sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Almas Rebeldes

Título no Brasil: Almas Rebeldes
Título Original: Strange Cargo
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Frank Borzage
Roteiro: John Lee Mahin, Richard Sale
Elenco: Clark Gable, Joan Crawford, Ian Hunter, Peter Lorre, Paul Lukas, J. Edward Bromberg

Sinopse:
Um grupo improvável de prisioneiros foge de uma colônia penal em uma ilha tropical, liderado pelo cínico Verne (Gable). Durante a fuga, eles conhecem Julie, uma mulher marcada por seu passado, e Cambreau, um misterioso forasteiro cuja presença desperta reflexões morais e espirituais. À medida que enfrentam perigos naturais e humanos, a jornada se transforma em um caminho de redenção, fé e confronto interior.

Comentários:
O filme reúne novamente Clark Gable e Joan Crawford, uma das parcerias mais famosas da Hollywood clássica. Dirigido por Frank Borzage, conhecido por seu estilo romântico e espiritual, o longa aborda temas de redenção e transcendência. Peter Lorre entrega uma atuação memorável como um dos fugitivos, acrescentando ambiguidade moral à história. A figura de Cambreau foi interpretada por muitos críticos como uma alegoria religiosa, o que gerou controvérsia na época. A produção enfrentou problemas com a censura, que considerou o conteúdo espiritual e moral “ousado” para os padrões do período. Hoje, Strange Cargo é visto como um dos filmes mais profundos e subestimados da carreira de Clark Gable.

Christian De Bella.

Em Cartaz: Almas Rebeldes
O drama Strange Cargo estreou nos cinemas em junho de 1940, dirigido por Frank Borzage e estrelado por Clark Gable e Joan Crawford, dois dos maiores astros da MGM naquele período. Ambientado em uma colônia penal na Guiana Francesa, o filme acompanha um grupo de prisioneiros fugitivos liderados por um criminoso cínico que, durante a jornada, entra em contato com um misterioso personagem de natureza quase espiritual. O longa surpreendeu desde o lançamento por seu tom filosófico e religioso, incomum para um drama de aventura estrelado por Gable.

Do ponto de vista da bilheteria, Strange Cargo teve um desempenho apenas moderado. Embora tenha contado com grandes estrelas e produção da MGM, o filme não alcançou os números esperados para um veículo de Clark Gable, especialmente quando comparado a sucessos mais convencionais do ator. A temática abstrata e o simbolismo religioso limitaram seu apelo junto ao grande público, fazendo com que o filme fosse visto mais como uma obra de prestígio artístico do que como um sucesso popular imediato.

A reação da crítica em 1940 foi dividida, refletindo o caráter incomum da produção. O The New York Times, em crítica assinada por Bosley Crowther, descreveu o filme como “estranho, sombrio e impregnado de simbolismo místico”, observando que a obra se afastava radicalmente do realismo esperado em um drama de prisão. Embora o jornal reconhecesse a força visual e a atmosfera criada por Borzage, também apontava que o significado espiritual do filme poderia confundir parte da audiência.

Outras publicações reagiram de forma igualmente ambígua. A revista Variety comentou que Strange Cargo era “ousado e incomum para os padrões de Hollywood”, elogiando a fotografia e a intensidade dramática, mas advertindo que o filme não seguia uma narrativa tradicional. Alguns jornais regionais foram mais críticos, classificando a obra como “pesada e excessivamente alegórica”, enquanto outros destacaram a coragem do estúdio em lançar um filme tão pouco convencional em um período dominado por entretenimento escapista.

Com o passar dos anos, Strange Cargo passou por uma reavaliação crítica significativa, sendo hoje visto como uma das obras mais pessoais e espirituais de Frank Borzage. As críticas publicadas em 1940 já indicavam que o filme não buscava agradar facilmente, mas provocar reflexão. Atualmente, ele é considerado um clássico cult do cinema americano, lembrado por seu simbolismo ousado, pela atuação contida de Clark Gable e por representar um raro exemplo de cinema metafísico produzido dentro do sistema dos grandes estúdios de Hollywood.

3 comentários:

  1. Perdi completamente e vontade de ver qualquer filme com o Clark Gable, depois de divulgação de certos detalhes da sua vida privada

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  2. Certamente. Coisa pesadas foram reveladas nos últimos anos sobre ele, inclusive não reconhecimento de paternidade, abuso psicológico e até abuso sexual. Fatos que acabam, se confirmados, com qualquer biografia.

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