segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Burt Lancaster

Perfil: Burt Lancaster
Burt Lancaster foi um dos maiores e mais carismáticos atores da história do cinema norte-americano, dono de uma presença física imponente e de uma intensidade dramática que atravessou gêneros e décadas. Nascido em 2 de novembro de 1913, em Nova York, Lancaster teve uma juventude marcada pelo esporte e pelo circo, chegando a atuar como acrobata antes de ingressar no cinema. Essa formação incomum contribuiu para seu domínio corporal e para a energia singular que levava às telas.

Sua estreia em Hollywood aconteceu de forma impactante com Assassinos (1946), adaptação de Ernest Hemingway dirigida por Robert Siodmak. Desde o primeiro papel, Lancaster demonstrou força dramática e magnetismo, destacando-se no cinema noir e consolidando-se rapidamente como um astro. Diferente de muitos colegas da época, ele projetava uma masculinidade intensa, mas também vulnerável, o que ampliava o alcance emocional de seus personagens.

Durante os anos 1950, Burt Lancaster tornou-se um dos atores mais versáteis de Hollywood, transitando com naturalidade entre o faroeste, o drama histórico, o filme de aventura e o melodrama. Obras como O Homem de Alcatraz (1962), A Um Passo da Eternidade (1953) e Vera Cruz (1954) evidenciam sua capacidade de interpretar figuras complexas, frequentemente marcadas por conflitos morais, rebeldia e inconformismo diante da autoridade.

Lancaster também se destacou por sua independência artística e por desafiar o sistema dos grandes estúdios. Ao fundar a produtora Hecht-Hill-Lancaster, passou a ter maior controle sobre seus projetos, escolhendo filmes com conteúdo mais ousado e politicamente consciente. Essa postura o colocou à frente de seu tempo, permitindo-lhe abordar temas sociais, políticos e humanos com maior profundidade.

O reconhecimento máximo veio com o Oscar de Melhor Ator por Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960), no qual interpretou um pregador carismático e manipulador. A performance intensa e ambígua revelou um lado mais sombrio e complexo do ator, reafirmando sua coragem artística e seu domínio absoluto da cena. O papel permanece como um dos mais marcantes de sua carreira.

Além de seus trabalhos mais populares, Lancaster colaborou com grandes diretores e participou de produções europeias, ampliando seu repertório artístico. Filmes como O Leopardo (1963), dirigido por Luchino Visconti, demonstram sua sofisticação dramática e sua habilidade de se adaptar a estilos cinematográficos diversos, longe do modelo hollywoodiano tradicional.

Ao longo dos anos 1970 e 1980, Burt Lancaster passou a assumir papéis mais maduros, muitas vezes refletindo sobre o envelhecimento, a decadência e a memória. Sua atuação em Atlantic City (1980) foi amplamente elogiada e lhe rendeu uma indicação ao Oscar, mostrando que sua força interpretativa permanecia intacta mesmo com o passar do tempo.

Fora das telas, Lancaster era conhecido por seu engajamento político e por posições progressistas, apoiando causas sociais e civis. Essa postura reforçava sua imagem de artista consciente e comprometido, alguém que via o cinema não apenas como entretenimento, mas também como ferramenta de reflexão e transformação.

Burt Lancaster faleceu em 1994, deixando uma filmografia rica e diversa, marcada por personagens fortes e inesquecíveis. Seu legado permanece vivo como símbolo de liberdade artística, intensidade dramática e presença física rara.

Hoje, Burt Lancaster é lembrado como um ator completo, capaz de unir vigor físico, inteligência emocional e coragem criativa. Sua trajetória exemplifica o melhor do cinema clássico de Hollywood e sua transição para um cinema mais adulto e questionador, garantindo-lhe um lugar permanente entre os grandes nomes da história do cinema.

Erick Steve. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Brutalidade Mortal

Título no Brasil: Brutalidade Mortal
Título Original: Brute Force
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jules Dassin
Roteiro: Richard Brooks, Robert Patterson
Elenco: Burt Lancaster, Hume Cronyn, Yvonne De Carlo, Charles Bickford, Ella Raines, Sam Levene

Sinopse:
Na superlotada Penitenciária de Westgate, onde a violência e o medo são normas e o diretor tem menos poder do que os guardas e os principais prisioneiros, a violência explode a todo momento. O condenado violento, durão e obstinado Joe Collins (Lancaster) quer revanche contra o chefe da guarda, Capitão Munsey, um pequeno ditador que se orgulha do poder absoluto. Depois de muitas infrações, Joe e seus companheiros de cela são colocados no temido cano de esgoto; provocando um esquema de fuga que tem todas as chances de se transformar em um banho de sangue.

