domingo, 31 de maio de 2026

Os Astros: Yul Brynner

Os Astros: Yul Brynner
Yul Brynner foi uma das figuras mais marcantes do cinema e do teatro do século XX. Dono de uma presença imponente, voz grave e aparência inconfundível, tornou-se um dos atores mais reconhecidos de sua geração. Nascido como Yuliy Borisovich Bryner em 11 de julho de 1920, na cidade de Vladivostok, na então Rússia, teve uma infância marcada por mudanças e dificuldades familiares. Após a separação dos pais, viveu em diferentes países, incluindo China e França, antes de se estabelecer nos Estados Unidos. Essa trajetória internacional contribuiu para a aura exótica e cosmopolita que o acompanharia ao longo de toda a carreira. Antes de se tornar ator, trabalhou como músico, cantor e até artista de circo. Sua vida foi tão fascinante quanto muitos dos personagens que interpretou nas telas.

O grande momento de sua carreira surgiu em 1951, quando foi escolhido para interpretar o rei do Sião no musical da Broadway The King and I. Para o papel, raspou a cabeça, uma decisão que acabaria se transformando em sua marca registrada para o resto da vida. O espetáculo tornou-se um enorme sucesso e Brynner conquistou elogios da crítica e do público. Sua interpretação era tão admirada que ele repetiu o papel milhares de vezes ao longo de mais de três décadas. Poucos atores na história ficaram tão identificados com um único personagem. O desempenho no palco abriu as portas para Hollywood e o transformou em uma estrela internacional. Sua figura elegante, autoritária e carismática tornou-se instantaneamente reconhecível em todo o mundo.

Em 1956, Brynner levou o personagem para o cinema no filme The King and I, uma adaptação que se tornaria um dos maiores musicais da história de Hollywood. Sua atuação lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, consagrando definitivamente sua carreira. No mesmo ano, participou do épico bíblico The Ten Commandments, dirigido por Cecil B. DeMille, interpretando o faraó Ramsés II ao lado de Charlton Heston. A combinação desses dois sucessos consolidou sua posição entre os maiores astros da década de 1950. Sua aparência distinta e seu estilo de atuação intenso fizeram dele uma escolha frequente para personagens fortes, líderes militares, reis e figuras históricas. Naquele período, poucos atores possuíam uma presença tão poderosa diante das câmeras.

Durante os anos 1960, Yul Brynner participou de vários clássicos do cinema. Um dos mais famosos foi The Magnificent Seven, no qual interpretou Chris Adams, líder de um grupo de pistoleiros contratados para defender uma aldeia mexicana. O filme tornou-se um dos faroestes mais populares de todos os tempos e ajudou a eternizar sua imagem no gênero western. Também atuou em produções como Anastasia, The Brothers Karamazov e The Buccaneer. Décadas depois, conquistou uma nova geração de espectadores ao interpretar o assustador pistoleiro robô no filme de ficção científica Westworld. Sua capacidade de transitar entre diferentes gêneros demonstrava a versatilidade que marcou toda a sua carreira.

A vida pessoal de Brynner foi bastante movimentada. Casou-se quatro vezes e teve cinco filhos. Além da carreira artística, era fotógrafo talentoso e dedicou parte de seu tempo a projetos humanitários e culturais. Conhecido por seu charme e elegância, manteve amizades com importantes personalidades do cinema, da política e das artes. Sua origem multicultural e seu domínio de diversos idiomas contribuíram para sua imagem de cidadão do mundo. Apesar do enorme sucesso, preservava uma certa aura de mistério, alimentando histórias sobre suas origens e sua juventude. Essa combinação de talento, carisma e exotismo ajudou a transformá-lo em uma figura única na história do entretenimento.

Nos últimos anos de vida, Brynner enfrentou um câncer de pulmão causado pelo tabagismo. Mesmo doente, continuou trabalhando e retomando ocasionalmente seu papel mais famoso em The King and I. Faleceu em 10 de outubro de 1985, aos 65 anos, em Nova York. Pouco antes de sua morte, gravou uma campanha pública alertando sobre os perigos do cigarro, mensagem que foi amplamente divulgada após seu falecimento. Seu legado permanece vivo através de seus filmes, de suas apresentações teatrais e de sua influência sobre gerações de atores. Até hoje, Yul Brynner é lembrado como uma das personalidades mais carismáticas do cinema clássico, um artista cuja imagem continua imediatamente reconhecível décadas após sua morte.

Erick Steve. 

Lafite - O Corsário

Título no Brasil: Lafite - O Corsário
Título Original: The Buccaneer
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Anthony Quinn
Produção: Cecil B. DeMille
Roteiro: Jesse L. Lasky Jr.
Elenco: Yul Brynner, Charlton Heston, Claire Bloom, Charles Boyer, Inger Stevens, E. G. Marshall

Sinopse:
Baseado em acontecimentos reais da Guerra de 1812, o filme narra a história de Jean Lafitte, o lendário corsário que operava no Golfo do México no início do século XIX. Embora fosse considerado um fora da lei pelas autoridades americanas, Lafitte acaba desempenhando um papel decisivo na defesa de Nova Orleans contra as forças britânicas. À medida que a invasão inimiga se aproxima, o pirata precisa decidir entre seus próprios interesses e a oportunidade de lutar ao lado dos Estados Unidos em um momento crucial da história do país. Paralelamente, desenvolvem-se conflitos políticos, militares e românticos que ampliam a escala épica da narrativa.

