segunda-feira, 11 de maio de 2026

Matar ou Morrer

Matar ou Morrer
Esse é um grande clássico da história do western americano por causa de seu roteiro atemporal, tratando de temas que ultrapassam e muito a simples esfera do gênero cinematográfico do qual pertence. O protagonista é um xerife, um homem honesto e íntegro que aos poucos vai percebendo que está completamente sozinho na sua luta de implantar lei e ordem. A cidade que defende, os moradores pelos quais zela por sua segurança e integridade física são os primeiros a abandoná-lo à própria sorte. Esse delicado tema de seu roteiro demonstra toda a fragilidade e falta de caráter do homem comum, ordinário. Com isso se ressalta a importância da figura do xerife Will Kane (Gary Cooper). Seu caráter e coragem são raros. Não se deve esperar esse tipo de atitude de pessoas pusilânimes. O homem corajoso muitas vezes fica totalmente sozinho na luta por seus valores e ideais.

Outro aspecto que tornou esse "Matar ou Morrer" tão celebrado ao longo de todos esses anos vem do tratamento psicológico do roteiro. Os personagens são mostrados em suas emoções internas, criando um clima de tensão e ansiedade que só aumenta ao longo do filme. O relógio na parede vira assim um instrumento narrativo dos mais aflitivos. E por fim, para coroar tantas qualidades cinematográficas importantes, ainda há um elenco espetacular em cena. Não apenas pela presença imponente de Gary Cooper, no auge de sua carreira, como também da doce beleza de Grace Kelly. Elementos que tornaram esse western um clássico absoluto em todos os aspectos.

Matar ou Morrer (High Noon, Estados Unidos, 1952) Direção: Fred Zinnemann / Roteiro: Carl Foreman, John W. Cunningham / Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges / Sinopse: Um xerife é abandonado pelos moradores da cidade onde trabalha após correr a notícia de que um grupo de bandidos está chegando para acertar as contas com ele. Mesmo assim, sozinho, o velho home da lei decide enfrentar a situação com coragem e determinação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor ator (Gary Cooper), melhor edição, melhor música original.

Pablo Aluísio.

Filmografia - Grace Kelly


Filmografia - Grace Kelly
Horas Intermináveis (1951) ★★★
Matar ou Morrer (1952) ★★★★ 
Mogambo (1953) ★★★
Disque M para Matar (1954) ★★★★ 
Janela Indiscreta (1954) ★★★★ 
Amar é Sofrer (1954) ★★★
Tentação Verde (1954)
As Pontes de Toko-Ri (1954) ★★★
Ladrão de Casaca (1955) ★★★★ 
O Cisne (1956) 
Alta Sociedade (1956) ★★★

Comentários:
Grace Kelly foi uma das atrizes mais populares de Hollywood. Só que, embora fosse tão famosa, fez tão poucos filmes! Muitos ficam realmente admirados com isso. Bom, alguns fatos explicam essa questão. Ela fez muitos programas para TV, muitos especiais para a televisão da época. Seu trabalho como atriz não se resumiu apenas ao cinema. E também não podemos esquecer que ela abandonou o cinema para se casar com o príncipe de Mônaco. Encerrando assim uma carreira mais do que o promissora, realmente memorável.

Avaliação / Cotações:
★★★★ Excelente
★★★ Bom
★★ Regular
★ Ruim

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As Cartas de Grace Kelly - Parte 5

Em 1951 Grace Kelly finalmente estreou em Hollywood no filme "Horas Intermináveis" de Henry Hathaway. Era um filme da estética noir, com trama forte e pesada, mostrando um homem em desespero, prestes a cometer suicídio. O elenco era estrelado pelo ator Paul Douglas, cujo sucesso foi efêmero. Hoje em dia poucos se lembram dele, ao contrário de Grace Kelly que estava destinada a ser uma grande estrela. Outro nome interessante no elenco era o de Jeffrey Hunter, que assim como Grace, também estava em um papel coadjuvante.