Comentários:
Esse segundo filme da carreira do ator Burt Lancaster foi considerado muito visceral e brutal, fazendo jus ao seu título. A história se passa dentro de uma prisão onde os condenados vivem praticamente como bestas, como animais enjaulados. Para Lancaster o filme foi muito adequado. Jovem, atlético e musculoso, mas ainda não muito experiente como ator, ele conseguiu se sobressair nas cenas de lutas e pancadaria. Só com o tempo é que esse ex-trapezista de circo iria finalmente se desenvolver como bom intérprete de papéis dramáticos, afinal tudo tem seu tempo e momento de acontecer. De uma forma ou outra uma coisa não se pode negar, até hoje impressiona pela força de suas imagens. E pensar que um filme com uma história tão atroz assim foi lançado nos anos 1940. Pois é, o cinema americano já estava em seu auge por essa época. Obs: Esse filme também é conhecido no Brasil apenas como "Brutalidade", pois foi exibido com esse nome em algumas reprises na madrugadas televisivas dos canais abertos nacionais. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Dias de Glória

Título no Brasil: Dias de Glória
Título Original: Days of Glory
Ano de Lançamento: 1944
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Jacques Tourneur
Roteiro: Herbert Dalmas, John Houseman
Elenco: Gregory Peck, Tamara Toumanova, Alan Reed, Lowell Gilmore, Glen Vernon, Erskine Sanford

Sinopse:
Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de guerrilheiros soviéticos luta contra a ocupação nazista atrás das linhas inimigas. Liderados pelo idealista Vladimir, eles realizam operações de sabotagem enquanto enfrentam privações extremas, traições e sacrifícios pessoais. No meio do conflito, surge um romance improvável que humaniza a brutalidade da guerra e expõe o alto custo da resistência.

Comentários: 
Esse clássico filme também é conhecido pelo título "Quando a Neve Tornar a Cair". Este foi o primeiro papel de destaque de Gregory Peck no cinema, lançando sua carreira em Hollywood. A direção coube ao cineasta Jacques Tourneur, conhecido por clássicos como Cat People e Out of the Past. A bailarina russa Tamara Toumanova atua como protagonista feminina, trazendo forte presença dramática ao filme. Produzido durante a guerra, o filme apresenta uma visão simpática à resistência soviética, algo comum em produções americanas do período em que EUA e URSS eram aliados. Apesar de orçamento modesto, o filme se destaca pela tensão psicológica e pelo tom sombrio. Com o início da Guerra Fria, o filme passou a ser visto de forma controversa devido à sua abordagem política. E com a chegada da paranoia anticomunista que varreu os Estados Unidos a partir dos anos 50 o filme foi praticamente banido e saiu de circulação. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Almas Rebeldes

Título no Brasil: Almas Rebeldes
Título Original: Strange Cargo
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Frank Borzage
Roteiro: John Lee Mahin, Richard Sale
Elenco: Clark Gable, Joan Crawford, Ian Hunter, Peter Lorre, Paul Lukas, J. Edward Bromberg

Sinopse:
Um grupo improvável de prisioneiros foge de uma colônia penal em uma ilha tropical, liderado pelo cínico Verne (Gable). Durante a fuga, eles conhecem Julie, uma mulher marcada por seu passado, e Cambreau, um misterioso forasteiro cuja presença desperta reflexões morais e espirituais. À medida que enfrentam perigos naturais e humanos, a jornada se transforma em um caminho de redenção, fé e confronto interior.

Comentários:
O filme reúne novamente Clark Gable e Joan Crawford, uma das parcerias mais famosas da Hollywood clássica. Dirigido por Frank Borzage, conhecido por seu estilo romântico e espiritual, o longa aborda temas de redenção e transcendência. Peter Lorre entrega uma atuação memorável como um dos fugitivos, acrescentando ambiguidade moral à história. A figura de Cambreau foi interpretada por muitos críticos como uma alegoria religiosa, o que gerou controvérsia na época. A produção enfrentou problemas com a censura, que considerou o conteúdo espiritual e moral “ousado” para os padrões do período. Hoje, Strange Cargo é visto como um dos filmes mais profundos e subestimados da carreira de Clark Gable.

