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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Três Semanas de Loucura

Título no Brasil: Três Semanas de Loucura
Título Original: 21 Days
Ano de Lançamento: 1940
País: Reino Unido
Estúdio: London Film Productions
Direção: Basil Dean
Roteiro: Graham Greene e Basil Dean, baseado na peça The First and the Last, de John Galsworthy
Elenco: Vivien Leigh, Laurence Olivier, Leslie Banks, Francis L. Sullivan, Hay Petrie, Esmé Percy, Robert Newton, David Horne e Frederick Lloyd. 

Sinopse: 
Larry Durrant é um homem de espírito independente que retorna a Londres depois de fracassar em uma aventura empresarial na África. Ao reencontrar Wanda Wallen, uma mulher casada por quem está apaixonado, ele acredita que finalmente poderá construir uma vida feliz ao lado dela. Os planos do casal, entretanto, são interrompidos pelo aparecimento de Henry Wallen, o marido de Wanda, que passa a chantageá-los e ameaça revelar o relacionamento. Durante uma violenta discussão, Henry acaba morrendo acidentalmente, deixando Larry diante de uma situação desesperadora. Preocupado com as consequências do ocorrido, Larry procura seu irmão Keith Durrant, um respeitado advogado que está prestes a conquistar uma importante posição profissional. Keith aconselha o irmão a deixar o país, mas Larry se recusa a fugir e acaba envolvido em novas complicações. Pouco depois, um antigo clérigo chamado John Evan é acusado injustamente pelo assassinato, e as evidências parecem suficientes para condená-lo. Diante dessa situação, Larry decide aproveitar o tempo que lhe resta para viver momentos de felicidade ao lado de Wanda, mas promete confessar o crime caso o inocente seja condenado. Os dois passam a enfrentar vinte e um dias de angústia, divididos entre o amor que sentem um pelo outro e a consciência de que a felicidade conquistada pode custar a vida de um homem inocente. 

Comentários: 
Três Semanas de Loucura é um drama britânico que reúne dois dos maiores nomes da interpretação clássica: Vivien Leigh e Laurence Olivier. Dirigido por Basil Dean, o filme foi baseado na peça teatral The First and the Last, escrita por John Galsworthy, e apresenta uma história em que romance, culpa, responsabilidade moral e justiça se entrelaçam. Olivier interpreta Larry Durrant, um homem que precisa escolher entre proteger a própria liberdade e assumir as consequências de seus atos. Vivien Leigh vive Wanda, a mulher que compartilha com ele o amor e a angústia provocados pela situação. Leslie Banks interpreta Keith, o irmão advogado que tenta proteger tanto a família quanto a própria carreira. Um dos aspectos mais interessantes da produção é justamente a maneira como o relacionamento amoroso dos protagonistas se desenvolve sob a ameaça constante de uma tragédia. A direção utiliza ambientes londrinos, cenários cuidadosamente construídos e uma atmosfera de suspense para acompanhar o conflito psicológico dos personagens. A história também explora as diferenças entre a justiça legal e a consciência individual, mostrando como decisões aparentemente justificáveis podem produzir consequências devastadoras. Embora não seja um dos títulos mais conhecidos da filmografia de Leigh e Olivier, o longa permite observar os dois atores em uma fase inicial de suas carreiras, pouco antes de alcançarem reconhecimento internacional ainda maior. 

A produção possui uma história curiosa nos bastidores. As filmagens aconteceram em 1937, quando Leigh e Olivier já mantinham um relacionamento amoroso, e o filme acabou permanecendo arquivado por aproximadamente dois anos antes de chegar ao público. O produtor Alexander Korda pretendia aproveitar o talento de Leigh e impulsionar sua carreira, mas decidiu adiar o lançamento até que a atriz alcançasse projeção internacional com E o Vento Levou, em 1939. A distribuição acabou ficando a cargo da Columbia Pictures, e o filme chegou às telas em 1940. A recepção crítica foi dividida: alguns críticos reconheceram a capacidade da história de combinar suspense e emoção, enquanto outros consideraram a adaptação menos convincente do que a obra teatral original. O próprio Graham Greene, que participou do roteiro, demonstrou insatisfação com o resultado e criticou algumas das mudanças realizadas durante a adaptação. Apesar dessas limitações, a produção conserva interesse histórico por registrar a parceria entre Leigh e Olivier antes de seus trabalhos mais célebres e por apresentar uma narrativa moralmente complexa, centrada na culpa e no sacrifício. O desempenho de Hay Petrie como o homem injustamente acusado também foi destacado posteriormente pelo British Film Institute, que considera sua interpretação um dos pontos fortes do filme. Hoje, Três Semanas de Loucura representa uma curiosidade valiosa do cinema britânico dos anos 1930 e 1940, especialmente para os admiradores de Vivien Leigh, Laurence Olivier e dos dramas psicológicos da época. 

Erick Steve.