segunda-feira, 11 de maio de 2026

As Estrelas: Grace Kelly

As Estrelas: Grace Kelly
Grace Kelly foi uma das mulheres mais elegantes e admiradas do cinema clássico de Hollywood. Nascida em 1929, na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, ela iniciou sua carreira artística ainda jovem, trabalhando em peças teatrais e produções para televisão antes de alcançar fama internacional no cinema. Dona de uma beleza sofisticada, postura refinada e talento dramático marcante, Grace rapidamente se tornou uma das maiores estrelas da década de 1950, conquistando o público e a crítica com atuações intensas e cheias de charme.

Sua carreira cinematográfica ganhou enorme destaque graças às colaborações com o lendário diretor Alfred Hitchcock. Grace Kelly estrelou clássicos como Janela Indiscreta, ao lado de James Stewart, Disque M para Matar e Ladrão de Casaca, com Cary Grant. Hitchcock considerava Grace a personificação da elegância e do mistério feminino, características que marcaram profundamente seus personagens. Além dos suspenses do diretor britânico, ela também brilhou em dramas românticos e produções sofisticadas que consolidaram sua imagem como ícone de glamour da Era de Ouro de Hollywood.

Em 1955, Grace Kelly recebeu o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Amar é Sofrer (The Country Girl), surpreendendo parte da crítica, que esperava sua vitória por filmes mais glamourosos. Nesse trabalho, ela mostrou grande capacidade dramática ao interpretar uma personagem emocionalmente complexa, fugindo do estereótipo da mulher elegante que costumava representar. O prêmio consolidou definitivamente sua posição entre as maiores atrizes de sua geração.

A vida de Grace Kelly mudou completamente em 1956, quando se casou com Rainier III, tornando-se princesa de Mônaco. O casamento foi acompanhado pelo mundo inteiro e ficou conhecido como um dos contos de fadas mais famosos do século XX. Após a união, Grace abandonou sua carreira no cinema para dedicar-se às funções reais e à família. Sua transformação de estrela de Hollywood em princesa ajudou a aumentar ainda mais sua aura lendária e transformou Mônaco em um dos destinos mais glamourosos da Europa.

Grace Kelly faleceu tragicamente em 1982, após sofrer um acidente de carro nas estradas de Mônaco. Sua morte causou enorme comoção internacional e reforçou ainda mais seu status de mito do cinema e da realeza. Até hoje, ela é lembrada como símbolo máximo de elegância, sofisticação e beleza clássica. Sua influência permanece viva no cinema, na moda e na cultura popular, sendo frequentemente citada como uma das maiores estrelas femininas da história de Hollywood.

Mogambo

Mogambo
Esse é um clássico do gênero "Aventura na África". Uma produção com um elenco estelar da era de ouro do cinema clássico de Hollywood. No enredo um caçador americano no continente africano, Victor Marswell (Clark Gable), é contratado pelo pesquisador Donald Nordley (Donald Sinden) para comandar um safári nas montanhas remotas onde vivem gorilas selvagens. Donald quer registrar o comportamento desses animais em seu habitat natural, os filmando na natureza. Victor inicialmente não acha uma boa ideia pois poucos homens estiverem naquele lugar distante, porém acaba aceitando a generosa oferta. O que o cientista Donald nem desconfia é que sua própria esposa, Linda Nordley (Grace Kelly), está se apaixonado cada vez mais por Victor. Para concretizar seu romance porém ela terá que passar por cima de Eloise Y. Kelly (Ava Gardner), uma dançarina de night club, que também está perdidamente apaixonada por Victor.

John Ford deu um tempo em seus clássicos de western para se arriscar no gênero aventura nessa produção. O resultado foi esse "Mogambo", certamente um bom filme, mas que jamais pode ser comparado com obras primas como "Rastros de Ódio" ou "Rio Bravo". O enredo se passa numa África ainda colonial e praticamente inexplorada. É lá que vive o personagem de Clark Gable, um veterano caçador branco que captura animais exóticos para vendê-los a circos e zoológicos de todo o mundo. Sua rotina de trabalho acaba mudando completamente com a chegada de uma dançarina americana chamada Eloise (Ava Gardner) que realizou uma longa viagem dos Estados Unidos até a África pensando que iria encontrar um milionário indiano, mas acaba se dando mal ao saber que ele foi embora uma semana antes de sua chegada.

Imediatamente Eloise se apaixona por Victor, porém as coisas não saem como ela queria. Victor torce o nariz ao saber que ela era uma dançarina de boates. Pior do que isso, começa a tratar a garota com um certo desdém (a ponto de dizer a um de seus amigos que ela na verdade seria uma "mulher de todos os homens!"). Nada aliás poderia sair mais diferente de Eloise do que a também recém chegada Linda (Grace Kelly). Loira, linda, recatada e educada, com extrema finesse, ela sim se mostra a mulher que Victor gostaria de ter ao seu lado. Infelizmente para o velho caçador há um problema: Linda já é casada, justamente com o homem que o contratou para um safári rumo às montanhas, em busca de gorilas selvagens.

É verdade que o roteiro acaba se rendendo ao moralismo da época em seus momentos finais, mas nem isso estraga "Mogambo". Ford já havia demonstrado em seus faroestes que ele conseguia com muito brilho tanto dirigir um bom filme de entretenimento como também desenvolver psicologicamente bem todos os seus personagens. Não havia espaço para papéis rasos e sem sentido em seus filmes. Não é à toa que até hoje ele é considerado um mestre, um verdadeiro gênio da sétima arte. "Mogambo" tem um elenco maravilhoso, com três grandes estrelas da época, e um roteiro extremamente bem escrito. Dito isso também temos que reconhecer que o tempo também cobrou seu preço. O tempo, como diria o provérbio, é o senhor da razão. O que era normal há 60 anos hoje já não soa tão comum.

O filme mistura cenas rodadas em estúdio com filmagens reais realizadas por Ford e sua equipe de segunda unidade no continente africano. Não poucas vezes as duas filmagens são mescladas em edição. Nem sempre isso funciona. As imagens capturadas na África não possuem, por exemplo, a mesma qualidade das cenas que foram realizadas em estúdio com os atores. Por isso a diferença de uma para outra se torna muito perceptível ao espectador. Tecnicamente o filme envelheceu mal. Pode parecer que algo assim seria um excesso de zelo, porém é um fator que envelheceu dramaticamente, tornando o filme de Ford menor do que ele realmente era. De qualquer forma o que temos aqui é certamente um clássico do gênero aventura nas selvas. Com a genialidade de John Ford não era de se esperar nada muito diferente disso.

Mogambo (Mogambo, Estados Unidos, 1953) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: John Ford / Roteiro: John Lee Mahin, Wilson Collison / Elenco: Clark Gable, Grace Kelly, Ava Gardner, Donald Sinden / Sinopse: Pesquisador da vida selvagem contrata um caçador para levá-lo a uma montanha onde vivem gorilas selvagens. No meio da expedição sua esposa acaba se apaixonando pelo caçador. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Ava Gardner) e Melhor Atriz Coadjuvante (Grace Kelly). Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Grace Kelly).

Pablo Aluísio.

Matar ou Morrer

Matar ou Morrer
Esse é um grande clássico da história do western americano por causa de seu roteiro atemporal, tratando de temas que ultrapassam e muito a simples esfera do gênero cinematográfico do qual pertence. O protagonista é um xerife, um homem honesto e íntegro que aos poucos vai percebendo que está completamente sozinho na sua luta de implantar lei e ordem. A cidade que defende, os moradores pelos quais zela por sua segurança e integridade física são os primeiros a abandoná-lo à própria sorte. Esse delicado tema de seu roteiro demonstra toda a fragilidade e falta de caráter do homem comum, ordinário. Com isso se ressalta a importância da figura do xerife Will Kane (Gary Cooper). Seu caráter e coragem são raros. Não se deve esperar esse tipo de atitude de pessoas pusilânimes. O homem corajoso muitas vezes fica totalmente sozinho na luta por seus valores e ideais.

