segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Almas Pecadoras

Título no Brasil: Almas Pecadoras
Título Original: Laughing Sinners
Ano de Produção: 1931
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Harry Beaumont
Roteiro: Kenyon Nicholson, Bess Meredyth
Elenco: Joan Crawford, Clark Gable, Neil Hamilton

Sinopse:
Ivy 'Bunny' Stevens (Joan Crawford) e Howard 'Howdy' Palmer (Neil Hamilton) vivem um relacionamento turbulento. O sujeito não é muito honesto, nem em relação ao mundo dos negócios e nem em relação ao seu relacionamento com a namorada. Após o estouro da guerra, ela resolve entrar para o exército da salvação, para ajudar no tratamento de soldados feridos pelo conflito. Lá acaba conhecendo o oficial Carl Loomis (Clark Gable), que irá mexer com seu coração indeciso.

Comentários:
Mais um filme de romance com um dos maiores galãs da história de Hollywood, Clark Gable. O roteiro se baseia no velho conceito de triângulo amoroso, onde a mocinha fica em dúvida se volta para seu antigo namorado, um sujeito indigesto e um tanto quanto mau-caráter, ou se casa com um oficial cheio de virtudes e honras, embora ela fique sempre em dúvida se o ama de verdade. Joan Crawford sempre foi uma atriz com uma personalidade muito forte, dentro e fora das telas. Aqui ela chega a ofuscar completamente seus parceiros de cena, isso porque o roteiro, baseado na peça escrita por Kenyon Nicholson, é centrado mesmo em sua personagem, a indecisa Ivy Stevens. Assim ela domina tudo, da primeira à última cena. Curiosamente não conseguiu uma indicação ao Oscar por sua atuação o que daria origem a décadas de indisposição com os membros da academia. Muito se dizia na época que ela poderia até ser uma grande atriz, mas não conseguia votos por causa de sua antipatia natural com os colegas de profissão. De qualquer maneira essa é um boa oportunidade para conhecer seu trabalho como intérprete que, a despeito das fofocas de bastidores, era realmente de alto nível.

Pablo Aluísio.

Triunfos de Mulher

Título no Brasil: Triunfos de Mulher
Título Original: Night Nurse
Ano de Produção: 1931
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Grace Perkins, Oliver H.P. Garrett
Elenco: Barbara Stanwyck, Ben Lyon, Clark Gable, Joan Blondell
  
Sinopse:
Lora Hart (Barbara Stanwyck) é uma jovem que começa a trabalhar como enfermeira em um grande hospital de Nova Iorque. Aos poucos porém ela descobre um sinistro plano para assassinar duas crianças, que estão seriamente doentes. Ao lado de um perito criminal ela busca provas para incriminar os verdadeiros criminosos.

Comentários:
Bom filme de suspense que elege como heroína de seu enredo uma enfermeira que, trabalhando no período noturno em um hospital, descobre haver um terrível plano envolvendo a morte de duas crianças que estão internadas lá. Inicialmente seria um projeto envolvendo o ator James Cagney que faria o papel de Nick. Depois do sucesso de bilheteria de "Inimigo Público" ele entendeu que o filme já não lhe interessava mais. Assim o roteiro foi reescrito para dar maior importância dentro da trama para a personagem Lora Hart (interpretada por Barbara Stanwyck). Nick então foi dado para Clark Gable interpretar, ainda dando os primeiros passos em sua carreira. O filme também sofreu alguns cortes por ordem do produtor Jack L. Warner que considerou a primeira versão do diretor William A. Wellman muito "perturbadora". O que sobrou de tudo isso foi um enredo que prende atenção até o fim, porém a sensação de que poderia ir mais longe fica sempre presente, até mesmo levando em conta os padrões morais da época.

Pablo Aluísio.