Christian De Bella.

Em Cartaz: Almas Rebeldes
O drama Strange Cargo estreou nos cinemas em junho de 1940, dirigido por Frank Borzage e estrelado por Clark Gable e Joan Crawford, dois dos maiores astros da MGM naquele período. Ambientado em uma colônia penal na Guiana Francesa, o filme acompanha um grupo de prisioneiros fugitivos liderados por um criminoso cínico que, durante a jornada, entra em contato com um misterioso personagem de natureza quase espiritual. O longa surpreendeu desde o lançamento por seu tom filosófico e religioso, incomum para um drama de aventura estrelado por Gable.

Do ponto de vista da bilheteria, Strange Cargo teve um desempenho apenas moderado. Embora tenha contado com grandes estrelas e produção da MGM, o filme não alcançou os números esperados para um veículo de Clark Gable, especialmente quando comparado a sucessos mais convencionais do ator. A temática abstrata e o simbolismo religioso limitaram seu apelo junto ao grande público, fazendo com que o filme fosse visto mais como uma obra de prestígio artístico do que como um sucesso popular imediato.

A reação da crítica em 1940 foi dividida, refletindo o caráter incomum da produção. O The New York Times, em crítica assinada por Bosley Crowther, descreveu o filme como “estranho, sombrio e impregnado de simbolismo místico”, observando que a obra se afastava radicalmente do realismo esperado em um drama de prisão. Embora o jornal reconhecesse a força visual e a atmosfera criada por Borzage, também apontava que o significado espiritual do filme poderia confundir parte da audiência.

Outras publicações reagiram de forma igualmente ambígua. A revista Variety comentou que Strange Cargo era “ousado e incomum para os padrões de Hollywood”, elogiando a fotografia e a intensidade dramática, mas advertindo que o filme não seguia uma narrativa tradicional. Alguns jornais regionais foram mais críticos, classificando a obra como “pesada e excessivamente alegórica”, enquanto outros destacaram a coragem do estúdio em lançar um filme tão pouco convencional em um período dominado por entretenimento escapista.

Com o passar dos anos, Strange Cargo passou por uma reavaliação crítica significativa, sendo hoje visto como uma das obras mais pessoais e espirituais de Frank Borzage. As críticas publicadas em 1940 já indicavam que o filme não buscava agradar facilmente, mas provocar reflexão. Atualmente, ele é considerado um clássico cult do cinema americano, lembrado por seu simbolismo ousado, pela atuação contida de Clark Gable e por representar um raro exemplo de cinema metafísico produzido dentro do sistema dos grandes estúdios de Hollywood.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Príncipe e o Mendigo

Título no Brasil: O Príncipe e o Mendigo
Título Original: The Prince and the Pauper
Ano de Lançamento: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros 
Direção: William Keighley
Roteiro: Norman Reilly Raine, Rowland Leigh
Elenco: Errol Flynn, Claude Rains, Billy Mauch, Bobby Mauch, Alan Hale, Barton MacLane

Sinopse:
Na Inglaterra do século XVI, o jovem príncipe Eduardo conhece Tom Canty, um garoto pobre idêntico a ele. Por curiosidade e desejo de viver outras experiências, os dois decidem trocar de lugar. Enquanto o príncipe enfrenta a dura realidade das ruas de Londres, o mendigo é lançado no rígido e perigoso mundo da corte real. A troca de identidades provoca confusões, injustiças e aventuras, culminando em uma lição sobre poder, compaixão e justiça.

Comentários:
O filme é baseado no romance clássico de Mark Twain, publicado em 1881. Errol Flynn interpretou o vilão Miles Hendon, em um de seus papéis mais lembrados fora do gênero de capa-e-espada tradicional. Os irmãos gêmeos Billy e Bobby Mauch interpretaram o príncipe e o mendigo, facilitando as cenas de troca de identidade. A produção foi um grande sucesso da Warner Bros. nos anos 1930, conhecida por seus filmes de aventura luxuosos. Claude Rains recebeu elogios por sua atuação como o cruel Duque de Norfolk. É considerada uma das melhores adaptações cinematográficas da obra de Mark Twain. Por essas e outras razões deixo a indicação mais do que preciosa desse filme clássico. É para se ter na coleção de qualquer cinéfilo que se preze!