Comentários:
The Buccaneer foi uma refilmagem do clássico homônimo produzido por Cecil B. DeMille em 1938. Já bastante debilitado por problemas de saúde, DeMille supervisionou o projeto, mas entregou a direção a Anthony Quinn. Na época do lançamento, a crítica americana reconheceu a grandiosidade da produção, especialmente nas cenas de batalha e na recriação histórica da Nova Orleans do início do século XIX. O jornal The New York Times elogiou o espetáculo visual e destacou a presença carismática de Yul Brynner, observando que o ator dominava praticamente todas as cenas em que aparecia. A revista Variety ressaltou a qualidade dos cenários, figurinos e da fotografia em cores, embora tenha considerado que o roteiro sacrificava parte da precisão histórica em favor do entretenimento. Muitos críticos também elogiaram a participação de Charlton Heston como o general Andrew Jackson, figura que anos depois se tornaria o sétimo presidente dos Estados Unidos.

Com o passar do tempo, The Buccaneer passou a ser visto como um exemplo clássico dos grandes épicos históricos produzidos por Hollywood durante os anos 1950. O Los Angeles Times observou em retrospectivas que o filme representa o fim de uma era marcada por produções grandiosas, realizadas antes do declínio dos grandes estúdios tradicionais. Alguns críticos modernos apontam que a narrativa possui ritmo irregular e personagens secundários pouco desenvolvidos, mas destacam que a obra continua impressionante pela escala de produção e pela força visual. A revista Time já havia descrito o longa como uma aventura histórica exuberante, valorizando especialmente o trabalho de Brynner. Atualmente, o filme é lembrado sobretudo por sua importância dentro da filmografia de Yul Brynner e por representar uma das últimas produções associadas ao legado de Cecil B. DeMille. Para fãs de aventuras históricas e do cinema épico clássico, continua sendo uma obra respeitada e frequentemente revisitada por sua combinação de ação, romance e recriação histórica.

Erick Steve. 

Os Irmãos Karamazov

Título no Brasil: Os Irmãos Karamazov
Título Original: The Brothers Karamazov
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Richard Brooks
Roteiro: Richard Brooks, Julius J. Epstein, Philip G. Epstein
Elenco: Yul Brynner, Maria Schell, Claire Bloom, Lee J. Cobb, Richard Basehart, William Shatner

Sinopse:
Baseado no célebre romance de Fyodor Dostoevsky, o filme acompanha os turbulentos conflitos da família Karamazov na Rússia do século XIX. O patriarca Fiódor Karamazov é um homem egoísta, corrupto e moralmente decadente, cuja relação conturbada com seus filhos gera rivalidades cada vez mais perigosas. Dmitri, impulsivo e apaixonado; Ivan, intelectual e cético; e Alexei, profundamente religioso, representam diferentes visões sobre moralidade, fé e natureza humana. Quando um assassinato abala a família, antigas tensões vêm à tona, levando os personagens a confrontar culpa, justiça, amor e redenção em uma trama marcada por intensos dilemas filosóficos e emocionais.

Comentários:
A adaptação de Richard Brooks foi recebida com respeito pela crítica americana, embora muitos reconhecessem a enorme dificuldade de condensar um dos romances mais complexos da literatura mundial em pouco mais de duas horas de duração. O jornal The New York Times elogiou a ambição da produção e destacou o trabalho de Yul Brynner, observando que sua interpretação de Dmitri Karamazov conferia energia e intensidade dramática ao filme. A revista Variety considerou a obra uma adaptação digna e visualmente elegante, ressaltando a fotografia, os cenários e a qualidade do elenco. Muitos críticos também destacaram a atuação de Lee J. Cobb como o patriarca Karamazov, descrevendo seu personagem como uma figura repulsiva, mas fascinante. Apesar dos inevitáveis cortes no material original, a direção de Richard Brooks recebeu elogios por conseguir preservar parte da profundidade emocional e dos conflitos morais presentes no romance de Dostoiévski. O filme acabou recebendo diversas indicações a premiações importantes e consolidou-se como uma das adaptações literárias mais ambiciosas da década de 1950.

Com o passar dos anos, a reputação do filme cresceu entre estudiosos de cinema e admiradores da obra de Dostoiévski. O Los Angeles Times observou em retrospectivas que a produção representa um período em que Hollywood investia fortemente em adaptações de grandes clássicos literários, mesmo quando os desafios narrativos eram enormes. Alguns críticos modernos apontam que o filme simplifica discussões filosóficas centrais do romance, especialmente as relacionadas à fé, ao livre-arbítrio e à existência de Deus. Ainda assim, o consenso é que a obra preserva com competência o drama humano que tornou o livro famoso. A revista Time destacou a força emocional do elenco e a capacidade do roteiro de manter acessível uma história extremamente densa para o público geral. Hoje, Os Irmãos Karamazov é lembrado como uma das mais importantes adaptações hollywoodianas de Dostoiévski, servindo tanto como porta de entrada para novos leitores quanto como um respeitável esforço cinematográfico para traduzir uma das maiores obras da literatura universal para as telas.

Erick Steve. 

Anastacia - A Princesa Esquecida

Título no Brasil: Anastácia, a Princesa Esquecida
Título Original: Anastasia
Ano de Lançamento: 1956
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Anatole Litvak
Roteiro: Arthur Laurents
Elenco: Ingrid Bergman, Yul Brynner, Helen Hayes, Martita Hunt

Sinopse:
O filme Anastasia acompanha uma mulher amnésica encontrada em Paris anos após a queda da família imperial russa. Um ex-general russo, vivendo no exílio, acredita que ela possa ser apresentada ao mundo como a Grã-Duquesa Anastásia Nikolaevna, supostamente sobrevivente da execução da família Romanov durante a Revolução Russa. Inicialmente vista como parte de um plano para recuperar uma herança milionária, a jovem começa a convencer até mesmo os mais céticos de que talvez seja realmente a princesa desaparecida. À medida que o mistério se aprofunda, surgem dúvidas sobre sua verdadeira identidade e sobre os sentimentos das pessoas que a cercam.

