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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Mayerling

Mayerling
Um filme extremamente interessante, cujo roteiro foi baseado em fatos históricos reais. O protagonista é um príncipe da Casa de Habsburgo chamado Rudolf (Omar Sharif). Filho do imperador Francisco José I da Áustria (James Mason) ele está na linha de sucessão para subir ao trono. Só que a jovem alteza foge dos padrões que se esperaria dele, de sua posição dentro da monarquia. Muito ligado em ideais liberais, ele chega ao ponto de se encontrar com membros da resistência húngara, que deseja a independência de sua nação, algo que vai contra os interesses diretos de seu pai. Assim o relacionamento entre pai e filho é marcado por conflitos políticos e também pessoais.

O príncipe acaba se apaixonando por uma jovem, filha de um diplomata. Rudolf conhece Maria Vetsera (Catherine Deneuve) durante a apresentação de um balé e fica louco por ela. E qual seria o problema político envolvido nessa paixão? Muito simples, o príncipe já era casado, pai de uma filha. Um relacionamento extraconjugal seria um escândalo dentro da corte austríaca, muito católica e conservadora. Diante de mais esse deslize do filho, o imperador fica furioso e começa a fazer de tudo para que o romance chegue ao seu fim. O desfecho de toda essa novela acabaria resultando numa grande tragédia.

A morte precoce de Rudolf iria desencadear uma série de problemas históricos. Ele era o único na linha de sucessão ao trono. Sua morte até hoje é cercada de mistérios (que o filme não desenvolve, pois abraça a versão oficial) e iria ser o começo de uma série de problemas políticos que iriam eclodir na explosão da I |Guerra Mundial. O roteiro do filme porém não vai tão longe, preferindo contar a história de amor entre o príncipe e sua amante. Um detalhe curioso é que ele era o filho da imperatriz Sissi, tão conhecida dos cinéfilos por uma série de filmes clássicos. Quem a interpreta nesse filme é a diva Ava Gardner. Assim se você gosta dos filmes sobre Sissi não deixe de assistir também a essa excelente produção histórica. Afinal é um complemento aos outros filmes, mostrando Sissi numa fase mais madura de sua vida. Envelhecida e desiludida, ela é apenas um sombra da imperatriz que um dia foi. Em suma, esse é um ótimo filme histórico que explora muito bem o momento em que as velhas monarquias chegavam ao seu fim.

Mayerling (Inglaterra, França, 1968) Direção: Terence Young / Roteiro: Terence Young, baseado no romance escrito por Claude Anet e Michel Arnold / Elenco: Omar Sharif, Catherine Deneuve, Ava Gardner, James Mason / Sinopse: O imperador Francisco José I (James Mason) precisa lidar com um filho nada convencional, o príncipe Rudolf (Omar Sharif). Agora as coisas pioram pois ele se declara apaixonado pela jovem Maria Vetsera (Catherine Deneuve), mesmo sendo um homem casado e sucessor ao trono real. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em língua inglesa.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Doutor Jivago

Doutor Jivago
O filme Doutor Jivago (Doctor Zhivago) foi lançado em 22 de dezembro de 1965, dirigido por David Lean e estrelado por Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay. Baseado no romance de Boris Pasternak, o filme acompanha a vida de Yuri Jivago, um médico e poeta sensível que vive na Rússia durante um período de profundas transformações sociais e políticas, incluindo a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Ao longo de sua trajetória, Yuri se divide entre sua esposa Tonya e sua paixão por Lara, uma mulher que também enfrenta seus próprios dramas pessoais. A narrativa mistura romance, drama histórico e reflexão filosófica, explorando o impacto dos grandes eventos históricos na vida de indivíduos comuns. O filme se destaca por sua grandiosidade visual e pela forma como retrata o sofrimento humano em meio ao caos político. A relação entre Yuri e Lara é o coração emocional da história. A obra também aborda temas como destino, amor, perda e sobrevivência. Assim, Doutor Jivago se apresenta como um épico romântico de grande escala.

