Título Original: Life with Father
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Donald Ogden Stewart, baseado nas memórias de Clarence Day e na peça teatral de Howard Lindsay e Russel Crouse
Elenco: William Powell, Irene Dunne, Elizabeth Taylor, Edmund Gwenn, ZaSu Pitts, Jimmy Lydon, Martin Milner, Johnny Calkins e Derek Scott.
Duração: 118 minutos.
Sinopse:
Ambientado em Nova York no final do século XIX, Nossa Vida com Papai acompanha Clarence Day, um bem-sucedido corretor da Bolsa que acredita ser a autoridade máxima dentro de sua casa. Interpretado por William Powell, Clarence é um homem autoritário, temperamental e cheio de opiniões sobre praticamente tudo, especialmente sobre a maneira como sua família deve viver. Sua esposa, Vinnie, interpretada por Irene Dunne, entretanto, conhece perfeitamente o marido e consegue administrar seus acessos de irritação com inteligência e delicadeza. O casal vive com seus quatro filhos, e a rotina doméstica transforma-se em uma sucessão de situações cômicas envolvendo dinheiro, empregados, educação, religião e relacionamentos. Elizabeth Taylor interpreta Mary Skinner, uma jovem que se torna amiga da família e desperta o interesse romântico de um dos filhos de Clarence. Um dos conflitos centrais surge quando Clarence percebe que sua família pertence a uma tradição religiosa diferente da de Mary e decide que determinadas questões precisam ser resolvidas. A história transforma os pequenos acontecimentos da vida doméstica em uma divertida observação dos costumes da classe média alta nova-iorquina da época.
Comentários:
Nossa Vida com Papai foi um grande sucesso da Warner Bros. e recebeu uma recepção crítica predominantemente positiva em 1947. A produção adaptava uma peça da Broadway extremamente popular, por sua vez baseada nas memórias humorísticas de Clarence Day, e Michael Curtiz procurou preservar no cinema o espírito de comédia familiar da obra original. O The New York Times foi particularmente favorável, destacando que o filme conseguia transportar para o Technicolor o charme, o humor e o sentimentalismo delicado da peça. A Variety também elogiou William Powell e Irene Dunne, observando que os dois conseguiam preservar boa parte do encanto da produção teatral e que o humor derivado da personalidade autoritária de Clarence continuava funcionando muito bem. A TV Guide, em avaliação posterior, foi ainda mais entusiasmada com Powell, classificando sua interpretação do patriarca como "magnificent" e destacando também as contribuições de Elizabeth Taylor, Martin Milner, Jimmy Lydon e Edmund Gwenn. Elizabeth Taylor tinha apenas 15 anos e estava começando a se estabelecer como uma das grandes jovens promessas da MGM; seu papel é secundário, mas sua presença já demonstra o extraordinário magnetismo que posteriormente a transformaria em uma das maiores estrelas de Hollywood. A própria Turner Classic Movies destaca que Life with Father foi um dos trabalhos que Taylor realizou como atriz jovem antes de sua consolidação definitiva como estrela.
A recepção, contudo, não foi totalmente uniforme. A The New Yorker, em crítica atribuída a Pauline Kael em retrospectiva, mostrou-se muito mais fria e considerou a adaptação excessivamente cuidadosa e pouco cinematográfica, argumentando que Michael Curtiz parecia fora de seu elemento diante do material teatral. Essa divergência é interessante porque evidencia justamente uma característica do filme: seu maior mérito está nos atores, nos diálogos e na reprodução do ambiente doméstico, e não em uma linguagem cinematográfica particularmente ousada. William Powell domina a produção com uma atuação cômica extremamente precisa, enquanto Irene Dunne funciona como seu contraponto perfeito. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Ator para Powell, Fotografia em Cores, Direção de Arte em Cores e Trilha Sonora. A produção também foi importante para a Warner Bros. por demonstrar que uma comédia familiar de época poderia obter grande sucesso utilizando o então luxuoso Technicolor. Décadas depois, sua reputação permaneceu sólida: atualmente, Nossa Vida com Papai possui 92% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, com 13 avaliações. Para os admiradores de Elizabeth Taylor, o filme possui ainda um valor especial por registrar a atriz muito jovem, poucos anos depois de A Coragem de Lassie e National Velvet, em uma fase anterior à transformação na estrela internacional que se tornaria durante os anos 1950 e 1960.
Erick Steve.