Filmografia Selecionada Clark Gable

Filmografia Selecionada Clark Gable:

Década de 1930:
Triunfos de Mulher
Almas Pecadoras
Amor de Dançarina
Aconteceu Naquela Noite
Quando o Diabo Atiça
O Grito da Selva
Mares da China
O Grande Motim
Ciúmes
San Francisco, a Cidade do Pecado
Cain e Mabel
Do Amor Ninguém Foge
Parnell - O Rei Sem Coroa
Saratoga
Piloto de Provas
Sob o Céu dos Trópicos
Este Mundo Louco
... E O Vento Levou

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Chaga de Fogo

Título no Brasil: Chaga de Fogo
Título Original: Detective Story
Ano de Lançamento: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: William Wyler
Roteiro: Philip Yordan, Robert Wyler
Elenco: Kirk Douglas, Eleanor Parker, William Bendix, Cathy O'Donnell, George Macready, Horace McMahon

Sinopse:
O filme mostra um dia de trabalho na vida de um investigador de uma delegacia de polícia em Nova Iorque. Ao longo do dia ele precisa lidar com uma série de criminosos diversos. O jovem que roubou do próprio patrão para gastar com sua namorada fútil. O médico rico e renomado que fazia abortos. Uma dupla de arrombadores de apartamentos e até mesmo uma garota, pega no flagra, roubando uma loja de departamentos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção e melhor roteiro. 

Comentários:
Um bom clássico da carreira do ator Kirk Douglas. A primeira coisa que me chamou a atenção foram as longas tomadas de cena. Como a história se passa toda dentro de uma delegacia de polícia os eventos vão acontecendo ao mesmo tempo e praticamente não há cortes de edição. Quase um teatro filmado. Mostra bem como o elenco era bom, mesmo em grandes sequências eles não perdiam o fio da meada e nem esqueciam os extensos diálogos. Como destaque e não poderia ser diferente, temos um talentoso Kirk Douglas. Ele interpreta um daqueles detetives durões dos filmes antigos. O tempo todo ele precisa ser parado por seu superior pois sua vontade seria a de acertar socos certeiros na cara de todos aqueles criminosos que pegou. E no final ele acaba descobrindo que sua própria esposa estaria envolvida nos crimes de um médico de uma clínica clandestina de aborto. O detalhe cruel é que ele nem sabia disso e o filho era de outro homem! Claro que sua casa cai depois disso. Um filme realmente muito bom, valorizado pelo final trágico que surpreendeu muita gente na época. Mesmo com todo o moralismo machista da época, o filme ainda se sustenta muito bem nos dias de hoje! 

Pablo Aluísio.

A Montanha dos Sete Abutres

A Montanha dos Sete Abutres
Há momentos em que os deuses do cinema parecem estar em estado de graça. Unir um diretor genial como Billy Wilder com um ator excepcional como Kirk Douglas não poderia dar em outra coisa. Esse clássico "A Montanha dos Sete Abutres" é uma verdadeira obra-prima da sétima arte. O enredo é um retrato puro e até mesmo cruel da alma do ser humano. Aqui visto sob o lado mais sórdido de cada personagem em cena. O brilhante roteiro serve para mostrar as reais intenções de certas pessoas que não estão preocupadas em ajudar os outros, mesmo que esses passem por momentos cruciais na vida, mas sim em como podem explorar uma situação limite em proveito próprio, passando por cima de todos os valores e de todos os sentimentos nobres. A trama explora muito bem esse aspecto. Chuck Tatum (Kirk Douglas) é um jornalista decadente que após ter trabalhado em grandes jornais de Nova Iorque vai parar em um jornalzinho de Albuquerque, bem no interior dos Estados Unidos. É uma queda e tanto na carreira. Tudo o que Tatum deseja é encontrar uma boa história para levantar novamente sua vida profissional. E ela surge, quase por acaso, após um homem ficar preso soterrado numa velha mina, construída em cima de um antigo cemitério indígena. Não demora muito e Tatum transforma o acontecimento em um verdadeiro circo, causando uma comoção na mídia nacional. Para ele o que importa não é o destino do pobre sujeito soterrado, mas sim o proveito pessoal que poderá tirar daquela tragédia.

