The Young Philadelphians, lançado no Brasil como O Moço de Filadélfia, chegou aos cinemas em 1959, com direção de Vincent Sherman, cineasta veterano de Hollywood que retornava à Warner Bros. depois de vários anos afastado do estúdio. O filme é baseado no romance The Philadelphian, de Richard P. Powell, publicado em 1956, e teve roteiro de James Gunn, com participação não creditada de Dalton Trumbo em uma etapa da elaboração do texto. A produção foi estrelada por Paul Newman, acompanhado por Barbara Rush, Alexis Smith, Brian Keith, Diane Brewster e Robert Vaughn. Newman interpreta Anthony "Tony" Judson Lawrence, jovem advogado que nasce em circunstâncias socialmente complicadas e decide construir uma carreira capaz de levá-lo à elite da Filadélfia. O filme acompanha sua trajetória desde a juventude, mostrando a influência de sua mãe e as dificuldades provocadas pela diferença de classe entre sua família e os círculos sociais mais ricos da cidade. Tony escolhe o Direito como caminho para ascender socialmente e rapidamente demonstra grande inteligência e ambição. Ao entrar em um importante escritório de advocacia, começa a descobrir que o mundo profissional é tão competitivo e moralmente ambíguo quanto a sociedade que deseja integrar. Sua vida pessoal também é afetada por suas escolhas, especialmente por causa de seu relacionamento com Joan Dickinson, interpretada por Barbara Rush. Quando um velho amigo, Chet Gwynn, vivido por Robert Vaughn, é acusado de assassinato, Tony precisa decidir se continuará seguindo uma carreira baseada exclusivamente em ambição ou se colocará seus princípios em risco para defender alguém que considera injustamente acusado.
A recepção da crítica americana foi mista, com elogios às interpretações e críticas ao excesso de melodrama. A. H. Weiler, do The New York Times, foi particularmente severo e classificou o filme como "sudsy", observando que, embora a produção procurasse fazer um comentário social importante, acabava produzindo apenas uma análise superficial das diferenças de classe. Weiler também considerou que as dificuldades dos ricos e dos pobres poderiam ser igualmente pouco dramáticas quando apresentadas daquela maneira. O Los Angeles Times, através do crítico Philip K. Scheuer, também apresentou reservas: elogiou Robert Vaughn, mas considerou que as demais atuações não eram excepcionais e criticou o ritmo, afirmando que o filme "chuffs and chugs along the Main Line for 130 minutes". Scheuer também considerou a longa sequência do julgamento excessivamente extensa. O New York Daily News, em crítica de Dorothy Masters, foi ainda mais duro, afirmando que a essência do romance de Richard Powell parecia ter "vaporized" na adaptação cinematográfica e que a direção de Sherman provocava mais admiração do que empatia. Apesar dessas críticas, havia reconhecimento de que Paul Newman possuía uma presença cinematográfica muito forte e que o jovem Robert Vaughn oferecia uma atuação especialmente marcante. O filme também era visto como uma produção tecnicamente elegante, beneficiada pela fotografia em preto e branco de Harry Stradling Sr. e pelos figurinos de Howard Shoup. Assim, a crítica contemporânea não rejeitou completamente a obra, mas considerou que o potencial de seu material dramático era maior do que aquilo que Vincent Sherman conseguiu realizar.
Na Europa, a recepção também não transformou The Young Philadelphians em um grande clássico, embora o filme tenha despertado interesse especialmente pela atuação de Paul Newman e pela representação da elite jurídica americana. O longa recebeu no Reino Unido o título The City Jungle, enquanto na França foi conhecido como Ce monde à part, mostrando como seus distribuidores procuraram enfatizar o conflito entre diferentes mundos sociais. A avaliação posterior de críticos europeus tende a ser mais generosa com o filme do que algumas das críticas americanas de 1959. O alemão Lexikon des internationalen Films, por exemplo, resumiu a obra como uma adaptação literária "socialmente crítica", valorizando o elenco e a tentativa de abordar as diferenças de classe. Revisões posteriores também passaram a observar aspectos que dificilmente poderiam ser discutidos abertamente no período de lançamento, especialmente a representação de sexualidade, masculinidade e pressão social. O filme recebeu um reconhecimento importante na temporada de premiações de 1960: foi indicado a três Oscars, nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante, para Robert Vaughn, Melhor Fotografia em Preto e Branco, para Harry Stradling Sr., e Melhor Figurino em Preto e Branco, para Howard Shoup. Nenhum deles venceu, pois o Oscar de Ator Coadjuvante ficou com Hugh Griffith por Ben-Hur. Robert Vaughn também recebeu indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio que foi conquistado por Stephen Boyd por Ben-Hur. A indicação de Vaughn foi especialmente importante para sua carreira, pois o papel de Chet Gwynn chamou a atenção da indústria e ajudou a colocá-lo no caminho que posteriormente o levaria a The Magnificent Seven e à televisão em The Man from U.N.C.L.E..