Outro aspecto que tornou esse "Matar ou Morrer" tão celebrado ao longo de todos esses anos vem do tratamento psicológico do roteiro. Os personagens são mostrados em suas emoções internas, criando um clima de tensão e ansiedade que só aumenta ao longo do filme. O relógio na parede vira assim um instrumento narrativo dos mais aflitivos. E por fim, para coroar tantas qualidades cinematográficas importantes, ainda há um elenco espetacular em cena. Não apenas pela presença imponente de Gary Cooper, no auge de sua carreira, como também da doce beleza de Grace Kelly. Elementos que tornaram esse western um clássico absoluto em todos os aspectos.

Matar ou Morrer (High Noon, Estados Unidos, 1952) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Carl Foreman, John W. Cunningham / Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges / Sinopse: Um xerife é abandonado pelos moradores da cidade onde trabalha após correr a notícia de que um grupo de bandidos está chegando para acertar as contas com ele. Mesmo assim, sozinho, o velho home da lei decide enfrentar a situação com coragem e determinação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator (Gary Cooper), melhor edição, melhor música original.

Pablo Aluísio.

Filmografia - Grace Kelly


Filmografia - Grace Kelly
Horas Intermináveis (1951) ★★★
Matar ou Morrer (1952) ★★★★ 
Mogambo (1953) ★★★
Disque M para Matar (1954) ★★★★ 
Janela Indiscreta (1954) ★★★★ 
Amar é Sofrer (1954) ★★★
Tentação Verde (1954)
As Pontes de Toko-Ri (1954) ★★★
Ladrão de Casaca (1955) ★★★★ 
O Cisne (1956) 
Alta Sociedade (1956) ★★★

Comentários:
Grace Kelly foi uma das atrizes mais populares de Hollywood. Só que, embora fosse tão famosa, fez tão poucos filmes! Muitos ficam realmente admirados com isso. Bom, alguns fatos explicam essa questão. Ela fez muitos programas para TV, muitos especiais para a televisão da época. Seu trabalho como atriz não se resumiu apenas ao cinema. E também não podemos esquecer que ela abandonou o cinema para se casar com o príncipe de Mônaco. Encerrando assim uma carreira mais do que o promissora, realmente memorável.

Avaliação / Cotações:
★★★★ Excelente
★★★ Bom
★★ Regular
★ Ruim

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As Cartas de Grace Kelly - Parte 5

Em 1951 Grace Kelly finalmente estreou em Hollywood no filme "Horas Intermináveis" de Henry Hathaway. Era um filme da estética noir, com trama forte e pesada, mostrando um homem em desespero, prestes a cometer suicídio. O elenco era estrelado pelo ator Paul Douglas, cujo sucesso foi efêmero. Hoje em dia poucos se lembram dele, ao contrário de Grace Kelly que estava destinada a ser uma grande estrela. Outro nome interessante no elenco era o de Jeffrey Hunter, que assim como Grace, também estava em um papel coadjuvante.

A personagem de Grace se chamava senhorita Louise Ann Fuller e não tinha maior importância no filme. Isso porém era algo não tão importante, pois o que valia a pena mesmo era tentar se tornar mais conhecida em Hollywood. Em Nova Iorque Grace já tinha uma boa base de contatos no mundo fashion, da moda, e nos episódios de algumas séries de TV. Em Hollywood porém ela ainda tinha que se fazer conhecida.

Apesar de seu primeiro filme ser um noir sem muito orçamento (típico desses filmes da época), a produção ao menos conseguiu chamar atenção suficiente para arrancar uma indicação ao Oscar na categoria de melhor direção de arte. Um crítico de Los Angeles inclusive chegou a elogiar Grace Kelly por causa de sua beleza e boa presença de cena, algo que repercutiu entre os produtores da indústria. O produtor e diretor Stanley Kramer estava escalando o elenco de um novo western que seria estrelado pelo astro Gary Cooper. A direção já havia sido acertada com o mestre Fred Zinnemann. O papel da esposa do xerife Kane estava em aberto. Várias atrizes tinham sido testadas para interpretar Amy Fowler Kane, mas sem sucesso.

Foi então que Kramer pensou em Grace Kelly. Ele havia assistido "Horas Intermináveis" e gostado muito de Kelly no filme. O problema é que ao tentar entrar em contato com seu agente, o produtor descobriu que Grace havia viajado de volta naquela manhã para Nova Iorque. Kelly tinha compromissos na cidade, para atuar em uma série de programas de TV e ensaios para revistas de moda. A sorte da atriz é que a pré-produção de "Matar ou Morrer" (um dos maiores clássicos do western de todos os tempos) também atrasou, fazendo com que ela tivesse tempo de cumprir todos os seus compromissos para só assim voltar para Los Angeles. Esse seria o primeiro grande filme de sua carreira e aquele que mudaria os rumos de sua trajetória de atriz para sempre!

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

As Estrelas: Natalie Wood

Natalie Wood foi uma das atrizes mais emblemáticas do cinema clássico de Hollywood, cuja carreira começou ainda na infância e evoluiu para papéis marcantes na juventude e na fase adulta. Nascida em 20 de julho de 1938, em San Francisco, Califórnia, com o nome Natalia Nikolaevna Zakharenko, ela era filha de imigrantes russos. Desde muito jovem, demonstrou talento para a atuação, sendo incentivada por sua mãe a seguir carreira artística. Ainda criança, conquistou o público com sua beleza e expressividade, rapidamente se tornando uma das atrizes mirins mais requisitadas da indústria cinematográfica. Seu sucesso precoce abriu portas para uma carreira sólida, marcada por papéis intensos e emocionalmente complexos. Ao longo dos anos, Natalie construiu uma imagem que combinava delicadeza e força, características que definiriam suas melhores interpretações. Sua trajetória reflete tanto o glamour quanto as pressões da vida em Hollywood.

Durante a infância, Natalie Wood ganhou destaque em filmes importantes, sendo um de seus primeiros grandes sucessos Miracle on 34th Street, no qual interpretou uma menina que começa a acreditar na magia do Natal. Esse papel a tornou conhecida mundialmente e consolidou sua reputação como uma jovem atriz talentosa. Ao crescer, enfrentou o desafio de transitar de atriz infantil para papéis adultos, algo que muitos artistas não conseguem realizar com sucesso. No entanto, Natalie conseguiu essa transição com notável habilidade, escolhendo projetos que demonstravam maturidade e profundidade emocional. Seu desempenho em Rebel Without a Cause, ao lado de James Dean, foi um marco em sua carreira, mostrando sua capacidade dramática e consolidando sua posição como uma atriz de destaque em Hollywood.

Na década de 1960, Natalie Wood atingiu o auge de sua carreira, estrelando filmes que se tornaram clássicos do cinema. Entre eles, destaca-se West Side Story, um musical de enorme sucesso que lhe trouxe reconhecimento internacional e grande popularidade. Outro filme importante foi Splendor in the Grass, no qual sua atuação emocional lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Natalie também participou de Love with the Proper Stranger, consolidando sua imagem como uma atriz versátil, capaz de atuar tanto em dramas quanto em romances. Sua presença nas telas era marcada por intensidade e sensibilidade, características que a tornaram uma das favoritas do público e da crítica. Ao longo da carreira, recebeu três indicações ao Oscar, o que demonstra o reconhecimento de seu talento pela indústria cinematográfica.

No campo pessoal, a vida de Natalie Wood foi marcada por relacionamentos intensos e, por vezes, conturbados. Ela se casou duas vezes com o ator Robert Wagner, em uma relação que chamou a atenção da mídia e do público. Entre esses dois casamentos, também teve um relacionamento com o produtor Richard Gregson, com quem teve uma filha. Sua vida amorosa frequentemente estampava manchetes, refletindo o fascínio que exercia não apenas como atriz, mas também como figura pública. Apesar do glamour, relatos indicam que Natalie enfrentava inseguranças e pressões emocionais, comuns entre estrelas de Hollywood. Ainda assim, manteve sua carreira ativa e continuou a trabalhar em cinema e televisão durante as décadas seguintes.