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A Carga da Brigada Ligeira

A Carga da Brigada Ligeira
Produção da década de 1930 que mostra com muita eficiência um dos fatos mais marcantes da história militar inglesa. O filme é de 1936 mas tem um roteiro tão bom, uma produção tão bem feita que nem parece que tem mais de sete décadas de existência. O argumento é baseado em fatos históricos: a história do regimento 27 de lanceiros do exército britânico na Índia. Durante uma invasão a um forte guarnecido pela companhia, um líder tribal local promoveu uma verdadeira chacina matando mulheres e crianças. Em represália o jovem Major Geoffrey Vickers (Errol Flynn) resolve por conta própria e em desrespeito a uma ordem direta atacar as tropas russas e do Khan para vingar a morte daquelas pessoas. A história real foi trágica e culminou na morte de vários soldados mas o roteiro, como era de se esperar, não trata do assunto como um erro de guerra mas como um ato de bravura desses militares. O debate sobre o valor ou desvalor desse ato segue em discussão até os dias de hoje. Até que ponto um oficial pode ignorar ordens superiores mesmo que baseado em um correto senso de justiça?

O elenco é liderado pelo astro da época, Errol Flynn. Lembrando certos momentos de filmes anteriores seus o ator consegue trazer credibilidade ao papel. Como era um galã o roteiro traz o seu inevitável interesse romântico contando novamente com Olivia de Havilland. O diferencial é que aqui ela é disputada por Flynn e seu irmão, um agente da diplomacia inglesa. David Niven também está no filme mas em um papel tão apagado que sua presença é desperdiçada,  pois o seu personagem é totalmente secundário e coadjuvante. A produção é mais uma bem sucedida parceria entre o cineasta veterano Michael Curtiz e o astro Errol Flynn. Juntos realizaram grandes sucessos como "As Aventuras de Robin Hood" e "Capitão Blood", sempre contando com a ótima produção dos estúdios Warner. Em suma, "A Carga da Brigada Ligeira" ainda é um excelente filme e mostra que é possível mesclar eventos reais históricos com ficção sem perder a qualidade e o interesse. Recomendo com certeza!

A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade,Estados Unidos, 1936) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Michael Jacoby baseado na obra de Alfred Lord Tennyson / Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Patric Knowles, Henry Stephenson, Donald Crisp, Nigel Bruce, David Niven / Sinopse: O filme narra a história do regimento 27 de lanceiros do exército britânico na Índia. Durante uma invasão a um forte guarnecido pela companhia, um líder tribal local promoveu uma verdadeira chacina matando mulheres e crianças. Em represália o jovem Major Geoffrey Vickers (Errol Flynn) resolve por conta própria e em desrespeito a uma ordem dada atacar as tropas russas e do Khan para vingar a morte daquelas pessoas.

Pablo Aluísio.


A Carga da Brigada Ligeira
O épico A Carga da Brigada Ligeira estreou em novembro de 1936, produzido pela Warner Bros. e dirigido por Michael Curtiz, com Errol Flynn no papel principal. Inspirado livremente no poema de Alfred, Lord Tennyson e em episódios da Guerra da Crimeia, o filme foi concebido como uma grande produção de aventura histórica, explorando heroísmo, honra militar e sacrifício. O lançamento ocorreu em um momento em que Hollywood investia fortemente em épicos de ação e aventuras exóticas, e o estúdio promoveu o filme como um espetáculo visual e emocional de grande escala.

Do ponto de vista comercial, A Carga da Brigada Ligeira teve um desempenho sólido de bilheteria, embora não tenha sido o maior sucesso do ano para o estúdio. Com um orçamento elevado para a época — estimado em cerca de US$ 1,2 milhão — o filme atraiu grande público nos Estados Unidos e no exterior, beneficiando-se do carisma de Errol Flynn, que já havia se tornado uma estrela após Capitão Blood. A produção acabou se pagando e consolidou ainda mais Flynn como um dos grandes astros de aventura dos anos 1930.