Quando foi lançado, Doutor Jivago recebeu uma recepção crítica mista, especialmente entre críticos americanos. O The New York Times elogiou a grandiosidade da produção, mas afirmou que o filme era “mais impressionante visualmente do que emocionalmente envolvente”. Já o Los Angeles Times destacou a direção de David Lean, afirmando que ele conseguiu criar “um espetáculo cinematográfico de rara beleza”. A revista Variety comentou que o filme era “um épico ambicioso, embora por vezes excessivamente longo e sentimental”. Muitos críticos elogiaram a fotografia e a recriação histórica, mas alguns consideraram o ritmo lento e a narrativa excessivamente melodramática. A performance de Omar Sharif foi bem recebida, sendo vista como sensível e contida. Por outro lado, alguns críticos questionaram o desenvolvimento dos personagens. A crítica, de maneira geral, reconheceu a qualidade técnica do filme, mas teve reservas quanto ao seu impacto emocional. Assim, a recepção inicial foi dividida, com elogios e críticas coexistindo.

Com o passar do tempo, a percepção crítica de Doutor Jivago se tornou mais positiva, especialmente em relação aos seus aspectos técnicos e sua força emocional. O filme foi indicado a 10 Oscars e venceu 5, incluindo Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora para Maurice Jarre, cuja música se tornou extremamente popular, especialmente o tema de Lara. A trilha sonora é considerada uma das mais memoráveis da história do cinema. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como um exemplo de grande cinema épico. A direção de David Lean foi reavaliada como uma das mais importantes de sua carreira. Muitos críticos passaram a valorizar mais o tom romântico e melancólico da narrativa. A construção visual e a escala da produção continuam sendo amplamente elogiadas. Assim, o filme conquistou um reconhecimento mais sólido ao longo dos anos. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

Do ponto de vista comercial, Doutor Jivago foi um enorme sucesso de bilheteria. O filme arrecadou mais de 110 milhões de dólares na época de seu lançamento, tornando-se uma das maiores bilheterias da década de 1960. Ajustado pela inflação, ele permanece entre os filmes mais lucrativos da história do cinema. O público respondeu de forma extremamente positiva ao romance épico e à grandiosidade visual do filme. A história de amor entre Yuri e Lara conquistou espectadores ao redor do mundo. O longa teve grande sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional. Exibições prolongadas nos cinemas contribuíram para seu desempenho financeiro. O filme também se tornou muito popular em reprises televisivas e no mercado doméstico. Assim, apesar da recepção crítica inicial dividida, o público abraçou o filme com entusiasmo. Seu sucesso comercial foi incontestável.

Atualmente, Doutor Jivago é amplamente considerado um dos grandes épicos românticos da história do cinema. O filme é frequentemente lembrado por sua fotografia deslumbrante e sua trilha sonora inesquecível. A história de amor trágica continua a emocionar novas gerações de espectadores. A direção de David Lean é vista como exemplar dentro do gênero épico. O filme também é reconhecido por sua representação da Rússia em um período turbulento. Críticos contemporâneos valorizam sua capacidade de equilibrar drama pessoal e contexto histórico. A atuação de Omar Sharif permanece como um dos pontos altos da obra. O longa é frequentemente incluído em listas de grandes clássicos do cinema. Dessa forma, sua reputação está plenamente consolidada. Doutor Jivago continua sendo uma referência no cinema mundial.

Doutor Jivago (Doctor Zhivago, Reino Unido / Estados Unidos, 1965) Direção: David Lean / Roteiro: Robert Bolt, baseado no romance de Boris Pasternak / Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay / Sinopse: Em meio às turbulências da Rússia revolucionária, um médico e poeta vive um intenso romance proibido que atravessa guerras, perdas e transformações sociais profundas.

Erick Steve.