A personagem de Grace se chamava senhorita Louise Ann Fuller e não tinha maior importância no filme. Isso porém era algo não tão importante, pois o que valia a pena mesmo era tentar se tornar mais conhecida em Hollywood. Em Nova Iorque Grace já tinha uma boa base de contatos no mundo fashion, da moda, e nos episódios de algumas séries de TV. Em Hollywood porém ela ainda tinha que se fazer conhecida.

Apesar de seu primeiro filme ser um noir sem muito orçamento (típico desses filmes da época), a produção ao menos conseguiu chamar atenção suficiente para arrancar uma indicação ao Oscar na categoria de melhor direção de arte. Um crítico de Los Angeles inclusive chegou a elogiar Grace Kelly por causa de sua beleza e boa presença de cena, algo que repercutiu entre os produtores da indústria. O produtor e diretor Stanley Kramer estava escalando o elenco de um novo western que seria estrelado pelo astro Gary Cooper. A direção já havia sido acertada com o mestre Fred Zinnemann. O papel da esposa do xerife Kane estava em aberto. Várias atrizes tinham sido testadas para interpretar Amy Fowler Kane, mas sem sucesso.

Foi então que Kramer pensou em Grace Kelly. Ele havia assistido "Horas Intermináveis" e gostado muito de Kelly no filme. O problema é que ao tentar entrar em contato com seu agente, o produtor descobriu que Grace havia viajado de volta naquela manhã para Nova Iorque. Kelly tinha compromissos na cidade, para atuar em uma série de programas de TV e ensaios para revistas de moda. A sorte da atriz é que a pré-produção de "Matar ou Morrer" (um dos maiores clássicos do western de todos os tempos) também atrasou, fazendo com que ela tivesse tempo de cumprir todos os seus compromissos para só assim voltar para Los Angeles. Esse seria o primeiro grande filme de sua carreira e aquele que mudaria os rumos de sua trajetória de atriz para sempre!

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

As Estrelas: Natalie Wood

Natalie Wood foi uma das atrizes mais emblemáticas do cinema clássico de Hollywood, cuja carreira começou ainda na infância e evoluiu para papéis marcantes na juventude e na fase adulta. Nascida em 20 de julho de 1938, em San Francisco, Califórnia, com o nome Natalia Nikolaevna Zakharenko, ela era filha de imigrantes russos. Desde muito jovem, demonstrou talento para a atuação, sendo incentivada por sua mãe a seguir carreira artística. Ainda criança, conquistou o público com sua beleza e expressividade, rapidamente se tornando uma das atrizes mirins mais requisitadas da indústria cinematográfica. Seu sucesso precoce abriu portas para uma carreira sólida, marcada por papéis intensos e emocionalmente complexos. Ao longo dos anos, Natalie construiu uma imagem que combinava delicadeza e força, características que definiriam suas melhores interpretações. Sua trajetória reflete tanto o glamour quanto as pressões da vida em Hollywood.

Durante a infância, Natalie Wood ganhou destaque em filmes importantes, sendo um de seus primeiros grandes sucessos Miracle on 34th Street, no qual interpretou uma menina que começa a acreditar na magia do Natal. Esse papel a tornou conhecida mundialmente e consolidou sua reputação como uma jovem atriz talentosa. Ao crescer, enfrentou o desafio de transitar de atriz infantil para papéis adultos, algo que muitos artistas não conseguem realizar com sucesso. No entanto, Natalie conseguiu essa transição com notável habilidade, escolhendo projetos que demonstravam maturidade e profundidade emocional. Seu desempenho em Rebel Without a Cause, ao lado de James Dean, foi um marco em sua carreira, mostrando sua capacidade dramática e consolidando sua posição como uma atriz de destaque em Hollywood.

Na década de 1960, Natalie Wood atingiu o auge de sua carreira, estrelando filmes que se tornaram clássicos do cinema. Entre eles, destaca-se West Side Story, um musical de enorme sucesso que lhe trouxe reconhecimento internacional e grande popularidade. Outro filme importante foi Splendor in the Grass, no qual sua atuação emocional lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Natalie também participou de Love with the Proper Stranger, consolidando sua imagem como uma atriz versátil, capaz de atuar tanto em dramas quanto em romances. Sua presença nas telas era marcada por intensidade e sensibilidade, características que a tornaram uma das favoritas do público e da crítica. Ao longo da carreira, recebeu três indicações ao Oscar, o que demonstra o reconhecimento de seu talento pela indústria cinematográfica.