Comentários:
Anastasia marcou o retorno triunfal de Ingrid Bergman a Hollywood após vários anos afastada do cinema americano. Sua interpretação foi recebida com entusiasmo pela crítica e lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz. O jornal The New York Times elogiou a atuação da atriz, destacando sua capacidade de transmitir fragilidade, dignidade e mistério ao mesmo tempo. A revista Variety descreveu sua performance como "uma das mais refinadas e emocionantes de sua carreira", observando que o filme dependia quase inteiramente de sua presença em cena. Também recebeu muitos elogios a atuação de Yul Brynner, que oferece uma interpretação elegante e contida, servindo como contraponto perfeito à intensidade emocional de Bergman. A direção de Anatole Litvak foi frequentemente apontada como um dos fatores que ajudaram a transformar uma história potencialmente melodramática em um drama sofisticado e envolvente.

Ao longo das décadas, Anastasia consolidou-se como uma das mais prestigiadas produções históricas dos anos 1950. Embora pesquisas posteriores tenham comprovado que a verdadeira Anastásia Romanov não sobreviveu ao massacre da família imperial, o filme continua sendo admirado por seu valor dramático e romântico, independentemente da precisão histórica. O Los Angeles Times destacou em retrospectivas que a obra representa uma era em que Hollywood combinava fatos históricos e ficção de maneira grandiosa e emocional. Críticos da revista Time também ressaltaram a elegância visual da produção, os figurinos luxuosos e a atmosfera melancólica que permeia toda a narrativa. Hoje, o filme é lembrado não apenas pela qualidade artística, mas também por ter proporcionado um dos retornos mais celebrados da história do cinema. Para muitos estudiosos, trata-se de um exemplo clássico do poder do estrelato hollywoodiano, sustentado por uma atuação memorável de Ingrid Bergman e por uma narrativa que mistura mistério, romance e nostalgia histórica de forma extremamente eficaz.

Erick Steve. 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O Rei e Eu

O Rei e Eu
O filme The King and I foi lançado em 29 de junho de 1956, dirigido por Walter Lang e estrelado por Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Terry Saunders e Carlos Rivas. Baseado no famoso musical da Broadway criado por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, o filme conta a história de Anna Leonowens, uma professora britânica viúva que viaja ao Sião do século XIX para educar os filhos do rei Mongkut. Ao chegar ao palácio, Anna encontra uma cultura profundamente diferente da sua e passa a enfrentar choques culturais constantes. O relacionamento entre Anna e o rei evolui de confrontos e desentendimentos para respeito mútuo e admiração. O filme mistura romance, drama histórico e números musicais grandiosos. A narrativa explora temas como tradição, modernização e diferenças culturais. O carisma de Yul Brynner no papel do rei tornou-se um dos elementos centrais da obra. A produção também impressiona pelos figurinos luxuosos e cenários elaborados. Assim, The King and I consolidou-se como um dos grandes musicais clássicos de Hollywood.

Quando foi lançado, The King and I recebeu uma recepção crítica extremamente positiva. O The New York Times elogiou o filme como “um musical majestoso, repleto de elegância e emoção”. Já o Los Angeles Times destacou a performance de Yul Brynner, afirmando que ele entregava “uma atuação magnética e inesquecível”. A revista Variety comentou que o longa era “um espetáculo luxuoso que honra plenamente o sucesso da Broadway”. Muitos críticos elogiaram a química entre Deborah Kerr e Yul Brynner, além da qualidade dos números musicais. A direção de Walter Lang também recebeu reconhecimento por equilibrar intimidade emocional e grandiosidade visual. A crítica destacou especialmente canções como “Getting to Know You” e “Shall We Dance?”. O filme foi amplamente considerado uma das grandes produções musicais da década de 1950. Assim, conquistou aclamação imediata da imprensa especializada.

A recepção crítica tornou-se ainda mais forte após a temporada de premiações. The King and I recebeu 9 indicações ao Oscar e venceu 5, incluindo Melhor Ator para Yul Brynner, além de prêmios por figurino, direção de arte e trilha sonora. Deborah Kerr também recebeu muitos elogios por sua atuação elegante e emocional. Publicações como The New Yorker destacaram que o filme era “uma combinação rara de inteligência, humor e espetáculo visual”. A interpretação de Brynner passou a ser considerada uma das mais icônicas da história dos musicais. Muitos críticos também elogiaram a adaptação cinematográfica por manter a essência teatral sem perder a força do cinema. Com o passar das décadas, o filme consolidou sua posição como um clássico absoluto do gênero musical. A trilha sonora tornou-se extremamente popular e influente. Assim, a reputação crítica do filme permaneceu sólida e admirada ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, The King and I foi um enorme sucesso de bilheteria. O filme arrecadou cifras impressionantes para a época e tornou-se uma das maiores bilheterias de 1956. O público respondeu de forma entusiasmada ao romance, à música e ao visual grandioso da produção. A popularidade de Yul Brynner cresceu enormemente após o lançamento. O longa também teve excelente desempenho internacional, especialmente na Europa e na Ásia. Exibições prolongadas nos cinemas ajudaram a transformar o filme em um fenômeno cultural. Além disso, relançamentos posteriores e exibições televisivas mantiveram sua popularidade viva por décadas. O filme também impulsionou novas montagens teatrais do musical ao redor do mundo. Assim, seu impacto comercial foi enorme. The King and I tornou-se um dos musicais mais lucrativos e celebrados de sua época.

