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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Marlon Brando (1954 - 1956)

Marlon Brando (1954 - 1956)
Aqui está três reviews de filmes de Marlon Brando lançados entre os anos de 1954 e 1956. Após um começo de carreira brilhante em Hollywood, no ano de 1950, Brando começou a enfrentar certos problemas com os produtores dos grandes estúdios. Além disso sua conturbada vida pessoal começou a chamar mais atenção da imprensa que seus próprios filmes. De qualquer maneira aqui estão três filmes lançados nessa fase da carreira de Marlon Brando. 

Desirée – O Amor de Napoleão 
O filme Desirée – O Amor de Napoleão (Désirée) foi lançado em 4 de novembro de 1954, dirigido por Henry Koster e estrelado por Marlon Brando, Jean Simmons, Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell e Elizabeth Sellars. Baseado no romance histórico Désirée, de Annemarie Selinko, o filme acompanha a vida de Désirée Clary, jovem francesa que vive um intenso romance com o então desconhecido oficial de artilharia Napoleon Bonaparte. Quando Napoleão decide romper o relacionamento para se casar com Joséphine de Beauharnais, visando fortalecer sua posição política, Désirée segue um caminho diferente. Anos depois, ela se casa com o marechal Jean-Baptiste Bernadotte, que viria a tornar-se rei da Suécia. Mesmo separados, os destinos de Désirée e Napoleão continuam ligados pelos grandes acontecimentos que transformaram a Europa no início do século XIX. O filme mistura romance, drama histórico e intrigas políticas, tendo como pano de fundo as Guerras Napoleônicas e a ascensão e queda do imperador francês.

Quando foi lançado, Desirée recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva. O The New York Times elogiou a produção por sua elegância visual e destacou que Marlon Brando oferecia “um Napoleão surpreendentemente humano e contido”. O Los Angeles Times ressaltou a química entre Brando e Jean Simmons, além da qualidade dos figurinos e da direção de arte. A revista Variety classificou o filme como “um romance histórico refinado e produzido com grande esmero”, observando que a Fox havia realizado uma produção de alto nível. Muitos críticos elogiaram Jean Simmons por interpretar Désirée com sensibilidade e inteligência, transformando-a na verdadeira força dramática da narrativa. Alguns especialistas, entretanto, observaram que Brando adotava um estilo de interpretação muito moderno para um personagem histórico do início do século XIX, o que dividiu opiniões. Ainda assim, a produção foi amplamente reconhecida como um drama histórico de qualidade. A recepção geral foi claramente favorável.

O reconhecimento artístico refletiu-se nas premiações. Desirée recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Direção de Arte em Cores e Melhor Figurino em Cores, sendo elogiado pela reconstituição da França napoleônica e dos palácios europeus. Embora não tenha conquistado estatuetas, o filme foi considerado uma das produções históricas mais elegantes de 1954. Publicações como The New Yorker destacaram o cuidado da direção de Henry Koster em privilegiar o desenvolvimento emocional dos personagens em vez de transformar a história em um simples espetáculo militar. Ao longo das décadas, diversos historiadores observaram que o filme toma algumas liberdades em relação aos fatos históricos, especialmente na dramatização do relacionamento entre Désirée e Napoleão. Ainda assim, a obra permaneceu respeitada como uma adaptação cinematográfica competente do romance de Annemarie Selinko. Sua reputação crítica manteve-se estável ao longo do tempo.

Do ponto de vista comercial, Desirée foi um sucesso expressivo para a 20th Century Fox. Produzido com um orçamento elevado e fotografado em CinemaScope, o filme atraiu grande público interessado tanto na figura histórica de Napoleão quanto na presença de Marlon Brando, que vivia um dos momentos mais importantes de sua carreira após On the Waterfront. As bilheterias foram bastante satisfatórias nos Estados Unidos e também em diversos países europeus, onde a temática napoleônica despertava especial interesse. O público elogiou os cenários grandiosos, os figurinos luxuosos e o romance central da narrativa. Exibições posteriores na televisão ajudaram a manter viva sua popularidade durante as décadas seguintes. Assim, o filme consolidou-se como um dos dramas históricos de maior sucesso comercial dos anos 1950.