No campo pessoal, a vida de Natalie Wood foi marcada por relacionamentos intensos e, por vezes, conturbados. Ela se casou duas vezes com o ator Robert Wagner, em uma relação que chamou a atenção da mídia e do público. Entre esses dois casamentos, também teve um relacionamento com o produtor Richard Gregson, com quem teve uma filha. Sua vida amorosa frequentemente estampava manchetes, refletindo o fascínio que exercia não apenas como atriz, mas também como figura pública. Apesar do glamour, relatos indicam que Natalie enfrentava inseguranças e pressões emocionais, comuns entre estrelas de Hollywood. Ainda assim, manteve sua carreira ativa e continuou a trabalhar em cinema e televisão durante as décadas seguintes.

A morte de Natalie Wood é um dos episódios mais misteriosos da história de Hollywood. Em 29 de novembro de 1981, ela morreu por afogamento próximo à Ilha de Santa Catalina, na Califórnia, durante um passeio de barco com Robert Wagner e o ator Christopher Walken. As circunstâncias de sua morte geraram inúmeras especulações e investigações ao longo dos anos. Inicialmente considerada um acidente, o caso foi reaberto décadas depois, levantando dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquela noite. Testemunhos contraditórios e a falta de respostas definitivas contribuíram para que o episódio permanecesse envolto em mistério. Até hoje, sua morte é debatida e investigada, mantendo vivo o interesse do público e da mídia.

Mesmo após sua morte, o legado de Natalie Wood permanece forte e influente. Ela é lembrada como uma das grandes atrizes de sua geração, com uma carreira marcada por performances memoráveis e uma presença única nas telas. Seus filmes continuam a ser exibidos e admirados, garantindo que novas gerações descubram seu talento. Além disso, sua vida pessoal e sua morte misteriosa contribuíram para a construção de um mito em torno de sua figura. Natalie Wood representa tanto o brilho quanto as sombras de Hollywood, simbolizando o sucesso, a vulnerabilidade e a complexidade da vida artística. Seu nome permanece associado a um período clássico do cinema, e sua contribuição para a indústria continua sendo reconhecida e celebrada até os dias atuais.

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Os Diretores: Elia Kazan

Elia Kazan foi um dos mais influentes diretores do cinema e do teatro do século XX, deixando uma marca profunda tanto em Hollywood quanto na Broadway. Nascido em 1909, em Istambul, então parte do Império Otomano, com o nome de Elias Kazantzoglou, imigrou ainda jovem para os Estados Unidos, onde cresceu e construiu toda a sua carreira. Sua formação artística teve forte ligação com o teatro, especialmente com o prestigiado Group Theatre, que buscava um estilo mais realista e emocional nas atuações. Posteriormente, Kazan também foi um dos fundadores do famoso Actors Studio, que revolucionou a interpretação dramática ao popularizar o chamado “método”. Ao longo de sua trajetória, ele se destacou por sua habilidade em explorar conflitos psicológicos e sociais, criando obras intensas e profundamente humanas que ainda hoje são estudadas e admiradas.

No cinema, Kazan dirigiu uma série de filmes que se tornaram clássicos, abordando temas como corrupção, desigualdade social, moralidade e identidade. Entre suas obras mais importantes está Sindicato de Ladrões (On the Waterfront), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor e se tornou um marco do cinema americano por sua abordagem crua e realista da vida dos trabalhadores portuários. Outro filme de destaque é Vidas Amargas (East of Eden), que ajudou a lançar a carreira de James Dean, transformando-o em um ícone cultural. Kazan também dirigiu Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire), adaptação da peça de Tennessee Williams, que consolidou o estilo emocionalmente intenso de seus trabalhos e revelou o talento de Marlon Brando ao grande público. Esses filmes são exemplos claros de sua capacidade de combinar narrativas fortes com atuações profundamente marcantes.