O filme é bem isso. Um maravilhoso e ao mesmo tempo cruel tratado sobre a sordidez humana. Assim de forma bem simples poderíamos resumir esse grande clássico de Billy Wilder, "Ace in the Hole", sem dúvida um de seus mais brilhantes e inspirados trabalhos. Os personagens que o cineasta explora em seu roteiro formam o retrato da ambição humana sem limites, um conjunto de pessoas desprezíveis que só pensam em si mesmas e não hesitam em explorar a desgraça alheia em prol de seu proveito próprio. O jornalista interpretado por Kirk Douglas certamente é o mais perfeito retrato disso, um sujeito que só deseja o sucesso pessoal a qualquer custo, mesmo que isso custe a vida de um inocente.

A esposa do pobre sujeito soterrado, a falsa loira Lorraine Minosa (em ótima atuação da atriz Jan Sterling), é uma figura desalmada, mesquinha, má e interesseira que causa asco e nojo no espectador. Nessa tríade de gente ordinária não escapa nem mesmo o xerife da cidade, incorporando todas as corrupções que você possa imaginar. Billy Wilder assim procura mostrar ao público o lado mais desprezível de todos eles. O valor da vida humana é mera peça no tabuleiro de interesses vis e sórdidos. No final o que temos aqui é um retrato nada lisonjeiro da alma humana e uma prova maravilhosa do talento desse grande cineasta. É, em suma, um filme indispensável para se guardar em sua coleção.

A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, Estados Unidos, 1951) Estúdio: Paramount Pictures / Direção: Billy Wilder / Roteiro: Billy Wilder, Lesser Samuels, W. Newman / Elenco: Kirk Douglas, Jan Sterling, Robert Arthur / Sinopse: Jornalista inescrupuloso e mau-caráter começa a explorar de forma vil uma tragédia para levantar sua carreira decadente. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original (Billy Wilder, Lesser Samuels e Walter Newman).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Algemas de Cristal

Título no Brasil: Algemas de Cristal
Título Original: The Glass Menagerie
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: Irving Rapper
Roteiro: Peter Berneis e Tennessee Williams
Elenco: Jane Wyman, Kirk Douglas, Gertrude Lawrence, Arthur Kennedy, Ralph Sanford e Ann Tyrrell

Sinopse: 
Ambientado em St. Louis durante a década de 1930, o filme acompanha a família Wingfield, formada por Amanda, seu filho Tom e sua filha Laura, uma jovem extremamente tímida que vive mergulhada em seu próprio mundo e encontra conforto em sua pequena coleção de animais de vidro. Abandonada pelo marido, Amanda vive presa às lembranças de sua juventude e preocupa-se constantemente com o futuro dos filhos. Tom trabalha em um emprego de que não gosta para sustentar a família, mas sente-se cada vez mais sufocado pela vida doméstica e sonha em partir em busca de novas experiências. Preocupada com a solidão de Laura, Amanda insiste para que Tom convide um colega de trabalho para jantar. O escolhido é Jim O'Connor, um jovem simpático e popular que desperta imediatamente as esperanças de Amanda. A chegada de Jim transforma o ambiente da casa e proporciona a Laura uma rara oportunidade de superar sua timidez. Durante o encontro, porém, antigas ilusões, expectativas familiares e desejos pessoais começam a entrar em conflito, conduzindo a história para um momento de grande emoção e decepção.

Comentários: 
Algemas de Cristal foi a primeira adaptação cinematográfica de uma peça de Tennessee Williams e levou para as telas uma das obras mais conhecidas do teatro americano. Irving Rapper procurou preservar boa parte da estrutura original, mantendo o foco nos quatro personagens principais e nos conflitos psicológicos da família Wingfield. Jane Wyman apresenta uma atuação delicada como Laura, enquanto Kirk Douglas interpreta Jim O'Connor com um charme que contrasta com a atmosfera melancólica da família. Gertrude Lawrence assume o papel de Amanda, uma mulher presa às lembranças do passado e determinada a encontrar um futuro melhor para os filhos, enquanto Arthur Kennedy interpreta Tom, personagem que funciona também como narrador da história. A fotografia de Robert Burks e a música de Max Steiner contribuem para criar o ambiente intimista do filme. A produção foi realizada pela companhia de Charles K. Feldman e distribuída pela Warner Bros., tendo recebido lançamento em setembro de 1950. O filme possui cerca de 107 minutos e representou uma tentativa de transformar para o cinema uma peça marcada por memórias, simbolismo e forte carga emocional.