Atualmente, Desirée continua sendo considerado uma das melhores cinebiografias românticas sobre Napoleão Bonaparte. Embora produções posteriores tenham buscado retratos historicamente mais detalhados do imperador, o filme permanece admirado por sua elegância visual, pela excelente interpretação de Jean Simmons e pela curiosa composição de Marlon Brando como Napoleão. Críticos modernos destacam que o longa privilegia a dimensão humana e sentimental dos personagens históricos, diferenciando-se dos grandes épicos militares sobre o período napoleônico. A fotografia em CinemaScope, os figurinos e a direção de arte continuam sendo aspectos muito elogiados. Para admiradores de romances históricos e do cinema clássico de Hollywood, Desirée permanece uma obra sofisticada e envolvente. Mais de setenta anos após sua estreia, continua sendo uma referência importante dentro do gênero.

Desirée – O Amor de Napoleão (Désirée, Estados Unidos, 1954) Direção: Henry Koster / Roteiro: Daniel Taradash, baseado no romance Désirée, de Annemarie Selinko / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons, Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell e Elizabeth Sellars / Sinopse: A jovem Désirée Clary vive um intenso romance com Napoleão Bonaparte, mas seus caminhos se separam quando ele escolhe o poder político. Anos depois, ela torna-se rainha da Suécia, enquanto acompanha de longe a ascensão e a queda do homem que marcou sua juventude.

Eles e Elas 
O filme Eles e Elas (Guys and Dolls) foi lançado em 3 de novembro de 1955, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e estrelado por Marlon Brando, Jean Simmons, Frank Sinatra, Vivian Blaine, Stubby Kaye e Robert Keith. Baseado no famoso musical da Broadway criado por Jo Swerling e Abe Burrows, com músicas de Frank Loesser, o filme acompanha duas histórias de amor ambientadas no vibrante universo dos apostadores de Nova York. O carismático jogador Sky Masterson aceita uma aposta para conquistar Sarah Brown, uma dedicada missionária do Exército da Salvação. Paralelamente, o veterano apostador Nathan Detroit tenta finalmente se casar com sua noiva Adelaide, depois de mantê-la esperando durante quatorze anos. Repleto de números musicais memoráveis, humor refinado e romance, o filme preserva o espírito da montagem teatral, ao mesmo tempo em que amplia sua escala cinematográfica. Assim, Eles e Elas tornou-se um dos grandes musicais produzidos por Hollywood na década de 1950.

Quando foi lançado, Eles e Elas recebeu uma recepção crítica amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um musical exuberante, espirituoso e magnificamente produzido”, elogiando a direção elegante de Joseph L. Mankiewicz. O Los Angeles Times destacou a química entre Marlon Brando e Jean Simmons, além da energia de Frank Sinatra em suas cenas musicais. A revista Variety classificou a produção como “uma adaptação luxuosa que preserva o charme do espetáculo original”. Muitos críticos ficaram inicialmente curiosos com a escolha de Marlon Brando, conhecido principalmente por papéis dramáticos, para interpretar um protagonista de musical. No entanto, sua atuação foi considerada surpreendentemente eficiente, especialmente nas cenas românticas e nas canções. A fotografia colorida, os figurinos e a direção de arte também receberam elogios. Dessa forma, a crítica reconheceu o filme como uma das principais adaptações musicais da década.

O reconhecimento artístico também apareceu durante a temporada de premiações. Eles e Elas recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Fotografia em Cores, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino em Cores e Melhor Trilha Sonora de Musical, embora não tenha conquistado nenhuma estatueta. Também foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia, enquanto Jean Simmons recebeu elogios por sua interpretação de Sarah Brown. Publicações como The New Yorker destacaram a habilidade de Mankiewicz em equilibrar humor, romance e espetáculo musical. Alguns críticos lamentaram apenas que diversas canções da versão teatral tivessem sido modificadas ou substituídas para a adaptação cinematográfica. Ainda assim, o consenso foi de que o filme preservava a essência da obra da Broadway. Ao longo das décadas, a reputação crítica permaneceu bastante elevada.

Do ponto de vista comercial, Eles e Elas foi um sucesso expressivo. Produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer com um orçamento elevado para a época, o filme arrecadou cerca de US$ 13 milhões nas bilheterias mundiais, tornando-se um dos musicais de maior sucesso de 1955. A reunião de duas das maiores estrelas de Hollywood — Marlon Brando e Frank Sinatra — despertou enorme interesse do público. Os números musicais, especialmente "Luck Be a Lady" e "Sit Down, You're Rockin' the Boat", conquistaram grande popularidade. O longa também teve excelente desempenho internacional e permaneceu em cartaz durante muitos meses. Exibições posteriores na televisão e lançamentos em vídeo doméstico ampliaram ainda mais sua audiência. Assim, o filme consolidou-se como um importante sucesso comercial da MGM e reforçou a popularidade do musical cinematográfico nos anos 1950.