A influência de Kazan no desenvolvimento da atuação moderna é inegável, principalmente por sua ligação com o método de atuação baseado nas ideias de Konstantin Stanislavski. No Actors Studio, ele ajudou a moldar uma geração inteira de atores que buscavam maior autenticidade emocional em suas performances. Entre os nomes que passaram por essa escola estão grandes estrelas como Marlon Brando, James Dean e Al Pacino, que adotaram esse estilo mais introspectivo e psicológico. Kazan acreditava que o ator deveria mergulhar profundamente em suas emoções para dar vida aos personagens, o que transformou radicalmente a forma de interpretar tanto no teatro quanto no cinema. Esse legado continua presente até hoje, influenciando atores e diretores em todo o mundo.

Apesar de seu sucesso artístico, a carreira de Elia Kazan também foi marcada por controvérsias, especialmente relacionadas ao período do Macarthismo nos anos 1950. Durante as investigações do Comitê de Atividades Antiamericanas, Kazan decidiu testemunhar e revelou nomes de colegas que haviam participado de atividades ligadas ao comunismo. Essa atitude gerou fortes críticas e dividiu opiniões dentro da comunidade artística, com muitos considerando sua decisão uma traição. Outros, porém, argumentam que suas escolhas foram influenciadas pelo contexto político da época, marcado por forte pressão e medo. Esse episódio acabou manchando sua reputação para alguns, mas não apagou o impacto de sua obra no cinema e no teatro.

Mesmo com as polêmicas, Elia Kazan permaneceu uma figura central na história das artes cênicas, recebendo diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua vida, incluindo um Oscar honorário em 1999 pelo conjunto de sua obra. Sua filmografia e suas contribuições ao teatro continuam sendo estudadas como exemplos de excelência artística e inovação. Kazan faleceu em 2003, aos 94 anos, deixando um legado complexo, porém extremamente relevante. Sua capacidade de contar histórias intensas, explorar a psicologia humana e transformar a atuação moderna o coloca entre os maiores diretores de todos os tempos. Ao analisar sua trajetória, é possível perceber que sua importância vai muito além de suas obras, abrangendo também sua influência duradoura na forma como o cinema e o teatro são concebidos e interpretados até hoje.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Mayerling

Mayerling
Um filme extremamente interessante, cujo roteiro foi baseado em fatos históricos reais. O protagonista é um príncipe da Casa de Habsburgo chamado Rudolf (Omar Sharif). Filho do imperador Francisco José I da Áustria (James Mason) ele está na linha de sucessão para subir ao trono. Só que a jovem alteza foge dos padrões que se esperaria dele, de sua posição dentro da monarquia. Muito ligado em ideais liberais, ele chega ao ponto de se encontrar com membros da resistência húngara, que deseja a independência de sua nação, algo que vai contra os interesses diretos de seu pai. Assim o relacionamento entre pai e filho é marcado por conflitos políticos e também pessoais.

O príncipe acaba se apaixonando por uma jovem, filha de um diplomata. Rudolf conhece Maria Vetsera (Catherine Deneuve) durante a apresentação de um balé e fica louco por ela. E qual seria o problema político envolvido nessa paixão? Muito simples, o príncipe já era casado, pai de uma filha. Um relacionamento extraconjugal seria um escândalo dentro da corte austríaca, muito católica e conservadora. Diante de mais esse deslize do filho, o imperador fica furioso e começa a fazer de tudo para que o romance chegue ao seu fim. O desfecho de toda essa novela acabaria resultando numa grande tragédia.

A morte precoce de Rudolf iria desencadear uma série de problemas históricos. Ele era o único na linha de sucessão ao trono. Sua morte até hoje é cercada de mistérios (que o filme não desenvolve, pois abraça a versão oficial) e iria ser o começo de uma série de problemas políticos que iriam eclodir na explosão da I |Guerra Mundial. O roteiro do filme porém não vai tão longe, preferindo contar a história de amor entre o príncipe e sua amante. Um detalhe curioso é que ele era o filho da imperatriz Sissi, tão conhecida dos cinéfilos por uma série de filmes clássicos. Quem a interpreta nesse filme é a diva Ava Gardner. Assim se você gosta dos filmes sobre Sissi não deixe de assistir também a essa excelente produção histórica. Afinal é um complemento aos outros filmes, mostrando Sissi numa fase mais madura de sua vida. Envelhecida e desiludida, ela é apenas um sombra da imperatriz que um dia foi. Em suma, esse é um ótimo filme histórico que explora muito bem o momento em que as velhas monarquias chegavam ao seu fim.