Atualmente, The King and I é considerado um dos maiores musicais clássicos da história do cinema. A atuação de Yul Brynner permanece lendária e profundamente associada ao personagem do rei Mongkut. O filme continua sendo admirado pela elegância de sua produção e pela força de suas canções. Críticos modernos reconhecem tanto suas qualidades artísticas quanto os debates contemporâneos sobre representação cultural e orientalismo presentes na obra. Ainda assim, a direção refinada, os figurinos e a química entre os protagonistas continuam sendo amplamente elogiados. O longa segue influenciando adaptações musicais e produções históricas até hoje. Novas gerações continuam descobrindo o filme através de restaurações e edições especiais. Dessa forma, sua importância histórica permanece incontestável. The King and I continua sendo uma referência fundamental do cinema musical clássico.

O Rei e Eu (The King and I, Estados Unidos, 1956) Direção: Walter Lang / Roteiro: Ernest Lehman, baseado no musical de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, inspirado nos livros de Anna Leonowens / Elenco: Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Terry Saunders e Carlos Rivas / Sinopse: Uma professora britânica viaja ao Sião para educar os filhos do rei Mongkut, desenvolvendo uma relação marcada por conflitos culturais, respeito mútuo e transformação pessoal.

Erick Steve. 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

As Estrelas: Elizabeth Taylor

As Estrelas: Elizabeth Taylor
Elizabeth Taylor foi uma das maiores estrelas da história de Hollywood e tornou-se um símbolo mundial de glamour, talento e celebridade ao longo do século XX. Nascida em 1932, em Londres, na Inglaterra, ela era filha de americanos que viviam no exterior por motivos profissionais. Com o início da Segunda Guerra Mundial, sua família retornou aos Estados Unidos e se estabeleceu na Califórnia, onde a beleza impressionante da jovem Elizabeth rapidamente chamou atenção da indústria cinematográfica. Ainda criança, ela começou a atuar em pequenos papéis até conquistar fama internacional com filmes produzidos pela Metro-Goldwyn-Mayer. Seus olhos violetas, beleza clássica e enorme presença diante das câmeras fizeram dela uma das atrizes mais admiradas de sua geração. O sucesso veio muito cedo, especialmente após sua atuação em National Velvet, obra que a transformou em estrela infantil mundial. Durante os anos seguintes, Elizabeth Taylor passou da condição de atriz mirim para uma sofisticada protagonista do cinema adulto, conseguindo algo raro em Hollywood: manter o sucesso em diferentes fases da vida. Sua trajetória artística atravessou décadas de transformações no cinema americano. Além do talento dramático, ela tornou-se uma figura constantemente presente nas manchetes de jornais e revistas de celebridades.

Durante as décadas de 1950 e 1960, Elizabeth Taylor consolidou-se como uma das atrizes mais importantes do cinema mundial. Ela participou de diversos filmes clássicos e demonstrou enorme versatilidade em dramas, romances e produções históricas grandiosas. Obras como A Place in the Sun, Giant e Cat on a Hot Tin Roof ajudaram a fortalecer sua reputação como atriz dramática de primeira linha. Elizabeth trabalhou ao lado de alguns dos maiores nomes de Hollywood, incluindo James Dean, Paul Newman e Montgomery Clift. Sua amizade profunda com Montgomery Clift marcou sua vida pessoal, especialmente após o grave acidente automobilístico sofrido pelo ator em 1956, quando Elizabeth ajudou a salvar sua vida antes da chegada dos médicos. Em 1960, ela conquistou o primeiro Oscar da carreira por sua atuação em BUtterfield 8. Poucos anos depois, venceria novamente o prêmio com sua performance em Who's Afraid of Virginia Woolf?, considerado um dos maiores trabalhos de sua carreira. Sua capacidade de interpretar personagens intensos e emocionalmente complexos consolidou seu nome entre as maiores atrizes da história do cinema.

Um dos episódios mais famosos da vida de Elizabeth Taylor envolveu a superprodução Cleopatra, um dos filmes mais caros já produzidos até então. Durante as filmagens, Elizabeth interpretou a lendária rainha egípcia Cleópatra e tornou-se a primeira atriz da história a receber um salário milionário em Hollywood. Entretanto, o filme ficou ainda mais conhecido pelo romance explosivo entre Elizabeth Taylor e Richard Burton, seu parceiro de cena. O relacionamento dos dois causou enorme escândalo internacional, pois ambos eram casados na época. A paixão intensa entre Elizabeth e Burton transformou-se em uma das histórias de amor mais comentadas do século XX. O casal casou-se, separou-se, reconciliou-se e voltou a casar novamente anos depois, mantendo uma relação marcada por amor, conflitos, luxo e dramatismo constante. Juntos, participaram de diversos filmes e tornaram-se um dos casais mais famosos da história do entretenimento. Elizabeth Taylor também ficou conhecida por seu estilo sofisticado, suas joias milionárias e sua vida cercada de glamour. Seus casamentos — ao todo foram oito uniões — tornaram-se assunto frequente da imprensa internacional. A atriz passou a representar não apenas o cinema clássico de Hollywood, mas também o nascimento da cultura moderna das celebridades globais.