A morte de Natalie Wood é um dos episódios mais misteriosos da história de Hollywood. Em 29 de novembro de 1981, ela morreu por afogamento próximo à Ilha de Santa Catalina, na Califórnia, durante um passeio de barco com Robert Wagner e o ator Christopher Walken. As circunstâncias de sua morte geraram inúmeras especulações e investigações ao longo dos anos. Inicialmente considerada um acidente, o caso foi reaberto décadas depois, levantando dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquela noite. Testemunhos contraditórios e a falta de respostas definitivas contribuíram para que o episódio permanecesse envolto em mistério. Até hoje, sua morte é debatida e investigada, mantendo vivo o interesse do público e da mídia.

Mesmo após sua morte, o legado de Natalie Wood permanece forte e influente. Ela é lembrada como uma das grandes atrizes de sua geração, com uma carreira marcada por performances memoráveis e uma presença única nas telas. Seus filmes continuam a ser exibidos e admirados, garantindo que novas gerações descubram seu talento. Além disso, sua vida pessoal e sua morte misteriosa contribuíram para a construção de um mito em torno de sua figura. Natalie Wood representa tanto o brilho quanto as sombras de Hollywood, simbolizando o sucesso, a vulnerabilidade e a complexidade da vida artística. Seu nome permanece associado a um período clássico do cinema, e sua contribuição para a indústria continua sendo reconhecida e celebrada até os dias atuais.

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Os Diretores: Elia Kazan

Elia Kazan foi um dos mais influentes diretores do cinema e do teatro do século XX, deixando uma marca profunda tanto em Hollywood quanto na Broadway. Nascido em 1909, em Istambul, então parte do Império Otomano, com o nome de Elias Kazantzoglou, imigrou ainda jovem para os Estados Unidos, onde cresceu e construiu toda a sua carreira. Sua formação artística teve forte ligação com o teatro, especialmente com o prestigiado Group Theatre, que buscava um estilo mais realista e emocional nas atuações. Posteriormente, Kazan também foi um dos fundadores do famoso Actors Studio, que revolucionou a interpretação dramática ao popularizar o chamado “método”. Ao longo de sua trajetória, ele se destacou por sua habilidade em explorar conflitos psicológicos e sociais, criando obras intensas e profundamente humanas que ainda hoje são estudadas e admiradas.

No cinema, Kazan dirigiu uma série de filmes que se tornaram clássicos, abordando temas como corrupção, desigualdade social, moralidade e identidade. Entre suas obras mais importantes está Sindicato de Ladrões (On the Waterfront), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor e se tornou um marco do cinema americano por sua abordagem crua e realista da vida dos trabalhadores portuários. Outro filme de destaque é Vidas Amargas (East of Eden), que ajudou a lançar a carreira de James Dean, transformando-o em um ícone cultural. Kazan também dirigiu Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire), adaptação da peça de Tennessee Williams, que consolidou o estilo emocionalmente intenso de seus trabalhos e revelou o talento de Marlon Brando ao grande público. Esses filmes são exemplos claros de sua capacidade de combinar narrativas fortes com atuações profundamente marcantes.

A influência de Kazan no desenvolvimento da atuação moderna é inegável, principalmente por sua ligação com o método de atuação baseado nas ideias de Konstantin Stanislavski. No Actors Studio, ele ajudou a moldar uma geração inteira de atores que buscavam maior autenticidade emocional em suas performances. Entre os nomes que passaram por essa escola estão grandes estrelas como Marlon Brando, James Dean e Al Pacino, que adotaram esse estilo mais introspectivo e psicológico. Kazan acreditava que o ator deveria mergulhar profundamente em suas emoções para dar vida aos personagens, o que transformou radicalmente a forma de interpretar tanto no teatro quanto no cinema. Esse legado continua presente até hoje, influenciando atores e diretores em todo o mundo.

Apesar de seu sucesso artístico, a carreira de Elia Kazan também foi marcada por controvérsias, especialmente relacionadas ao período do Macarthismo nos anos 1950. Durante as investigações do Comitê de Atividades Antiamericanas, Kazan decidiu testemunhar e revelou nomes de colegas que haviam participado de atividades ligadas ao comunismo. Essa atitude gerou fortes críticas e dividiu opiniões dentro da comunidade artística, com muitos considerando sua decisão uma traição. Outros, porém, argumentam que suas escolhas foram influenciadas pelo contexto político da época, marcado por forte pressão e medo. Esse episódio acabou manchando sua reputação para alguns, mas não apagou o impacto de sua obra no cinema e no teatro.

Mesmo com as polêmicas, Elia Kazan permaneceu uma figura central na história das artes cênicas, recebendo diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua vida, incluindo um Oscar honorário em 1999 pelo conjunto de sua obra. Sua filmografia e suas contribuições ao teatro continuam sendo estudadas como exemplos de excelência artística e inovação. Kazan faleceu em 2003, aos 94 anos, deixando um legado complexo, porém extremamente relevante. Sua capacidade de contar histórias intensas, explorar a psicologia humana e transformar a atuação moderna o coloca entre os maiores diretores de todos os tempos. Ao analisar sua trajetória, é possível perceber que sua importância vai muito além de suas obras, abrangendo também sua influência duradoura na forma como o cinema e o teatro são concebidos e interpretados até hoje.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Mayerling

Mayerling
Um filme extremamente interessante, cujo roteiro foi baseado em fatos históricos reais. O protagonista é um príncipe da Casa de Habsburgo chamado Rudolf (Omar Sharif). Filho do imperador Francisco José I da Áustria (James Mason) ele está na linha de sucessão para subir ao trono. Só que a jovem alteza foge dos padrões que se esperaria dele, de sua posição dentro da monarquia. Muito ligado em ideais liberais, ele chega ao ponto de se encontrar com membros da resistência húngara, que deseja a independência de sua nação, algo que vai contra os interesses diretos de seu pai. Assim o relacionamento entre pai e filho é marcado por conflitos políticos e também pessoais.

O príncipe acaba se apaixonando por uma jovem, filha de um diplomata. Rudolf conhece Maria Vetsera (Catherine Deneuve) durante a apresentação de um balé e fica louco por ela. E qual seria o problema político envolvido nessa paixão? Muito simples, o príncipe já era casado, pai de uma filha. Um relacionamento extraconjugal seria um escândalo dentro da corte austríaca, muito católica e conservadora. Diante de mais esse deslize do filho, o imperador fica furioso e começa a fazer de tudo para que o romance chegue ao seu fim. O desfecho de toda essa novela acabaria resultando numa grande tragédia.

A morte precoce de Rudolf iria desencadear uma série de problemas históricos. Ele era o único na linha de sucessão ao trono. Sua morte até hoje é cercada de mistérios (que o filme não desenvolve, pois abraça a versão oficial) e iria ser o começo de uma série de problemas políticos que iriam eclodir na explosão da I |Guerra Mundial. O roteiro do filme porém não vai tão longe, preferindo contar a história de amor entre o príncipe e sua amante. Um detalhe curioso é que ele era o filho da imperatriz Sissi, tão conhecida dos cinéfilos por uma série de filmes clássicos. Quem a interpreta nesse filme é a diva Ava Gardner. Assim se você gosta dos filmes sobre Sissi não deixe de assistir também a essa excelente produção histórica. Afinal é um complemento aos outros filmes, mostrando Sissi numa fase mais madura de sua vida. Envelhecida e desiludida, ela é apenas um sombra da imperatriz que um dia foi. Em suma, esse é um ótimo filme histórico que explora muito bem o momento em que as velhas monarquias chegavam ao seu fim.