Mayerling (Inglaterra, França, 1968) Direção: Terence Young / Roteiro: Terence Young, baseado no romance escrito por Claude Anet e Michel Arnold / Elenco: Omar Sharif, Catherine Deneuve, Ava Gardner, James Mason / Sinopse: O imperador Francisco José I (James Mason) precisa lidar com um filho nada convencional, o príncipe Rudolf (Omar Sharif). Agora as coisas pioram pois ele se declara apaixonado pela jovem Maria Vetsera (Catherine Deneuve), mesmo sendo um homem casado e sucessor ao trono real. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em língua inglesa.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Doutor Jivago

Doutor Jivago
O filme Doutor Jivago (Doctor Zhivago) foi lançado em 22 de dezembro de 1965, dirigido por David Lean e estrelado por Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay. Baseado no romance de Boris Pasternak, o filme acompanha a vida de Yuri Jivago, um médico e poeta sensível que vive na Rússia durante um período de profundas transformações sociais e políticas, incluindo a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Ao longo de sua trajetória, Yuri se divide entre sua esposa Tonya e sua paixão por Lara, uma mulher que também enfrenta seus próprios dramas pessoais. A narrativa mistura romance, drama histórico e reflexão filosófica, explorando o impacto dos grandes eventos históricos na vida de indivíduos comuns. O filme se destaca por sua grandiosidade visual e pela forma como retrata o sofrimento humano em meio ao caos político. A relação entre Yuri e Lara é o coração emocional da história. A obra também aborda temas como destino, amor, perda e sobrevivência. Assim, Doutor Jivago se apresenta como um épico romântico de grande escala.

Quando foi lançado, Doutor Jivago recebeu uma recepção crítica mista, especialmente entre críticos americanos. O The New York Times elogiou a grandiosidade da produção, mas afirmou que o filme era “mais impressionante visualmente do que emocionalmente envolvente”. Já o Los Angeles Times destacou a direção de David Lean, afirmando que ele conseguiu criar “um espetáculo cinematográfico de rara beleza”. A revista Variety comentou que o filme era “um épico ambicioso, embora por vezes excessivamente longo e sentimental”. Muitos críticos elogiaram a fotografia e a recriação histórica, mas alguns consideraram o ritmo lento e a narrativa excessivamente melodramática. A performance de Omar Sharif foi bem recebida, sendo vista como sensível e contida. Por outro lado, alguns críticos questionaram o desenvolvimento dos personagens. A crítica, de maneira geral, reconheceu a qualidade técnica do filme, mas teve reservas quanto ao seu impacto emocional. Assim, a recepção inicial foi dividida, com elogios e críticas coexistindo.

Com o passar do tempo, a percepção crítica de Doutor Jivago se tornou mais positiva, especialmente em relação aos seus aspectos técnicos e sua força emocional. O filme foi indicado a 10 Oscars e venceu 5, incluindo Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora para Maurice Jarre, cuja música se tornou extremamente popular, especialmente o tema de Lara. A trilha sonora é considerada uma das mais memoráveis da história do cinema. Publicações como The New Yorker passaram a destacar o filme como um exemplo de grande cinema épico. A direção de David Lean foi reavaliada como uma das mais importantes de sua carreira. Muitos críticos passaram a valorizar mais o tom romântico e melancólico da narrativa. A construção visual e a escala da produção continuam sendo amplamente elogiadas. Assim, o filme conquistou um reconhecimento mais sólido ao longo dos anos. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

Do ponto de vista comercial, Doutor Jivago foi um enorme sucesso de bilheteria. O filme arrecadou mais de 110 milhões de dólares na época de seu lançamento, tornando-se uma das maiores bilheterias da década de 1960. Ajustado pela inflação, ele permanece entre os filmes mais lucrativos da história do cinema. O público respondeu de forma extremamente positiva ao romance épico e à grandiosidade visual do filme. A história de amor entre Yuri e Lara conquistou espectadores ao redor do mundo. O longa teve grande sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional. Exibições prolongadas nos cinemas contribuíram para seu desempenho financeiro. O filme também se tornou muito popular em reprises televisivas e no mercado doméstico. Assim, apesar da recepção crítica inicial dividida, o público abraçou o filme com entusiasmo. Seu sucesso comercial foi incontestável.