Apesar da fama e do luxo, Elizabeth Taylor enfrentou inúmeros problemas pessoais e de saúde ao longo da vida. Ela sofreu acidentes graves, problemas cardíacos, complicações respiratórias e diversas cirurgias. Em vários momentos, chegou a correr risco de morte. Além disso, enfrentou períodos difíceis relacionados ao uso de medicamentos e álcool, algo que a própria atriz discutiu publicamente em determinadas fases da carreira. Mesmo diante dessas dificuldades, Elizabeth demonstrava enorme força pessoal e conseguia retornar ao trabalho repetidas vezes. A partir dos anos 1980, ela passou a dedicar grande parte de sua vida ao ativismo humanitário, especialmente na luta contra a AIDS. Em um período em que muitos evitavam falar sobre a doença devido ao preconceito, Elizabeth Taylor tornou-se uma das primeiras grandes celebridades a defender publicamente pacientes e campanhas de conscientização. Ela ajudou a arrecadar milhões de dólares para pesquisas médicas e fundações de apoio a pessoas infectadas pelo HIV. Sua atuação humanitária foi amplamente reconhecida internacionalmente e ajudou a mudar a percepção pública sobre a doença. A atriz utilizou sua fama mundial para chamar atenção para causas sociais importantes. Esse trabalho acabou se tornando uma das partes mais admiradas de sua trajetória fora das telas.

Elizabeth Taylor faleceu em 2011, aos 79 anos, deixando um legado gigantesco para a história do cinema e da cultura popular mundial. Sua imagem permanece associada à era dourada de Hollywood, período em que os grandes estúdios transformavam atores em figuras quase míticas diante do público. Poucas artistas conseguiram unir beleza, talento dramático, carisma e vida pessoal tão intensamente acompanhada pela imprensa internacional. Elizabeth Taylor influenciou gerações de atrizes e continua sendo lembrada como uma das mulheres mais famosas do século XX. Seus filmes permanecem populares até hoje, especialmente entre admiradores do cinema clássico americano. Além de sua contribuição artística, sua coragem ao defender causas humanitárias garantiu reconhecimento muito além do universo cinematográfico. A atriz também ficou marcada por sua personalidade forte, independência e capacidade de sobreviver a inúmeros momentos difíceis ao longo da vida. Seus romances, casamentos e amizades continuam despertando fascínio entre historiadores, jornalistas e fãs de cinema. O nome de Elizabeth Taylor permanece eternamente ligado ao glamour clássico de Hollywood. Sua trajetória mistura talento artístico, escândalos, luxo, sofrimento e generosidade, consolidando-a como uma das figuras mais inesquecíveis da história do entretenimento mundial.

A Coragem de Lassie

Título no Brasil: A Coragem de Lassie
Título Original: Courage of Lassie
Ano de Lançamento: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Fred M. Wilcox
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Elizabeth Taylor, Frank Morgan, Tom Drake, Selena Royle

Sinopse:
O filme Courage of Lassie conta a história de Bill, um cachorro da raça collie que é adotado por uma jovem chamada Kathie Merrick. Criado em um ambiente afetuoso e tranquilo, o animal desenvolve forte ligação com sua dona. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, Bill é enviado para servir ao exército como cão de guerra. Após viver experiências traumáticas nos campos de batalha, ele retorna profundamente abalado e agressivo, tornando-se incapaz de conviver normalmente com as pessoas. Kathie então luta para recuperar a confiança e o equilíbrio emocional do animal, tentando provar que ainda existe bondade dentro dele.

Comentários:
Courage of Lassie é um drama emocional que combina aventura, guerra e amizade entre humanos e animais. Embora utilize o famoso nome “Lassie”, a história não possui ligação direta com a continuidade dos filmes anteriores da personagem, funcionando como uma narrativa independente. Elizabeth Taylor, ainda muito jovem, demonstra mais uma vez seu talento e presença de tela em uma produção familiar típica da MGM dos anos 1940. O filme também chama atenção por abordar, de forma relativamente incomum para a época, os traumas psicológicos causados pela guerra — neste caso refletidos no comportamento do cão. Com forte apelo sentimental e bela fotografia em Technicolor, tornou-se uma lembrada produção clássica envolvendo a famosa collie do cinema.

Erick Steve. 

A Mocidade é Assim Mesmo

Título no Brasil: A Mocidade é Assim Mesmo
Título Original: National Velvet
Ano de Lançamento: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Clarence Brown
Roteiro: Helen Deutsch, Theodore Reeves
Elenco: Elizabeth Taylor, Mickey Rooney, Donald Crisp, Anne Revere, Angela Lansbury

Sinopse:
O filme National Velvet acompanha Velvet Brown, uma jovem apaixonada por cavalos que sonha em participar da tradicional corrida inglesa Grand National. Quando ela ganha um cavalo considerado indomável, acredita que encontrou a oportunidade de transformar seu sonho em realidade. Com a ajuda de um ex-jóquei vivido por Mickey Rooney, Velvet treina o animal secretamente para competir em uma das corridas mais difíceis e prestigiadas do mundo. A jornada da garota envolve perseverança, coragem e superação de barreiras sociais e pessoais.

Comentários:
National Velvet é um dos filmes mais famosos da juventude de Elizabeth Taylor, ajudando a transformá-la em uma das maiores estrelas de Hollywood. Sua atuação carismática e natural impressionou crítica e público, mesmo ela sendo ainda adolescente na época das filmagens. O filme mistura drama familiar, aventura e emoção esportiva, tornando-se um clássico do cinema voltado para toda a família. Também é lembrado pela belíssima fotografia em Technicolor e pelo forte apelo emocional da história. Ao longo das décadas, a obra consolidou-se como um dos grandes filmes sobre cavalos e sobre a realização de sonhos, mantendo enorme prestígio dentro da história do cinema americano.