Mayerling (Inglaterra, França, 1968) Direção: Terence Young / Roteiro: Terence Young, baseado no romance escrito por Claude Anet e Michel Arnold / Elenco: Omar Sharif, Catherine Deneuve, Ava Gardner, James Mason / Sinopse: O imperador Francisco José I (James Mason) precisa lidar com um filho nada convencional, o príncipe Rudolf (Omar Sharif). Agora as coisas pioram pois ele se declara apaixonado pela jovem Maria Vetsera (Catherine Deneuve), mesmo sendo um homem casado e sucessor ao trono real. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em língua inglesa.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Doutor Jivago

Doutor Jivago
O filme Doutor Jivago (Doctor Zhivago) foi lançado em 22 de dezembro de 1965, dirigido por David Lean e estrelado por Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay. Baseado no romance de Boris Pasternak, o filme acompanha a vida de Yuri Jivago, um médico e poeta sensível que vive na Rússia durante um período de profundas transformações sociais e políticas, incluindo a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Ao longo de sua trajetória, Yuri se divide entre sua esposa Tonya e sua paixão por Lara, uma mulher que também enfrenta seus próprios dramas pessoais. A narrativa mistura romance, drama histórico e reflexão filosófica, explorando o impacto dos grandes eventos históricos na vida de indivíduos comuns. O filme se destaca por sua grandiosidade visual e pela forma como retrata o sofrimento humano em meio ao caos político. A relação entre Yuri e Lara é o coração emocional da história. A obra também aborda temas como destino, amor, perda e sobrevivência. Assim, Doutor Jivago se apresenta como um épico romântico de grande escala.

Quando foi lançado, Doutor Jivago recebeu uma recepção crítica mista, especialmente entre críticos americanos. O The New York Times elogiou a grandiosidade da produção, mas afirmou que o filme era “mais impressionante visualmente do que emocionalmente envolvente”. Já o Los Angeles Times destacou a direção de David Lean, afirmando que ele conseguiu criar “um espetáculo cinematográfico de rara beleza”. A revista Variety comentou que o filme era “um épico ambicioso, embora por vezes excessivamente longo e sentimental”. Muitos críticos elogiaram a fotografia e a recriação histórica, mas alguns consideraram o ritmo lento e a narrativa excessivamente melodramática. A performance de Omar Sharif foi bem recebida, sendo vista como sensível e contida. Por outro lado, alguns críticos questionaram o desenvolvimento dos personagens. A crítica, de maneira geral, reconheceu a qualidade técnica do filme, mas teve reservas quanto ao seu impacto emocional. Assim, a recepção inicial foi dividida, com elogios e críticas coexistindo.

Com o passar do tempo, a percepção crítica de Doutor Jivago se tornou mais positiva, especialmente em relação aos seus aspectos técnicos e sua força emocional. O filme foi indicado a 10 Oscars e venceu 5, incluindo Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora para Maurice Jarre, cuja música se tornou extremamente popular, especialmente o tema de Lara. A trilha sonora é considerada uma das mais memoráveis da história do cinema. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como um exemplo de grande cinema épico. A direção de David Lean foi reavaliada como uma das mais importantes de sua carreira. Muitos críticos passaram a valorizar mais o tom romântico e melancólico da narrativa. A construção visual e a escala da produção continuam sendo amplamente elogiadas. Assim, o filme conquistou um reconhecimento mais sólido ao longo dos anos. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

Do ponto de vista comercial, Doutor Jivago foi um enorme sucesso de bilheteria. O filme arrecadou mais de 110 milhões de dólares na época de seu lançamento, tornando-se uma das maiores bilheterias da década de 1960. Ajustado pela inflação, ele permanece entre os filmes mais lucrativos da história do cinema. O público respondeu de forma extremamente positiva ao romance épico e à grandiosidade visual do filme. A história de amor entre Yuri e Lara conquistou espectadores ao redor do mundo. O longa teve grande sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional. Exibições prolongadas nos cinemas contribuíram para seu desempenho financeiro. O filme também se tornou muito popular em reprises televisivas e no mercado doméstico. Assim, apesar da recepção crítica inicial dividida, o público abraçou o filme com entusiasmo. Seu sucesso comercial foi incontestável.

Atualmente, Doutor Jivago é amplamente considerado um dos grandes épicos românticos da história do cinema. O filme é frequentemente lembrado por sua fotografia deslumbrante e sua trilha sonora inesquecível. A história de amor trágica continua a emocionar novas gerações de espectadores. A direção de David Lean é vista como exemplar dentro do gênero épico. O filme também é reconhecido por sua representação da Rússia em um período turbulento. Críticos contemporâneos valorizam sua capacidade de equilibrar drama pessoal e contexto histórico. A atuação de Omar Sharif permanece como um dos pontos altos da obra. O longa é frequentemente incluído em listas de grandes clássicos do cinema. Dessa forma, sua reputação está plenamente consolidada. Doutor Jivago continua sendo uma referência no cinema mundial.

Doutor Jivago (Doctor Zhivago, Reino Unido / Estados Unidos, 1965) Direção: David Lean / Roteiro: Robert Bolt, baseado no romance de Boris Pasternak / Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay / Sinopse: Em meio às turbulências da Rússia revolucionária, um médico e poeta vive um intenso romance proibido que atravessa guerras, perdas e transformações sociais profundas.

Erick Steve. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

As Chaves do Reino

Título no Brasil: As Chaves do Reino
Título original: The Keys of the Kingdom
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Joseph L. Mankiewicz, John M. Stahl
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, Nunnally Johnson
Elenco: Gregory Peck, Thomas Mitchell, Vincent Price, Roddy McDowall, Edmund Gwenn, Peggy Ann Garner

Sinopse:
O filme conta a história do Padre Francis Chisholm (Gregory Peck). Assim que se ordena ele é enviado para uma missão na China. Suas ordens é de restaurar uma paróquia que foi destruída pela guerra. Ao chegar no distante país descobre que tudo está em ruínas e que colocar tudo em ordem novamente vai levar anos e anos. Ainda assim aceita esse grande desafio. Roteiro baseado no romance de grande sucesso escrito por de A.J. Cronin. 

Comentários:
Gregory Peck faz parte de um panteão de grandes atores da era clássica de Hollywood que jamais fez um filme medíocre em sua vida. O cinéfilo mais antigo já sabe, se no elenco estiver o nome de Peck, pode assistir sem qualquer receio. Vai ver um filme bom, com certeza. Esse é mais um deles. E o tema não deixa de ser espinhoso, mostrando a vida de um Padre tentando colocar novamente em pé uma paróquia católica em ruínas. Não vai ser algo fácil de realizar. Os chineses possuíam sua própria religiosidade, que nada tinha a ver com as doutrinas do catolicismo. Além de falta de seguidores ainda havia a desconfiança natural daquele povo contra estrangeiros em geral. Sua sorte é que acaba salvando a vida do filho de um poderoso Mandarim. Não com fé, mas com ciência, pois faz um tratamento contra uma infecção no garoto. Esse homem rico e influente acaba lhe ajudando a levantar uma nova igreja, um novo convento e tudo mais. Só que sempre há novos problemas surgindo no horizonte, um atrás do outro! Só com muita fé mesmo para resistir a tantas adversidades. Enfim, filme corajoso, muito bem atuado por todo um elenco acima da média e contando com a direção do mestre Joseph L. Mankiewicz. Realmente nada falta nesse grande filme do passado. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Filha da Pecadora

A Filha da Pecadora
O filme Desert Fury foi lançado em 1947, dirigido por Lewis Allen e estrelado por Jennifer Jones, John Hodiak, Lizabeth Scott, Burt Lancaster, Mary Astor e Wendell Corey. Ambientado em uma pequena cidade desértica de Nevada, o filme acompanha Paula Haller, filha de uma poderosa dona de cassino, que vive sob a forte influência da mãe. A chegada do misterioso Eddie Bendix, um homem com passado criminoso, desperta o interesse de Paula e provoca tensão na comunidade. Ao mesmo tempo, o leal xerife Tom Hanson observa com desconfiança os acontecimentos, tentando proteger Paula dos perigos que se aproximam. A narrativa mistura elementos de melodrama, romance e filme noir, explorando relações complexas e conflitos emocionais intensos. A atmosfera do deserto, capturada em cores vibrantes, contrasta com o clima sombrio da história. À medida que os segredos do passado de Eddie vêm à tona, a trama se torna mais densa e perigosa. Relações ambíguas e tensões latentes conduzem a história a um desfecho dramático. Assim, Desert Fury se destaca por sua combinação incomum de estilos e temas.