Atualmente, Doutor Jivago é amplamente considerado um dos grandes épicos românticos da história do cinema. O filme é frequentemente lembrado por sua fotografia deslumbrante e sua trilha sonora inesquecível. A história de amor trágica continua a emocionar novas gerações de espectadores. A direção de David Lean é vista como exemplar dentro do gênero épico. O filme também é reconhecido por sua representação da Rússia em um período turbulento. Críticos contemporâneos valorizam sua capacidade de equilibrar drama pessoal e contexto histórico. A atuação de Omar Sharif permanece como um dos pontos altos da obra. O longa é frequentemente incluído em listas de grandes clássicos do cinema. Dessa forma, sua reputação está plenamente consolidada. Doutor Jivago continua sendo uma referência no cinema mundial.

Doutor Jivago (Doctor Zhivago, Reino Unido / Estados Unidos, 1965) Direção: David Lean / Roteiro: Robert Bolt, baseado no romance de Boris Pasternak / Elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness e Tom Courtenay / Sinopse: Em meio às turbulências da Rússia revolucionária, um médico e poeta vive um intenso romance proibido que atravessa guerras, perdas e transformações sociais profundas.

Erick Steve. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

As Chaves do Reino

Título no Brasil: As Chaves do Reino
Título original: The Keys of the Kingdom
Ano de Produção: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Joseph L. Mankiewicz, John M. Stahl
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, Nunnally Johnson
Elenco: Gregory Peck, Thomas Mitchell, Vincent Price, Roddy McDowall, Edmund Gwenn, Peggy Ann Garner

Sinopse:
O filme conta a história do Padre Francis Chisholm (Gregory Peck). Assim que se ordena ele é enviado para uma missão na China. Suas ordens é de restaurar uma paróquia que foi destruída pela guerra. Ao chegar no distante país descobre que tudo está em ruínas e que colocar tudo em ordem novamente vai levar anos e anos. Ainda assim aceita esse grande desafio. Roteiro baseado no romance de grande sucesso escrito por de A.J. Cronin. 

Comentários:
Gregory Peck faz parte de um panteão de grandes atores da era clássica de Hollywood que jamais fez um filme medíocre em sua vida. O cinéfilo mais antigo já sabe, se no elenco estiver o nome de Peck, pode assistir sem qualquer receio. Vai ver um filme bom, com certeza. Esse é mais um deles. E o tema não deixa de ser espinhoso, mostrando a vida de um Padre tentando colocar novamente em pé uma paróquia católica em ruínas. Não vai ser algo fácil de realizar. Os chineses possuíam sua própria religiosidade, que nada tinha a ver com as doutrinas do catolicismo. Além de falta de seguidores ainda havia a desconfiança natural daquele povo contra estrangeiros em geral. Sua sorte é que acaba salvando a vida do filho de um poderoso Mandarim. Não com fé, mas com ciência, pois faz um tratamento contra uma infecção no garoto. Esse homem rico e influente acaba lhe ajudando a levantar uma nova igreja, um novo convento e tudo mais. Só que sempre há novos problemas surgindo no horizonte, um atrás do outro! Só com muita fé mesmo para resistir a tantas adversidades. Enfim, filme corajoso, muito bem atuado por todo um elenco acima da média e contando com a direção do mestre Joseph L. Mankiewicz. Realmente nada falta nesse grande filme do passado. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Filha da Pecadora