Erick Steve. 

Evocação

Título no Brasil: Evocação
Título Original: The White Cliffs of Dover
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: Clarence Brown
Roteiro: Claudine West
Elenco: Irene Dunne, Alan Marshal, Roddy McDowall, Elizabeth Taylor

Sinopse:
O filme narra a estória dramática da vida de Susan Ashwood (Irene Dunne), uma enfermeira americana em Londres que ajuda na recuperação e tratamento de centenas de feridos em combate. Seu trabalho se torna ainda mais importante quando seu próprio filho volta do campo de batalha, completamente destruído tanto do ponto de vista físico como psicológico. 

Comentários:
Outro filme da infância de Liz Taylor (ela tinha apenas 10 anos de idade quando a produção foi filmada). O roteiro foi baseado no poema de  Alice Duer Miller, o que já nos dá uma ideia de como o cinema era lírico naqueles tempos. Outro fato digno de nota em relação à pequena Elizabeth Taylor é que esse foi o primeiro filme com ela no elenco a concorrer ao Oscar, na categoria Melhor Fotografia em preto e branco (méritos do excelente diretor de fotografia, o respeitado e conhecido George J. Folsey, que merecia ter levado o prêmio para casa). Embora possa ser classificado como um drama de guerra com pitadas de  tragédia, esse filme tem como grande virtude resgatar um pouco do heroísmo das mulheres que serviram como enfermeiras durante a sangrenta segunda guerra mundial. Importante salientar que quando o filme foi lançado a guerra ainda persistia, o que no final das contas acabou se revelando uma bonita homenagem para todas essas heroínas anônimas que prestaram seus serviços no conflito mais devastador da história da humanidade.

Pablo Aluísio.

Jane Eyre

Título no Brasil: Jane Eyre
Título Original: Jane Eyre
Ano de Produção: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Robert Stevenson
Roteiro: Aldous Huxley
Elenco: Orson Welles, Joan Fontaine, Margaret O'Brien, Elizabeth Taylor

Sinopse:
Depois de uma infância dura, a órfã Jane Eyre é contratada por Edward Rochester, o dono e senhor de uma mansão misteriosa, para cuidar de sua filha. Não demora muito e ela logo se sente atraída pelo inteligente, vibrante e energético Mr. Rochester, um homem com o dobro de sua idade.

Comentários:
Mais uma bela versão para o clássico livro "Jane Eyre" de autoria da escritora inglesa Charlotte Brontë (1816 - 1855) que publicou seu romance pela primeira vez em 1847. Nesse filme temos algumas coisas relevantes para os amantes da sétima arte. A primeira delas é o fato de termos um elenco realmente excepcional, em especial o grande diretor Orson Welles no papel de Edward Rochester. Sua voz de trovão e maravilhosa presença cênica já vale o filme inteiro. Some-se a isso a bela atuação de Joan Fontaine como Jane Eyre e você terá seguramente um dos melhores elencos já reunidos para essa adaptação. Como brinde o cinéfilo ainda será presenteado pela atuação da pequena Elizabeth Taylor como Helen Burns. A atriz tinha apenas 11 anos quando realizou o filme, mas já mostrava todo seu talento em cena, não se intimidando com os monstros da sétima arte que contracenavam com ela. Algumas pessoas realmente já nascem como estrelas, independente da idade, que o diga a pequena Liz nesse "Jane Eyre".

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

As Estrelas: Grace Kelly

As Estrelas: Grace Kelly
Grace Kelly foi uma das mulheres mais elegantes e admiradas do cinema clássico de Hollywood. Nascida em 1929, na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, ela iniciou sua carreira artística ainda jovem, trabalhando em peças teatrais e produções para televisão antes de alcançar fama internacional no cinema. Dona de uma beleza sofisticada, postura refinada e talento dramático marcante, Grace rapidamente se tornou uma das maiores estrelas da década de 1950, conquistando o público e a crítica com atuações intensas e cheias de charme.

Sua carreira cinematográfica ganhou enorme destaque graças às colaborações com o lendário diretor Alfred Hitchcock. Grace Kelly estrelou clássicos como Janela Indiscreta, ao lado de James Stewart, Disque M para Matar e Ladrão de Casaca, com Cary Grant. Hitchcock considerava Grace a personificação da elegância e do mistério feminino, características que marcaram profundamente seus personagens. Além dos suspenses do diretor britânico, ela também brilhou em dramas românticos e produções sofisticadas que consolidaram sua imagem como ícone de glamour da Era de Ouro de Hollywood.

Em 1955, Grace Kelly recebeu o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Amar é Sofrer (The Country Girl), surpreendendo parte da crítica, que esperava sua vitória por filmes mais glamourosos. Nesse trabalho, ela mostrou grande capacidade dramática ao interpretar uma personagem emocionalmente complexa, fugindo do estereótipo da mulher elegante que costumava representar. O prêmio consolidou definitivamente sua posição entre as maiores atrizes de sua geração.

A vida de Grace Kelly mudou completamente em 1956, quando se casou com Rainier III, tornando-se princesa de Mônaco. O casamento foi acompanhado pelo mundo inteiro e ficou conhecido como um dos contos de fadas mais famosos do século XX. Após a união, Grace abandonou sua carreira no cinema para dedicar-se às funções reais e à família. Sua transformação de estrela de Hollywood em princesa ajudou a aumentar ainda mais sua aura lendária e transformou Mônaco em um dos destinos mais glamourosos da Europa.