Quando foi lançado, Desert Fury recebeu uma recepção crítica mista, com elogios e críticas dividindo a opinião da imprensa americana. O The New York Times comentou que o filme possuía “uma narrativa curiosa, mas por vezes irregular em seu desenvolvimento”, destacando que a mistura de gêneros nem sempre funcionava plenamente. Já o Los Angeles Times elogiou a fotografia em Technicolor e a ambientação visual, afirmando que o filme “se destaca pelo uso impressionante das cores em um contexto geralmente associado ao preto e branco do noir”. A revista Variety apontou que o longa apresentava “um elenco forte, mas um roteiro que oscila entre o drama psicológico e o melodrama exagerado”. Muitos críticos reconheceram a tentativa de inovar ao combinar o estilo noir com cenários abertos e coloridos. No entanto, alguns consideraram que a narrativa carecia de maior coesão. A performance de Lizabeth Scott foi frequentemente elogiada por sua intensidade e presença. A crítica, de modo geral, viu o filme como uma experiência interessante, embora imperfeita. Assim, a recepção inicial refletiu tanto admiração quanto reservas.

A análise crítica continuou dividida, com algumas publicações destacando aspectos mais ousados do filme. A revista The New Yorker observou que o longa possuía “uma tensão emocional incomum para produções do gênero na época”. Muitos críticos também chamaram atenção para os subtextos presentes na relação entre certos personagens, algo que só seria mais amplamente discutido décadas depois. Embora o filme não tenha recebido grandes indicações a prêmios importantes como o Oscar, ele chamou atenção por sua abordagem estética diferenciada. A fotografia e o uso da cor foram frequentemente citados como elementos inovadores dentro do contexto do cinema noir. Com o passar dos anos, estudiosos começaram a reavaliar o filme sob uma nova perspectiva, reconhecendo sua originalidade. A combinação de melodrama, crime e tensão psicológica passou a ser vista como um experimento interessante dentro do cinema clássico de Hollywood. Dessa forma, o filme começou a ganhar uma reputação mais positiva entre críticos especializados. A reavaliação ajudou a destacar qualidades que haviam sido subestimadas em seu lançamento.

Do ponto de vista comercial, Desert Fury teve um desempenho moderado nas bilheterias. O filme conseguiu atrair público graças ao seu elenco estrelado e à popularidade de Jennifer Jones na época. No entanto, não alcançou o status de grande sucesso comercial. O público respondeu de maneira variada, com alguns espectadores apreciando o drama intenso e outros achando a narrativa excessivamente melodramática. A ambientação em Technicolor ajudou a diferenciar o filme de outros noirs do período, chamando atenção nas salas de cinema. Ao longo do tempo, o longa ganhou nova vida em exibições televisivas e no mercado doméstico. Muitos espectadores passaram a valorizar sua estética e atmosfera. Assim, embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria, o filme conseguiu manter sua relevância ao longo dos anos. Seu desempenho comercial pode ser considerado sólido, ainda que não extraordinário.

Atualmente, Desert Fury é visto como um filme cult dentro do cinema clássico de Hollywood. Críticos contemporâneos destacam sua ousadia estética e seus subtextos psicológicos como elementos que o diferenciam de outras produções da época. O filme é frequentemente citado como um exemplo de “noir em cores”, algo relativamente raro no período em que foi produzido. A atuação de Lizabeth Scott e a complexidade das relações entre os personagens são aspectos amplamente analisados. Estudos modernos também exploram as possíveis leituras simbólicas e emocionais da narrativa. A direção de Lewis Allen é reconhecida por sua capacidade de criar tensão em um ambiente visualmente luminoso. O filme passou a ser apreciado por sua singularidade dentro do gênero. Novas gerações de espectadores continuam descobrindo a obra. Dessa forma, Desert Fury conquistou um lugar especial entre os filmes cult do período clássico. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

A Filha da Pecadora (Desert Fury, Estados Unidos, 1947) Direção: Lewis Allen / Roteiro: Robert Rossen e Ethel Hill, baseado no romance Desert Town, de Ramona Stewart / Elenco: Jennifer Jones, John Hodiak, Lizabeth Scott, Burt Lancaster, Mary Astor e Wendell Corey / Sinopse: Em uma cidade do deserto, uma jovem se envolve com um homem de passado suspeito, desencadeando conflitos emocionais e perigos ocultos que revelam segredos e tensões entre os personagens.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma Vida Por um Fio

Quando o filme começa, Leona Stevenson (Barbara Stanwyck) está desesperada ao telefone tentando localizar o marido. Ele ficou de chegar em casa cedo, mas simplesmente desaparece. No trabalho ninguém tem notícias. Ela é a filha herdeira de um rico industrial do ramo de produtos químicos. Está sozinha em casa e por causa de uma doença no coração não consegue se locomover. Ligando para várias pessoas ela vai descobrindo que existe um plano... para matá-la! Com isso o desespero se espalha, ainda mais depois que descobre que há um invasor em sua bela mansão. É o assassino, chegando para colocar um fim em sua vida.

Eu poderia definir esse clássico "Sorry, Wrong Number" como um drama de suspense e crime. A história é bem sórdida, se formos analisar bem. Há essa mulher rica, que decidiu por capricho se casar com um homem pobre, interpretado pelo ótimo Burt Lancaster. É um sujeito sem grandes valores pessoais. Embora diga que quer vencer na vida por seus próprios méritos, não pensa muito antes de entrar numa jogada criminosa, onde passa a roubar a fábrica de seu próprio sogro. Pior do que isso, ele descobre que há um seguro de vida de alguns milhões de dólares no nome de sua esposa. Se ela morrer, ele ficará milionário. Então juntando todos os pontos temos o ambiente ideal para o surgimento de um plano de assassinato.

Barbara Stanwyck está maravilhosa em sua atuação. Deitada a maior parte do filme em uma cama, com joias e cercada de todo o luxo, ela percebe que na verdade está no centro de um plano criminoso, onde ela é a principal vítima. Por esse trabalho ela foi indicada ao Oscar naquele ano. Já Burt Lancaster, que fez toda a sua carreira interpretando mocinhos e heróis, aqui surge como um mau caráter, um homem de valores vis, que só pensa em ficar rico, nem que para isso precise matar a própria esposa. Enfim, sordidez para todos os lados nesse grande filme clássico. Simplesmente imperdível.

Uma Vida Por um Fio (Sorry, Wrong Number, Estados Unidos, 1948) Direção: Anatole Litvak / Roteiro: Lucille Fletcher / Elenco: Barbara Stanwyck, Burt Lancaster, Ann Richards, Wendell Corey / Sinopse: Leona Stevenson (Barbara Stanwyck) é a rica herdeira que fica em casa, sozinha e sem ter como se locomover, por causa de uma doença no coração. A única coisa que tem para se comunicar com as pessoas é um telefone ao lado da cama. E sua casa acaba de ser invadida por um assassino profissional. Estaria seu marido por trás desse crime? Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor atriz (Barbara Stanwyck).