A Filha da Pecadora
O filme Desert Fury foi lançado em 1947, dirigido por Lewis Allen e estrelado por Jennifer Jones, John Hodiak, Lizabeth Scott, Burt Lancaster, Mary Astor e Wendell Corey. Ambientado em uma pequena cidade desértica de Nevada, o filme acompanha Paula Haller, filha de uma poderosa dona de cassino, que vive sob a forte influência da mãe. A chegada do misterioso Eddie Bendix, um homem com passado criminoso, desperta o interesse de Paula e provoca tensão na comunidade. Ao mesmo tempo, o leal xerife Tom Hanson observa com desconfiança os acontecimentos, tentando proteger Paula dos perigos que se aproximam. A narrativa mistura elementos de melodrama, romance e filme noir, explorando relações complexas e conflitos emocionais intensos. A atmosfera do deserto, capturada em cores vibrantes, contrasta com o clima sombrio da história. À medida que os segredos do passado de Eddie vêm à tona, a trama se torna mais densa e perigosa. Relações ambíguas e tensões latentes conduzem a história a um desfecho dramático. Assim, Desert Fury se destaca por sua combinação incomum de estilos e temas.

Quando foi lançado, Desert Fury recebeu uma recepção crítica mista, com elogios e críticas dividindo a opinião da imprensa americana. O The New York Times comentou que o filme possuía “uma narrativa curiosa, mas por vezes irregular em seu desenvolvimento”, destacando que a mistura de gêneros nem sempre funcionava plenamente. Já o Los Angeles Times elogiou a fotografia em Technicolor e a ambientação visual, afirmando que o filme “se destaca pelo uso impressionante das cores em um contexto geralmente associado ao preto e branco do noir”. A revista Variety apontou que o longa apresentava “um elenco forte, mas um roteiro que oscila entre o drama psicológico e o melodrama exagerado”. Muitos críticos reconheceram a tentativa de inovar ao combinar o estilo noir com cenários abertos e coloridos. No entanto, alguns consideraram que a narrativa carecia de maior coesão. A performance de Lizabeth Scott foi frequentemente elogiada por sua intensidade e presença. A crítica, de modo geral, viu o filme como uma experiência interessante, embora imperfeita. Assim, a recepção inicial refletiu tanto admiração quanto reservas.

A análise crítica continuou dividida, com algumas publicações destacando aspectos mais ousados do filme. A revista The New Yorker observou que o longa possuía “uma tensão emocional incomum para produções do gênero na época”. Muitos críticos também chamaram atenção para os subtextos presentes na relação entre certos personagens, algo que só seria mais amplamente discutido décadas depois. Embora o filme não tenha recebido grandes indicações a prêmios importantes como o Oscar, ele chamou atenção por sua abordagem estética diferenciada. A fotografia e o uso da cor foram frequentemente citados como elementos inovadores dentro do contexto do cinema noir. Com o passar dos anos, estudiosos começaram a reavaliar o filme sob uma nova perspectiva, reconhecendo sua originalidade. A combinação de melodrama, crime e tensão psicológica passou a ser vista como um experimento interessante dentro do cinema clássico de Hollywood. Dessa forma, o filme começou a ganhar uma reputação mais positiva entre críticos especializados. A reavaliação ajudou a destacar qualidades que haviam sido subestimadas em seu lançamento.

Do ponto de vista comercial, Desert Fury teve um desempenho moderado nas bilheterias. O filme conseguiu atrair público graças ao seu elenco estrelado e à popularidade de Jennifer Jones na época. No entanto, não alcançou o status de grande sucesso comercial. O público respondeu de maneira variada, com alguns espectadores apreciando o drama intenso e outros achando a narrativa excessivamente melodramática. A ambientação em Technicolor ajudou a diferenciar o filme de outros noirs do período, chamando atenção nas salas de cinema. Ao longo do tempo, o longa ganhou nova vida em exibições televisivas e no mercado doméstico. Muitos espectadores passaram a valorizar sua estética e atmosfera. Assim, embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria, o filme conseguiu manter sua relevância ao longo dos anos. Seu desempenho comercial pode ser considerado sólido, ainda que não extraordinário.