A recepção crítica na época foi dividida. A Variety elogiou a adaptação e considerou que o filme conseguia transformar o material teatral em uma produção cinematográfica envolvente, enquanto Bosley Crowther, do The New York Times, foi muito mais crítico, afirmando que algumas cenas aproximavam-se de uma espécie de comédia exagerada e prejudicavam a delicadeza da obra original. O New Yorker, por sua vez, observou que a fidelidade à peça produzia um filme literário e poderoso em seus momentos mais tocantes, embora reconhecesse que a concentração da ação em poucos ambientes poderia tornar algumas passagens monótonas. O próprio Tennessee Williams posteriormente demonstrou insatisfação com a adaptação, especialmente por alterações feitas para oferecer ao público um desfecho mais próximo dos padrões de Hollywood daquele período. Apesar das controvérsias, o filme permanece importante na história das adaptações de Williams e é particularmente interessante pela presença de Jane Wyman, Kirk Douglas e Gertrude Lawrence. Hoje, Algemas de Cristal é lembrado tanto como documento do cinema americano de 1950 quanto como uma das primeiras tentativas de levar Tennessee Williams para a tela grande.

Erick Steve.

Êxito Fugaz

Título no Brasil: Êxito Fugaz
Título Original: Young Man with a Horn
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Carl Foreman, Edmund H. North
Elenco: Kirk Douglas, Lauren Bacall, Doris Day

Sinopse:
O jovem Rick Martin (Kirk Douglas) descobre que tem um dom para a música e se apaixona pelo trompete. O lendário trompetista Art Hazzard coloca Rick sob sua proteção e lhe ensina tudo o que sabe sobre como tocar. Rick acaba se tornando um trompetista famoso, mas sua personalidade volátil e seu desejo de tocar jazz em vez das músicas mais convencionais das bandas para as quais trabalha o colocam em uma situação complicada.

Comentários:
O jazz quando surgiu tinha o mesmo aspecto de som revolucionário que o rock iria ter alguns anos depois. Era considerado uma sonoridade da parcela negra e marginal da sociedade, então havia todo aquele preconceito e perseguição que bem conhecemos. Esse filme aqui tenta trazer um retrato desse tempo, focando no personagem de Kirk Douglas que não sabia tocar nenhum instrumento, mas como bom ator que era, passava de forma convincente nas telas de cinema como um músico talentoso. E ele precisa também se decidir entre duas mulheres fortes em sua vida, sendo uma delas a Doris Day quer era naquela época um símbolo de boa moça da sociedade. Enfim, um bom filme cujo roteiro até hoje se mostra bem interessante por causa do contexto cultural em que a história do filme se desenvolve. 

Pablo Aluísio.

Kirk Douglas - Filmografia Selecionada

 
Kirk Douglas - Filmografia Selecionada

Décadas de 1940 e 1950: 
O Tempo Não Apaga
O Invencível
Êxito Fugaz
Algemas de Cristal
A Montanha dos 7 Abutres
Chaga de Fogo
Floresta Maldita
O Rio da Aventura
Assim Estava Escrito
A História de Três Amores
O Malabarista
Mais Forte que a Morte
20.000 Léguas Submarinas
Ulysses
Caminhos sem Volta
Homem sem Rumo
A Um Passo da Morte
Sede de Viver
Lábios Selados
Sem Lei e Sem Alma
Glória Feita de Sangue
Vikings, os Conquistadores
Duelo de Titãs
O Discípulo do Diabo
Anáguas a Bordo

Pesquisa: Pablo Aluísio.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O Moço de Filadélfia

