Burt Lancaster foi um dos maiores e mais carismáticos atores da história do cinema norte-americano, dono de uma presença física imponente e de uma intensidade dramática que atravessou gêneros e décadas. Nascido em 2 de novembro de 1913, em Nova York, Lancaster teve uma juventude marcada pelo esporte e pelo circo, chegando a atuar como acrobata antes de ingressar no cinema. Essa formação incomum contribuiu para seu domínio corporal e para a energia singular que levava às telas.
Sua estreia em Hollywood aconteceu de forma impactante com Assassinos (1946), adaptação de Ernest Hemingway dirigida por Robert Siodmak. Desde o primeiro papel, Lancaster demonstrou força dramática e magnetismo, destacando-se no cinema noir e consolidando-se rapidamente como um astro. Diferente de muitos colegas da época, ele projetava uma masculinidade intensa, mas também vulnerável, o que ampliava o alcance emocional de seus personagens.
Durante os anos 1950, Burt Lancaster tornou-se um dos atores mais versáteis de Hollywood, transitando com naturalidade entre o faroeste, o drama histórico, o filme de aventura e o melodrama. Obras como O Homem de Alcatraz (1962), A Um Passo da Eternidade (1953) e Vera Cruz (1954) evidenciam sua capacidade de interpretar figuras complexas, frequentemente marcadas por conflitos morais, rebeldia e inconformismo diante da autoridade.
Lancaster também se destacou por sua independência artística e por desafiar o sistema dos grandes estúdios. Ao fundar a produtora Hecht-Hill-Lancaster, passou a ter maior controle sobre seus projetos, escolhendo filmes com conteúdo mais ousado e politicamente consciente. Essa postura o colocou à frente de seu tempo, permitindo-lhe abordar temas sociais, políticos e humanos com maior profundidade.
O reconhecimento máximo veio com o Oscar de Melhor Ator por Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960), no qual interpretou um pregador carismático e manipulador. A performance intensa e ambígua revelou um lado mais sombrio e complexo do ator, reafirmando sua coragem artística e seu domínio absoluto da cena. O papel permanece como um dos mais marcantes de sua carreira.
Além de seus trabalhos mais populares, Lancaster colaborou com grandes diretores e participou de produções europeias, ampliando seu repertório artístico. Filmes como O Leopardo (1963), dirigido por Luchino Visconti, demonstram sua sofisticação dramática e sua habilidade de se adaptar a estilos cinematográficos diversos, longe do modelo hollywoodiano tradicional.
Ao longo dos anos 1970 e 1980, Burt Lancaster passou a assumir papéis mais maduros, muitas vezes refletindo sobre o envelhecimento, a decadência e a memória. Sua atuação em Atlantic City (1980) foi amplamente elogiada e lhe rendeu uma indicação ao Oscar, mostrando que sua força interpretativa permanecia intacta mesmo com o passar do tempo.
Fora das telas, Lancaster era conhecido por seu engajamento político e por posições progressistas, apoiando causas sociais e civis. Essa postura reforçava sua imagem de artista consciente e comprometido, alguém que via o cinema não apenas como entretenimento, mas também como ferramenta de reflexão e transformação.
Burt Lancaster faleceu em 1994, deixando uma filmografia rica e diversa, marcada por personagens fortes e inesquecíveis. Seu legado permanece vivo como símbolo de liberdade artística, intensidade dramática e presença física rara.
Hoje, Burt Lancaster é lembrado como um ator completo, capaz de unir vigor físico, inteligência emocional e coragem criativa. Sua trajetória exemplifica o melhor do cinema clássico de Hollywood e sua transição para um cinema mais adulto e questionador, garantindo-lhe um lugar permanente entre os grandes nomes da história do cinema.
Erick Steve.

Cinema Clássico
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Ele também, apesar do porte físico avantajado, tinha um que de efeminado nos movimentos, jeiito de andar, etc., que nao conseguia esconder nem em Westerns serios como "Sem Lei, Sem Alma".
ResponderExcluirEle era um sujeito bem másculo, mas biografias mais recentes desvendaram que ele tinha fases de bissexualismo. E não escondia isso de ninguém, todos da comunidade de Hollywood sabiam disso, desse seu lado.
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