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Elizabeth Taylor - Texto III

É interessante notar que Liz Taylor foi amiga de praticamente todos os grandes ídolos do cinema de sua época. Nutria sincera amizade com James Dean, Marlon Brando e Rock Hudson. Era de fato uma pessoa mestre em transformar colegas de trabalho em amigos próximos de longa data. Com Montgomery Clift não foi diferente. Clift foi um dos vértices da trindade sagrada de atores dos anos 1950, formada ainda por Brando e Dean. Se diferenciava deles por ter uma personalidade muito mais reservada, torturada e gentil. Enquanto Dean era associado com delinquentes juvenis e Brando encarnava toda a rebeldia rude de seu tempo, Clift era discreto, tímido e muito na dele. O que ligava os três atores era o fato de serem considerados os mais promissores atores jovens de sua geração, além de possuírem um talento nato lapidado no Actors Studio de Nova Iorque.

A amizade de Montgomery Clift com Elizabeth Taylor foi longa e muito verdadeira. Isso porque não demorou muito para Liz se colocar na posição de conselheira pessoal e íntima de Clift, algo que os anos provariam não seria nada fácil. Monty tinha muitos problemas emocionais em sua vida privada. Não conseguia se acertar com nenhuma garota por longo tempo (o que daria origem a infundadas fofocas de que era gay) e tampouco conseguia superar seus problemas de alcoolismo e depressão. O relacionamento com o pai também era fonte de vários problemas. O estilo refinado e educado do ator também lhe trazia algumas dificuldades de relacionamento na terra do exibicionismo barato que era Hollywood.

Segundo várias biografias no começo de tudo Montgomery Clift realmente deu vazão a uma paixão platônica em relação a Elizabeth Taylor. Isso ficou bem evidente no set de filmagens de "Um Lugar ao Sol". Não é de se admirar pois Liz e Clift era jovens radiantes, estavam subindo os degraus do Olimpo em Hollywood e viviam negando para a imprensa que havia um romance entre eles. De fato não havia, muito por causa da falta de coragem por parte de Clift em avançar o sinal e tentar algo com sua parceira de cena. Liz poderia ceder, mas ela tinha uma personalidade tão ofuscante que Clift se viu na sombra dela rapidamente. Para não perder sua amizade resolveu não arriscar. Afinal de contas se tentasse consumar um romance com ela e não desse certo, certamente perderia sua amizade.

Com o passar dos anos Montgomery Clift foi ficando cada vez mais absorvido em si mesmo, em seus problemas. Liz foi testemunhando sua queda lentamente. Mesmo assim resolveu ficar o mais perto possível do ator, tentando colocar ele de volta ao bom caminho. E foi justamente após uma festa em sua casa que Clift sofreu um terrível acidente de carro, por estar dirigindo completamente embriagado. O acidente deformou parte de seu rosto e praticamente destruiu sua carreira em Hollywood. Foi justamente Liz que tentou escalar Clift em vários filmes seus após esse acidente, justamente para que ele não ficasse desempregado e nem deprimido em sua casa.

Esse ato fez com que Montgomery Clift ficasse tão próximo a ela que mais parecia um irmão mais jovem da atriz. Infelizmente nada disso evitou a morte precoce de Montgomery Clift em julho de 1966 em Nova Iorque. Ele tinha apenas 45 anos mas uma vida de excessos havia cobrado seu preço e Monty mais parecia um velho ao morrer. Tinha fortes dores de cabeça em decorrência da batida de seu carro e tentava controlar tudo com forte medicação e muita bebida. Essa mistura explosiva acabou com o restante de sua saúde. Para Clift a morte acabou sendo um alívio de seus demônios pessoais. A tragédia deixou a atriz abalada e ela procurou resumir o amigo de uma forma bem carinhosa ao se referir a ele como "uma alma bondosa e terna".

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Marilyn Monroe - Texto III

O Casamento com Arthur Miller 
Quando a imprensa descobriu que Marilyn Monroe e Arthur Miller tinham um caso amoroso um jornalista escreveu que era a combinação perfeita entre um cérebro privilegiado e o corpo mais desejado da América. Miller realmente era um grande intelectual, mas sua fama na literatura jamais conseguiu ofuscar o mito de Marilyn. Miller se tornou conhecido com a publicação de "A Morte do Caixeiro Viajante", um texto celebrado até os dias de hoje. Marilyn tinha esperanças de ser feliz ao seu lado, mas o casamento não deu certo. Ela morreria de uma overdose acidental de pílulas aos 36 anos. Ele teve uma vida longa, morrendo apenas aos 89 anos. Sua carreira estava destruída e segundo os principais críticos de sua obra jamais conseguiu escrever nada de importante após a morte de Marilyn. Assim completava-se a triste sina na vida de Norma Jean Baker. Ela jamais conseguiria ser feliz em sua vida amorosa. Filha de um relacionamento obscuro, onde nunca conseguiu saber direito quem havia sido seu pai, com uma mãe esquizofrênica, Marilyn não teve uma vida fácil. Na verdade ela foi muito dura. A atriz cresceu em uma série de lares adotivos. Entre uma família ou outra sempre retornava para o orfanato californiano onde viveu grande parte de sua infância.

Quando tinha apenas 16 anos a "mãe" adotiva de ocasião lhe arranjou um casamento sem amor com um rapaz que morava no bairro. Marilyn não o amava, porém não havia outro jeito ou outro caminho a se seguir. A única boa coisa era que o marido era marinheiro e passava longos períodos distantes de casa. Isso trouxe uma certa independência para Marilyn que aproveitou sua ausência para quem sabe ir atrás de seu velho sonho de ser atriz. Ela foi descoberta por um fotógrafo quando trabalhava numa fábrica. Virou a garota do calendário e depois resolve ir embora de vez, para Hollywood, para tentar arranjar emprego na indústria de filmes de Los Angeles. Era mais uma mocinha em busca do sonho de ser uma estrela. Marilyn conseguiu. Ficou famosa, namorou homens desejados e ganhou bastante dinheiro. A felicidade porém não veio. Durante muito tempo ela não foi levado à sério como atriz, mas sim como uma loira burra gostosona com talento para comédias. Marilyn porém queria mais. Ela queria se reconhecida como boa atriz. Assim foi embora para Nova Iorque estudar no famoso Actors Studio que era dirigido por Lee Strasberg, o gênio da arte de atuar.

Foi em Nova Iorque, respirando e convivendo com a classe intelectual artística da cidade que conheceu o escritor Arthur Miller. Marilyn que procurava por cultura e sabedoria viu tudo isso em Miller. Ele era um homem respeitado, vencedor do prêmio Pulitzer. Embora fosse casado Marilyn investiu em sua nova paixão. Depois de um namoro um tanto desajeitado, finalmente se casaram em 1956. Marilyn achava que seu novo marido parecia muito com Lincoln, que ela idolatrava. Obviamente que o casamento enlouqueceu a imprensa. Todos queriam entender essa estranha atração entre o homem das letras e a garota bonita das telas. O dramaturgo ficou no centro da atenção e começou a ser cortejado também pelos grandes estúdios de Hollywood. Ele certamente não seria o primeiro escritor a virar um roteirista de sucesso.

O casamento parecia perfeito nos jornais e revistas, mas a realidade era bem outra. Miller queria que Marilyn se dedicasse a ser uma esposa em tempo integral, que deixasse um pouco a badalação da capital do cinema em prol de uma vida caseira e dedicada ao lar. Nessa época Miller disse a Marilyn que ela deveria ser acima de tudo sua esposa, deixando a fama de lado. Claro que não deu certo. Marilyn jamais deixaria seu sonho de lado por nenhum homem. Ela foi para a Inglaterra filmar ao lado do grande Laurence Olivier. Com sérios problemas envolvendo pílulas e drogas as filmagens foram caóticas. Marilyn começou a tratar mal seu marido Arthur Miller, o destratando na frente de todos. Aos poucos também foi perdendo o interesse por ele. Marilyn estava sempre o chamado de ser "um chato" e que nunca saía para se divertir. Mesmo tendo ficado ao seu lado durante a "Ameaça Vermelha", Marilyn já não encontrava nada de interesse em seu esposo.