Baseado no romance de Richard Powell, o filme "The Young Philadelphians" conta a história de Anthony Judson Lawrence (Paul Newman), um jovem estudante de direito que sonha em se tornar um dia um grande advogado. Seu pai falecido pertencia a uma das famílias mais ricas da Filadélfia, mas sua mãe o criou como um rapaz humilde, trabalhador, que precisa ganhar a vida também em empregos mais modestos, como na construção civil. Ao se apaixonar por Joan Dickinson (Barbara Rush), filha de um bem sucedido advogado da cidade, Tony começa a construir uma nova vida até que o destino novamente muda praticamente tudo da noite para o dia. Um bom romance dramático que nem é tão lembrado nos dias atuais. Uma pena já que é de fato um filme bem acima da média. Embora haja muitos personagens interessantes desfilando na tela o foco se concentra mesmo na história do jovem Tony Lawrence (Newman). Ele foi fruto de um casamento problemático. Sua mãe era uma jovem comum, de classe mais humilde, que acabou se apaixonando por seu pai, o único herdeiro da grande fortuna de sua família, uma das mais ricas da Filadélfia. Quando ele se casa sofre um verdadeiro colapso emocional, o que o leva a abreviar sua vida de forma trágica (o roteiro não deixa essa aspecto completamente claro, mas fica subentendido que seu pai seria na realidade um homossexual enrustido que foi forçado a se casar para manter as aparências perante a sociedade). Após a morte prematura do pai o garoto Tony passa a ser criado apenas por sua mãe que arranja inúmeros empregos para lhe sustentar.

Os anos passam, Tony se torna um rapaz bonito e inteligente e consegue entrar na faculdade de direito, um velho sonho. Uma vez lá ele finalmente começa a ver as portas se abrindo para seu futuro. Quando conhece a bela Joan (Bush) tudo se completa. Ele está começando sua vida profissional, está apaixonado e seguro que terá um lindo futuro pela frente. O problema é que Joan acaba sucumbindo às pressões de seu pai, um advogado rico e bem sucedido, e resolve largar o honesto, porém pobretão Tony, para se casar com um outro sujeito, cheio de posses e também proveniente de uma rica família como a dela. Ela não o ama, mas mesmo assim sobe ao altar para agradar seus familiares. Embora fique arrasado com esse casamento, Tony decide seguir em frente, subindo cada vez mais na profissão de advogado. Sua prova de fogo na profissão finalmente vem quando seu grande amigo Chester A. Gwynn (Robert Vaughn) é acusado de ter cometido um homicídio. O crime parece envolver figurões da cidade e por essa razão Tony começa a sofrer todos os tipos de pressão. Mesmo assim, dono de uma integridade fora do comum, ele resolve seguir em frente para provar a inocência do amigo, tentando o livrar de uma condenação certa de pena de morte.

Embora possa parecer que seja um drama de tribunal apenas, "The Young Philadelphians" é bem mais do que isso pois procura desenvolver muito bem os sonhos, anseios e lutas de seu protagonista. Assim o destaque não vai apenas para o lado jurídico de sua trama, mas também para o aspecto emocional de seu conturbado relacionamento com a mulher que ama. Tudo embalado por ótimos atuações, em especial Robert Vaughn que interpreta um rapaz bem nascido que acaba vendo sua vida ser destruída após perder um braço na guerra da Coreia e ser acusado de ser um assassino frio e calculista. Sua atuação é realmente digna de todos os aplausos pois ele se entregou completamente ao seu personagem angustiado e sem rumo na vida. Um trabalho que só vem para coroar ainda mais esse belo filme assinado pelo diretor Vincent Sherman. Uma produção particularmente indicada para jovens aspirantes à bela profissão de advogado e também para todas as  pessoas românticas que acreditam que o verdadeiro amor consegue sobreviver a tudo. Vale realmente a pena conhecer mais esse momento da rica carreira do mito imortal Paul Newman.

O Moço de Filadélfia (The Young Philadelphians, Estados Unidos, 1959) Estúdio: Warner Bros / Direção: Vincent Sherman / Roteiro: James Gunn / Elenco: Paul Newman, Robert Vaughn, Barbara Rush, Alexis Smith / Sinopse: Jovem americano passa por um momento crucial em sua vida, tendo que enfrentar uma série de dificuldades pessoais. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Robert Vaughn). Também indicado ao prêmio máximo da Academia nas categorias de Melhor Fotografia em preto e branco e Melhor Figurino.

