, mas advertindo que o filme não seguia uma narrativa tradicional. Alguns jornais regionais foram mais críticos, classificando a obra como “pesada e excessivamente alegórica”, enquanto outros destacaram a coragem do estúdio em lançar um filme tão pouco convencional em um período dominado por entretenimento escapista.

Com o passar dos anos, Strange Cargo passou por uma reavaliação crítica significativa, sendo hoje visto como uma das obras mais pessoais e espirituais de Frank Borzage. As críticas publicadas em 1940 já indicavam que o filme não buscava agradar facilmente, mas provocar reflexão. Atualmente, ele é considerado um clássico cult do cinema americano, lembrado por seu simbolismo ousado, pela atuação contida de Clark Gable e por representar um raro exemplo de cinema metafísico produzido dentro do sistema dos grandes estúdios de Hollywood.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Príncipe e o Mendigo

Título no Brasil: O Príncipe e o Mendigo
Título Original: The Prince and the Pauper
Ano de Lançamento: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros 
Direção: William Keighley
Roteiro: Norman Reilly Raine, Rowland Leigh
Elenco: Errol Flynn, Claude Rains, Billy Mauch, Bobby Mauch, Alan Hale, Barton MacLane

Sinopse:
Na Inglaterra do século XVI, o jovem príncipe Eduardo conhece Tom Canty, um garoto pobre idêntico a ele. Por curiosidade e desejo de viver outras experiências, os dois decidem trocar de lugar. Enquanto o príncipe enfrenta a dura realidade das ruas de Londres, o mendigo é lançado no rígido e perigoso mundo da corte real. A troca de identidades provoca confusões, injustiças e aventuras, culminando em uma lição sobre poder, compaixão e justiça.

Comentários:
O filme é baseado no romance clássico de Mark Twain, publicado em 1881. Errol Flynn interpretou o vilão Miles Hendon, em um de seus papéis mais lembrados fora do gênero de capa-e-espada tradicional. Os irmãos gêmeos Billy e Bobby Mauch interpretaram o príncipe e o mendigo, facilitando as cenas de troca de identidade. A produção foi um grande sucesso da Warner Bros. nos anos 1930, conhecida por seus filmes de aventura luxuosos. Claude Rains recebeu elogios por sua atuação como o cruel Duque de Norfolk. É considerada uma das melhores adaptações cinematográficas da obra de Mark Twain. Por essas e outras razões deixo a indicação mais do que preciosa desse filme clássico. É para se ter na coleção de qualquer cinéfilo que se preze!

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A Carga da Brigada Ligeira

A Carga da Brigada Ligeira
Produção da década de 1930 que mostra com muita eficiência um dos fatos mais marcantes da história militar inglesa. O filme é de 1936 mas tem um roteiro tão bom, uma produção tão bem feita que nem parece que tem mais de sete décadas de existência. O argumento é baseado em fatos históricos: a história do regimento 27 de lanceiros do exército britânico na Índia. Durante uma invasão a um forte guarnecido pela companhia, um líder tribal local promoveu uma verdadeira chacina matando mulheres e crianças. Em represália o jovem Major Geoffrey Vickers (Errol Flynn) resolve por conta própria e em desrespeito a uma ordem direta atacar as tropas russas e do Khan para vingar a morte daquelas pessoas. A história real foi trágica e culminou na morte de vários soldados mas o roteiro, como era de se esperar, não trata do assunto como um erro de guerra mas como um ato de bravura desses militares. O debate sobre o valor ou desvalor desse ato segue em discussão até os dias de hoje. Até que ponto um oficial pode ignorar ordens superiores mesmo que baseado em um correto senso de justiça?