Não demorou muito e ela começou a humilhar Miller durante as filmagens. O diretor John Huston disse que durante as filmagens de "Os Desajustados" Miller não parecia nada muito além do que seu carregador de malas. O casal até tentou consertar as coisas, comprando uma bela casa de campo em Connecticut, mas ela não conseguia mais passar muito tempo ao seu lado. Marilyn também não colaborava pois estava bebendo como nunca e tomando pílulas na mesma proporção. Ela também começou a ter relacionamentos fora do casamento. Se envolveu com o ator Yves Montand e depois se apaixonou perdidamente pelo presidente JFK. Miller não tinha chances de competir com esses homens. Logo foi deixado de lado, como a uma mala velha. Em pouco tempo ela resolveu o colocar para fora de casa e depois pediu o divórcio. Achava insuportável viver mais alguns anos com Miller de novo. Ele era naquela altura de sua vida apenas um chato enfadonho.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Marlon Brando - Parte 3

"Sindicato de Ladrões" foi de certa maneira uma forma que o diretor Elia Kazan encontrou de se justificar aos seus colegas de profissão após ter dedurado uma série de profissionais do cinema e teatro para o comitê de atividades anti americanas. Parte dessas pessoas tinham participado do Partido Comunista americano e isso era algo muito sério naquela época. Para escapar da prisão ou talvez até mesmo de ser banido de Hollywood, Kazan resolveu entregar todos aqueles que ele sabia serem membros do Partido. Obviamente que aquilo tudo pegou muito mal e da noite para o dia Kazan passou a ser um nome a ser evitado. Como contornar uma situação dessas? A resposta caiu no colo de Kazan poucas semanas depois.

No roteiro desse filme também havia um sujeito que fora forçado pela situação para entregar os nomes de pessoas que tinham se envolvido em esquemas de corrupção. Quando Marlon Brando foi convidado para o papel de Terry Malloy ele imediatamente disse não, mas depois acabou sendo convencido que seria mais uma boa oportunidade de realizar um grande filme - e isso era a mais absoluta verdade. As filmagens se concentraram entre Nova Iorque e Hoboken, New Jersey e foram muito duras. Com baixas temperaturas, Brando precisou aprender parte da manha dos trabalhadores braçais do porto da cidade. Acabou fazendo amizades entre eles e em pouco tempo estava completamente à vontade em seu papel.

Por ser uma obra delicada que serviria a um propósito maior, Kazan queria seguir o script à risca, mas isso definitivamente não aconteceria com Marlon Brando no elenco. Numa cena com Rod Steiger e ele, o diretor sugeriu uma determinada situação de confronto no banco de trás de um carro. Brando achou que duas pessoas tão próximas como eram os personagens deles nunca se tratariam daquele jeito e por isso sugeriu mudanças. Ao invés de acontecer uma luta insana e feroz, o personagem de Brando apenas olharia com rosto chocado quando Steiger lhe apontasse uma arma. Era uma reação mais natural. Após um longo combate criativo Kazan finalmente se convenceu que Brando estava mesmo com a razão. Para Brando a resposta positiva por parte de Kazan confirmava o que ele pensava do diretor: que ele era de fato um dos cineastas mais brilhantes da história de Hollywood. Por seu engajamento no filme e principalmente por sua ótima atuação, Brando mais uma vez acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Hoje em dia, depois que Brando recusou seu Oscar por "O Poderoso Chefão", todos conhecem a extrema ojeriza que o ator sentia pela Academia, mas naquela época, ainda um jovem talento em ascensão, Brando decidiu que compareceria à premiação. Para sua surpresa seu nome foi anunciado e ele, pela primeira vez em sua carreira, seria premiado com a estatueta mais cobiçada do cinema americano. Usando um comportado terno, todos sorrisos, Brando subiu ao palco e recebeu seu Oscar das mãos de uma princesa, Grace Kellly. Estaria o mais famoso selvagem de Hollywood devidamente domado? Pelo menos naquela noite memorável sim. Brando foi um perfeito gentleman. Agradeceu até emocionado pelo reconhecimento e depois fez um discurso bem nos moldes que todos esperavam, sem atropelos ou escândalos. Anos depois o Oscar de Brando foi parar numa casa de leilões. Em seu livro o ator reconheceu não se lembrar mais onde ele havia ido parar, mas depois de um ou dois minutos admitiu que o havia dado de presente - só não lembrava direito a quem! Imagine, o prêmio mais desejado de Hollywood indo parar nas mãos de qualquer um... enfim, coisas de Marlon Brando...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Outra Aurora

Título no Brasil: Outra Aurora
Título Original: Another Dawn
Ano de Lançamento: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: William Dieterle
Roteiro: Laird Doyle, Casey Robinson
Elenco: Errol Flynn, Kay Francis, Ian Hunter, Friedrich von Ledebur, J. Carrol Naish, Henry O'Neill

Sinopse:
Ambientado em uma região desértica sob domínio colonial britânico, o filme acompanha Julia Ashton, uma mulher que vive um casamento sem amor com um oficial militar. Durante uma viagem, ela conhece o oficial Terence Dillon, por quem se apaixona intensamente. No entanto, o destino a leva a descobrir que Dillon é amigo próximo de seu marido, criando um triângulo amoroso marcado por culpa, dever e paixão. Em meio ao ambiente hostil do deserto e às tensões sociais e militares, os personagens enfrentam dilemas morais que colocam à prova seus valores e lealdades.

Comentários:
Lançado em 1937, Another Dawn recebeu críticas positivas na época, com destaque para a química entre Errol Flynn e Kay Francis. O jornal The New York Times elogiou a atmosfera exótica e o tom dramático da narrativa, enquanto a revista Variety destacou a produção sofisticada e o apelo romântico do filme. Comercialmente, o filme teve bom desempenho e ajudou a consolidar Errol Flynn como um dos grandes astros da Warner Bros. nos anos 1930, embora não tenha alcançado o mesmo nível de popularidade de seus filmes de aventura. Ao longo dos anos, Outra Aurora passou a ser lembrado como um elegante drama romântico da era clássica de Hollywood, valorizado por sua ambientação e pelo estilo refinado de direção. Hoje, é visto como uma obra representativa do cinema romântico e dramático da década de 1930.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Por Quem os Sinos Dobram

Título no Brasil: Por Quem os Sinos Dobram
Título Original: For Whom the Bell Tolls
Ano de Lançamento: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sam Wood
Roteiro: Dudley Nichols
Elenco: Gary Cooper, Ingrid Bergman, Akim Tamiroff, Katina Paxinou, Arturo de Córdova, Joseph Calleia

Sinopse:
Ambientado durante a Guerra Civil Espanhola, o filme acompanha Robert Jordan, um professor americano que se junta às forças republicanas como especialista em explosivos. Sua missão é destruir uma ponte estratégica para impedir o avanço das tropas inimigas. Durante a operação, ele se integra a um grupo de guerrilheiros e conhece Maria, uma jovem marcada pelos horrores da guerra, por quem se apaixona profundamente. Enquanto o prazo da missão se aproxima, Jordan precisa lidar com conflitos internos no grupo, o perigo constante e a certeza de que seu destino pode estar selado. A história combina romance, ação e drama em meio a um dos conflitos mais intensos do século XX.