A recepção crítica na época foi majoritariamente positiva, especialmente no que dizia respeito ao espetáculo visual e à encenação das batalhas. O jornal The New York Times escreveu que o filme era “um espetáculo vibrante, repleto de ação e romance, feito para emocionar o público”, destacando a energia da direção de Curtiz e a imponência da sequência final. Já a revista Variety descreveu a obra como “uma produção grandiosa, com ritmo rápido e apelo popular evidente”, elogiando sua capacidade de entreter o grande público.

Alguns críticos, contudo, apontaram reservas quanto às liberdades históricas tomadas pelo roteiro. O The Hollywood Reporter observou que, embora o filme fosse “empolgante como entretenimento, sua abordagem da história era mais lendária do que factual”. Ainda assim, essas críticas vinham geralmente acompanhadas do reconhecimento de que o filme cumpria plenamente seu objetivo como cinema de aventura, com cenas de batalha consideradas impressionantes para os padrões técnicos da década de 1930.

Com o passar do tempo, A Carga da Brigada Ligeira consolidou-se como um clássico do cinema de aventura hollywoodiano, lembrado tanto por sua sequência final icônica quanto pelo desempenho carismático de Errol Flynn. As reações da imprensa em 1936 já indicavam que o filme seria valorizado menos como um retrato histórico rigoroso e mais como um exemplo do poder narrativo e visual do cinema clássico de estúdio. Hoje, ele permanece como um marco do gênero e um retrato emblemático da era dourada de Hollywood.

Filmografia Errol Flynn


Filmografia Errol Flynn:
O Capitão Blood 
A Carga da Brigada Ligeira
Luz de Esperança
O Príncipe e o Mendigo
Outra Aurora
O Homem Perfeito
As Aventuras de Robin Hood
Amando Sem Saber
As Irmãs
Patrulha da Madrugada
Uma Cidade que Surge
Meu Reino Por um Amor
Caravana de Ouro
O Gavião do Mar
A Estrada de Santa Fé
Caminhando nas Sombras
Demônios do Céu
O Intrépido General Custer
Fugitivos do Inferno
O Ídolo do Público
Revolta!
Graças a Minha Boa Estrela
Perseguidos
Três Dias de Vida
Um Punhado de Bravos
Cidade Sem Lei
Nunca Me Digas Adeus
Mansão da Loucura
Quero-te Junto a Mim
Sangue e Prata
As Aventuras de Don Juan
Mademoiselle Fifi
A Glória de Amar
Montana, Terra Proibida
Olhando a Morte de Frente
Kim
Aventuras do Capitão Fabian
Hello God
Mara Maru
Contra Todas as Bandeiras
Minha Espada, Minha Lei
Ousadia de Valente
O Príncipe Negro
Istambul
Jogando com a Sorte
E Agora Brilha o Sol
O Gosto Amargo da Glória
Raízes do Céu
Cuban Rebel Girls

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O Imigrante

Título no Brasil: O Imigrante
Título Original: The Immigrant
Ano de Lançamento: 1917
País: Estados Unidos
Estúdio: Mutual Film
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance, Eric Campbell, Albert Austin, Henry Bergman, Kitty Bradbury

Sinopse:
Em busca de uma vida melhor, Carlitos (Chaplin) decide viajar até os Estados Unidos. Ele deseja seguir novos rumos e prosperar, embarcando no sonho americano. Durante a viagem de navio, é acusado de um furto, um crime que ele jamais cometeu. E para lhe ajudar nessa situação complicada e delicada, ele encontra ajuda em uma alma bondosa, na pessoa de uma garota pelo qual irá apaixonar. 

Comentários:
Poucos lembram desse aspecto, mas o inglês Charles Chaplin também foi um imigrante nos Estados Unidos. E como tal, ele conhecia, por experiência própria, as dificuldades e as lutas para sobreviver em terra estrangeira. Quando escreveu o roteiro desse filme, um dos grandes sucessos de sua carreira, ele queria não apenas fazer humor, mas também trazer aspectos de consciência social para o público que ia ao cinema assistir aos seus filmes. De certa maneira foi uma guinada na linha das histórias que apresentava. Fazer rir sempre, mas também mandar uma mensagem de teor social para todos. No caso aqui a mensagem era simples: tratem melhor e respeitem os imigrantes! Respeitem suas dignidades pessoais. Pena que passados tantos anos essa simples lição de humanidade básica ainda não tenha sido aprendida. Vide o que acontece atualmente nos Estados Undios em relação aos seus imigrantes. 

