Marlon Brando e o Sindicato de Ladrões
Sindicato de Ladrões (On the Waterfront) foi lançado em 28 de julho de 1954 e é dirigido por Elia Kazan, reunindo um elenco liderado por Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden e Lee J. Cobb. Ambientado nos cais de Nova York, o filme mergulha no cotidiano brutal dos estivadores controlados por um sindicato corrupto e violento. A narrativa acompanha Terry Malloy, um ex-pugilista que trabalha no porto e vive sob a influência de chefes sindicais que exploram os trabalhadores por meio do medo e da coerção. O ponto de partida da história se dá quando Terry se envolve, ainda que indiretamente, em um episódio de violência que o obriga a confrontar sua própria consciência. A partir desse conflito inicial, o filme constrói um retrato intenso sobre culpa, silêncio, lealdade e a difícil escolha entre a sobrevivência individual e a responsabilidade moral coletiva.
No momento de seu lançamento, Sindicato de Ladrões foi recebido com aclamação quase imediata pela crítica americana. O The New York Times destacou a atuação de Marlon Brando como “extraordinariamente natural e dolorosamente humana”, afirmando que o ator havia redefinido o realismo dramático no cinema americano. O jornal também elogiou a direção de Elia Kazan, ressaltando a maneira como o cineasta utilizava os cenários reais dos portos para reforçar a sensação de opressão e abandono social. Já o Los Angeles Times descreveu o filme como “um soco moral”, apontando que sua força residia na combinação entre denúncia social e drama pessoal.
A revista Variety classificou o longa como “uma obra poderosa e socialmente relevante”, elogiando o roteiro de Budd Schulberg por transformar uma questão sindical complexa em um drama acessível e emocionalmente devastador. O The New Yorker destacou a famosa cena do táxi entre Brando e Rod Steiger como uma das mais impactantes já vistas no cinema até então, afirmando que ali se condensava “toda a tragédia moral do personagem”. Embora alguns críticos tenham percebido subtextos políticos ligados ao contexto do macarthismo, a avaliação geral foi amplamente positiva, reconhecendo o filme como uma obra corajosa, intensa e artisticamente inovadora para sua época.
No aspecto comercial, Sindicato de Ladrões também apresentou um desempenho sólido. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 910 mil, o filme arrecadou aproximadamente US$ 9,6 milhões em bilheteria nos Estados Unidos, tornando-se um sucesso significativo para um drama social de tom pesado. O desempenho financeiro foi impulsionado tanto pelo boca a boca quanto pelo reconhecimento crítico e pelas indicações a prêmios. O longa manteve uma carreira prolongada nos cinemas e consolidou-se como uma produção lucrativa, especialmente considerando seu tema sério e sua abordagem realista, distante do entretenimento escapista dominante da época.
Com o passar das décadas, Sindicato de Ladrões passou a ser considerado um dos maiores filmes da história do cinema. Atualmente, figura com frequência em listas de melhores filmes americanos já realizados e é estudado em cursos de cinema, sociologia e história. A atuação de Marlon Brando é vista como um marco da atuação moderna, influenciando gerações de atores. O filme venceu oito Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, e hoje é reconhecido não apenas como um poderoso drama social, mas também como uma obra-chave para compreender o cinema americano do pós-guerra e suas tensões morais e políticas.
Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, Estados Unidos, 1954) Direção: Elia Kazan / Roteiro: Budd Schulberg (baseado em reportagens de Malcolm Johnson publicadas no New York Sun) / Elenco: Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Pat Henning / Sinopse: Um trabalhador dos portos enfrenta o domínio de um sindicato violento e corrupto, sendo forçado a escolher entre o silêncio cúmplice e a difícil decisão de agir conforme sua consciência.
Erick Steve.

Cinema Clássico
ResponderExcluirPablo Aluísio.