Comentários:
Lançado em 1943, For Whom the Bell Tolls foi amplamente elogiado pela crítica e recebeu várias indicações ao Oscar. A atuação de Ingrid Bergman foi especialmente destacada, rendendo-lhe uma indicação ao prêmio, enquanto Katina Paxinou venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O jornal The New York Times elogiou a grandiosidade da produção e a força emocional da narrativa, baseada no romance de Ernest Hemingway. O filme também foi um grande sucesso de público, consolidando-se como uma das produções mais importantes da década de 1940. Ao longo dos anos, Por Quem os Sinos Dobram passou a ser considerado um clássico do cinema de guerra e romance, lembrado pela química entre Gary Cooper e Ingrid Bergman e pela forma como retrata os dilemas humanos em tempos de conflito. Hoje, permanece como uma adaptação respeitada da obra de Hemingway e uma referência do cinema clássico de Hollywood

Erick Steve. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Robert Taylor

Robert Taylor
Robert Taylor foi um dos grandes astros de Hollywood durante as décadas de 1930, 1940 e 1950, conhecido por sua aparência elegante, presença marcante e versatilidade em diferentes gêneros cinematográficos. Ele nasceu em 5 de agosto de 1911, na cidade de Filley, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, com o nome de Spangler Arlington Brugh. Filho de um médico, Taylor teve uma educação relativamente confortável e demonstrou interesse por artes desde jovem, especialmente música, chegando a estudar violoncelo. No entanto, foi durante seus estudos universitários que ele começou a se interessar pela atuação, participando de peças teatrais que chamaram a atenção de agentes de talentos. Sua mudança para Hollywood ocorreu no início da década de 1930, quando assinou contrato com o poderoso estúdio Metro-Goldwyn-Mayer, que rapidamente percebeu seu potencial como galã.

Sua ascensão ao estrelato foi rápida, especialmente após seu papel no filme Magnificent Obsession (1935), ao lado de Irene Dunne, que consolidou sua imagem como protagonista romântico. Durante os anos seguintes, Robert Taylor tornou-se um dos principais rostos da MGM, participando de diversos filmes de sucesso e trabalhando ao lado de grandes atrizes da época. Entre seus trabalhos mais notáveis está o clássico Camille (1936), no qual contracenou com Greta Garbo, uma das maiores estrelas do cinema mundial. Ao longo de sua carreira, Taylor demonstrou capacidade de atuar tanto em dramas românticos quanto em filmes históricos e aventuras. Um de seus papéis mais lembrados foi no épico medieval Ivanhoe (1952), onde interpretou o herói do título, consolidando sua popularidade junto ao público internacional.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Robert Taylor interrompeu temporariamente sua carreira cinematográfica para servir nas forças armadas dos Estados Unidos. Ele atuou principalmente como instrutor de voo e participou da produção de filmes de treinamento militar, contribuindo para o esforço de guerra. Após o conflito, Taylor retornou a Hollywood e passou a diversificar ainda mais seus papéis, buscando personagens mais maduros e complexos. Na década de 1950, ele se destacou especialmente em filmes do gênero faroeste, que estavam em grande popularidade naquele período. Sua presença nesses filmes ajudou a consolidar sua imagem como um ator versátil, capaz de se adaptar às mudanças da indústria cinematográfica e às preferências do público.

Além de sua carreira no cinema, Robert Taylor também teve uma vida pessoal bastante comentada. Ele foi casado com a atriz Barbara Stanwyck, uma das maiores estrelas de Hollywood, em um relacionamento que durou de 1939 a 1952. Posteriormente, casou-se com Ursula Thiess, com quem teve filhos. Ao longo de sua vida, Taylor também se envolveu em questões políticas, especialmente durante o período da Guerra Fria, quando participou de investigações relacionadas à influência comunista em Hollywood, um tema controverso na história do cinema americano. Apesar dessas polêmicas, sua carreira artística continuou sólida, e ele manteve seu status de estrela por muitos anos, tanto no cinema quanto na televisão.

Robert Taylor faleceu em 8 de junho de 1969, aos 57 anos, vítima de câncer de pulmão. Seu legado permanece importante na história do cinema clássico de Hollywood, sendo lembrado como um dos grandes galãs da chamada “Era de Ouro” dos estúdios. Sua filmografia inclui dezenas de produções que marcaram época e continuam sendo apreciadas por fãs de cinema até hoje. Taylor representou um tipo de ator que combinava carisma, elegância e profissionalismo, características que o tornaram um dos nomes mais duradouros de sua geração. Ao longo das décadas, seu trabalho contribuiu para definir o estilo e o glamour do cinema hollywoodiano clássico, garantindo-lhe um lugar de destaque na memória cultural do século XX.

Erick Steve. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Os Cavaleiros da Távola Redonda

Título no Brasil: Os Cavaleiros da Távola Redonda
Título Original: Knights of the Round Table
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Thorpe
Roteiro: Talbot Jennings, Jan Lustig
Elenco: Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, Anne Crawford, Stanley Baker, Felix Aylmer

Sinopse:
Na idade Média o jovem plebeu Arthur consegue retirar a espada Excalibur de uma rocha. Assim se torna o Rei da Inglaterra. Ao lado de Merlin ele começa a reinar. Forma um grupo de valentes cavaleiros e entrenta os desafios de ser o monarca de um dos reinos mais importantes da Europa. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção de arte e melhor som.

Comentários:
Produção luxuosa da Metro que se propõe a contar a lendária história do Rei Arthur. O estúdio não mediu esforços e realmente disponibilizou uma produção digna dessa figura mitológica da cultura britânica. Dessa forma o filme apresenta bem elaborados cenários, figurino luxuoso e bastente colorido e cenas de excelente nível técnico. O interessante é que o filme acabou sendo "roubado" pela atuação da atriz Ava Gardner. Ela interpreta Guinevere e rouba a cena com uma sensualidade à flora da pele. Coloca Arthur como coadjuvante e torna seu romance com o cavaleiro Lancelot, o grande interesse do filme como um todo. Definitivamente Robert Taylor não está à altura de sua partner em cena. Hoje em dia o filme surpreende por ser ultra colorido. Não apenas na direção de fotografia, mas também nas roupas dos atores. E o mais curioso de tudo é que isso é exatamente o que faziam os nobres na Idade Média. Quanto mais colorida fosse sua roupa, mas ele esbanjava sinais de poder e riqueza. Dessa maneira, por uma dessas ironias do destino, o filme que hoje pode ser encarado até mesmo como algo meio exagerado, na realidade apenas mostra como as pessoas da época se vestiam de fato. No mais a impressão que fica é a de que assistimos a um filme que é, acima de tudo, bonito de se ver.

Pablo Aluísio.

Um Yankee em Oxford

Título no Brasil: Um Yankee em Oxford
Título Original: A Yank at Oxford
Ano de Lançamento: 1938
País: Reino Unido
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Jack Conway
Roteiro: George Oppenheimer, John Monk Saunders
Elenco: Robert Taylor, Lionel Barrymore, Maureen O'Sullivan, Vivien Leigh, Edmund Gwenn, Griffith Jones

Sinopse:
A história acompanha Lee Sheridan, um jovem e talentoso atleta americano que recebe uma bolsa de estudos para estudar na prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra. Acostumado ao estilo competitivo e direto dos esportes universitários dos Estados Unidos, Sheridan encontra dificuldades para se adaptar às tradições e à disciplina do ambiente acadêmico britânico. Seu comportamento arrogante e impulsivo acaba gerando conflitos com colegas e professores, colocando em risco sua permanência na universidade. Ao mesmo tempo, ele se envolve em um romance com uma jovem inglesa, o que contribui para sua transformação pessoal. A narrativa acompanha o processo de amadurecimento do protagonista enquanto ele aprende a lidar com respeito, amizade e espírito esportivo.

Comentários:
Quando foi lançado em 1938, A Yank at Oxford foi bem recebido pelo público e pela crítica. O jornal The New York Times destacou o charme da produção e o carisma de Robert Taylor no papel principal, além de elogiar a ambientação convincente no universo acadêmico de Oxford. A presença de Vivien Leigh, ainda no início de sua carreira internacional, também chamou atenção, especialmente porque ela se tornaria uma das maiores estrelas de Hollywood pouco tempo depois ao protagonizar Gone with the Wind (1939). Comercialmente, o filme teve um desempenho sólido e ajudou a fortalecer a presença da Metro-Goldwyn-Mayer no cinema britânico da época. Hoje Um Yankee em Oxford é lembrado como um agradável drama esportivo e universitário da era clássica de Hollywood, além de ser visto como um registro interessante de um momento inicial da carreira de Vivien Leigh antes de sua consagração internacional.

Pablo Aluísio.