Grace Kelly faleceu tragicamente em 1982, após sofrer um acidente de carro nas estradas de Mônaco. Sua morte causou enorme comoção internacional e reforçou ainda mais seu status de mito do cinema e da realeza. Até hoje, ela é lembrada como símbolo máximo de elegância, sofisticação e beleza clássica. Sua influência permanece viva no cinema, na moda e na cultura popular, sendo frequentemente citada como uma das maiores estrelas femininas da história de Hollywood.

Mogambo

Mogambo
Esse é um clássico do gênero "Aventura na África". Uma produção com um elenco estelar da era de ouro do cinema clássico de Hollywood. No enredo um caçador americano no continente africano, Victor Marswell (Clark Gable), é contratado pelo pesquisador Donald Nordley (Donald Sinden) para comandar um safári nas montanhas remotas onde vivem gorilas selvagens. Donald quer registrar o comportamento desses animais em seu habitat natural, os filmando na natureza. Victor inicialmente não acha uma boa ideia pois poucos homens estiverem naquele lugar distante, porém acaba aceitando a generosa oferta. O que o cientista Donald nem desconfia é que sua própria esposa, Linda Nordley (Grace Kelly), está se apaixonado cada vez mais por Victor. Para concretizar seu romance porém ela terá que passar por cima de Eloise Y. Kelly (Ava Gardner), uma dançarina de night club, que também está perdidamente apaixonada por Victor.

John Ford deu um tempo em seus clássicos de western para se arriscar no gênero aventura nessa produção. O resultado foi esse "Mogambo", certamente um bom filme, mas que jamais pode ser comparado com obras primas como "Rastros de Ódio" ou "Rio Bravo". O enredo se passa numa África ainda colonial e praticamente inexplorada. É lá que vive o personagem de Clark Gable, um veterano caçador branco que captura animais exóticos para vendê-los a circos e zoológicos de todo o mundo. Sua rotina de trabalho acaba mudando completamente com a chegada de uma dançarina americana chamada Eloise (Ava Gardner) que realizou uma longa viagem dos Estados Unidos até a África pensando que iria encontrar um milionário indiano, mas acaba se dando mal ao saber que ele foi embora uma semana antes de sua chegada.

Imediatamente Eloise se apaixona por Victor, porém as coisas não saem como ela queria. Victor torce o nariz ao saber que ela era uma dançarina de boates. Pior do que isso, começa a tratar a garota com um certo desdém (a ponto de dizer a um de seus amigos que ela na verdade seria uma "mulher de todos os homens!"). Nada aliás poderia sair mais diferente de Eloise do que a também recém chegada Linda (Grace Kelly). Loira, linda, recatada e educada, com extrema finesse, ela sim se mostra a mulher que Victor gostaria de ter ao seu lado. Infelizmente para o velho caçador há um problema: Linda já é casada, justamente com o homem que o contratou para um safári rumo às montanhas, em busca de gorilas selvagens.

É verdade que o roteiro acaba se rendendo ao moralismo da época em seus momentos finais, mas nem isso estraga "Mogambo". Ford já havia demonstrado em seus faroestes que ele conseguia com muito brilho tanto dirigir um bom filme de entretenimento como também desenvolver psicologicamente bem todos os seus personagens. Não havia espaço para papéis rasos e sem sentido em seus filmes. Não é à toa que até hoje ele é considerado um mestre, um verdadeiro gênio da sétima arte. "Mogambo" tem um elenco maravilhoso, com três grandes estrelas da época, e um roteiro extremamente bem escrito. Dito isso também temos que reconhecer que o tempo também cobrou seu preço. O tempo, como diria o provérbio, é o senhor da razão. O que era normal há 60 anos hoje já não soa tão comum.

O filme mistura cenas rodadas em estúdio com filmagens reais realizadas por Ford e sua equipe de segunda unidade no continente africano. Não poucas vezes as duas filmagens são mescladas em edição. Nem sempre isso funciona. As imagens capturadas na África não possuem, por exemplo, a mesma qualidade das cenas que foram realizadas em estúdio com os atores. Por isso a diferença de uma para outra se torna muito perceptível ao espectador. Tecnicamente o filme envelheceu mal. Pode parecer que algo assim seria um excesso de zelo, porém é um fator que envelheceu dramaticamente, tornando o filme de Ford menor do que ele realmente era. De qualquer forma o que temos aqui é certamente um clássico do gênero aventura nas selvas. Com a genialidade de John Ford não era de se esperar nada muito diferente disso.

Mogambo (Mogambo, Estados Unidos, 1953) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: John Ford / Roteiro: John Lee Mahin, Wilson Collison / Elenco: Clark Gable, Grace Kelly, Ava Gardner, Donald Sinden / Sinopse: Pesquisador da vida selvagem contrata um caçador para levá-lo a uma montanha onde vivem gorilas selvagens. No meio da expedição sua esposa acaba se apaixonando pelo caçador. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Ava Gardner) e Melhor Atriz Coadjuvante (Grace Kelly). Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Grace Kelly).

Pablo Aluísio.