Pablo Aluísio.

Gata em Teto de Zinco Quente

Título no Brasil: Gata em Teto de Zinco Quente
Título Original: Cat on a Hot Tin Roof
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Richard Brooks
Roteiro: James Poe, Richard Brooks
Elenco: Elizabeth Taylor, Paul Newman, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson, Madeleine Sherwood
  
Sinopse:
Com roteiro baseado na peça "Cat on a Hot Tin Roof" de Tennessee Williams, o filme narra o complicado relacionamento entre a jovem Maggie (Elizabeth Taylor) e seu marido Brick Pollitt (Paul Newman). O casamento de ambos está em frangalhos, principalmente por causa do distanciamento que cresce a cada dia entre eles. Para piorar Brick se sente oprimido por viver em uma velha e tradicional casa do sul dos Estados Unidos dominada por um rico proprietário à moda antiga. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Paul Newman), Melhor Atriz (Elizabeth Taylor), Melhor Direção (Richard Brooks), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia (William H. Daniels). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Direção.

Comentários:
O filme foi roteirizado pelo diretor Richard Brooks. Se formos analisar bem sua carreira veremos que ele sempre foi mais um roteirista do que propriamente um diretor. Pois bem, embora Tennessee Williams tenha reclamado de algumas mudanças em seu texto original, temos que convir que o roteiro em si é muito bem escrito e trabalhado, deixando o filme com ótimo ritmo, fugindo da armadilha de o deixar teatral demais.. Penso que os textos de autoria do grande Tennessee Williams eram perigosos ao serem adaptados ao cinema, pois poderiam deixar qualquer filme pesado ou com aspecto de teatro filmado, o que não seria adequado pois artes diferenciadas exigem também adaptações diferentes. Nem sempre o que é adequado ao teatro consegue ser satisfatório na tela. Em "Gata em Teto de Zinco Quente" isso definitivamente não acontece e o espectador ao final da exibição terá a certeza de que assistiu a um grande filme, cinema puro. A produção é elegante, acima de tudo. O enredo se passa todo dentro de um grande casarão que é sede de uma fazendo de algodão no sul dos EUA. Embora isso possa parecer tedioso, não é. Hoje a MGM está à beira da falência, mas naquela época não economizava no bom gosto, como bem podemos comprovar aqui. A fazenda tipicamente sulista, o bonito figurino (especialmente de Liz Taylor) e a fotografia inspirada confirmam a elegância da película.
 
A grande força do filme porém vem de seu elenco maravilhoso. Elizabeth Taylor está linda e talentosa, dominando a cena. Ela  esbanja naturalidade e carisma em cada momento que surge na tela. Paul Newman, que passa o tempo todo de muletas e engessado, também demonstra muito talento no papel de Brick Pollitt, talvez o único personagem com algum valor moral dentro daquela casa. O curioso é que mesmo atores com escolas diferentes (com Newman vindo do teatro e Liz sendo basicamente uma atriz de cinema) conseguem se entender extremamente bem em cena. Sua química salta aos olhos, mesmo Paul Newman interpretando um marido que diante de tantos problemas negligencia sua bela e jovem esposa. Do elenco de apoio tenho que destacar primeiramente Burl Ives (Big Daddy, ótimo em sua caracterização de um homem que não conseguiu passar afeto aos seus familiares durante toda a sua vida) e Madeleine Sherwood (que faz a insuportável Mae Pollitt). Dentre as várias excelentes cenas destacaria aquela que se passa entre Newman e Ives no porão quando em tom de nostalgia Big Daddy se recorda de seu falecido pai, um mero vagabundo. Ali ele se mostra totalmente, sem máscaras, o que de certa maneira também serve para revelar a verdadeira face de sua família. Ótimo momento no quesito atuação. Enfim temos aqui um dos maiores clássicos da era de ouro de Hollywood, com dois de seus grandes astros em plena forma pessoal e dramática. Um filme mais do que clássico, absoluto.

Pablo Aluísio.