O elenco é liderado pelo astro da época, Errol Flynn. Lembrando certos momentos de filmes anteriores seus o ator consegue trazer credibilidade ao papel. Como era um galã o roteiro traz o seu inevitável interesse romântico contando novamente com Olivia de Havilland. O diferencial é que aqui ela é disputada por Flynn e seu irmão, um agente da diplomacia inglesa. David Niven também está no filme mas em um papel tão apagado que sua presença é desperdiçada,  pois o seu personagem é totalmente secundário e coadjuvante. A produção é mais uma bem sucedida parceria entre o cineasta veterano Michael Curtiz e o astro Errol Flynn. Juntos realizaram grandes sucessos como "As Aventuras de Robin Hood" e "Capitão Blood", sempre contando com a ótima produção dos estúdios Warner. Em suma, "A Carga da Brigada Ligeira" ainda é um excelente filme e mostra que é possível mesclar eventos reais históricos com ficção sem perder a qualidade e o interesse. Recomendo com certeza!

A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade,Estados Unidos, 1936) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Michael Jacoby baseado na obra de Alfred Lord Tennyson / Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Patric Knowles, Henry Stephenson, Donald Crisp, Nigel Bruce, David Niven / Sinopse: O filme narra a história do regimento 27 de lanceiros do exército britânico na Índia. Durante uma invasão a um forte guarnecido pela companhia, um líder tribal local promoveu uma verdadeira chacina matando mulheres e crianças. Em represália o jovem Major Geoffrey Vickers (Errol Flynn) resolve por conta própria e em desrespeito a uma ordem dada atacar as tropas russas e do Khan para vingar a morte daquelas pessoas.

Pablo Aluísio.


A Carga da Brigada Ligeira
O épico A Carga da Brigada Ligeira estreou em novembro de 1936, produzido pela Warner Bros. e dirigido por Michael Curtiz, com Errol Flynn no papel principal. Inspirado livremente no poema de Alfred, Lord Tennyson e em episódios da Guerra da Crimeia, o filme foi concebido como uma grande produção de aventura histórica, explorando heroísmo, honra militar e sacrifício. O lançamento ocorreu em um momento em que Hollywood investia fortemente em épicos de ação e aventuras exóticas, e o estúdio promoveu o filme como um espetáculo visual e emocional de grande escala.

Do ponto de vista comercial, A Carga da Brigada Ligeira teve um desempenho sólido de bilheteria, embora não tenha sido o maior sucesso do ano para o estúdio. Com um orçamento elevado para a época — estimado em cerca de US$ 1,2 milhão — o filme atraiu grande público nos Estados Unidos e no exterior, beneficiando-se do carisma de Errol Flynn, que já havia se tornado uma estrela após Capitão Blood. A produção acabou se pagando e consolidou ainda mais Flynn como um dos grandes astros de aventura dos anos 1930.

A recepção crítica na época foi majoritariamente positiva, especialmente no que dizia respeito ao espetáculo visual e à encenação das batalhas. O jornal The New York Times escreveu que o filme era “um espetáculo vibrante, repleto de ação e romance, feito para emocionar o público”, destacando a energia da direção de Curtiz e a imponência da sequência final. Já a revista Variety descreveu a obra como “uma produção grandiosa, com ritmo rápido e apelo popular evidente”, elogiando sua capacidade de entreter o grande público.

Alguns críticos, contudo, apontaram reservas quanto às liberdades históricas tomadas pelo roteiro. O The Hollywood Reporter observou que, embora o filme fosse “empolgante como entretenimento, sua abordagem da história era mais lendária do que factual”. Ainda assim, essas críticas vinham geralmente acompanhadas do reconhecimento de que o filme cumpria plenamente seu objetivo como cinema de aventura, com cenas de batalha consideradas impressionantes para os padrões técnicos da década de 1930.

Com o passar do tempo, A Carga da Brigada Ligeira consolidou-se como um clássico do cinema de aventura hollywoodiano, lembrado tanto por sua sequência final icônica quanto pelo desempenho carismático de Errol Flynn. As reações da imprensa em 1936 já indicavam que o filme seria valorizado menos como um retrato histórico rigoroso e mais como um exemplo do poder narrativo e visual do cinema clássico de estúdio. Hoje, ele permanece como um marco do gênero e um retrato emblemático da era dourada de Hollywood.