Matar ou Morrer

Matar ou Morrer
Esse é um grande clássico da história do western americano por causa de seu roteiro atemporal, tratando de temas que ultrapassam e muito a simples esfera do gênero cinematográfico do qual pertence. O protagonista é um xerife, um homem honesto e íntegro que aos poucos vai percebendo que está completamente sozinho na sua luta de implantar lei e ordem. A cidade que defende, os moradores pelos quais zela por sua segurança e integridade física são os primeiros a abandoná-lo à própria sorte. Esse delicado tema de seu roteiro demonstra toda a fragilidade e falta de caráter do homem comum, ordinário. Com isso se ressalta a importância da figura do xerife Will Kane (Gary Cooper). Seu caráter e coragem são raros. Não se deve esperar esse tipo de atitude de pessoas pusilânimes. O homem corajoso muitas vezes fica totalmente sozinho na luta por seus valores e ideais.

Outro aspecto que tornou esse "Matar ou Morrer" tão celebrado ao longo de todos esses anos vem do tratamento psicológico do roteiro. Os personagens são mostrados em suas emoções internas, criando um clima de tensão e ansiedade que só aumenta ao longo do filme. O relógio na parede vira assim um instrumento narrativo dos mais aflitivos. E por fim, para coroar tantas qualidades cinematográficas importantes, ainda há um elenco espetacular em cena. Não apenas pela presença imponente de Gary Cooper, no auge de sua carreira, como também da doce beleza de Grace Kelly. Elementos que tornaram esse western um clássico absoluto em todos os aspectos.

Matar ou Morrer (High Noon, Estados Unidos, 1952) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Carl Foreman, John W. Cunningham / Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges / Sinopse: Um xerife é abandonado pelos moradores da cidade onde trabalha após correr a notícia de que um grupo de bandidos está chegando para acertar as contas com ele. Mesmo assim, sozinho, o velho home da lei decide enfrentar a situação com coragem e determinação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator (Gary Cooper), melhor edição, melhor música original.

Pablo Aluísio.

Filmografia - Grace Kelly


Filmografia - Grace Kelly
Horas Intermináveis (1951) ★★★
Matar ou Morrer (1952) ★★★★ 
Mogambo (1953) ★★★
Disque M para Matar (1954) ★★★★ 
Janela Indiscreta (1954) ★★★★ 
Amar é Sofrer (1954) ★★★
Tentação Verde (1954)
As Pontes de Toko-Ri (1954) ★★★
Ladrão de Casaca (1955) ★★★★ 
O Cisne (1956) 
Alta Sociedade (1956) ★★★

Comentários:
Grace Kelly foi uma das atrizes mais populares de Hollywood. Só que, embora fosse tão famosa, fez tão poucos filmes! Muitos ficam realmente admirados com isso. Bom, alguns fatos explicam essa questão. Ela fez muitos programas para TV, muitos especiais para a televisão da época. Seu trabalho como atriz não se resumiu apenas ao cinema. E também não podemos esquecer que ela abandonou o cinema para se casar com o príncipe de Mônaco. Encerrando assim uma carreira mais do que o promissora, realmente memorável.

Avaliação / Cotações:
★★★★ Excelente
★★★ Bom
★★ Regular
★ Ruim

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As Cartas de Grace Kelly - Parte 5

Em 1951 Grace Kelly finalmente estreou em Hollywood no filme "Horas Intermináveis" de Henry Hathaway. Era um filme da estética noir, com trama forte e pesada, mostrando um homem em desespero, prestes a cometer suicídio. O elenco era estrelado pelo ator Paul Douglas, cujo sucesso foi efêmero. Hoje em dia poucos se lembram dele, ao contrário de Grace Kelly que estava destinada a ser uma grande estrela. Outro nome interessante no elenco era o de Jeffrey Hunter, que assim como Grace, também estava em um papel coadjuvante.

A personagem de Grace se chamava senhorita Louise Ann Fuller e não tinha maior importância no filme. Isso porém era algo não tão importante, pois o que valia a pena mesmo era tentar se tornar mais conhecida em Hollywood. Em Nova Iorque Grace já tinha uma boa base de contatos no mundo fashion, da moda, e nos episódios de algumas séries de TV. Em Hollywood porém ela ainda tinha que se fazer conhecida.

Apesar de seu primeiro filme ser um noir sem muito orçamento (típico desses filmes da época), a produção ao menos conseguiu chamar atenção suficiente para arrancar uma indicação ao Oscar na categoria de melhor direção de arte. Um crítico de Los Angeles inclusive chegou a elogiar Grace Kelly por causa de sua beleza e boa presença de cena, algo que repercutiu entre os produtores da indústria. O produtor e diretor Stanley Kramer estava escalando o elenco de um novo western que seria estrelado pelo astro Gary Cooper. A direção já havia sido acertada com o mestre Fred Zinnemann. O papel da esposa do xerife Kane estava em aberto. Várias atrizes tinham sido testadas para interpretar Amy Fowler Kane, mas sem sucesso.

Foi então que Kramer pensou em Grace Kelly. Ele havia assistido "Horas Intermináveis" e gostado muito de Kelly no filme. O problema é que ao tentar entrar em contato com seu agente, o produtor descobriu que Grace havia viajado de volta naquela manhã para Nova Iorque. Kelly tinha compromissos na cidade, para atuar em uma série de programas de TV e ensaios para revistas de moda. A sorte da atriz é que a pré-produção de "Matar ou Morrer" (um dos maiores clássicos do western de todos os tempos) também atrasou, fazendo com que ela tivesse tempo de cumprir todos os seus compromissos para só assim voltar para Los Angeles. Esse seria o primeiro grande filme de sua carreira e aquele que mudaria os rumos de sua trajetória de atriz para sempre!

Pablo Aluísio.