Atualmente, Desert Fury é visto como um filme cult dentro do cinema clássico de Hollywood. Críticos contemporâneos destacam sua ousadia estética e seus subtextos psicológicos como elementos que o diferenciam de outras produções da época. O filme é frequentemente citado como um exemplo de “noir em cores”, algo relativamente raro no período em que foi produzido. A atuação de Lizabeth Scott e a complexidade das relações entre os personagens são aspectos amplamente analisados. Estudos modernos também exploram as possíveis leituras simbólicas e emocionais da narrativa. A direção de Lewis Allen é reconhecida por sua capacidade de criar tensão em um ambiente visualmente luminoso. O filme passou a ser apreciado por sua singularidade dentro do gênero. Novas gerações de espectadores continuam descobrindo a obra. Dessa forma, Desert Fury conquistou um lugar especial entre os filmes cult do período clássico. Sua reputação cresceu significativamente com o tempo.

A Filha da Pecadora (Desert Fury, Estados Unidos, 1947) Direção: Lewis Allen / Roteiro: Robert Rossen e Ethel Hill, baseado no romance Desert Town, de Ramona Stewart / Elenco: Jennifer Jones, John Hodiak, Lizabeth Scott, Burt Lancaster, Mary Astor e Wendell Corey / Sinopse: Em uma cidade do deserto, uma jovem se envolve com um homem de passado suspeito, desencadeando conflitos emocionais e perigos ocultos que revelam segredos e tensões entre os personagens.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma Vida Por um Fio

Quando o filme começa, Leona Stevenson (Barbara Stanwyck) está desesperada ao telefone tentando localizar o marido. Ele ficou de chegar em casa cedo, mas simplesmente desaparece. No trabalho ninguém tem notícias. Ela é a filha herdeira de um rico industrial do ramo de produtos químicos. Está sozinha em casa e por causa de uma doença no coração não consegue se locomover. Ligando para várias pessoas ela vai descobrindo que existe um plano... para matá-la! Com isso o desespero se espalha, ainda mais depois que descobre que há um invasor em sua bela mansão. É o assassino, chegando para colocar um fim em sua vida.

Eu poderia definir esse clássico "Sorry, Wrong Number" como um drama de suspense e crime. A história é bem sórdida, se formos analisar bem. Há essa mulher rica, que decidiu por capricho se casar com um homem pobre, interpretado pelo ótimo Burt Lancaster. É um sujeito sem grandes valores pessoais. Embora diga que quer vencer na vida por seus próprios méritos, não pensa muito antes de entrar numa jogada criminosa, onde passa a roubar a fábrica de seu próprio sogro. Pior do que isso, ele descobre que há um seguro de vida de alguns milhões de dólares no nome de sua esposa. Se ela morrer, ele ficará milionário. Então juntando todos os pontos temos o ambiente ideal para o surgimento de um plano de assassinato.

Barbara Stanwyck está maravilhosa em sua atuação. Deitada a maior parte do filme em uma cama, com joias e cercada de todo o luxo, ela percebe que na verdade está no centro de um plano criminoso, onde ela é a principal vítima. Por esse trabalho ela foi indicada ao Oscar naquele ano. Já Burt Lancaster, que fez toda a sua carreira interpretando mocinhos e heróis, aqui surge como um mau caráter, um homem de valores vis, que só pensa em ficar rico, nem que para isso precise matar a própria esposa. Enfim, sordidez para todos os lados nesse grande filme clássico. Simplesmente imperdível.

Uma Vida Por um Fio (Sorry, Wrong Number, Estados Unidos, 1948) Direção: Anatole Litvak / Roteiro: Lucille Fletcher / Elenco: Barbara Stanwyck, Burt Lancaster, Ann Richards, Wendell Corey / Sinopse: Leona Stevenson (Barbara Stanwyck) é a rica herdeira que fica em casa, sozinha e sem ter como se locomover, por causa de uma doença no coração. A única coisa que tem para se comunicar com as pessoas é um telefone ao lado da cama. E sua casa acaba de ser invadida por um assassino profissional. Estaria seu marido por trás desse crime? Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor atriz (Barbara Stanwyck).

Pablo Aluísio.