Atualmente, Eles e Elas é considerado um dos grandes clássicos dos musicais hollywoodianos. Críticos modernos continuam elogiando sua elegante direção, a qualidade de suas canções e o elenco de primeira linha. A atuação de Marlon Brando, antes vista com certa desconfiança, passou a ser reconhecida como uma interessante demonstração de sua versatilidade como ator. A presença de Frank Sinatra também permanece um dos maiores atrativos da produção. Embora alguns apreciadores do musical da Broadway prefiram a versão teatral, a adaptação cinematográfica é frequentemente incluída entre os melhores musicais já produzidos por Hollywood. Sua influência pode ser percebida em diversas produções posteriores do gênero. Quase sete décadas após sua estreia, Eles e Elas continua encantando novas gerações de espectadores com seu humor, romantismo e músicas inesquecíveis.

Eles e Elas (Guys and Dolls, Estados Unidos, 1955) Direção: Joseph L. Mankiewicz / Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, baseado no musical Guys and Dolls, de Jo Swerling e Abe Burrows, inspirado em contos de Damon Runyon, com músicas de Frank Loesser / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons, Frank Sinatra, Vivian Blaine, Stubby Kaye e Robert Keith / Sinopse: Um apostador aceita o desafio de conquistar uma missionária, enquanto outro tenta finalmente convencer sua noiva a se casar, em uma divertida história de romance, música e apostas na Nova York dos anos 1950

Casa de Chá do Luar de Agosto 
O filme Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon) foi lançado em 29 de novembro de 1956, dirigido por Daniel Mann e estrelado por Marlon Brando, Glenn Ford, Machiko Kyō, Eddie Albert, Paul Ford e Harry Morgan. Baseado na peça teatral de John Patrick, vencedora do Prêmio Pulitzer, que por sua vez foi inspirada no romance de Vern Sneider, o filme se passa em Okinawa logo após a Segunda Guerra Mundial. A história acompanha o capitão Fisby, um oficial do Exército dos Estados Unidos encarregado de americanizar uma pequena aldeia japonesa. Para ajudá-lo, é designado Sakini, um intérprete local espirituoso e extremamente astuto. Em vez de seguir rigorosamente as ordens da ocupação militar, Fisby passa a compreender e respeitar os costumes dos moradores, incentivando a construção de uma tradicional casa de chá em vez de projetos burocráticos impostos pelos superiores. A narrativa utiliza humor e sátira para discutir o choque entre culturas, mostrando como o diálogo e o respeito podem superar preconceitos. O personagem Sakini, interpretado por Marlon Brando, tornou-se um dos papéis mais incomuns de sua carreira.

Quando foi lançado, Casa de Chá do Luar de Agosto recebeu uma recepção crítica positiva, embora dividida em alguns aspectos. O The New York Times elogiou o humor inteligente do roteiro e destacou a mensagem humanista da obra, descrevendo-a como “uma comédia encantadora e surpreendentemente sensível”. O Los Angeles Times ressaltou a qualidade da adaptação da peça teatral e a boa atuação de Glenn Ford. A revista Variety considerou o filme “uma sátira sofisticada sobre os excessos da burocracia militar”, elogiando também sua direção discreta. Entretanto, a interpretação de Marlon Brando gerou opiniões divergentes. Muitos críticos admiraram sua coragem em assumir um personagem completamente diferente dos papéis dramáticos pelos quais era conhecido, enquanto outros consideraram exagerados o sotaque e a caracterização do ator. Ainda assim, a produção foi amplamente elogiada por seu humor elegante e por sua crítica social.

Na temporada de premiações, Casa de Chá do Luar de Agosto recebeu três indicações ao Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor Ator – Musical ou Comédia para Glenn Ford e Melhor Ator Coadjuvante para Eddie Albert. Embora não tenha sido indicado ao Oscar, o filme manteve o prestígio da peça original, que havia conquistado enorme sucesso na Broadway. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente o equilíbrio entre comédia e reflexão política, observando que o filme conseguia abordar temas delicados sem perder seu tom leve. Ao longo dos anos, porém, alguns estudiosos passaram a questionar a escolha de Marlon Brando — um ator americano — para interpretar um personagem okinawano, apontando que essa decisão reflete práticas comuns da Hollywood da época, mas que hoje são vistas de forma crítica. Apesar disso, a qualidade do roteiro e das atuações continua sendo reconhecida.