Pablo Aluísio.

O Garoto

Charles Chaplin foi um dos maiores gênios da história do cinema. Um humanista que usou sua arte para mostrar os problemas sociais e econômicos de seu tempo. O seu mais famoso personagem, o vagabundo, é sem dúvida uma criação genial, fruto da própria vivência de Chaplin, que vindo de origem humilde, sabia muito bem sobre a vida dos excluídos, dos pobres e abandonados que vagavam pelas ruas atrás de uma oportunidade qualquer. Em "O Garoto" ele abraça definitivamente esse cinema mais consciente, ainda com muito bom humor, mas também com uma preocupação em mostrar a crueldade do sistema, que jogava à margem milhares de pessoas desprovidas. Uma dessas pessoas era justamente o garoto que dá nome ao filme. Ele nasce em um lugar miserável e é abandonado pela mãe que não tinha condições de criar seu filho. Logo após esse fato triste o vagabundo (conhecido no Brasil pelo nome Carlitos) acabava encontrando a criança abandonada e mesmo sendo um pobre homem, que mal podia cuidar de si mesmo, resolvia criar o pequeno abandonado. Mesmo sendo tão pobre quanto sua mãe, 

Carlitos resolve assumir a responsabilidade. E contra todas as previsões eles acabam formando uma bela dupla, vivendo de dar pequenos golpes pela vizinhança. O garoto ira lhe ajudar na luta pela sobrevivência, por exemplo, quebrando as vidraças das casas para logo após surgir Carlitos, distraído, andando pelas ruas,  oferecendo seus serviços de vidraceiro. Esse ponto da história, claro, gera cenas de puro humor no filme. As coisas mudam quando a assistência social tem conhecimento da existência do garoto sendo criado por um vagabundo como Carlitos. A partir daí eles são separados, o que cria excelentes momentos do roteiro de Chaplin, intercalando cenas que oram são comoventes, ora são engraçadas e divertidas. Cenas que apenas gênios da sétima arte como Charles Chaplin, poderiam criar. Aqui temos outro exemplo do talento inigualável de Chaplin pois ele era capaz de fazer rir e chorar em questão de segundos, manipulando as emoções do público de forma magistral.

Mesmo passado tanto tempo "O Garoto" ainda comove. Seu roteiro tem obviamente toques biográficos, pois o próprio Chaplin se tornou um órfão quando garoto pois sua mãe apresentou desde muito cedo problemas mentais fazendo com que ele e seu irmão Sidney fossem enviados para diversos orfanatos de Londres. Assim quando vemos o garoto chorando ao ser levado por agentes da assistência social entendemos logo que aquele é o próprio Chaplin relembrando de fatos tristes de sua infância. Na verdade os dois personagens, tanto o vagabundo como também o garoto, são faces de uma mesma personalidade, a de seu criador, Charles Chaplin. "O Garoto" marcou muito, tanto que virou um ícone cultural relembrado até hoje. A imagem do vagabundo ao lado do garoto em uma rua suja e abandonada ainda evoca muita emoção. Um momento eterno e inesquecível da história do cinema.

O Garoto (The Kid, Estados Unidos, 1921) Direção: Charles Chaplin / Roteiro: Charles Chaplin / Elenco: Charles Chaplin, Jackie Coogan, Carl Miller, Edna Purviance / Sinopse: Carlitos (Chaplin), o eterno vagabundo, encontra uma criança abandonada e resolve criar como se fosse seu filho. A relação fraterna será bruscamente interrompida quando a assistência social tenta levar o garoto para um orfanato. Filme escolhido pela National Film Preservation Board para preservação da memória cultural dos Estados Unidos,

Pablo Aluísio.

Os Principais Filmes de Charles Chaplin


Os Principais Filmes de Charles Chaplin
O Garoto
Em Busca do Ouro
O Circo
Luzes da Cidade
Tempos Modernos
O Grande Ditador
Monsieur Verdoux
Luzes da Ribalta
Um Rei em Nova York
A Condessa de Hong Kong

Obs: Filmes essenciais para se conhecer Chaplin. Não incluídos os filmes classificados na categoria de Curta-Metragem. 

Pablo Aluísio.