Com duração de aproximadamente 2 horas e 16 minutos, The Young Philadelphians foi uma produção de prestígio da Warner Bros., embora os dados disponíveis atualmente não apresentem um orçamento oficial confiável. O desempenho comercial, entretanto, foi considerado bem-sucedido, contribuindo para consolidar Paul Newman como uma das grandes estrelas jovens de Hollywood. Estimativas históricas apontam para aproximadamente US$ 2,8 milhões em aluguel cinematográfico nos Estados Unidos e Canadá, um resultado significativo para um drama adulto em preto e branco daquele período. O filme chegou inclusive ao primeiro lugar em levantamentos semanais de bilheteria americanos durante sua carreira comercial, demonstrando que havia interesse considerável do público pela história e, principalmente, pelo crescente estrelato de Newman. O público também encontrou no filme elementos bastante atraentes: ascensão social, romance, conflitos familiares, corrupção profissional e um grande julgamento criminal. A transformação de Tony Lawrence de jovem ambicioso em advogado capaz de enfrentar as elites que anteriormente desejava impressionar oferecia uma estrutura narrativa clássica de ascensão e crise moral. Robert Vaughn, por sua vez, acrescentava uma dimensão trágica ao filme através de Chet Gwynn, veterano da Guerra da Coreia que retorna emocionalmente destruído e acaba envolvido em uma acusação de assassinato. A presença de Adam West, em uma pequena participação anterior à sua fama como Batman, também é uma curiosidade apreciada pelos admiradores do cinema clássico. Embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria comparável aos grandes épicos de 1959, o resultado foi suficientemente forte para demonstrar que Newman já possuía enorme poder de atração junto ao público.
Atualmente, The Young Philadelphians ocupa uma posição interessante dentro da filmografia de Paul Newman. Não costuma ser colocado entre suas obras-primas, mas é considerado por muitos admiradores um drama jurídico e social subestimado, especialmente por registrar Newman em uma fase importante de sua carreira, pouco antes de filmes como Exodus, The Hustler e Hud. A avaliação contemporânea é mais favorável do que a recepção crítica original em alguns aspectos. No Rotten Tomatoes, o filme apresenta atualmente 71% de aprovação da crítica, embora baseado em apenas sete avaliações, e 80% de aprovação do público. No IMDb, mantém uma avaliação de aproximadamente 7,4/10, indicando que continua encontrando admiradores entre os espectadores modernos. Críticos posteriores costumam reconhecer que o melodrama envelheceu e que algumas situações parecem excessivamente artificiais, mas também destacam a força do elenco e, principalmente, a sequência final do julgamento. Robert Vaughn é frequentemente apontado como um dos grandes destaques da produção, e sua indicação ao Oscar permanece como a principal distinção individual do filme. O próprio tema da ascensão social de Tony Lawrence ganhou interesse retrospectivo porque apresenta uma sociedade em que riqueza, sobrenome e relações pessoais exercem enorme influência sobre as oportunidades profissionais. A questão da ética na advocacia também dá ao filme uma dimensão particularmente interessante para espectadores contemporâneos. Dessa maneira, embora The Young Philadelphians não tenha alcançado o status de clássico absoluto de Hollywood, continua sendo uma obra relevante para compreender a evolução de Paul Newman e a tradição dos dramas jurídicos americanos. Sua mistura de melodrama, crítica social e tribunal faz dele um filme que merece ser redescoberto, sobretudo por quem aprecia o cinema americano dos anos 1950 e os primeiros grandes trabalhos de Newman.
O Moço de Filadélfia (The Young Philadelphians, Estados Unidos, 1959) Direção: Vincent Sherman / Roteiro: James Gunn e Dalton Trumbo, baseado no livro The Philadelphian, de Richard P. Powell / Elenco: Paul Newman, Barbara Rush, Alexis Smith, Brian Keith, Diane Brewster e Robert Vaughn / Sinopse: Um jovem advogado determinado a conquistar seu lugar na elite da Filadélfia precisa escolher entre continuar sua ascensão profissional ou arriscar a carreira para defender um amigo acusado de assassinato.
Pablo Aluísio e Erick Steve.