Do ponto de vista comercial, Casa de Chá do Luar de Agosto foi um bom sucesso para a Metro-Goldwyn-Mayer. O prestígio da peça teatral e a popularidade de Marlon Brando e Glenn Ford atraíram um público expressivo aos cinemas. Embora não tenha alcançado as bilheterias dos grandes épicos da década, o filme recuperou seu investimento e teve excelente desempenho especialmente nos Estados Unidos. A crítica favorável e o boca a boca contribuíram para sua permanência em cartaz durante vários meses. Posteriormente, a obra encontrou nova audiência por meio da televisão e do mercado de vídeo doméstico. Seu humor acessível e sua mensagem de tolerância ajudaram a manter sua popularidade ao longo das décadas. Assim, o filme consolidou-se como uma das comédias mais lembradas da carreira de Brando.

Atualmente, Casa de Chá do Luar de Agosto continua sendo visto como uma produção inteligente e humanista, embora também desperte debates por aspectos relacionados à representação cultural. Críticos modernos elogiam sua defesa do respeito entre povos diferentes, sua crítica ao autoritarismo burocrático e a delicadeza com que trata o choque de culturas no pós-guerra. A interpretação de Marlon Brando permanece controversa: alguns a consideram uma demonstração de sua extraordinária versatilidade, enquanto outros a veem como um exemplo das limitações de representatividade do cinema hollywoodiano dos anos 1950. Ainda assim, o filme é reconhecido por sua qualidade narrativa, pelos diálogos espirituosos e pela excelente atuação de Glenn Ford. Mais de seis décadas após sua estreia, Casa de Chá do Luar de Agosto permanece uma obra importante tanto para a história da comédia quanto para a reflexão sobre o encontro entre diferentes culturas.

Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon, Estados Unidos, 1956) Direção: Daniel Mann / Roteiro: John Patrick, baseado em sua peça The Teahouse of the August Moon, inspirada no romance homônimo de Vern Sneider / Elenco: Marlon Brando, Glenn Ford, Machiko Kyō, Eddie Albert, Paul Ford e Harry Morgan / Sinopse: Um oficial americano enviado para administrar uma aldeia em Okinawa acaba aprendendo a valorizar as tradições locais graças à influência de um esperto intérprete, descobrindo que a compreensão entre culturas pode ser mais eficaz do que a imposição de regras.

Erick Steve e Pablo Aluísio. 

Désirée - O Amor de Napoleão

Désirée - O Amor de Napoleão
Napoleão Bonaparte (Marlon Brando) é um general francês que em sucessivas batalhas acaba conquistando vastas terras e países. Feroz no campo de batalha, ele se rende ao amor de Désirée Clary (Jean Simmons), uma linda jovem que encanta o grande conquistador.  Marlon Brando fez esse filme com literalmente uma espada sobre sua cabeça. Acontece que ele abandonou o set de "O Egipcio" depois de discutir com o produtor e sair falando aos quatro ventos que o filme "era uma tremenda porcaria com péssimo roteiro, um dos piores que já tinha visto na vida". O estúdio então o processou em algumas centenas milhares de dólares. Na audiência inaugural perante o juiz Marlon acabou entrando no seguinte acordo: ele filmaria Desirée do mesmo estúdio e se livraria do processo em que estava envolvido.

Apesar de ter feito o filme por acordo judicial Brando resolveu causar o maior número de problemas possíveis no set de Desirée. Errava as cenas de propósito e fazia sotaques inadequados ao imperador francês, como um inglês arcaico ou um caipira do sul dos EUA; Claro que tudo resultou em muita dor de cabeça para a produção, sempre refilmando as cenas em que Brando propositalmente destruía. O auge de sua rebeldia foi ter levado uma mangueira de bombeiro para o luxuoso set e molhar todo o cenário, estragando inclusive as luxuosas roupas da produção. Ele estava se vingando do processo que sofreu. Apesar das confusões o filme foi terminado e se tornou um grande sucesso da carreira de Brando que depois disse em tom irônico: "O público americano não é dos mais inteligentes que existem do mundo".

Desirée - O Amor de Napoleão (Désirée, Estados Unidos, 1954) Direção: Henry Koster / Roteiro: Annemarie Selinko, Daniel Taradash / Elenco: Marlon Brando, Jean Simmons,  Merle Oberon, Michael Rennie, Cameron Mitchell / Sinopse: Napoleão Bonaparte (Marlon Brando) é um general francês que em sucessivas batalhas acaba conquistando vastas terras e países. Feroz no campo de batalha, ele se rende ao amor de Désirée Clary (Jean Simmons), uma linda jovem que encanta o grande conquistador.

Pablo Aluísio.